EPOV

- Acho que pra daqui a um mês está bom. – Bella falou consigo mesma, olhando uma pequena folha de calendário em suas mãos magrelas.

Eu estava sentado a sua frente, olhando pela janela ao nosso lado, cheio de tédio. Estávamos na mesma lanchonete/cafeteria/inferno onde nos conhecemos. Ela, pra variar, enchia minha orelha com abobrinhas que eu fingia estar prestando atenção. Se ela aceitou a porra do trato, não era só nos casarmos e acabou? Por que todas as mulheres, inclusive a mais estranha do planeta, precisavam ser assim?

- Edward! – Ela tentou chamar a minha atenção. – 11 de julho, está bom pra você?

- Um mês é demais. – Eu reclamei. – Por que não a semana antes?

- Porque será 4 de julho e ninguém vai aparecer. – Ela deu os ombros.

- Ah, desculpe, eu esqueci que você queria todos os seus parentes e amigos prestigiando sua união com o amor da sua vida! – Exclamei.

- Ué, você não quer que pareça real? Além disso, eu vou estar menstruada, então sem chance. – Ela franziu a testa, olhando para o calendário.

- Isso atrapalharia nossa noite de núpcias. – Eu disse, e ela me lançou um olhar mortífero. – É brincadeira!

- Eu juro, Edward, você que tente encostar um dedo em mim! – Ela ralhou.

- Eu não sou idiota pra me meter com uma doida como você! Não quero acabar morto e você ficar com todo o dinheiro. – Resmunguei, me afundando na cadeira onde sentava completamente torto.

Ela entortou a cabeça e sorriu. – Não é que você acabou de me dar uma ideia? – Perguntou, irônica.

- Muito engraçado. Ótimo, 11 de julho.

- É tempo suficiente pra preparar tudo. – Ela sorriu um pouco.

- Preparar tudo o quê? – Cerrei os olhos.

- Edward, não se faz um casamento do nada! Tem tanta coisa pra pensar! O buffet, o fotógrafo, as flores, a decoração, a lista de convidados, a igreja... Se bem que eu sempre quis me casar ao ar livre... Você não frequenta muito a igreja, não é? Ok, nós vamos nos casar ao ar livre com um juiz de paz. É mais simples. Esme vai se importar muito? Ela parece ser toda religiosinha.

- Bella... Você sabe que isso não é um casamento de verdade, não sabe? – Ergui uma sobrancelha.

- Essa vai ser minha única vez, Edward! Não posso aproveitar e fingir que sou uma mocinha maternal e romântica?

- É claro, se encontrar um idiota que acredite nisso. – Dei os ombros. – E... Falando nisso... Se vamos seguir todo o protocolo, há uma coisa que eu preciso que você faça por mim.

(...)

"Olha aqui, Edward, eu já estou te fazendo um grande favor aceitando esse plano maluco, então não me faça cobranças!" Ela ralhou do outro lado do telefone.

- O que? Resolveu dar pra trás, agora? – Grunhi segurando meu celular perto da orelha.

"Qualquer um em seu juízo perfeito daria pra trás se fosse convidado pra um jantar ridículo desses!"

Eu respirei fundo e segurei a ponte do nariz, mordendo a língua para não rebater o que realmente queria. Se passaram dois dias desde que eu não a via e realmente não pretendia olhar para sua cara arrogante outra vez. A garota conseguia ficar cada vez mais insuportável. Acho que, quando combinamos tudo, esqueci de deixar muito claro que o plano era MEU, porque ela ficava constantemente metendo o nariz onde não devia. Edward, por que não fazemos assim? E que tal assim? Edward, está errado do seu jeito! Ora, pelo amor de Deus!

Meu único motivo para odiá-la é que ela é uma vadia irritante e manipuladora, e era exatamente isso que eu precisava. Eu me lembrava constantemente disso. Só ela vai fazer dar certo. Calma, Edward, calma!

- Eu vou explicar pela última vez. – Suspirei. – Isso precisa parecer real. E só vai parecer real se você colaborar e manter uma relação agradável com meus tios, assim como eu com os seus pais. Então, eu não me importo com as desculpas que eles estão dando, você arraste esses dois velhos pra cá agora antes que eu mesmo vá buscá-los! – Minha voz aumentou enquanto eu falava.

Ouvi um grito agudo de raiva antes que ela desligasse na minha cara. Eu joguei meu celular na cama com um grunhido frustrado, mas não demorou muito para a tela do aparelho acender outra vez com uma chamada de Emmett. Meu melhor amigo sabia de todo o plano, é claro, porque eu nunca poderia mentir e dizer que estava ficando noivo por livre e espontânea vontade. Eu confiava nele para guardar segredo. Mas, ainda assim, ele me achava um completo idiota e insistia que eu estava me metendo numa merda sem volta. Sua ligação era provavelmente para rir da minha cara outra vez.

