EPOV
- Edward, o que diabos você ainda está fazendo aqui?
Eu virei e vi minha tia com uma expressão perplexa, como se estivesse vendo um bandido dentro de sua loja. Eu franzi a testa para ela e tentei responder, mas ela me interrompeu primeiro.
- Edward, eu disse que você estava dispensado.
- É que... Chegaram essas novas encomendas, e eu pensei que você precisaria de ajuda no estoque, então eu...
Esme revirou os olhos antes de se aproximar de mim e puxar a caixa fechada das minhas mãos. Ela a colocou em cima de uma mesa, me empurrando pelas costas até a saída.
- Edward, sua esposa precisa de você em casa. Você vai pra lá imediatamente. Você está ouvindo?
Eu ri antes de responder. – Eu sei. Desculpe. Estarei aqui amanhã bem cedo pra arrumar tudo isso.
- Nem se preocupe.
Ela sorriu e beijou minha bochecha antes que eu saísse da loja, vestindo meu casaco pelo caminho. Meu carro estava estacionado do outro lado da rua, e eu andei direto até ele, sem me importar em ligar o rádio quando acelerei em direção ao meu apartamento.
Ter um carro sempre esteve nos meus planos para quando conseguisse o dinheiro que tanto queria. Assim que cheguei lá, foi o meu primeiro investimento, e muito bem feito. É claro que agora ele seria usado para outras prioridades: Ao invés de caixas de cerveja no banco de trás, eu tinha uma cadeirinha para quando meu filho nascesse. Além disso, as semanas estavam passando muito rápido e ninguém sabia quando Bella precisaria ser levada às pressas para o hospital.
Eu e minha esposa não estávamos exatamente em pé de guerra. Desde a briga na noite de Natal e nosso novo trato, as coisas só ficaram mais claras: Ter um filho juntos não nos tornava um casal. Aliás, estávamos longe disso. Tudo bem, talvez eu tivesse pensado que estávamos chegando a algum lugar, especialmente depois de um beijo inesperado como aquele... Mas nada se tornou o que eu imaginava. Eu a tratava bem, e ela reconhecia que precisava de mim. E era só. Nosso bebê seria amado por ambos, mesmo que estivéssemos divorciados, e nós sempre soubemos que isso iria acontecer.
Provavelmente meu único problema estava sendo seu humor. Eu entendia que ela não fazia por mal, e eu facilmente ignorava quando era recebido com alguma resposta grosseira. Mas ela não era uma pessoa fácil normalmente, e uma barriga enorme lhe causando dores nas costas e um apetite insaciável não a deixava nada feliz.
Eu estacionei quase na porta do prédio e subi rapidamente. Quando cheguei ao apartamento, Bella estava sentada no sofá com uma tigela enorme com morangos picados. Ela olhou para mim com cara de poucos amigos, tentando se ajeitar no encosto, sem intenção de sair dali tão cedo.
Eu tirei meu casaco com um sorriso amarelo e o pendurei, ainda olhando para ela. Encolhi os ombros enquanto me aproximava.
- Oi, Bells... Como você está? Você parece ótima!
- Cala a boca, Edward. – Ela respondeu, enchendo um pouco mais a boca antes de terminar de mastigar. – Eu não preciso de você me bajulando.
- Eu não estava bajulando, eu só queria...
- Você ainda está falando? – Ela gritou, arregalando os olhos para mim.
Eu desviei o olhar rapidamente antes de ir até a cozinha, abrindo a geladeira e procurando por qualquer coisa comestível. Demorei alguns segundos, mas encontrei metade de um sanduíche que eu mesmo havia preparado de manhã, sabendo que chegaria em casa faminto.
Virei e me apoiei na bancada enquanto comia, observando Bella enquanto ela assistia a televisão, de costas pra mim.
- Então, como foi seu dia? – Eu tentei puxar assunto.
- Como você acha que foi o meu dia? – Ela apoiou no braço do sofá para levantar e olhar para mim, ainda segurando a tigela com o braço livre. Ainda sem nenhum sorriso, ela começou a andar na minha direção. – Eu vou te deixar aqui o dia todo, sem absolutamente nada pra fazer, com quase o dobro do seu peso na sua bunda e um saco de arroz em cima da sua bexiga!
