BPOV
Eu nunca fui muito fã do Natal. As pessoas nunca entenderam muito bem a raiva que tenho dessa época do ano, mas eu simplesmente não consigo levar a sério uma data tão hipócrita. Nós passamos o ano inteiro ignorando nossos familiares, adiando compromissos e reclamando de tudo o que dá errado a nossa volta; e então, quando chega dezembro, espalhamos a ideia do amor e fazemos promessas para o ano seguinte (como se soltar alguns fogos de artifício fosse reconstruir o planeta inteiro e nos dar uma nova vida).
É claro que eu nunca havia passado um Natal grávida. E tudo muda quando você está grávida. Foi a primeira vez que eu me emocionei com algumas luzes piscando no quintal das casas e que não aceitei os presentes dos meus pais xingando mentalmente. Além disso, todos os presentes que eu ganhava pareciam ridículos perto das coisas lindas que compravam para o meu bebê. Ele nem havia nascido e já era mimado pela família toda.
Eu e Edward fomos para o apartamento de seu tio, já que Charlie e Renée estavam viajando em mais uma lua de mel. Seria apenas uma semana; eles não queriam perder nada do neto que estava chegando. Não era o primeiro Natal que eu passava com os Cullen – bom, era o primeiro como a esposa grávida de Edward, mas não sei se isso me daria algum prêmio especial. Nem mesmo por aguentá-lo por tanto tempo.
Tudo bem, eu preciso dar um crédito ao meu marido. Ele não estava mais exatamente insuportável. Nós estávamos nos dando bem. Não éramos os melhores amigos, mas muito menos os piores inimigos. Meus hormônios estavam me deixando boazinha demais com ele – e eu tive certeza disso quando eu o agarrei sem nem mesmo saber a razão. Outro episódio esquecido. Ou quase...
- Bella, você está cada dia mais linda! – Rosalie abaixou para falar com a minha barriga antes que eu tivesse tempo de tirar meu casaco. – E aí, bebezinho? Como você está? Ganhando muitos presentes de Natal?
- Ah, muitos! – Eu ri baixinho, entregando meu casaco para Edward, que entrava no apartamento logo atrás de mim. – E ele já foi homenageado, também. Meus alunos adoram fazer desenhos sobre ele.
- Ouviu isso? – Rosalie sorriu, acariciando minha barriga. – Você já é uma estrela!
Edward pendurou seu casaco também e se aproximou de nós, sorrindo orgulhoso. Ele apoiou a mão delicadamente no meu ombro para beijar a bochecha de sua prima, e então começou a se gabar. – O melhor presente já foi do papai! Uma roupa completa dos White Sox. Com boné e tudo!
Eu revirei os olhos, divertida, antes que Rosalie respondesse. – Ah, que coisa mais fofa! – Ela juntou as mãos. – Então ele vai ser mesmo um mini Edward?
Enquanto eles riam juntos, eu desviei o olhar automaticamente, analisando o rosto do meu marido. Meus olhos analisaram seu cabelo, passando por seus olhos verdes até seu sorriso animado. Eu relutei para não erguer a mão e tocar seu maxilar bem desenhado. Sim, um mini Edward não seria tão ruim. Ele percebeu meu olhar e virou a cabeça, me fazendo apenas sorrir. Ele retribuiu, e meus joelhos fraquejaram. Eu já não tinha passado dessa fase da gravidez?
- Edward! Bella! – Esme chamou e nós desviamos nossos olhares para ela no mesmo segundo, saindo daquela pequena bolha. Ela cumprimentou seu sobrinho e veio até mim, tocando minha barriga ao beijar minha bochecha. – Eu fiquei tão feliz quando disseram que estavam vindo pra cá!
- Meus pais viajaram. – Eu expliquei com um leve sorriso. – Mas nós teríamos passado aqui, de qualquer forma...
- Você está com fome? – Ela praticamente me cortou, franzindo a testa. – Eu sei que deve estar! A ceia atrasou um pouco, desculpe! Você quer comer alguma outra coisa?
