Tenho que admitir, as coisas aconteceram rápidas para mim desde que cheguei ao McKinley. Lembro do meu primeiro dia de aula e todo aquele medo que sentia por estar em um novo colégio sem conhecer ninguém, mas eu tentava não demonstrar aquilo. Escutei o longo discurso de boas vindas do Diretor Finggs que logo depois me entregou uma pilha de livros e disse para ir pra aula. Não conseguia enxerga nada com os livros tampando minha visão quando sai da sala do diretor, e nem sequer notei uma pessoa que se aproximava de mim e me deu um baita susto. Meus livros foram para o chão e quase que instantaneamente uma garota já se ajoelhava e começava a pega-los. E foi assim que eu conheci a Rachel.
Rach era um pouco menor do que eu, morena e tinha um olhar...estranho. Ela era muito engraçada e rolou uma simpatia imediata por ela, mesmo sentindo que ela tentava esconder alguma coisa. Parecia que Rachel queria ser grande mas tinha medo, não fazia sentindo nenhum uma garota linda como ela se sentir tão excluída assim. Rach me ajudou com os livros e em achar minha sala, e pelo que ela havia falado tínhamos aula de culinária juntas então a veria mais vezes o que me parecia uma ótima idéia. Fiquei um pouco envergonhada com um comentário que ela fez sobre mim e agradeci mentalmente o sinal ter batido, porque era estranho, mas por algum motivo eu tinha gostado de receber aquele elogio vindo dela.
Subi as escadas e fui para minha primeira aula no McKinley. Entrei e comecei a procurar por um lugar para sentar e avistei uma garota com uniforme de líder de torcida. Resolvi me sentar perto dela, afinal eu tinha que ser uma cherrio:
- Com licença posso sentar aqui?
- Tanto faz. – Ela tinha aquele ar de superioridade típico de quem esta no topo enquanto lixava as unhas.
-Posso te pergunta uma coisa? – deu de ombros e continuo o que estava fazendo com total falta de interesse na minha pergunta. - Como faço pra entrar pra cherrios? – então ela parou e olhou pra mim e cima a baixo.
- Anda comigo na hora do recreio e depois da aula eu te levo pra treinadora Sue fazer um teste com você.
- Só isso? – parecia tão fácil
- Pois é querida. Quando se tem rostos como o nosso, as coisas costumam vir mais fácil. Qual seu nome?
-Quinn Fabray, e o seu?
- Santana Lopez
- A voce é amiga da Rachel certo?
- Xiiii fala baixo, no colégio agente conversa só se for muito importante, conversar com ela aumenta minha reputação, me faz parecer "humana".
-A é ela me conto isso também. – amizade estranha – Na verdade a conheci agora mesmo, ela que me ajudou com os livros e achar minha sala.
-Por falar em livro, esse ai que você ta segurando é dela.
-Serio? – realmente o livro não era meu. – Como você sabe que é dela?
- Estrelas douradas. – Santana apontou para um adesivo na ponta do livro – Coisa da Berry.
Na hora do recreio me sentei com as cherrios, mas não queria estar ali. Nunca quis realmente ser líder de torcida, eu gostava de cozinhar, de cantar e principalmente eu gostava de tirar fotos, mas não era o que meu pai gostava e eu sempre fiz as vontades dele.
Olhava o tempo todo procurando Rach para entregar o livro e fiquei feliz quando a vi entrando na cantina caminhando ate minha mesa com uma carinha assustada que era ate fofa. Gritou por Santana e aproveitei para dar um tchauzinho para ela, comentei do livro e quando ia me levantar para entregá-lo Santana o tiro da minha mão e entregou para Rach enquanto as duas iam para um canto.