- Você podia ter... Pintado... – Dei os ombros.
- Você podia ter pintado. – Ela imitou minha voz com uma careta. – Todas as minhas coisas estão no ateliê, lembra? E eu já estou de licença, eu não posso aparecer naquele lugar ou a Angela vai me dar a maior bronca por ter saído de casa. De qualquer maneira, eu teria que pegar um táxi descalça, porque nenhuma merda de sapato entra nos meus pés!
Eu encarei seu rosto furioso enquanto ela colocava a tigela de morangos com força na bancada, bem a minha frente. Ela bufou antes de apontar para mim.
- Isso é tudo culpa sua! – Ela gritou. – Você me deixou assim!
- Na verdade, Bella, o problema não é o bebê. Você está comendo demais. Ele não precisa de tudo isso.
Eu desviei o olhar do dela para dar mais uma mordida no meu sanduíche. Quando a olhei outra vez, sua expressão deixou claro que eu devia retirar aquilo imediatamente.
- Mas... Afinal, você é a grávida, não é? – Tentei consertar. – O que eu sei? – Dei os ombros.
Ela me encarou por mais algum tempo, esperando eu terminar meu lanche e jogar o papel no lixo para responder. – Você é um imbecil. – Disse antes de colocar mais um morango na boca, virando e avançando pelo corredor.
- Eu sei. – Respondi, não conseguindo reprimir um sorriso.
Continuei a olhar para o corredor enquanto ela se afastava, sorrindo um pouco mais ao ouvir a porta do quarto bater. Eu sabia que era questão de alguns minutos até ela se arrepender das palavras duras e nós voltarmos a conversar normalmente. Como eu disse, eu entendia seu estresse e ouvia pacientemente até ela reconhecer que estava exagerando. Ela nunca pedia desculpas, é claro, mas eu não podia resistir quando ela tentava sem o menor jeito mudar de assunto e se importar comigo.
Tomei um copo d'água antes de guardar os morangos que sobraram na geladeira e apagar as luzes da sala. Antes que eu pudesse entrar no banheiro, ela me chamou, deitada na cama com a porta do quarto aberta.
- Então... Como foi o trabalho com Esme hoje? – Ela perguntou, mal me olhando.
Eu virei rapidamente antes de reprimir um riso, entrando no banheiro sem me preocupar em fechar a porta. Eu coloquei um pouco de pasta de dente na minha escova antes enquanto falava.
- A mesma coisa de sempre. Ela só fala do bebê. – Respondi antes de começar a escovar meus dentes.
Bella demorou um pouco para responder, mas eu não estava olhando seu rosto.
- Edward, você reparou que ele está quase nascendo e nós ainda o chamamos de "bebê"? – Disse num tom chateado.
Eu terminei de lavar a boca antes de erguer o rosto para ela, secando-o com uma toalha. – Eu já tentei discutir isso com você, mas...
- É, eu sei. Você quase apanhou. – Ela sorriu, me fazendo rir. – Ei! A mãe de uma aluna me deu um livro sobre significados de nomes... – Ela começou a falar antes de levantar, mexendo em algumas gavetas da cômoda.
- Um livro?
- Eu sei! Perda de tempo, não é? Hoje em dia está tudo na internet! – Ela pegou um livro grosso no armário e voltou para a cama, olhando de relance para mim. – Mas tá tudo tão organizado aqui...
- Tudo bem, nós podemos usar para o próximo bebê. – Eu respondi, e ela apenas ergueu as sobrancelhas para mim, me fazendo rir.
Voltei a olhar para meu reflexo ao pendurar a toalha de rosto outra vez. Eu olhei para minha mão esquerda, prestes a tirar a aliança. Essa era a primeira coisa que eu fazia quando chegava em casa. Mesmo assim, quando olhei para o lado, para a porta aberta do nosso quarto, eu precisei parar. Analisei Bella na cama, atenta ao livro que lia, e ela não percebeu meu olhar. Novamente, encarei minha mão. Eu puxei a aliança, como se pretendesse tirá-la do meu dedo, mas parecia que faltava alguma coisa ali. Com um suspiro e um sorriso contido, eu a mantive no lugar, apagando a luz do banheiro antes de ir até minha esposa.