No andar de baixo, meus tios e meus primos esperavam para receber minha "noiva" e seus pais para o que seria o jantar mais estranho da minha vida. Eu ainda não havia feito o anúncio, e não tinha ideia de como seria isso, ou se a presença dela ajudaria em tal tarefa. Nenhum de nós dois estava muito feliz com tantos procedimentos, isso eu poderia garantir.

Eles demoraram uma boa meia hora para chegar. Eu fiquei no sofá, entre meus primos, indeciso entre colocar as mãos nas pernas nuas de Rosalie ou dar um tapa no Ipad de Jasper, que jogava alguma idiotice com uma musiquinha insuportável.

- Então, a Bella... Uh, fico feliz que tenham voltado. Eu gostava dela. – Rosalie falou, simpática.

- Eu sei, ela é incrível, não é? E muito bonita. Acho melhor eu tomar cuidado com Jazz por perto! – Zombei, de maneira até maldosa, fazendo o nerd corar e esconder o rosto atrás do aparelho.

Rosalie estava prestes a responder, não muito contente com a piada, quando o interfone tocou. Ela atendeu, falando com o porteiro do prédio rapidamente, e então correu para a porta. Carlisle e Esme saíram da cozinha, sorrindo de orelha a orelha. Eles já estavam pulando de alegria antes mesmo de receberem a notícia. Acho que estávamos no caminho certo.

A campainha mal tocou e minha prima já escancarou a porta. - Bella! – Rosalie sorriu e juntou as mãos, deliciada com o que via. – Boa noite! Entrem, fiquem à vontade!

Eu parei perto do sofá com meus tios e Jasper, que continuava mexendo na tela do Ipad como um autista. Os pais de Bella cumprimentaram minha prima e vieram até nós, educados; eu beijei a bochecha de sua mãe e apertei a mão de seu pai, e então, quando a filha se aproximou, eu colei nossos lábios por alguns segundos, apenas para manter o personagem. Tudo bem se eu não achar isso tão ruim?

- Ah, eu sinto muito, o trânsito estava terrível! – Renée mentiu ao cumprimentar Esme. Elas formavam um contraste engraçado juntas; a dona de casa maternal e a perua siliconada. E ela definitivamente devia ter colocado silicone recentemente. Não que eu estivesse... Argh!

- Eu fiz um prato que Bella adorava! Ela vai se lembrar! – Minha tia sorriu. – Vocês devem estar com fome, não é? Sentem, por favor, fiquem à vontade!

Todos obedeceram imediatamente, tomando seus lugares em meio a conversas aleatórias. Duas cadeiras ficaram vazias no centro da mesa, como se todos estivessem supondo que eu e Bella gostaríamos de sentar juntos. Com uma careta, nós o fizemos, tomando cuidado para não encostarmos um no outro.

- Edward, eu preciso confessar. – Renée disse quando Esme foi buscar o que havia preparado. – Eu fiquei muito feliz quando Bella me contou que vocês voltaram!

- Ah, eu sei! – Lancei um sorriso falso para ela. – Ainda não entendo como conseguimos ficar tanto tempo separados!

Passei um braço pelos ombros de Bella, que executou seu papel perfeitamente ao sorrir para todos e se aconchegar mais perto de mim. Por baixo da mesa, seu salto esmagava os dedos do meu pé.

Minha tia serviu o que ela chamava de "salmão a La Esme", um prato que eu comia desde criança e não podia reclamar. Ao longo do jantar, estranhei um pouco como todas as pessoas na mesa se davam bem. Acho que eu era o único em silêncio ali, olhando para minha própria comida. Até mesmo Bella, que eu já considerava maluca o suficiente, conseguiu se superar discutindo com Jasper sobre o sistema político falho de Gotham City. Eu suportei aquilo durante um bom tempo, escutando poucas conversas interessantes ao meu redor e realmente rindo só algumas vezes. De vez em quando abraçava minha "noiva" outra vez, beijando sua bochecha e inocentemente seus lábios, e ela foi boazinha ao retribuir.

- Eu me lembro do dia em que Edward estava jantando em casa, e Sue deixou a Mimosa escapar. Edward entrou em pânico! – A velha fofoqueira da minha futura sogra contava, rindo como se fosse a melhor piada do mundo. – É claro que eu também não suporto aquela coisa, só Bella teve coragem de pegá-la e colocar de volta no lugar, e... Charlie, querido, poderia colocar mais vinho pra mim?

Aquela mulher simplesmente não calava a boca.

- Quem é Mimosa? – Carlisle perguntou.

