Confesso que me sentia uma completa idiota tomando conta de Quinn e Rach e adoraria poder voltar no tempo ate o dia daquela maldita entrevista e apenas ficar calada durante a longa discussão entre os Berrys e Fabray, ao invés de me candidatar ao posto de baba das duas os dias em que Hiram e Leroy estivessem trabalhando, por achar que qualquer coisa era melhor do que ficar sozinha na casa dos meus sogros. Apesar do longo sermão de Leroy ter amenizado um pouco as coisas ao ponto de fazer Rach e Quinn ate trocarem meia dúzia de palavras que educadas, o clima dentro da casa não era dos melhores, mas nada comparado ao lado de fora.
O que estava sendo considerado por muitos como o maior temporal do ano chegou muito pior do que as previsões. Chuva, chuva e mais chuva. Parecia que o mundo estava acabando e mesmo completamente entediada de assistir as trocas de olhares das duas, agradeci por estar a salvo na fortaleza dos Berrys.
Estava sentada na sala junto com Quinn que lia um livro qualquer sobre coisas de gravidez e Rach que estava escutando musicas, quando vi um vulto pela janela. Me aproximei com um certo medo e avistei um ser louco correndo no meio daquela tempestade, e pra minha nem um pouco surpresa, começou bater na nossa porta.
– Socorro Rach, socorro. Abre a porta Rach, me deixa entrar. Eu vou morrer meu Deus eu vou morrer.
Rach largo os fones e saiu correndo reconhecendo a voz da pessoa que já esmurrava a porta. Quando a abriu, uma Lauren encharcada e totalmente desesperada caiu no chão e começou a se arrastar com um soldadinho para dentro da casa.
– Lauren ficou louca de vez? O que você estava fazendo no meio dessa tempestade? – Pelo pouco que a conhecia já havia percebido que ela não regulava muito bem, mas sair naquele tempo, era muita loucura.
– Eu não podia ficar sozinha naquela droga de hotel com toda essa chuva e esses... Relâmpagos e trovoes. – Rach tentou segurar o riso enquanto procurava por uma toalha. – Resolvi vir correndo para cá quando a chuva diminuiu um pouco, mas ela aumentou no meio do caminho e fiquei sem saber se voltava ou continuava. Devo ter caído umas oito vezes ate chegar aqui. Foi horrível Santana, horrível.
– Calma amiga você esta salva agora – Rach voltou ainda com tentando segurar o riso, enrolou Lauren na toalha e a abraçou. – Lauren não acredito que me esqueci, me desculpa por ter te deixando sozinha, mas estou muito orgulhosa de você.
– Que papo estranho é esse? Orgulhosa por quê? – Quinn perguntou tão curiosa quanto eu ao ver Lauren fuzilar Rach com os olhos como se implorasse pra ela não contar.
– Lauren tem medo de trovoes.
– O que? – Quinn e eu dizemos juntas. – Quantos anos você tem, cinco?
– Isso é uma doença chamada Brontofia ok, e não eu não tenho medo de trovoes. – no mesmo instante o som alto de um trovão invadiu a casa, fazendo Lauren se contorcer toda para não gritar . – Viram? Não tenho nenhum medo bobo de trovoes. Rach você pode me abraçar ate acabar a tempestade?
– Claro que sim, mas primeiro vamos arrumar algumas roupas secas para você.
Não dava pra esperar muita coisa acontecer naquela noite com aquele tempo, mas pelo menos iria me divertir um pouco rindo daquela engraçada fobia da Lauren. Quinn e eu a ajudamos a subir para o quarto de Rach enquanto ela procurava por alguma roupa que coubesse na amiga .
– É acho que não tenho nada que sirva em você, na verdade acho que essas roupas não servem nem mais para mim. – Rach disse enquanto segurava um dos horríveis moletons que ela usava na época do colégio
– Tudo bem eu te empresto minhas roupas, devo ter algo que sirva em você . – Quinn se prontificou
– Oh muito obrigada Quinn, não é só a aparência. Você é realmente um anjo.
