BPOV

- Edward, você acha que a minha bunda está muito maior do que o normal? – Eu perguntei a ele, parada em frente ao espelho do quarto.

Vi quando seu reflexo apenas ergueu os olhos para mim, sem abaixar a revista que lia.

- Estou tentando não analisar muito. – E voltou a ler.

- Eu não sei, eu me sinto maior. A maioria das minhas calças não serve mais. – Fiz uma careta, desviando o olhar da minha bunda para a minha barriga, já bem perceptível quando vista de lado.

- Deve ter a ver com os três pratos de macarrão que você comeu no almoço. – Ele respondeu, entediado, sem olhar para mim.

- Ei! – Eu virei e apontei um dedo em sua direção. – Você pode julgar quando estiver dividindo sua comida com um bebê dentro de você!

- Eu duvido que um bebê com menos de 1kg precise de tudo isso. – Edward abriu aquele sorriso irônico irritante, me olhando por alguns segundos apenas para analisar minha reação (e se divertir mais ainda).

Eu fiz uma careta, sem saber o que responder, e rapidamente mudei de assunto.

- O que você tanto lê aí? – Ele não respondeu, virando a página. – Tem mulher pelada, seu imbecil?

- Não.

- Deixa eu ver. – Ri enquanto subia na cama, tentando arrancar a revista de suas mãos. Ele arregalou os olhos e se afastou imediatamente. – Qual é! Por que eu não posso ver?

- Porque eu não quero, ué! – Edward franziu a testa, fechando e escondendo a capa de mim. – Que absurdo! A gente coloca uma aliança no dedo e perde toda a privacidade!

- Deixa de ser dramático! Você tem sorte do pornô não ser proibido nessa casa!

- Não é pornô! – Ele insistiu.

Eu encarei seu rosto por alguns segundos antes de tentar pegar a revista outra vez, mas ele foi mais rápido.

- Por que você é tão curiosa? – Ele reclamou, começando a se irritar de verdade.

- Por que você é tão chato?

- Porque eu convivo muito com você! – Ele soltou a resposta infantil, e ambos mostramos a língua.

Eu cruzei os braços e sentei longe dele, quase lhe dando as costas. Ele mal esperou eu esquecer o assunto para voltar a ler, e eu aproveitei sua distração para virar outra vez e puxar a revista, quase rasgando as primeiras páginas.

Ele bufou enquanto eu ria, correndo para a porta do quarto. Edward mal se deu ao trabalho de levantar, porque eu já estava lendo o título. Havia várias fotos de bebês na capa, e uma chamada especial de uma reportagem sobre os primeiros meses de gravidez.

Eu esperei um pouco, sem saber exatamente o que dizer.

- Isso... – Murmurei.

Quando percebi, ele já estava ao meu lado, pegando a revista de volta.

- Isso não é da sua conta. – Ele grunhiu, indo para a sala.

Eu o segui. – Bom, eu acho que é sim! – Rebati.

- Você não vivia reclamando que eu não ligava pro bebê?

- Depois de tudo o que você me falou, não pode aparecer lendo sobre isso como se fosse o pai mais apaixonado do mundo!

Edward jogou a revista em cima da mesa de centro, passando a mão nervosamente pelo cabelo antes de olhar para mim.

- Eu ainda não estou soltando fogos, Bella, mas não posso fingir que não está acontecendo.

Eu simplesmente o encarei, ficando parada ali como uma idiota. A seriedade em seus olhos quase me fez tremer. Cruzei os braços outra vez e assenti; Edward pareceu se arrepender da resposta tão curta e grossa, porque percebi seu suspiro lento e seus ombros relaxando. A situação mais estranha do mundo felizmente acabou com meu celular tocando.

(...)

- E acabou que ele estava lendo sobre gravidez! – Eu contava para Alice enquanto ela fingia ouvir, mais interessada em analisar as roupas ao redor da loja. Eu apenas a seguia, tentando transformar aquilo em uma conversa. – Quer dizer, por que ele faria isso? Ele queria que eu abortasse!

Ela demorou um pouco para responder, colocando uma blusa na minha frente para ver como ficava.