Quando acabou a aula, Santana me levou ate Sue Silvéster. Ela me olho igual a Santana fez e pronto eu era uma cherrio. Deixei de ser a novata perdida para me torna a nova rainha, ou segunda rainha, da escola andando com Sant que acabou me convencendo a entrar no glee club, também mesmo meu pai achando aquilo desperdício de tempo. Era um pouco tímida para cantar então preferia ficar apenas assistindo as apresentações ou fazendo coro quando sabia as letras. Mas o que eu mais gostava no glee era ouvir Rach cantando. Era emocionante como ela se entregava como colocava a alma nas apresentações, como ali ela não tinha medo de ser grande de ser ela mesma. Queria que ela tivesse coragem de ser assim fora do glee também.
Tirando o glee e as cherrios, ficava a maior parte do tempo andando com Santana. Ela era legal e uma boa distração, mas às vezes eu sentia que ela me usada pra conseguir status ou só pra preencher o espaço que sentia pela falta de mais certeza disso quando ela começou com um papo de que todas as cherrios já haviam se beijado e que aquilo era normal, que ajudava a relaxar depois dos exaustivos que aquilo era papo furado pra me agarrar, mas pensei melhor quando em um final de semana ela me ligou falando sobre o Finn estar interessado em mim. Já o conhecia e não podia negar que era um possível bom partido no futuro, então revolvi dar chance.
Me encontrei com Finn e conversamos horas e horas. Ele me trouxe em casa e nos beijamos na porta. Passamos o final de semana inteiro juntos e eu estava realmente gostando dele. Na segunda quando entramos no colégio, todos os olhares eram pra Finn e eu. Vi Sant, Rach e Britt na porta do armário me esperando, nos cumprimentamos e pude perceber que a Rach estava com uma expressão apertou a bochecha de Finn e a minha como se fossemos bebes e saiu puxando Sant para o que ela tava tendo um dia ruim.
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Os seis meses que se passaram foram ótimos. Tinha boas amigas, um status no colégio, e um ótimo namorado. Finn fazia tudo pra mim, era cavaleiro, não tinha medo do meu pai, me acompanhava na igreja, mas tinha um problema: Finn era meio apressadinho em relação a sexo. Todas as vezes que agente começava a dar uns amassos Finn tentava de qualquer forma tocar meus seios e era difícil fazer ele parar. Ele subia a mão eu descia, ele subia de novo e de novo eu descia não que eu não tivesse vontade com o Finn, mas eu já havia deixado uma vez e não tinha boas recordações com meu ex-namorado.
Agente já namorava a um bom tempo e ele me convenceu que talvez fosse à hora de dar o próximo passo. Mesmo gostando dele aquilo não me parecia o certo e quando no meio do caminho totalmente arrependida de ter começado disse que não queria mais, ele ficou revoltado e agressivo e tentou terminar o "trabalho" a força. Comecei a gritar e tentar fugir dele a todo custo e tive sorte do vizinho escutar, entrar na minha casa e tirar meu ex-namorado de cima de mim. Cerca de 10 minutos depois meus pais já estavam em casa, e enquanto minha mãe me confortava, meu pai já arrumava as malas e os papeis de transferê estávamos largando nossa cidade e indo para Lima – Ohio, e foi assim que eu vim parar no McKinley. Não tive nenhum trauma ou precisei me consultar com psicólogos, mais fiquei meio receosa depois disso.
E foi em um desses receios, que Finn sugeriu que era a hora de começarmos as transar. Eu queria dormi com Finn, mas ao mesmo tempo não me sentia pronta. Precisava urgente de um conselho, de alguém que tivesse uma possível boa opinião pra aquilo. Acabou a aula e fiquei esperando Santana numa mesinha da lanchonete enquanto conversando com Britt, quando vi que Rach vinha também e ela me pareceu à pessoa certa pra ter uma conversa sobre o que Finn havia sugerido,ela sempre foi tão atenciosa comigo, então aproveitei que ela estava no caixa:
-Rach – ela se virou – Posso conversa com você sobre uma coisa?
-Claro qualquer coisa.
- É sobre Finn e eu – se não a conhecesse diria que ela parecia decepcionada com o assunto
- O que que tem vocês?