- Eu estou bem! – Gaguejei, incomodada com tanta preocupação. – Eu só quero sentar um pouco, só isso. Eu não quero te atrapalhar na cozinha.
Eu precisei fugir de mais algumas perguntas para me livrar dela, deixando Edward e Rosalie conversando perto da entrada enquanto ia até o sofá. A lareira estava acesa, me chamando a atenção. Eu sentei e tentei arrumar uma posição confortável, arrumando minhas costas doloridas no encosto. Eu estava distraída com as chamas e mal ouvi os passos lentos se aproximando. Quando me dei conta da presença de Edward ao meu lado, ele estava estendendo uma almofada para mim, sorrindo um pouco.
- Sei que está doendo. – Ele disse quando eu me mexi no sofá, deixando que ele a arrumasse atrás de mim.
- Já vai melhorar. – Reclamei enquanto ele sentava ao meu lado.
Não houve resposta por um longo tempo. Eu pensei que ele estava observando a lareira como eu, mas quando virei o rosto, ele me encarava, parecendo pensativo. Eu ergui as sobrancelhas em uma pergunta muda.
- Eu tenho um presente pra você. – Ele disse timidamente, colocando uma das mãos no bolso.
- Você comprou um presente pra mim? – Eu quase gritei, surpresa. – Por quê? – Franzi a testa.
Edward riu baixinho antes de responder. – Eu ganhei alguns presentes, mas percebi que a maioria que você ganhou foi pro bebê, e não pra você.
- Eu não ligo muito. Não sou nenhuma fã do Natal. Ele merece. – Sorri.
Ele não se importou com a minha resposta. Tirou um saquinho cinza do bolso e me entregou, deixando que caísse em minha mão aberta. Eu puxei a fita delicadamente, virando a embalagem e trazendo o conteúdo para a minha mão; era um colar dourado, simples, com um pingente em formato de um pincel realmente pequeno. Era tão delicado que a primeira coisa que pensei foi que não combinava comigo. Eu sorri, emocionada, antes de erguer o olhar para ele.
- Achei que você fosse gostar mais de algo simbólico do que aqueles colares caros. – Dei os ombros.
- É lindo. – Respondi, lutando contra as lágrimas.
Sorrindo, Edward pegou o presente de volta, abrindo e esticando a corrente. Eu segurei meu cabelo e virei um pouco o corpo, o suficiente para que ele pendurasse o colar em volta do meu pescoço. Quando me ajeitei no sofá outra vez, coloquei uma mão em seu rosto e o puxei um pouco, em sinal para que se aproximasse. Ele apoiou uma mão na minha barriga e beijou demoradamente minha bochecha, acariciando por cima da minha blusa com o polegar.
- Feliz Natal. – Eu disse quando ele voltou a me olhar, acariciando seu rosto.
- Feliz Natal, Bella. – Ele murmurou com um sorriso que acabava com qualquer dor.
Eu mexi as costas na almofada com um suspiro, no mesmo instante em que ele mudou de posição e esticou o braço por cima dos meus ombros. Precisei segurar o riso quando percebi que ele hesitou como um adolescente. Quando finalmente relaxou, eu me ajeitei mais perto dele, apoiando a cabeça quase em seu ombro e mostrando que estava tudo bem. Eu estava confortável ali. Puta merda, eu estava realmente confortável abraçada com Edward Masen.
Não é como se um presente tivesse mudado alguma coisa - apesar do momento realmente ter me emocionado. Eleestava mudando, e já fazia algum tempo. Como eu poderia reclamar de alguém que estava se empenhando tanto? Meses atrás, aquele era o maior covarde do mundo quando se tratava de qualquer responsabilidade. E agora estava bem ali, ao meu lado, falando sobre seu bebê para quem quisesse ouvir. Além disso, o Edward com quem eu me casei nunca me daria um presente tão simples. Ele gostava do dinheiro, gostava de poder esbanjar. Acho que a chegada de um filho estava deixando tudo isso pra trás.