- Não sei, Bella. – Disse ao continuar andando. – Acho que, se ele está realmente tentando mudar, deixa ele respirar. Sabe? Não fica muito em cima, e muito menos reclamando.

- Só é estranho... – Eu bufei, encostando em uma parede. – Esse não é ele!

- E essa é você? – Alice sorriu. – Você ainda pode falar palavrões demais, e xingar todo mundo que vê na rua, mas tem uma nova Bella aí. Uma que ama filhotinhos e cor de rosa. Culpa dos hormônios.

Eu simplesmente revirei os olhos em resposta. Alice ficava especialmente maluca quando ia às compras. Bom, talvez nesse momento ela estivesse um pouco mais controlada, já que as roupas da sessão de gestantes não a interessavam. Eu havia sido transformada em um manequim humano, uma boneca pra ela se divertir. Poderia estar em casa, pintando confortavelmente, mas precisei abrir a boca sobre minhas calças apertadas.

Eu estava distraída demais quando ela jogou uma pilha de blusas nos meus braços, tapando minha visão.

- Experimente tudo isso. E eu quero ver, para aprovar.

- Eu esqueci que não posso decidir por mim mesma o que vou vestir. – Rebati.

- Bom, não! Principalmente roupas de grávidas, eu não sei porque as pessoas acham que roupas grandes precisam ter estampas ridículas. – Ela disse enquanto me empurrava pela loja. – E sem a minha ajuda, quando perceber vai estar usando calcinhas maiores que as da sua avó!

Eu não estava exatamente enxergando meu caminho, e só percebi onde estava quando Alice me empurrou para dentro do provador e puxou a cortina. Ela gritou algo para me apressar, do lado de fora. Eu coloquei todas as roupas no banco ao meu lado e me despi, experimentando a primeira peça que encontrei. Saí usando um vestido azul realmente largo.

- Eu não preciso experimentar todas essas roupas que não me servem! – Reclamei.

- Vão servir logo, logo. – Ela sorriu, se aproximando para arrumar a peça em mim.

- E até lá... – Eu a afastei. – Isso é desnecessário. Eu só preciso de algumas calças um pouco maiores, e uso blusas largas até mudar totalmente o meu manequim.

- Você é um insulto para a moda e para o vício de fazer compras! – Minha melhor amiga gritou, forçando um bico.

Eu ri e coloquei as mãos em seus ombros, prestes a responder, quando algo me chamou a atenção bem atrás dela. Eu sorri um pouco mais e me aproximei, tocando o ombro da garota de cabelo preto. Ela virou, e após alguns segundos de confusão, sorriu de volta.

- Bella! – Ela me abraçou imediatamente.

- Angela, eu nem sabia que você ainda morava em Chicago! – Respondi, animada.

Angela foi a única amiga de verdade que consegui durante a faculdade – ou, pelo menos, a única pessoa que eu aturava no meio de tantos artistas malucos. É claro que eu nunca seria tão próxima de alguém como de Alice, mas alguma coisa naquela garota me alegrava. Era talvez muito boazinha, e sua calma me irritava, mas eu precisava admitir que ela tinha talento e conseguia puxar uma boa conversa.

- Eu nunca conseguiria sair daqui! – Ela respondeu ao se afastar de mim. – E como você está? Está ótima!

O ciúme em pessoa logo estava parado ao meu lado, erguendo o nariz nada discretamente. Eu sorri e a apresentei. – Essa é minha melhor amiga, Alice. – Fiz questão de dar ênfase na palavra, para evitar dramas futuros. Elas sorriram e se cumprimentaram. – Eu estou mesmo bem, Angela. – Respondi.

- E casada? – Ela ergueu as sobrancelhas, realmente animada, olhando para minha mão esquerda.

Eu respirei fundo antes de responder. – Sim.

- E grávida! – Alice completou.

- Ai, meu Deus! – Angela quase pulou. – Meus parabéns!

- Obrigada. – Eu sorri, sincera.

- Você e o futuro papai devem estar muito felizes! – Ela riu, e eu apenas assenti, forçando para que meu sorriso não diminuísse. – Então, você está trabalhando por aqui?