- Finn acha que agente devia começa a ter algo parecido com uma vida sexual. –parecia ser menos pesado do que dizer fazer sexo
-Mas já? Vocês tão juntos a o que 6 meses?
-É eu sei. – realmente era pouco tempo
- E o que você acha?
- Não acho que não to pronta ainda
- Então fala isso pra ele.
- Mas ao mesmo tempo eu tenho medo de perde ele. E se ele olhar pro lado e achar alguém melhor do que eu?
- Quinn, se ele realmente te ama, ela não vai olhar pro lado, e se olhar pode ter certeza, ele não vai encontrar alguém melhor que você.
Eu sorri e a abracei.
-Obrigada Rach.
Rach tinha razão. Se Finn realmente gostasse de mim ele iria esperar ate eu ter certeza que queria tanto quanto ele. Depois de ir atrás da Rach e entregar a mochila que ela havia esquecido, encontrei Santana e Britt que começavam um amasso, mas pararem logo que notaram que eu tinha voltado.
-Vocês não cansam não hein?
-Claro que não. Você namora sabe como é.A propósito como estão às coisas entre vocês? – às vezes eu achava que Santana tinha uma espécie de radar pra puxar assuntos delicados.
- Ta tudo ótimo.
- Então vocês já chegaram aos finalmente, já que ta tudo ótimo.
- Na verdade não. Não to pronta pra dar esse passo com ele ainda e bom se ele me ama vai entender.
- Nossa parece ate a Berry falando. Quer uma dica preciosa? Se você não der o próximo passo com ele, logo logo ele procura outra pra fazer isso.
- Sant...
-O que foi Britt é a verdade.
- Não, não é. O Finn não é assim.
- O Finn é um cara Quinn, igual todos os outros. Quando eles não têm em casa procura na rua.
As palavras de Santana ficaram na minha cabeça a noite toda. Desde pequena eu era aquele tipo de menina que acreditava em contos de fada e príncipes encantados, e não parecia que ele era o meu, mas talvez ela estivesse certa e eu estava dando valor exagerado pra uma coisa que iria acontecer eventualmente. Então tive uma idéia.
Na manha seguinte cheguei à escola junto com Finn e quando estávamos nos beijando, roubei no bolso a chave da casa sem ele perceber. Eu sabia que a mãe dele não estava em casa e Finn não me disse nada de ter planos pra depois da aula, então eu ia colocar o meu plano em pratica. Na hora do intervalo peguei minhas coisas e caminhei pra saída tentando não encontrar Finn, mas trombei com Sant.
- Ta indo pra onde louca?
-Fazer alguns preparativos pra grande noite.
- Quer dizer que você vai?
-Sim
- Muito bem garota. Então corre ele ta vindo.
Fui pra casa de Finn, entrei com a chave roubada e subi ate o seu quarto que era muito organizado para um garoto. Tirei minhas roupas e coloquei uma de seda linda e sexy,e acendi uma vela aromática porque apesar de ser organizado, o quarto de Finn não tinha um cheiro muito bom.
Ainda faltava uma hora pra ele chegar, e eu já estava começando a morrer de tédio de ficar esperando. Vi um sonzinho e resolvi que ouvir musica poderia ser uma boa idéia. Comecei a procurar por algum cd nas gavetas do armário, mas não achava nada. Vi uma gaveta menor na mesa do computador e achei um cd ali. Quando puxei o cd, um bilhete caiu dele. Peguei o papel que tinha um beijo de batom e o cheiro de um perfume vagabundo e não acreditei no que li:
"Amor, nosso encontro de ontem a noite foi Finnesquecível,você é uma delicia"
Deixei o bilhete cair enquanto tentava me apoiar nas próprias pernas. Não conseguia acreditar nos meus olhos. Peguei minhas roupas, a vela, e sai correndo o mais rápido possível daquele lugar. Entrei no meu carro e tentei ligá-lo em meio à lagrimas. Como eu fui tão estúpida?