Eu estava quase dormindo ali, sentindo o carinho em minha barriga, quando a voz de Carlisle descendo as escadas com seu filho chamou minha atenção. Eu ergui a cabeça e me afastei de Edward, como se estivesse fazendo algo errado. Ele foi até seu tio e eu levantei também, ainda um pouco atordoada, abraçando Jasper enquanto eles conversavam rapidamente.
- Eu posso ter um minuto com vocês? – Carlisle sorriu para mim, beijando minha bochecha logo em seguida. – No meu escritório.
Edward estendeu a mão para mim e eu a peguei sem hesitar, seguindo seu tio através da enorme porta. Assim que entramos, ele a fechou e se virou para nós com uma expressão muito calma. Nós esperamos enquanto ele abria algumas gavetas de sua mesa, procurando algo. Finalmente, pegou um envelope branco e se aproximou, parando bem a nossa frente.
- Edward... – Ele disse, abrindo um leve sorriso. - Da última vez que falamos sobre esse assunto, eu disse como estava orgulhoso de você, e como você estava no caminho certo. Eu fui sincero. Então vocês nos deram essa notícia incrível... – Ele sorriu um pouco mais ao apontar para minha barriga. – E eu soube que isso só aceleraria tudo.
Carlisle mexeu o envelope em suas mãos, olhando de relance para ele antes de continuar. – Você tem tudo o que Anthony queria para seu filho. Encontrou uma garota que ama, conseguiu um bom lugar para morar, um trabalho e agora terá um bebê. Eu tenho muito orgulho de você, e sei que seu pai também teria.
Ele fez uma pausa, e só então eu realmente percebi o que estava acontecendo. Eu soltei a mão de Edward e subi ambas para seu braço, agarrando-o. Eu não conseguia desviar o olhar daquele envelope.
- O dinheiro é seu. Como sempre foi. Você terá sua herança a partir de agora, e sei que fará bom uso. Isso aqui é só... Um adiantamento. Essas coisas podem demorar um pouco, então eu já quis lhe entregar, pensando no seu bebê. Prepare tudo para a chegada dele. Eu sei que vocês já começaram com algumas coisas, mas eu quero que ele venha ao mundo sem que vocês precisem se preocupar. – Carlisle estendeu o envelope para seu sobrinho, assentindo devagar. – Encare como um presente de Natal.
Quando Edward estendeu a mão para ele, eu comecei a ver tudo em câmera lenta. Eu paralisei, apertando seu braço cada vez mais. Nada disso estava certo. Aquelas palavras não eram certas. Eu esperei meses por aquele momento, e quando finalmente chegou eu percebi o absurdo que havia feito. Eu enganei minha família e a família de Edward simplesmente para enfrentar meu pai, por uma rebeldia ridícula.
Eu devia ter aceitado o dinheiro que ganhei no dia do casamento e fugido de todo o acordo. Agora, eu era simplesmente uma vadia mentirosa. Nossa mentira nunca teria fim. Nem mesmo se nos divorciássemos. Como eu podia pensar naquele casamento como um simples trato entre nós? Envolvia tanta coisa! Que tipo de mãe eu seria, enchendo meu filho de roupas e brinquedos com um dinheiro praticamente roubado?
Eu pisquei algumas vezes, voltando a prestar atenção no que acontecia a minha frente. Edward pegou o envelope nas mãos, sorrindo para o tio. O que havia ali era apenas um presente, totalmente simbólico perto da real quantia em sua conta bancária, mas já foi suficiente para seus olhos verdes brilharem. A expressão satisfeita no rosto de Carlisle cortou meu coração e fez minha cabeça girar. Eu não podia continuar com isso. Eu dei um passo a frente e tomei a pior atitude que podia, por mais correta que fosse.
- Carlisle, existe uma coisa que você precisa saber. – Eu ofeguei, soltando o braço do meu marido.