- Na verdade, não. – Eu fiz uma careta, só então olhando para baixo e percebendo que ainda usava aquela roupa enorme.

- Não? Quer dizer que aquelas pinturas lindas não estão em nenhuma exposição por aí? – Angela disse e eu sorri, um pouco envergonhada. - Se você está procurando alguma coisa, pode contar comigo! Eu tenho um ateliê, e estou precisando de ajuda. Muita ajuda, na verdade! Eu dou aulas para iniciantes. A maioria leva isso como um hobbie, é tranquilo. Você acha que gostaria disso?

- É claro que sim! – Eu quase gritei, arregalando os olhos para ela. – Eu adoraria, Angela, isso é incrível!

- Ótimo! Você vai ser de muita ajuda! – Ela colocou a mão no bolso do jeans e me entregou um cartão, que eu peguei quase tremendo. – Aí tem o endereço e o meu telefone. Vou esperar sua ligação.

- Muito obrigada, você não sabe como está me ajudando! – Eu sorri.

- Você também, Bella! Vai ser ótimo trabalhar com você. – Ela me deu outro abraço e um beijo na bochecha. – Foi ótimo te ver. Nos vemos em breve. Até mais, Alice!

Eu fiquei parada, olhando o pequeno cartão, enquanto Angela se afastava para o caixa. Alice deu um tapa em meu ombro, me obrigando a encarar seu rosto, ainda um pouco perdida.

- Você pirou? Você vai dar aulas? – Ela ergueu as sobrancelhas.

- E qual é o problema? – Franzi a testa.

- Bella, você não tem paciência nem com as velhinhas andando devagar na sua frente!

- Allie, essa é a melhor oportunidade que eu já recebi desde que me formei! – Eu expliquei. – Além do mais, pessoas que gostam de pintar geralmente são calmas. E são iniciantes! O que pode acontecer de tão ruim?

(...)

- Eu escolhi esse cantinho pra você, porque imaginei que você está numa ótima fase pra lidar com elas!

Eu fiquei parada, boquiaberta, olhando as crianças sujas de tinta correndo de um lado para o outro. Angela falava calma e feliz como sempre. Eu levei minhas mãos automaticamente até minha barriga, e a garota sorriu, tocando o local também, mas por um motivo bastante diferente do meu. Eu não tinha pensado na parte em que o bebê frágil do monitor do hospital se transformava... Naquilo.

- Elas são uns doces. Você não precisa se preocupar com nada, entregue as folhas em branco, as tintas, deixe elas se sujarem e elogie todos os desenhos. – Ela riu.

- Eu vou tentar. – Murmurei, ainda com os olhos arregalados.

- Crianças! – Angela abaixou um pouco, apoiando as mãos nos joelhos. Todas aquelas coisinhas se viraram imediatamente. – Essa é a Bella, ela vai ficar com vocês hoje! – Elas começaram a assustadoramente andar na minha direção. – Vocês tem que prometer pra mim que vão se comportar, tudo bem?

Uma menina abraçou minha cintura e apoiou o queixo delicadamente na minha barriga, sorrindo pra mim. Eu fiquei em dúvida se ela estava sendo sincera ou puxa-saco.

- Eu estou bem aqui ao lado com a turma de adultos. Pode gritar, qualquer coisa. – Angela riu, tocando meu ombro rapidamente antes de sair da sala.

Ela fechou a porta e eu olhei a minha volta, assustada. Todos aqueles olhinhos me encaravam, curiosos; elas não pareciam muito velhas, e eu não sabia dizer se isso era bom.

Havia uma mesa baixa e comprida bem no meio da sala, e eu pensei num jeito rápido de colocar todos sentados ali.

- Hm, muito bem... – Eu olhei para as paredes coloridas, até encontrar uma mesa no canto com tudo o que precisava. – Todos peguem uma folha e vamos começar.

Aquela foi a pior ideia que eu poderia ter tido. As pelo menos 10 crianças se amontoaram em direção a pilha, sem a mínima noção de espaço ou de educação, passando por cima umas das outras até alcançarem o que queriam. A maioria rasgou metade do papel. Um menino caiu no meio da confusão, começando a chorar, e eu quase fiz o mesmo.