– Okay. – Sem graça, Quinn foi ate o quarto dela e voltou com uma blusa e uma calça de frio e entregou a Lauren que não fez muita questão de ir ao banheiro e começou a tirar a blusa ali mesmo na nossa frente deixando a vista um abdômen que me doía a alma admitir, mas era muito bem trabalhado.
– Não precisa ficar ai babando Santana, se você quiser é só vim pegar.
– Lauren por que você não se troca ali, hein?– Rach disse a empurrando para o banheiro e puxando a porta antes que eu a dessa uma resposta merecida, o que pra fala verdade eu não tinha.
Alguns minutos depois ela saiu do banheiro agora devidamente vestida, mas ainda com aquele ar presunçoso que só ela tinha e que eu adorei ver desaparecer assim que mais uma vez escutamos um trovão. Dessa vez ela se agarrou a Quinn que estava mais próxima. Assim que diminuiu o barulho Lauren se afastou dela tentando disfarçar.
– A Quinn muito obrigada pelas roupas, ficaram ótimas.
– Lauren tudo bem você ter medo de trovoes, não precisa ficar fingindo.
– Não preciso fingir algo que não existe Santana, mas adoraria se mudássemos de assunto e pesássemos em algo pra me distrair desses horríveis barulhos.
– Sabe o que podíamos fazer? Abri uma das janelas, ficar assistindo a tempestade e contar quantos trovoes são necessários pra você começar a chorar?
– Hahaha muito engraçado Santana, mas tenho uma ideia melhor. Disse Lauren segurando uma garrafinha de shampoo que encontrou no quarto de Rach. - Que tal jogarmos 7 minutos no céu?
– Você ta zuando não é?
– Não. É o melhor jogo do mundo.
– Por que você acha que jogaríamos isso?
– Por que somos quatro lésbicas solteiras presas dentro de uma casa. É o que todo mundo espera que aconteça.
– Talvez, se tivéssemos 15 anos.
– Você não brincava disso quando tinha 15 anos Rach.
– Verdade - concordei me lembrando do quanto minha amiga era inocente nessa época.
– Tanto faz, não é como se fosse acontecer alguma.
– Conhecendo o histórico de vocês eu não teria tanta certeza. – Quinn, Rach e eu encaramos Lauren.
– O que você quer dizer com isso?
– Bom primeiro Rach. Por acaso você ficou com alguém desde o que aconteceu com a Alex? Eu acho que não. Santana você tem uma "namorada" que vive viajando o que me faz pensar que talvez você transe três, talvez quatro vezes... por ano. E Quinn pela quantidade de pornô que a Rach disse que você tem no seu computador sua situação é sem duvida a pior de todas.
– Ei.
– Desculpa Quinn.
– E quem é você pra fala de nos?
– Eu? Santana eu transei ontem à noite, e hoje de manha, e 2 horas antes de começar essa maldita tempestade, com três garotas diferentes. Eu aguento, não posso dizer o mesmo de vocês. Pra fala a verdade, acho que 7 minutos é tempo de mais. Eu aposto que não conseguem ficar nem cinco minutos.
Nunca pensei que algo tão idiota pudesse fazer tanto sentindo, foi então que percebi que na verdade aquela era uma ideia brilhante. Lauren estava certa. Não da minha parte é claro , afinal sempre tive autocontrole, mas Quinn e Rach? Elas não iriam mesmo aguentar fica juntas em um cubo sem que nada acontecesse. Só precisa mexer meus pauzinhos.
– Quer saber Lauren? Eu topo. Vamos jogar e eu vou ter o prazer de provar que você esta novo – disse me sentando no chão.
– Duvido muito. E vocês, o que me dizem?
– Eu topo também. – Quinn se sentou a meu lado – E só pra deixar claro não são filmes pornôs, são eróticos.
– Claro Quinn, o que te fizer dormir a noite por mim tudo bem. Então Rach só falta você.
– E vai ficar faltando, não vou participar dessa idiotice. – a não Rach, você não vai estragar meus planos não é?
– Depois eu que sou a covarde. – Quinn murmurou.
– O que você disse?
– Ela disse "depois eu que sou a covarde". – repeti em alto e bom som, deixando Rach nervosa.
– Estou dentro – Disse Rach se sentando ao meu lado e de Lauren, ficando de frente para Quinn.