Edward abaixou o rosto para mim, mas eu não o encarei. Eu me concentrei em seu tio, franzindo a testa para mim. Eu respirei fundo, procurando as palavras, mas elas não vieram. Eu estava prestes a fazer o papel ridículo da vilã arrependida e não havia maneira no mundo de começar.
- O que foi, Bella? – Ele perguntou, mais simpático do que eu merecia.
O som da conversa do lado de fora do escritório desapareceu. Por um momento, achei que estava desmaiando. Isso provavelmente me salvaria, mas eu continuava em pé. Seria um mau momento para fingir um desmaio?
- O que está acontecendo, querida? – Carlisle insistiu, tocando meu ombro.
- Eu... Nós... – Comecei a dizer, esfregando meus dedos uns nos outros.
- Bella só quer que você saiba o quanto estamos gratos. – Edward me cortou, tocando meu outro ombro. – E que ainda vamos recompensá-lo por tudo. Não é isso, meu amor?
Ele se virou e ficou bem a minha frente, arregalando os olhos verdes para mim. Eu os encarei, um pouco amedrontada, confesso. Medo não era uma coisa que sentia com frequência, mas naquele segundo eu o quis longe de mim. O sentimento de conforto e segurança que sentia há pouco foi substituído por nojo. Eu podia ver seu desespero, pensando que eu contaria tudo. Se eu fizesse isso, eu acabaria com a sua vida. E nada importava mais nela do que seu dinheiro. Esse era Edward Masen. E só.
Ele ficou cada vez mais sério ao perceber minha demora. Eu precisei pensar rápido; se eu contasse, Edward perderia qualquer chance que ainda tinha de conseguir o maldito dinheiro e arranjaria alguma maneira pior de enriquecer. Meses atrás eu não daria a mínima para seu futuro, já que o meu estava garantido. Mas ele não era mais um imbecil qualquer. Ele estava colocando um filho no mundo – o meu, para ser mais precisa – e eu não podia agir com tanta frieza com uma pessoa que mantinha um vínculo assim comigo.
- É. É exatamente isso. – Disse, firme, forçando um sorriso para Carlisle.
- Ah, vocês não precisam se preocupar! – Seu tio respondeu, e eu senti os ombros de Edward relaxarem enquanto ele ainda se apoiava no meu. – Tudo o que eu gastei foi de coração. Aproveitem agora. Mudem para um apartamento melhor, ou uma casa, quem sabe? Com um jardim enorme para esse garotinho crescer...
Ele continuou a falar, animado, mas eu não prestei atenção. Simplesmente assenti de vez em quando, encarando o chão. Enquanto saíamos do escritório, Edward abraçou meus ombros e sussurrou um "obrigado" em meu ouvido. Eu senti vontade de sair correndo. Eu só queria que ele pegasse o maldito dinheiro e sumisse da minha frente.
Nós sentamos a mesa para a ceia que Esme preparou. Eu comi e conversei com algumas pessoas no piloto automático. Pela primeira vez desde que descobri minha gravidez eu não tive vontade de chorar; eu sentia raiva demais para ficar triste ou emocionada. Edward, por outro lado, ficou ao meu lado disparando ideias sobre como ficaria o quarto do bebê, uma possível reforma em nosso apartamento, nosso novo carro e alguma outra merda envolvendo seu gato. Ele estava finalmente se importando com o bebê, mas da maneira mais nojenta possível. Eu nunca quis criar meu filho em uma mansão cercado de babás e brinquedos do dobro do tamanho dele. Eu não era minha mãe. Eu preferia ter um garoto se divertindo sujo de tinta do que enfiado em roupinhas de marca. Pelo visto aquela seria mais uma coisa sobre a qual teríamos opiniões diferentes.
Depois do que pareceu uma eternidade, Edward levantou e tocou meu ombro, tentando chamar a minha atenção. Eu pareci acordar de um transe. A mesa já estava limpa, e todos apenas conversavam. Ele ofereceu ajuda para que eu levantasse, e eu aceitei, apoiando a mão na minha barriga ao ficar em pé.