- É a minha cobra. – Bella respondeu como a coisa mais óbvia do mundo, e todos pareceram entrar em pânico.

- Você tem uma cobra? – Rosalie murmurou.

- Demais! – Jasper concordou com um sorriso. Idiota.

- Ela não é venenosa! É de estimação. Ela é muito calma. – A garota tentou se defender.

- Não é venenosa. Isso é o que você diz. – Eu resmunguei, fazendo ela me lançar um olhar cheio de raiva.

- Não há nada demais. – Esme tentou defendê-la, como sempre fazia com qualquer um. – Jasper teve um sapo de estimação quando era pequeno, e todos nós também morríamos de nojo! – Ela riu.

- Sapossão anfíbios. – Bella continuou, irritada. – São viscosos. Cobras não tem nada a ver com isso!

Eu olhei de canto para ela, tentando alertá-la, mas ela não percebeu. Ela estava ficando nervosa demais, e isso nunca era bom. Aprendi isso quando uma vez, durante nosso namoro, eu mencionei algo sobre um desenho com um traço errado e ela jogou seu estojo inteiro de tinta em cima de mim e acordou a casa toda. E Charlie não sabia que eu estava lá. Desde então, eu evitava irritá-la. Mas desde que deixamos claro nosso ódio um pelo outro, isso virou uma espécie de hobbie. Bom, não na frente das nossas famílias.

Eu mudei de assunto imediatamente, e ela então entendeu que estava quase colocando tudo a perder. Somente quando todos estavam prestes a acabar a refeição eu decidi me pronunciar. Carlisle ainda estava com o prato pela metade enquanto conversava com Charlie, mas eu interrompi, pedindo a atenção de todos.

– Eu tenho... Eu e Bella temos algo importante a dizer. – Sorri falsamente. – Bom, vocês sabem que nós voltamos recentemente, e que estamos muito bem. Acho que aquele tempo separados foi para que o melhor pudesse acontecer. E agora... – Eu segurei a mão dela e ergui as sobrancelhas, olhando para todos. – Eu vejo que nunca mais posso cometer o erro de ficar longe dela. Portanto... Para minha extrema alegria... Isabella Swan aceitou ser minha esposa.

Meu tio jogou o corpo pra frente, engasgando com o pedaço de salmão que colocava na boca. Quase todas as pessoas da mesa levantaram para ajudá-lo, mas antes de chegarem a ele, perceberam Charlie ficando roxo. Bella, que ainda segurava minha mão, largou e limpou sua própria no vestido. "Você vai acabar matando meu pai", ela sussurrou em meio a confusão, mas não saiu do lugar. Carlisle se recuperou rapidamente, e ainda com lágrimas nos olhos, foi socorrer o homem praticamente em estado de choque.

Eu e Bella ficamos em silêncio quando todos, já mais calmos, retornaram a seus lugares para nos interrogar. Carlisle foi o primeiro, falando por todos os curiosos ao nosso redor. – Casar?

- Eu sei que parece precipitado, mas eu pensei muito na conversa que tivemos, tio. Eu amo Bella, e quero recomeçar minha vida. Com ela. – Expliquei.

Todas as cabeças se viraram para a noiva. – Hm... Eu amo Edward. – Ela sorriu.

Houve uma pausa, uma realmente longa e constrangedora pausa, até que Esme resolveu se pronunciar. – Pois eu acho ótimo. Vocês formam um ótimo casal e fico feliz que estejam retomando o que um dia erraram ao acabar. Parabéns, queridos!

- Eu acho mesmo precipitado. – Charlie murmurou, quase para si mesmo. Renée, ao seu lado, se mexeu na cadeira, e ele se sobressaltou com uma careta de dor. – Mas... A decisão é sua, Bella, é claro. Se ele a faz feliz, eu estou de acordo.

Bom, ele não disse isso quando ela escolheu sua profissão. Mas de que diabos eu estou reclamando?

Rosalie ergueu o copo de vinho a sua frente. – Um brinde a Edward e Bella. E um casamento repleto de alegrias!

Aquela foi a primeira vez que todos realmente comemoraram, brindando juntos. Carlisle ainda tinha uma expressão estranha no rosto, desconfiado demais. A agitação voltou a mesa; todos perguntavam a Bella como foi que reatamos, como foi meu pedido, como era o anel (que ela alegou não estar usando para que a notícia fosse surpresa) e ela inventava as histórias com maestria. Mas, em certo momento, ela começou a contorcer o nariz, desconfortável. Só quando precisou levar a mão ao rosto para espirrar, percebeu algo errado. Eu entendi na hora, mas calei a boca, deixando que todos estranhassem sua reação alérgica repentina.