– Bom para nossa amiga não familiarizada com a brincadeira, Rach é muito simples. Cada hora um vai rodar a garrafa e a pessoa que for sorteada vai para como a outra para nosso pequeno guarda roupa dessa vez representada pelo seu banheiro e podem fazer o que quiser durante 7 minutos, que reduzimos para 5 por causa do excesso de tesao acumulado pelas demais participantes. A porta não é trancada pra o caso de uma de vez resolvam desistir.
– Eu sei como é o jogo Lauren.
– Ótimo então quem começa?
– Ok eu começo. – girei a garrafinha que parou exatamente na pessoa que eu queria, ou melhor, que eu precisava. Lauren.
– É isso ai Santana, você e eu. 5 minutos no paraíso. Isso é se você aguentar – Caminhamos ate o banheiro, acompanhadas pelos olhares de Rach e Quinn, ate Lauren fechar a porta. - Então posso ficar perto de você, ou tenho que esperar ate que sua vontade de me agarrar fique incontrolável?
– Esquece isso Lauren, eu tenho um plano.
– Otimo eu também tenho um plano.
– Serio? Qual? – por um momento fiquei surpresa.
– Meu plano era, pra começar, eu me aproximava de você e passava minhas mãos pela sua cintura. Eu colocaria as suas mãos no meu pescoço e daríamos um selinho demorado cheio de paixão, ate que você me desse permissão para aprofundar o beijo. Minhas mãos iam subir pelas suas costas tirando lentamente sua blusa enquanto você distribuía beijos por o seu corpo perfeito e... – precisei de alguns segundos antes de fechar a boca, retomar meus pensamentos, meu autocontrole e me afastar de Lauren que estava começando a se aproximar.
– Não, não Lauren. Não um plano pra você e eu, um plano pra Rach e Quinn.
– Santana eu estava só brincando, não tenho intenção de tentar nada com nenhuma das duas.
– Não você com as duas. As duas com as duas. Quero dizer a Rach com a Quinn.
– Ainda estamos tentando junta-las? Achei que tinha acabado depois do que aconteceu na entrevista.
– Só por que você deu uma furada magistral não significa que eu vamos desistir. Essa é a nossa melhor chance e eu me recuso a acreditar que vou dizer isso, mas vou precisar da sua ajuda.
– Deixa eu tentar adivinhar qual o seu plano. Você pretende prende-las aqui ate que se desculpem ou sei la se matem?
– Ate que se desculpem, sim.
– E pra isso a gente só precisa continuar essa brincadeira aparentemente idiota, tentar de alguma forma fazer a cabeça delas, pra quando for a vez das duas ficarem aqui, torce para que umas delas crie coragem de fazer a coisa certa?
– Exatamente. Caramba você é bom em adivinhações.
– Claro, esse plano é mais obvio do que a intenção da minha brincadeira.
– Mas pode dar certo não é?
– É pode ser que de certo. Na pior das hipóteses só seremos cúmplices de um homicídio.
– Não vai acontecer nada disso, se precisamos ser cautelosas e não deixar na cara nosso plano.
– Mas é muito obvio Santana, tipo muito obvio.
– Não importa Lauren, vai me ajudar ou não?
– Ok,ok. Não tenho outra opção também. – ela disse checando o celular. – Droga.
– O que foi?
– Só temos mais dois minutos. Podemos pular a introdução e ir direto pra parte que eu tiro sua blusa? – ela disse mais uma vez se aproximando, mas a empurrei.
– Continua sonhando Lauren.
– Ate o dia que se tornar realidade. – Lauren deu uma piscadinha e sorriu. Mas uma vez precisei de alguns segundos para recuperar o raciocínio e não admitir que eu talvez estivesse ate gostando da ideia. Graças a Deus Rach abriu a porta eliminando esse pensamento.
– Acabou o tempo e pelo visto não aconteceu nada, como eu imaginava.
– Pois é Santana é mais resistente do que imaginei, mas isso não prova que eu estava errada. O jogo só começou.
