N.A.: Mil perdões amores, sério, mas cá está o capítulo... vocês vão SURTAR com esse aqui, acreditem... ahauhauahuaa

Agradecendo: Alessandra e uma Guest linda, obrigada, amores, vocês são fofas!

Gente, não sei se foi porque eu postei o capítulo duas vezes e aí teve gente que não viu ou algo assim, mas espero que a redução de reviews seja por isso, se não for PLEASE mandei reviews dizendo o que estão achando, seja legal ou uma crítica CONSTRUTIVA, ok? Babaquices e xingos podem guardar para vocês. ;D

Boa Leitura!


Capítulo 4

A água de seu banho já estava fria, mas Jon parecia não perceber isso. Seu corpo estava quente, como se estivesse dentro de água quente, mas a verdade é que ele apenas estava pensando em Arya. Seu corpo reagia à ela, ao modo como ela falava, ao modo como ela agia.

Estava com raiva, era esse sentimento que estava fervendo seu sangue. Sentia raiva do que havia acontecido há apenas algumas horas, mas para Jon já havia se passado alguns anos. Respirou fundo e fechou os olhos, as mãos contornando a borda da madeira. Não conseguia decidir-se por nenhum sentimento concreto. Arya tinha lhe deixando confuso, e isso era desconcertante.

Após ouvi-la culpá-lo de tudo para Sam, pensou em deixá-la em paz, mas não conseguia. A cada minuto pensava mais e mais no que a ouvira dizer, e isso deixou-a ainda mais pensativo quando ela não apareceu para a última refeição, pedindo que a criada lhe dissesse que ela estava indisposta.

Pensou que talvez ela estivesse com aqueles dias começados, mas nenhuma criada fora chamada, nenhuma troca de roupa de cama, nenhum lençol machado foi mandando para ser lavado em águas quentes. Não, ela apenas não queria estar perto dele. Irritou-se profundamente, ignorando os avisos de Sam novamente e seguindo para o quarto dela, irritado.

Olhou pela fresta no chão e não viu luz acessa, porém, entrou mesmo assim. Olhou pelo quarto, não havia luz alguma acessa, nem mesmo a janela conseguia deixar a luz da lua passar. Entretanto Jon viu Arya deitada na cama, os olhos fechados, o corpo parcialmente coberto.

Parou ao pé da cama, seus olhos fitavam a pequena dormindo. Sabia que Arya era selvagem, uma loba que não poderia ser domada, mas não imaginava que ela cresceria rebelde como estava vendo-a. Não conseguia entender toda a revolta, toda a raiva. Entendia sua tristeza, a dor de perder a família, mas não conseguia entender quando via os olhos raivosos, as chamas de ódio a brilharem quando o olhavam. Sentou-se próximo ao pé dela, vendo que parte da perna direita dela estava à mostra. A luz era mínima, mas Jon conseguia ver perfeitamente uma cicatriz que começava em seu tornozelo e sumia em sua perna coberta.

Seus olhos seguiram as curvas que a coberta fazia junto do corpo dela, nunca em cinco anos imaginara que Arya tornaria-se uma mulher, em sua mente ela ainda era uma garotinha travessa e apenas isso. Mas ali estava a prova de que estava errado. As provas eram vívidas, e aquelas provas eram o que mais lhe incomodavam. Ela já era uma mulher, e quando a achara ela estava na companhia de um homem.

Jon pegou-se prendendo a respiração de raiva, os punhos fechando-se na coberta de pelos grossos. Dentro de sua mente era inconcebível que ela já tivesse deitando-se com aquele homem, fosse quem fosse, mas Jon sabia que Arya não seguia regras, que ela simplesmente não seguia os padrões, e possivelmente escutaria da própria boca dela que ela estivera com aquele homem.

Levantou-se da cama irritado, as botas fazendo barulho no chão de pedra. Olhou pela janela e viu uma enorme figura branca por entre as árvores próximas ao castelo. Ghost parecia sentir sua angustia, estava inquieto também.

"Jon."