- Venham, sentem aqui! – Eu disse da maneira mais calma que pude, pegando o menino chorão e o colocando em uma cadeirinha.

Todos o imitaram, escolhendo seus lugares. Eu não precisei falar nada para cada um pegar um pincel e mergulhar em um pote, levando a tinta até o papel. Eu preciso concordar que era algo bonito de se ver – ou eram apenas culpa dos hormônios, mesmo. De qualquer forma, eu estava quase tendo um AVC toda vez que alguém mergulhava o pincel sujo em outra cor.

Apesar da sujeira, aquelas crianças não precisavam de mim ali; elas sabiam o que estavam fazendo. No máximo eu precisaria ficar por perto para separar as brigas – o que aconteceu umas três vezes naquele dia – e, como Angela disse, elogiar os desenhos sem sentido que me mostravam. Eu não levava jeito pra isso; elas falavam comigo e eu não sabia como responder e continuar o assunto. Não é como se eu odiasse crianças, mas talvez uma ou duas eram mais do que suficiente.

Eu me sentei em uma cadeira onde podia ver todos e apoiei a mão na minha barriga, tristemente. Pela primeira vez desde que vi meu bebê, eu me senti despreparada e vulnerável. Havia muito mais do que uma gravidez cheia de hormônios e depois uma criaturinha precisando de colo; ela cresceria, passaria por muitas fases, e eu não tinha ideia de como lidar com isso.

Continuei olhando para baixo, traçando círculos em minha barriga com meu dedo indicador, e mal percebi a mesma menina que me abraçou parada bem a minha frente. Eu ergui os olhos para ela, assustada.

- Você tem um bebê aí, né? – Ela perguntou, apontando para meu umbigo. Eu demorei, mas assenti. – Minha mamãe também tem um. O seu ainda tá pequenininho. - Ela deu mais um passo a frente e apoiou os cotovelos nas minhas coxas, me deixando quase paralisada. – Ele gosta quando eu faço isso, olha.

A menina fez um biquinho adorável e beijou minha barriga, sorrindo para mim logo em seguida. Meus olhos se encheram de lágrimas no mesmo segundo. Ela esperou um pouco, apoiando as mãos no topo da minha barriga, e então pareceu desapontada.

- O meu irmão responde quando eu faço isso! – Ela reclamou.

- É que esse aqui ainda é muito pequeno. – Eu falei pela primeira vez, secando o canto dos olhos.

- Eu vou fazer isso sempre até ele crescer, tá bom, tia? – Ela perguntou, se apoiando um pouco mais em mim.

Eu ri e assenti outra vez, arrancando uma risada da menina também. Ela apoiou a cabeça quase no meu braço, e eu sorri aliviada ao perceber como estava confortável com sua presença.


E então, o que acharam do Edward "tentando" mudar? Bellinha tá tudo, menos convencida... E falando nela, um emprego com crianças era a última coisa que a coitada planejava ter! Hahaha Ainda bem que agora ela tem esse lado maternal surgindo, awn!

Quero aproveitar hoje e fazer uma notinha especial, logo mais tenho a pré de Amanhecer pt2 e to emocionada Hahaha Quando eu conheci os livros eu nem sabia no que tava me metendo, eu mudei muito desde então e agradeço por essa história ter entrado na minha vida tão por acaso. Muito obrigada por tudo, gente, eu amei esses 5 anos conhecendo pessoas incríveis por causa da saga e com certeza não é o fim!

Vamos ao teaser antes que eu use as lágrimas reservadas pra hoje à noite:

"Eu fiquei parado no meio do corredor enquanto eles se afastavam, sem saber o que fazer. Não havia praticamente ninguém no hospital durante aquela madrugada. Eu fiz como o enfermeiro pediu e fui até a recepção, respondendo todas as perguntas e assinando qualquer papel que jogavam na minha cara. Estar ali foi como um balde de água fria na minha cabeça: Por mais que eu estivesse tentando, eu não estava nem um pouco envolvido com os detalhes da gravidez. Levantar no meio da noite para comprar comida não significava nada. Eu era um estranho ali."

Até semana que vem!