– Tudo bem minha vez agora. – Rach rodou a garrafinha que mais uma vez parou na pessoa certa. Eu. Voltei para o banheiro dessa vez com minha amiga de infância e Lauren fechou a porta. – Não acha que vamos relembrar os velhos tempos não é? Não preciso mais de lições de beijo.
– É, mas talvez precise de umas lições de moral.
– O que você quer dizer com isso?
–O que aconteceu com você Rach? O que aconteceu com a garota que eu conhecia? Por que você mudou tanto?
– As pessoas mudam Sant.
– Se você realmente acredita nisso não deveria tratar a Quinn como vem tratando. Ela mudou também a diferença é que foi pra melhor. Ela aprendeu com os erros dela, e olha que não foram poucos. Já você, Rach eu sempre admirei o jeito que você conseguia se mostrar superior as pessoas que te tratavam como lixo na escola e agora você esta agindo exatamente como elas.
– Sant eu sei que o que eu fiz com a Quinn foi estúpido e errado e acredite eu realmente me arrepende. Não queria desapontar nem você, nem meus pais, ou a Lauren e eu imagino o quanto a Alex ficaria desapontada comigo. Eu quero me desculpar com a Quinn de verdade e, passar por cima de tudo isso, mas também não é fácil pra mim. Ela quebrou meu coração tantas vezes.
– Eu sei disso Rach, mas uma coisa que aprendi todos esses anos é que as vezes a única pessoa capaz de conserta um coração partido, é exatamente a pessoa que o quebrou. – parei encarando Rach que realmente parecia estar arrependida do que fez. – Olha eu não acredito que você tem mudado completamente. Tenho certeza que la no fundo, você ainda é a mesma garota doce e inocente que me ajudava a criar planos mirabolantes para ficar com a Britt. – Nos duas rimos. – E eu sei que você vai dar mais uma chance pra Quinn, pelo menos para ela esclarecer as coisas entre vocês. Tem tanta coisa que você não sabe.
– Como o que?
– Não cabe a mim te contar, e se você realmente quer saber, vai ter que perguntar pra ela.
– Cutucar minha curiosidade? Golpe baixo Sant, golpe baixo.
– Você me conhece Rach. Sabe que faço o que for preciso não é? Agora vem aqui. – Puxei Rach para um abraço e sem que ela percebe-se, tirei a chave da porta. Agora só precisava ter certeza que Lauren também tinha feito a sua parte para meu plano dar certo.
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Nunca tive problemas em convencer uma garota a fazer o que eu queria e nem precisava de sete minutos para isso. Claro que o fato dessa garota estar grávida, ser o grande amor da vida da minha melhor amiga, e ainda aqueles malditos trovoes complicavam um pouco as coisas, mas já que havia sobrado para mim a árdua tarefa de mexer com a cabeça de Quinn enquanto Santana conversava com Rach,eu ia fazer o que fosse preciso. Assim que conseguisse parar de tremer e pensar em como começar aquela conversa.
– Tem muito tempo que você tem isso?
– Isso o que? Minha personalidade extrovertida, meu sorriso encantador, meu charme irresistível?
– Seu medo de trovoes.
– Ah. Não é medo sabe, é só uma pequena aversão, mas sim já tem um tempo. Não aconteceu nada de mais, eu só não consigo fica sozinha quando chove.
– Ajuda se eu ficar mais perto?
– Ajuda. – Quinn sentou mais perto de mim.
– Mas só pra ficar claro, independente do meu longo tempo sem nenhuma atividade por assim dizer, não vai acontecer nada entre nos se entramos naquele banheiro ok? – Foi a primeira vez que escutar uma garota me rejeitar era exatamente o que eu queria ouvir.
– Pode ficar tranquila Quinn, eu jamais tentaria alguma coisa com alguém por quem a Rach é completamente apaixonada. – Quinn deu um sorriso triste.
– Talvez você estivesse certa, se dissesse isso há quatro anos atrás.