- /-
Mas um dia e nada de Quinn. Ela não era do tipo que faltava de aula um dia sequer, quanto mais uma semana, ainda por cima sem avisar. Nem Finn tinha noticias dela, e isso estava começando a me preocupar.
Acabou a aula e hoje era dia de glee club. Encontrei Santana no caminho e ela também não tinha noticias de Quinn desde o dia que fizemos trabalho na casa de Finn. Entramos na sala, nos sentamos e quando mrs Shues ia começar a falar algo sobre alguma banda dos anos 60, Quinn apareceu:
-Mrs Shue, será que eu poderia cantar uma musica? – Quinn queria cantar? Finn se levantou da cadeira e foi em direção a ela.
- Aonde você se meteu? Ta todo mundo atrás de você a dias. – Finn colocou a mão no ombro de Quinn que ate o momento olhava pro chão.
- Senta. Eu quero cantar pra você. – Ela sorria apesar de parecer triste, mas triste mesmo eu que fiquei pensando que ia presenciar uma declaração de amor, belo engano.
-Ok. – Finn sorriu e se sentou enquanto Quinn combinava qualquer coisa com o pianista. Então a melodia começou e eu não acreditava no que ela estava cantando.
I went to your house
Walked up the stairs
Opened the door without ringing the bell
Walked down the hall
Into your room where I could smell you
And I shouldn't be here
Without permission
Shouldn't be here...
Would you forgive me love, if I danced in your shower?
Would you forgive me love, if I laid in your bed?
Would you forgive me love, if I stay all afternoon?
Quinn tinha uma cara que parecia ser sarcástica, como se ela tivesse brincando com as palavras enquanto todos prestavam atenção na letra.
I took off my clothes
Put on your robe
Went through your drawers
And I found your cologne
Went down to the den
Found your cd's
And I played your Joni
And I shouldn't stay long
You might be home soon
Shouldn't stay long
Would you forgive me love, if I danced in your shower?
Would you forgive me love, if I laid in your bed?
Would you forgive me love, if I stay all afternoon?
De repente a expressão de Quinn mudou totalmente. Agora ela tinha uma feição fria, triste, vazia. E ai tudo fez sentido.
I burned your incense
I ran a bath
I noticed a letter that sat on your desk
It said:
"Hello, love.
I love you so, love.
Meet me at midnight."
And no, it wasn't my writing
I'd better go soon
It wasn't my writing
So forgive me love If I cry in your shower
So forgive me love for the salt in your bed
So forgive me love If I cry all afternoon
Todos ficaram calados quando Quinn acabou a musica. Finn nem se mexia e eu tentava ligar os pontos. Era isso, era Quinn o motivo do bilhete no chão, da porta aberta, do cheiro na casa.
Ela ficou parada ali ate que a primeira lágrima ameaçou descer, então ela se virou e saiu correndo da sala, e eu não esperei nem dois segundo para ir atrás dela.
-Quinn espera.
- Droga Rach, eu sou muito idiota mesmo, devia ter te escutado – é Quinn devia mesmo
- Tudo bem Quinn, você só cometeu o erro da maioria das garotas, confiar em um cara.
- Eu já devia ter aprendido, não é a primeira vez que isso acontece. – ela chorava sem parar
- Como assim? – então nos duas nos sentamos no chão do corredor, e ela me contou toda a historia do seu ex-namorado, e se eu o conhecesse juro que matava ele.
- Será que eu nunca vou encontrar alguém que não vá partir meu coração? Será que eu nunca vou ser feliz? – Quinn não chorava mais, mas seus olhos ainda estavam vermelhos.
- Você vai ser muito feliz ainda Quinn. – Ela deu um sorriso e apoiou a cabeça no meu ombro
- A vou? Como você pode ter tanta certeza disso? – Não importava o que eu tivesse que fazer, essa era minha promessa.
- Porque eu vou estar do seu lado pra garantir que isso aconteça!