Virou-se rápido, o medo de tê-la acordado e agora começar uma nova briga tomando conta de sua mente e peito. Porém, ao olhá-la Jon viu que Arya ainda estava dormindo, que ela não havia movido-se na cama. Aproximou-se devagar e olhou-a atentamente, o rosto dela parecia se contorcer em um sorriso e sorriu disso. Os sonhos dela estavam calmos, e ele fazia parte deles. Ela chamou seu nome outra vez, mas dessa vez o sorriso desapareceu rapidamente e Jon viu que ambas as mãos dela se agarram as fronhas e o rosto enterrou-se no travesseiro. Ela estava de bruços, mas ele via que a respiração estava acelerada e pesada.

"Não, Jon não, por favor."

Doeu-lhe o peito ouvi-la lhe pedir algo com aquela voz dolorosa. Não tinha ideia do que poderia ser, mas se ela lhe contasse mesmo que durante o sono, ele faria. Faria qualquer coisa para ter sua Arya de volta.

Sentou-se ao lado dela, pouco importando-se se deveria ou não. Conhecia pesadelos, sabia o quanto assustadores eles poderiam ser. Não queria que ela passasse por isso sozinha. Levantou a mão para lhe fazer um breve carinho no rosto, mas ela voltou a falar:

"Jon não... Eu... Ahhh, mais..."

Levantou-se rápido da cama, o coração acelerado e a respiração quase suspensa. Por um momento sua mente pensou em tudo que poderia fazê-la dizer aquelas palavras, mas o gemido de dor misturado com... Prazer... Estremeceu e virou-se para sair do quarto, e assim que fechou a porta, dirigiu-se para o lado de fora do castelo quase correndo. Sua mente parecia ecoar as palavras de Arya, cada vez mais altas.

O vento ainda era frio, mesmo que de dia o sol derretesse gelo e esquentasse suas peles minimamente. Parou à caminho dos estábulos e fechou os olhos; então aqueles eram os sonhos que impediam Arya de ter boas noites de sono? Aqueles sonhos eram os que a deixavam sedenta pelo vinho? Sonhos com ele... Escorou-se em uma parede e passou a mão enluvada pelo rosto, o couro curtido arranhando brevemente sua pele sensível pelo vento gelado. Jon não sabia o que fazer agora, como falaria com ela sobre aquilo? Como lhe diria que sabia sobre o que ela sonhava sem dizer que a vigiara durante o sono? Balançou a cabeça, ele não tinha ideia do que faria, e nem mesmo o que faria com aquele sentimento que parecia acariciar brevemente seu ego, gostando cada vez mais do eco da voz de Arya em sua mente.


Passou a mão por sobre a testa e percebeu-a molhada. Seus olhos abriram-se apenas para ver o frasco em sua cabeceira, um cálice ao lado. Todas as noites estavam tornando-se um martírio. Todos os sonhos começavam exatamente do mesmo modo, mas agora Arya via Jon. Ele observava quando ela era presa, acusada de traição, de ser uma desertora, e quando ela estava para ser executada, ter a cabeça cortada em frente a uma multidão enfurecida, ele a tocava nos ombros, fazendo-a abrir os olhos.

E já não mais estavam no pátio do castelo, onde a observavam de joelhos, pronta para perder a cabeça. Não, ela estava em um quarto, os joelhos tocavam uma cama macia e Jon estava à sua frente. E ele a tomava, a segurava, a beijava, a tocava por entre as pernas e a fazia dele. E Arya gostava. Ela gostava de cada segundo, o que agora acordada, a deixava ainda mais assustada do que antes.

Quando estivera com Gendry, fora o frio o culpado. Ela apenas queria calor, havia acontecido e não apenas uma vez, mas fora aquilo. Gendry era um companheiro, nada mais. Porém, sonhar com Jon era muito, até mesmo para ela que quebrava regras.

E o problema total não seria sonhar com Jon caso não acordasse e sentia-se que a mesma sensação que sentia quando ele a tocava durante o sono, passava para seu corpo fora do sonho. Jogou a cabeça para trás, com raiva e encarou o teto. Odiava-se por ser tão fraca e deixar que o presente, quem via agora, entrasse em seus sonhos e bagunçasse tudo.