- Certo, vamos dar uma olhada. – Ela disse quando eu sentei ao seu lado, abraçando seus ombros.
- Pode ser... – Eu disse, passando o dedo por uma das primeiras páginas. – Artur.
- Não, eu namorei um idiota com esse nome.
- Ah, se nós escolhermos eliminando os nomes de quem você namorou...
- O que você está insinuando? – Ela me olhou com a testa franzida.
- Nada, tudo bem. Artur está fora. – Eu olhei pelo resto da página, mas nada me chamou muito a atenção. Fui para a próxima, fazendo uma careta. – Nós vamos nos importar com significados?
- Contanto que o significado não seja muito idiota, eu não ligo. Um nome bonito é mais importante.
- Certo. – Respondi. – Tudo bem, eu não gosto de muitos aqui... Tem... Andrew... Mais embaixo já começa a letra B...
- Quer saber? – Ela fechou o livro, quase prendendo a minha mão. – Isso é muito impessoal! Precisamos de algo que tenha significado pra nós. Fala um nome de alguém importante pra você, alguém que te lembre sentimentos bons, talvez um amigo de infância...
- Hank Aaron.
- Quem? – Ela franziu a testa.
- O jogador de beisebol, Bella. Ele é bem famoso, você deveria saber.
- Ah, é claro! – Ela revirou os olhos. – Edward, você fala "Hank" e eu imagino um garoto enorme batendo em criancinhas!
- Tudo bem, então qual é o seunome? – Eu cruzei os braços no peito.
- Não sei, algo como... Michelangelo... Vincent...
- Michelangelo? – Eu ergui as sobrancelhas. – Você pode dar um nome desses pro nosso filho, mas Hank é muito estranho pra você?
- Acontece que o meu filho vai nascer com o meu sangue! Ele vai ser um artista! – Ela disse, maravilhada com a ideia.
- Ele é meu filho também! Ele vai gostar de esporte!
- Ele pode até gostar, mas não precisa de um nome de jogador. Com o seu jeito pra correr atrás de uma bola, o garoto não vai pra nenhuma liga mundial. – Ela rebateu.
Eu fechei a cara antes de responder, suspirando. – Você não entende nada de beisebol.
- Você não entende nada de nomes!
- Nós nunca vamos entrar num acordo se você quiser colocar um nome de tataravô nele! – Ergui um pouco a voz, sem intenção.
- Ah, claro, Edward é um nome muito atual! – Ela respondeu, irônica.
Antes que ela pudesse fazer alguma coisa, eu peguei o livro e coloquei em cima do criado-mudo, cerrando os olhos para ela.
- Ótimo. Então ele será o "bebê Masen" pra sempre. – Eu disse ao revirar os olhos.
- Epa, epa! – Ela apontou um dedo pra mim, erguendo as sobrancelhas. – O que? Ele só vai ter o seu sobrenome? Em que século nós estamos?
- Num século onde as pessoas não chamam seus filhos de Michelangelo! – Eu gritei, aproximando nossos rostos.
Ela abriu a boca, ofendida, puxando o cobertor até seu peito antes de deitar. Demorou um pouco para conseguir se ajeitar com a barriga enorme, finalmente conseguindo uma boa posição, um pouco de lado. Antes que eu pensasse que ia me ignorar, percebi que ainda estava olhando pra mim, séria.
- Ele não vai ter nenhum nome de jogador. – Ela tentou dar a palavra final.
Eu escorreguei pela cabeceira até ficar deitado ao seu lado, encarando o teto.
- E muito menos de algum pintor. – Quase rosnei.
Consegui ver pelo canto dos olhos quando ela respirou fundo, fechando os olhos por alguns segundos.
- Tudo bem. Ainda temos algum tempo pra decidir. Qualquer coisa, nós podemos pedir a ajuda de alguém.
- Acho que nós somos capazes de decidir o nome do nosso próprio filho.