– Quinn deixa eu te contar uma coisa, eu já conhecia a Rach há quatro anos atrás. Eu conhecia aquela garota quando nem ela tinha certeza de quem era. Eu conheci a Rach antes de você, e conheci a Rach depois de você. Eu vi de perto aquela garota insegura se transformar em uma mulher confiante que conseguia o que queria. E só tem uma coisa que ela nunca conseguiu. Te esquecer. Ela continua apaixonada por você como na primeira vez que te viu derrubando livros no corredor do McKinley. – quando vi o olhar surpreso de Quinn, percebi que tinha alcançado meu objetivo e na hora exata. Conferi no relógio que o tempo de Santana e Rach havia acabo então me levantei, abri a porta, e assustei vendo as duas abraçadas. – Por favor me diz que não aconteceu nada entre vocês?
– Mas a intenção da brincadeira não era acontecer? – Rach respondeu dando uma piscadinha pra mim e caminhando de volta para o quarto. Dei um sorrisinho forçado e voltei minha atenção para Santana.
– Então, conseguiu?
– Missão cumprida. – Santana respondeu segurando a chave. – E você com a Quinn?
– Mas apaixonada do que antes.
– Ótimo, agora só precisamos torce para aquela garrafinha parar nas duas.
– Ou podemos fazer aquela garrafinha parar nas duas.
Não precisei nem explicar, Santana havia entendi muito bem o que eu queria dizer. Voltamos para nossos lugares, sentadas no chão e ficamos esperando a próxima jogada. Dessa vez Quinn tomou a iniciativa e rodou a garrafa que parecia girar em câmera lenta. Quando começou a parar indo na direção errada, estiquei a perna dando um toquinho de leve fazendo a passar por Sant e parar em Rach.
– Ei isso não vale.
– Rach sem fazer drama por favor? Isso iria acontecer uma hora ou outra, então relaxa. São apenas cinco minutos eu sei que você aguenta, caso o contrário é só abrir a porta – Santana e eu praticamente empurramos as duas para dentro de banheiro, fechamos a porta, e tentando não fazer barulho trancamos as duas.
– Então o que a gente faz agora?
– Essa brincadeira me deu fome, vamos para cozinha fazer alguma coisa?
– Acho uma ótima ideia.
Santana e eu descemos para a cozinha deixando as duas lá sozinhas. Fizemos a nossa parte agora era a vez dela se acertarem por bem ou por mal.
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Quando aceitei participar daquela brincadeira estúpida não achei que seria tão difícil ficar perto de Rach dentro de um banheiro ate espaçoso por simples cinco minutos, já que ainda estava um pouco chateada pelo que ela fez na entrevista, mas depois do que Lauren disse aquele lugar ficou pequeno de mais, cinco minutos pareciam eternas horas e minha vontade de agarrar Rach que já era grande aumentou consideravelmente, fazendo meu corpo arrepiar todas as vezes que nossos olhos se encontravam naquele insuportável silencio. Se continuasse naquele ritmo eu não ia aguentar nem mais um minuto que dirá cinco. Eu precisava tomar alguma atitude, sei la começar uma conversa.
– Caramba que temporal. – Muito esperto Quinn, vamos falar sobre o tempo.
– Só espero que acabe logo, antes que o medo da Lauren a faça inventar mais alguma brincadeira sem sentido.
– Sabe que eu estou ate achando legal.
– É vai ser realmente legal ver a Lauren quebrar a cara, já que não vai acontecer nada entre nenhuma de nos.
– É acho que não – A resposta de Rach foi como um banho de água frio.
– Quero dizer, é obvio que a Sant não vai ficar com a Lauren. Eu não ficaria com nenhuma das duas, seria muito estranho. Você e a Sant tiveram todo tempo do mundo pra fazer isso não seria agora em cinco minutos, e a não ser que você fique com a Lauren só sobra ... – Rach parou de fala.
– Você e eu.
– Você e eu. – nos olhamos como se tivéssemos achado a resposta de uma pergunta que nem havia passado por nossas cabeças. Na mesma hora Rach levou a mão à maçaneta comprovando nossa suspeita. Santana e Lauren armaram contra a gente. – Eu vou matar aquelas duas. – Rach começou a bater na porta enquanto eu apenas me abaixei a tampa do sanitário e me sentei, sabendo muito bem que só sairíamos dali com uma condição.
Dez minutos depois Rach ainda tentava abrir a porta com girando um pedaço de grampo na maçaneta ate que ele quebrou. Com ainda mais ódio, voltou a bater na porta e gritar pelas duas traidoras.