- Foi um prazer, Carlisle. – Edward mantinha o mesmo sorriso no rosto desde que saímos do escritório. Ele abraçou seu tio enquanto eu ficava parada perto do buffett, com uma expressão nada amigável.
- Consegue imaginar que ano que vem teremos um bebê aqui? – Ele respondeu ainda abraçado a Edward.
Aquela cena tão feliz fez meus enjoos voltarem. Eu continuei parada, apenas observando enquanto Esme e Rosalie se juntavam a conversa. Eu passei por todos, irritada demais para fingir qualquer coisa, e fui direto até meu casaco. Havia vários pendurados no mesmo lugar e, ao tentar puxar o meu, derrubei alguns. Antes que eu precisasse passar pela tarefa irritante de me abaixar com aquela barriga, Jasper apareceu e fez aquilo pra mim, sorrindo de leve ao levantar.
- Você está brava com ele, não é? – Ele murmurou enquanto eu vestia. Eu precisei baixar a guarda com sua preocupação, apenas assentindo. – Olha, eu sei que ele pode ser um idiota às vezes, mas ele mudou muito desde que vocês voltaram a namorar. Ele até me cumprimenta.
Eu levei uma mão à boca quando comecei a rir, pensando que isso o irritaria. Pelo contrário; ele riu também, satisfeito em me animar. Eu beijei sua bochecha demoradamente antes de sorrir para ele. – Feliz Natal, Jasper.
- Feliz Natal, Bella. Feliz Natal, bebê! – Ele acenou para minha barriga, num gesto muito mais sincero do que qualquer um que já tentou conversar com meu útero.
Antes que eu abrisse a porta para sair, Esme fez isso por mim. Nós nos despedimos rapidamente. Carlisle nos levou para casa em seu carro, para que não corrêssemos o risco de não encontrar nenhum táxi naquela noite. Eu estava me sentindo um pouco mais leve – acho que apenas a presença de Jasper conseguia fazer isso – até que eles começaram a conversar no caminho para o nosso apartamento. "Essa é a última carona que eu dou pra vocês, já que logo terão seu próprio carro!"Aquela foi a frase que fez meu sangue subir outra vez. Fiz questão que Edward visse meu rosto sério pelo retrovisor.
Ele estacionou o carro e eu me despedi grosseiramente, saltando para fora do veículo. Não esperei que Edward me seguisse. Infelizmente, ele pegou o elevador junto comigo. Não trocamos nenhuma palavra ali. Quando entramos no apartamento e eu joguei minha bolsa no sofá, ele foi o primeiro a falar.
- Tudo bem, Bella... Não precisa ficar nervosa. – Eu coloquei as mãos na cintura enquanto ouvia, séria. – Já passou. Eu te perdoo.
Eu ergui as sobrancelhas ao escutar a última palavra, respirando fundo e soltando o ar devagar antes de responder.
- Você... Me... Perdoa? – Eu gritei. – E pelo que exatamente eu sendo absolvida? Por não acabar com a sua vida?
- Bom, você chegou muito perto de fazer isso lá. – Ele tirou o casaco enquanto falava, calmo até demais.
- E eu devia ter feito! – Apontei um dedo para seu rosto enquanto ia até ele. – Eu devia ter feito muito mais! Eu devia ter contado tudo e pulado no seu pescoço, seu filho de uma puta!
- Ei, ei, ei! – Ele gritou, erguendo as mãos na altura do peito em sinal de defesa. Eu parei, bufando. – Por que tanta raiva? Nós conseguimos o que queríamos, não foi?
- Você conseguiu o que queria! Eu nunca quis isso, Edward! Eu só queria conseguir uma droga de dinheiro pra sair da minha casa e abrir o meu ateliê! – Eu não consegui mais lutar contras as lágrimas. – Nós mentimos pra aquelas pessoas! – Eu solucei, e ele pareceu incomodado ao me ver daquela maneira. – Eu nunca quis fazer ninguém sofrer.