- Você acha, mesmo? – Ela gritou, começando a ficar irritada outra vez.
Eu prensei os lábios um no outro, sem responder. Ela soltou um longo suspiro ao meu lado, e percebi que o assunto estava encerrado por aquele momento. Após alguns segundos deitado ali, o cansaço começou a me tomar, forçando meus olhos a se fecharem. Eu estiquei a mão para o interruptor ao lado da cabeceira, mas não consegui alcançar. Suspirei preguiçosamente, abaixando o braço outra vez.
Antes que eu pudesse me mexer o suficiente para sentar outra vez, meu outro braço tocou levemente a barriga de Bella, ou pelo menos uma pequena parte de sua lateral. Foi então que eu senti o movimento fraco contra a minha pele. Eu desviei o olhar para o local e afastei o cobertor; Bella não percebeu nada, com os olhos fechados, provavelmente já caindo no sono. Eu realmente sentei, hesitando um pouco antes de erguer meus dedos até sua barriga, por cima de sua blusa. Com isso, consegui sentir o chute muito melhor contra minha mão.
Eu paralisei, sorrindo sozinho com a sensação. Ela sempre comentava sobre os chutes, mas era a primeira oportunidade que eu tinha de realmente sentir. E era incrível. Eu quase podia ver a sombra dos pés nitidamente conforme ele me chutava; era fraco, mas provavelmente ainda era o mais forte que conseguia.
Automaticamente, olhei de relance para seu rosto, e notei que ela me observava, acho que já por algum tempo. Ao encontrar meu olhar, Bella sentou na cama, erguendo sua blusa e puxando minhas mãos calmamente até o topo de sua barriga. Meus dedos estavam quase trêmulos quando eu os encaixei ali. Eu olhava para sua pele com os olhos quase arregalados de curiosidade.
- Acho que eu estava errada. Ele pode mesmo ser um ótimo jogador. – Ela murmurou.
- Ele pode fazer qualquer coisa que quiser. – Eu respondi, encantado com a sensação em minhas mãos.
Ergui o rosto para ela outra vez com um sorriso, e ela retribuiu. Eu podia ver as lágrimas em seus olhos, mas não disse nada. Quando sua mão esquerda subiu até meu rosto, eu vi sua aliança ali, e minha expressão confusa fez seu sorriso emocionado desaparecer.
- Você não tirou. – Eu puxei sua mão, analisando-a. – Você sempre tira quando fica em casa.
- Olha quem fala! – Ela zombou, mas eu vi como estava alegre.
- Então, o que? Você está gostando da vida de casada? – Perguntei, igualmente divertido.
- Hm... – Ela forçou uma expressão pensativa, arrumando as costas no travesseiro. – Estou me acostumando.
- Mentirosa!
- Convencido! – Ela rebateu, dando um tapinha muito leve em meu rosto antes de deitar outra vez.
Nós rimos juntos enquanto eu apagava a luz e deitava também, deixando meu rosto quase em seu peito. Eu caí no sono com minha mão ainda em sua barriga, enquanto a dela acariciava calmamente meu cabelo.
Eu espero que esse capítulo tenha acalmado vocês Hahahaha Bella não tá loucamente apaixonada, mas eles estão se dando bem... E Edward tá perto da fofura que todo mundo quer :D
Agora, eu tenho uma notícia não tão legal: A fic vai ter uma ou duas semaninhas de férias aí, porque também somos filhas de Deus, né? Infelizmente é isso, eu vou viajar e vou ficar sem net :/ Mas em janeiro estamos de volta! E com uma linda novidade:
"Eu fiz como já havia aprendido, me concentrando na minha respiração para esquecer a dor. Não era suficiente. Demorou um pouco para eu ter consciência da mão de Edward na minha, firme apesar dos dedos um pouco trêmulos. Ele arrumou minha bolsa em seu ombro e abriu a porta, me guiando cuidadosamente até o elevador."
Espero que todo mundo tenha sacado o que acontece no próximo (não tá nada difícil, vai!)
Se o mundo não acabar, bom Natal e uma ótima virada de ano pra todo mundo! :D :D Até janeiro!