Xerxes deu a volta em minhas pernas, se esfregando nelas, e então com um miado pulou diretamente para o meu colo. Bella arregalou os olhos, espirrando outra vez antes de gritar com uma voz anasalada.

- Eu não acredito que você ainda tem essa coisa! Você quer me matar? – Esbravejou.

Todos nos encararam, obviamente estranhando a maneira que ela falava comigo. Bella corrigiu, respirando com um pouco de dificuldade. – Ah, quer dizer... Amor, você sabe que eu sou alérgica.

- É só o Xerxes. Ele é da família. – Franzi a testa inocentemente ao acariciar o pelo do animal.

Ela pareceu ficar ainda pior conforme alguns pelos finos voavam com meu carinho. Pediu licença e levantou da mesa; eu fiz o mesmo, deixando o gato em cima da minha cadeira antes de seguir a garota escada acima.

Ela estava no banheiro, e mesmo com a porta fechada consegui ouvi-la assoar o nariz. Parei encostado no batente e chamei seu nome lentamente, sorrindo comigo mesmo. Ela abriu a porta com cara de poucos amigos, os olhos muito vermelhos. – Algum problema? – Perguntei, cínico.

- Você está cheio de pelos. – Reclamou com a voz anasalada, fazendo uma careta ao me analisar.

- Ah, mas que pena! Quem diria, você, alérgica a gatos! – Completei com o mesmo tom. – Se eu soubesse, nunca teria chamado sua família pra cá, imagine!

Ela cruzou os braços e me olhou com seriedade. – Edward, eu imaginei que lidaríamos com isso como... Parceiros. Sócios. Qualquer palavra que remeta a "ajudar um ao outro". Mas se você quer agir como uma criança, eu sei muito bem como entrar no seu jogo.

- Eu não estaria agindo como uma criança se você não fosse tão chata! – Rebati. – E também não precisa fingir que gosta de mim, tá legal? Eu sei que sempre tivemos problemas, mas você é a pessoa adequada pra isso. Qualquer outra patricinha idiota já teria acabado com tudo lá embaixo! Nós somos uma boa dupla. É só...

- Só? – Ela cerrou os olhos.

- Bom... Admita, Bella, eu estou no comando. – Cruzei os braços. – É só isso que eu peço. Me deixe guiar todo o plano e eu não implico mais. Eu prometo.

- Isso está fora de cogitação! – Ela riu. – Você não consegue fazer nada direito, não tem a mínima noção da grandiosidade de um casamento, tudo o que precisamos arrumar, todos os detalhes da vida de casados que vamos precisar mentir!

Cerrei os olhos, prestando atenção ao seu rosto enquanto ela falava. Às vezes eu ficava na dúvida se era possível odiar tanto uma pessoa.

- Você não vai conseguir nada sem mim. – Ela fez questão de completar.

- Bella, vamos ser muito claros aqui. – Respirei fundo. - Nosso namoro não acabou da melhor forma possível, e nenhum de nós dois está muito a fim de se suportar por meses na mesma casa. Por que você não facilita tudo, hum? Relaxa, faça o que eu mandar, e pegue seu dinheiro no final de tudo!

- Ou? – Ela me desafiou, erguendo as sobrancelhas.

Aproveitando minha altura, eu fui um pouco mais pra frente, encarando seus olhos com seriedade. – Eu acho bom pensar no assunto, porque você já está me tirando do sério, e eu sei muito bem como fazer o mesmo com você. Podem ser meses ou anos até conseguirmos esse dinheiro e você se livrar de mim.

Ela fechou a porta atrás de si, erguendo o queixo e retribuindo meu olhar. – Eu mal posso esperar.


Ah, eu tava contando os dias pra postar aqui outra vez! Espero que vocês também estejam animadas assim ^^ Edward e Bella estão se suportando cada vez menos, mas isso é só o começo das dores de cabeça deles, Hahaha. E quem quer teaser do próximo capítulo?

"- Certo. Edward? – Aro chamou, seus olhos brilhando. – Já que estou aqui, que tal tirarmos suas medidas? Assim adianto bem os dois trajes. – Ele ficou em pé e foi em direção ao rapaz, que arregalou os olhos imediatamente.

- Eu... Claro! – Ele voltou a fingir, me seguindo até o meio da sala, posicionando-se onde eu estava antes.

Me joguei no sofá ao lado de Rosalie e cruzei as pernas, pronta para assistir ao show. Eu quase podia ver as mãos de Aro sendo atraídas para a pele de Edward. Ele pediu imediatamente que tirasse a camiseta, ao invés de apenas erguê-la, como fizera comigo. Quando ele afastou o tecido da calça jeans e tirou a peça por cima da cabeça, o sorriso irônico que eu tinha nos lábios desapareceu. Era impossível tirar os olhos daquilo."

Até quarta!