- Ah, realmente, Bella... Você é um anjo de pessoa. – Apesar das palavras irônicas, sua voz estava muito controlada. Como se ele não quisesse me atacar e fizesse isso agora apenas por força do hábito.
Eu parei, sem resposta enquanto o encarava. Edward se afastou de mim e foi até a copa, pegando uma cerveja na geladeira. Ele abriu e tomou um gole, evitando me olhar.
- Eu nunca quis isso. – Repeti, passando uma mão pelo rosto molhado.
- Ah, é mesmo, Bella? – Ele apoiou os braços na bancada, me olhando com a expressão irônica que eu mais odiava. – Então por que você não vai embora, hein? Por que você casou comigo, quando tinha aquele dinheiro todo que você falou? – Ele já estava gritando no final da frase.
- Eu não vou a lugar nenhum! Se alguém tem que ir embora, é você! – Eu apontei um dedo para seu rosto enquanto me aproximava.
- O que!? – Ele franziu a testa, praticamente zombando de mim. – Isso não faz o menor sentido. Eu paguei por esse apartamento. E nós casamos em comunhão de bens!
- Chama o merda do seu advogado que eu mostro pra ele o que eu acho dessa porra de comunhão de bens! – Eu gritei ainda mais do que ele, batendo o punho fechado na bancada. – Você conseguiu o seu dinheiro, Edward! Você pode sumir daqui e comprar um apartamento três vezes maior! Você não precisa mais de mim!
- Caso você ainda não tenha notado, nós fizemos uma coisa a mais que não estava nos planos! – Ele largou a cerveja em cima da bancada ao dar a volta nela, voltando para perto de mim. Eu andei para trás automaticamente com sua aproximação. – Você abomina tanto esse dinheiro, mas é ele que vai dar uma vida decente pro nosso filho!
- Ele é meu filho! – Eu gritei em resposta. A frase pareceu ecoar mais vezes com o silêncio que veio a seguir. – Ele é meu filho, Edward. – Eu abaixei minha voz, respirando fundo. Nada no mundo podia se explicar sua expressão. – Não é comprando presentes, um quarto todo decorado e sei lá mais que merda pra ele que você se torna um pai. – Eu respirei fundo, evitando seu olhar dolorido. – Meu filho não precisa disso.
Ele não respondeu. Eu esperei, encarando algum ponto no chão, mas ele não conseguiu dizer nada. Há poucas horas atrás eu estava fascinada com a sua mudança, mas sua reação ao conseguir a herança me fez ver que ele ainda era o mesmo. E não era um cara assim que eu queria como pai do meu filho. Eu pensava nele com um bebê e só conseguia imaginá-lo comprando milhares de brinquedos, e não o pegando no colo ou trocando uma fralda.
Eu voltei até o sofá e abri minha bolsa, pegando o envelope dali. Eu entreguei em suas mãos. Ele moveu os dedos apenas para segurá-lo, sem olhar para mim.
- Você não gosta de tratos? – Eu murmurei, sem expressão em meu rosto. – Esse é o último que eu faço com você. Assim que esse bebê nascer, eu quero você fora dessa casa.
Oi, gente linda! Preciso dizer que esse capítulo foi o que eu mais gostei de escrever até agora! E, pra não deixar todo mundo triste com o quase-fim do amorzinho entre eles, espero que esse teaser leve esperança até o coraçãozinho de vocês:
"Eu olhei para minha mão esquerda, prestes a tirar a aliança. Essa era a primeira coisa que eu fazia quando chegava em casa. Mesmo assim, quando olhei para o lado, para a porta aberta do nosso quarto, eu precisei parar. Analisei Bella na cama, atenta ao livro que lia, e ela não percebeu meu olhar. Novamente, encarei minha mão. Eu puxei a aliança, como se pretendesse tirá-la do meu dedo, mas parecia que faltava alguma coisa ali. Com um suspiro e um sorriso contido, eu a mantive no lugar, apagando a luz do banheiro antes de ir até minha esposa."
Até quarta!