Levantou-se da cama, o tecido colando-se a seu corpo, o suor escorrendo por suas costas e por entre suas coxas. Odiava-se por deixar-se levar por sonhos assim. Odiava-se por pensar em Jon, mesmo acordada, e lembrar de seus sonhos. Das mãos dele, dos lábios dele, de como ele rosnava baixo em seu ouvido e fazia todo seu corpo estremecer. E como isso era tão certo, e ao mesmo tempo tão errado. Cansou-se e pisando duro, dirigiu-se até a janela, o frasco na mão. Abriu-o e sem importar-se de colocá-lo no cálice, bebeu todo seu conteúdo enquanto olhava pela janela.

O sol começava a mostrar seus raios, e Arya divisou alguém já andando pelo pátio. Por um instante pensou ser um criado já pronto para começar o dia, mas então, viu as peles e couros, mesmo do andar elevado que estava. Era Jon, e ele estava apoiado no muro, como se passasse mal. Pensou em chamá-lo, mas não achou ser uma boa ideia, as pessoas ainda estavam acordando, e gritar o nome de Jon não era nada sensato.

Então ele virou-se devagar e olhou-a, virando-se logo após e seguindo para fora do campo de visão dela, como se ela fosse alguém que ele não queria ver. Arya se irritou com aquilo. Por mais que tivessem brigado, que eles estivessem sem se falar aqueles dias, não era motivo para Jon lhe fazer aquilo. O líquido desceu por sua garganta queimando levemente e Arya agradeceu aos Deuses por ele existir. Não sabia o que seria de si, caso tal vinho não existisse.

Respirou fundo e voltou para o lado da cama, deixando o frasco vazio novamente na cabeceira. Foi então que ouviu uma leve batida na porta e uma criada entrou após Arya lhe permitir. Odiava que tivesse ajuda para se trocar, e nesse dia, especialmente, ela não queria ninguém ali.

"Não preciso de ajuda, pode ir."

A mulher a olhou sem entender, e por um momento Arya quis gritar com ela; porém, segurou-se, seu controle novamente restaurado graças ao vinho.

"Pode se retirar."

A mulher assentiu e saiu, olhando para trás apenas uma vez, como se quisesse ter certeza de que ela estava realmente recusando ser ajudada a se trocar e fazer suas atividades na manhã. Arya bufou enquanto puxava a camisola pela cabeça e procurava pela roupa que colocaria e a bacia para lavar o rosto e as mãos. Teria uma conversa muito séria com Jon, ele não escaparia dela.


"Então, creio que seja um bom dia?"

O corpo de Jon enrijeceu e Arya percebeu tal fato. Estava atrás dele, parada na porta do estábulo, o vento não era forte, mas mesmo assim estavam com casacos e Arya conseguia ver que ele estava segurando algo.

Andou até ele devagar, ele estava estranho demais naquela manhã. Não haviam nem ao menos quebrado o jejum e ele já estava tornando seu dia mais complicado.

"Bom dia, Arya."

"O que o fez fingir que não me viu hoje?"

Jon virou seu rosto devagar para olhar o dela, e arrependeu-se assim que o fez. Ainda a via deitada naquela cama, os cabelos curtos jogados nos travesseiros e a boca a chamar seu nome, um tom de dor e prazer que ele não entendia como ainda repetia-se em sua mente.

"Arya, apenas responda o bom dia e vamos quebrar o jejum, sim?"

A voz séria dele a fez virar-se totalmente para ele e olhá-lo questionadora, apesar de que ele via dentro dos olhos cinza dela o sentimento de aflição. E ele pensava que não era para menos. Ela estava sonhando com ele, em tê-lo, em aceitá-lo dentro dela. Não era para menos que ela estava aflita. Cansou-se daquilo.

"Eu estou com fome, creio que também esteja."

E Jon começou a andar, deixando uma Arya desentendida para trás, mas que logo estava seguindo-o para dentro do castelo, muito irritada. Ela não deixaria aquela conversa sem fim daquele modo.


continua...