– Vai ficar parada ai? Vem me ajuda?
– Por que se você esta fazendo um ótimo trabalho? Na verdade acho que você bater mais umas duas vezes elas vão desistir e abrir a porta. – Depois daquele tempo, ficar presa com Rach já não era o que me incomodava, mas sim minha bexiga de grávida que já estava prestes a explodir.
– Não acredito que elas fizeram isso com a gente. – Não dava, eu não aguentava mais. Subi a tampa do sanitário e comecei a desfazer o nó da calça. – Ei o que você esta fazendo?
– Eu preciso fazer xixi.
– E não da pra segurar?
– Rach eu estou grávida, preciso fazer xixi quase que toda hora,eu já segurei de mais. E também qual é o problema, afinal estamos em um banheiro. – Me sentei sem sentir vergonha de Rach
– Ah então você não ia ficar incomoda se eu resolvesse tomar um banho agora, afinal estamos em um banheiro.
– Rach o meu caso é uma necessidade.
– O meu também. Ainda não tomei banho hoje. – Ela respondeu ligando o chuveiro e tirando a camisa.
– Ei o que você esta fazendo? Você não vai tomar banho agora. – Rach continuou me ignorando e quando já ia tirar as calças, subi a minha rapidamente e segurei os braços dela contra a parede, ficando a milímetros de distancia.
– Lauren e a Sant ficariam doidas se vissem essa cena – Nos duas rimos e mesmo não querendo, eu soltei seus braços e me afastei, mas Rach continuou me encarando. – Quinn me desculpe.
– Tudo bem eu vou tentar segurar mais dessa vez.
– Não por isso. Quer dizer por isso também, mas quero pedir desculpas pelo que fiz na entrevista.
– Você não esta dizendo isso só pra me se aproximar e depois falar mal de mim pra toda Ohio de novo? – disse em tom de brincadeira, mas Rach estava seria.
– Não, dessa vez é de verdade. Não foi pra isso que eu voltei pra Lima. Voltei pra consertar minha vida, não transformar a sua em um inferno. Eu não devia ter feito aquilo com você, não devia ter dito aquelas coisas e...
– Para Rach, você não tem que se desculpar. – a interrompe. Era a minha vez de tomar uma atitude. – Você não falou nenhuma mentira. Sim eu fui horrível com você, eu tinha medo de assumir o que sentia e ao mesmo tempo tinha medo de te perder e acabei usando os artifícios errados para isso e ainda assim você me perdoou inúmeras vezes. Eu deixei você ir embora e sim vivi os piores anos da minha vida ao lado de um cara que não amava. Você estava certa sobre tudo o que disse, e principalmente você estava certa ao cantar aquela musica. Eu quero você de volta e vou fazer o que for preciso pra conseguir.
Me aproximei de novo encurralando Rach, que tentou me impedir.
– Espera Quinn. Por favor não faça isso.
– Desculpa Rach, mas não consigo ficar mais nem um segundo sem beijar você - Segurei delicadamente seu rosto e beijei aqueles lábios com os quais sonhei todas as noites durante aqueles anos. Um beijo cheio de saudade, cheio de vontade e eu sentia que não era só da minha parte. Passei minha mão pela sua cintura tentando colar nos corpos o máximo que minha barriga imensa permitia. Já sentia falta de ar, mas eu não queria parar de jeito nenhum e só o fiz por que senti algo estranho descendo pelas minhas pernas. Não aquilo não podia estar acontecendo, não agora.
– Quinn você estava falando serio quando disse que precisa fazer xixi quase toda hora? – Rach parou reparando que minha calça estava molhada.
– Isso não é xixi. – Rach olhou minha cara de espanto, e disse tentando me tranquilizar.
– Ooooh. Tudo bem isso acontece, não precisa sentir vergonha. Eu li em uma revista que é normal mulheres terem orgasmos prematuros.
– Eu não tive um... orgasmo prematuro. – respondi agora sentindo um pouco de vergonha. - Mas acho que vou ter um filho prematuro.
– O que?
– Rach acho que minha bolsa estouro.
