N.A.: Pessoas mais lindas da minha vida, vocês não querem minha cabeça não, né? xD

Eu nem judiei muito de vocês, e agora começa uma trama e uma situação tensa... e para deixar SUSPENSE eu vou avisar que nesse capítulo surgem duas pessoas que eu amo, e no próximo tem surpresa para todas vocês, quero ver se vocês adivinham quem aparece no próximo...

Agradecendo: AVTrindade, gabs e Cora, vocês são umas lindas.

Sem betagem, sorry!

Boa Leitura!


Capítulo 5

Jon sabia que seria arrumar uma grande confusão fazer o que tinha acabado de fazer, mas sua mente ainda girava no que havia acontecido à pouco tempo, e não conseguia realmente olhar Arya e não pensar naquilo. Preferiu pegar os caminhos das cozinheiras para chegar ao salão, mas ouviu os passos rápidos e ligeiros de Arya atrás de si. Não houve tempo de virar-se, ela o havia puxado pelo braço e o empurrado contra a parede do corredor quase sem iluminação pelo horário ainda cedo.

"O que está acontecendo, Jon?"

E todo medo e aflição de Jon juntaram-se ali. Arya não era mais a menina que ele deixara para trás quando fora para a Muralha, ela era uma mulher. Uma mulher que ele não vira crescer, e por isso talvez tudo dentro de si estivesse confuso. Respirou fundo, não conseguia vê-la perfeitamente no corredor quase escuro, mas conseguia divisar os olhos cinza, como os seus, a olhá-los sérios.

"Não a nada, Arya."

Tentou afastar-se, mas ela postou-se em seu caminho, e por algum motivo, Jon sentiu como se não soubesse quem ela era. Arya era rebelde e insistente, mas aquela garota estava tornando-se insolente.

"Vai me dizer o que tem."

Levantou a sobrancelha e ela cruzou os braços, indicando que não sairia do caminho dele. Viu-se com apenas duas opções: tirá-la do caminho ou lhe dizer qual era o problema. E o problema todo seria contar-lhe o que estava acontecendo.

"Com o que anda sonhando Arya?"

Arya queria uma resposta, mas não esperava aquela resposta. Não esperava que Jon fosse lhe questionar justamente sobre aquilo. Afastou-se um momento e respirou fundo, não queria demonstrar nada que não devesse.

"Não sei do que está falando."

Viu-a cruzar com mais força os braços e olhou-a questionador, ela sabia exatamente do que ele falava. Balançou a cabeça e ouviu as pessoas na cozinha no final do corredor. Aquilo era um absurdo, ele não deveria questioná-la sobre os sonhos, aquilo era além de particular dela, um absurdo. Nunca conseguiria tê-la, mas lhe parecia que a vontade não pensava daquele modo.

"Esqueça."

"Esteve em meu quarto?"

Seu coração batia rapidamente e com força, se ele estivera em seu quarto, naquela manhã, tinha certeza que ele ouvira algo. E pelo modo acordara, Arya tinha ideia de que ele a vira daquele modo, suada, gemendo o nome dele. Afastou-se mais um passo, suas costas batendo contra as pedras do outro lado do corredor.

"Responda-me, Jon. Esteve em meu quarto hoje?"

Jon olhava-a com receio, sabendo bem que ali teriam um confronto, algo que ele não queria. Havia recuperado Arya há pouco tempo, queria apenas paz com ela. Aproximou-se, sua intenção era apenas falar com ela, mas Arya ficou em defensiva, olhando-o de forma questionadora e empurrando-o contra a parede que estava anteriormente.

"Não sei o que foi fazer em meu quarto antes do nascer do sol, Jon, mas..."

"Arya, pare..."

"Não!"

Ela havia se aproximado. Seus corpos estavam juntos, ela o prensava na parede, as mãos em seus ombros, e Jon sentiu-se desconfortável. Era como se aquela à sua frente não fosse realmente Arya, mas alguém que ele não reconhecia, alguém que ele não entendia quem era.

"Não está prestando atenção, Arya."

Ela empurrou-o mais contra a parede, e Arya sentia-se como em seus sonhos. Sentia como se ainda estivesse sonhando, como se aquele contra ela fosse Jon de seus sonhos, aquele que escorria a mão por sua coxa e subia seu vestido, tocando-a, fazendo-a gemer e estremecer.

E Jon viu os olhos dela ficarem baços, perdendo o foco. Postou suas mãos nos ombros dela, chamando seu nome, mas parecia que ela estava desacordada. Aproximou-se, e ela despertou, empurrando-o novamente na parede. Jon cansou-se, aquilo não era mais brincadeira de crianças, eles já não tinham mais 14 e 9 anos. Virou seu corpo com o dela, prensando-a na parede e viu-a buscar algo na cintura do lado esquerdo. Sabia que movimento era aquele, ela estava a buscar uma espada; mas ali não havia nenhuma. Não entendeu aquilo, mas sua raiva do que estava acontecendo estava nublando seus pensamentos. Empurrou-a com mais força contra a parede:

"Não sei quais são seus sonhos ou porque deles, Arya, mas ainda sou seu irmão mais velho e vai me tratar com respeito."

Ela aproximou o rosto do dele, a face coberta em desafios.

"Vou?"

E foi quando Jon não conseguiu responder. Seus lábios frios tocaram os dela, quentes, macios. E fora apenas um roçar de lábios, mas nenhum deles se movera. Pareciam travados no tempo, e Arya sentiu todo o corpo estremecer. Os dedos das mãos fecharam-se com forca e Arya lutou com todas suas forcas para não aproximar mais seu rosto. Sentir mais dos lábios gelados dele. O gosto da boca dele. Os toques das mãos dele. O calor do corpo dele.

"Arya."

E ela despertou. E tudo que estava acontecendo pareceu acertá-la com força, e ela empurrou Jon usando ambas as mãos contra o peito dele. E Jon deixou-se ser empurrado, percebendo o que havia acabado de acontecer, e com quem. Ela era sua irmã mais nova. Arya. A pequena que ele dera Needle, que ele ficara de luto por anos. Sua irmã.

Afastou-se, andando pelo corredor com a respiração suspensa. Arya sabia que tinha que ficar longe de Jon. Todas as sensações possíveis corriam seu corpo, e ela sabia qual a dominaria da próxima vez que aquilo acontecesse. Ela não podia entregar-se ao desejo, não novamente.


Ele estava sem camisa, o suor escorria por suas costas, os poucos e escassos raios de sol iluminando-o por inteiro. Os fortes braços moviam-se com força e rapidez, as mãos segurando o machado firmemente. E ele cortava os pedaços de lenha com maestria. Escorou-se no batente da porta, cruzou os braços e o observou por algum tempo. Os fios de cabelo caiam na frente dos olhos dele, mas isso não parecia atrapalhá-lo.

Ele vestia calça de couro curtido, botas de montaria e as cicatrizes de batalha enfeitavam seu peito e costas. E ela já havia decorado cada uma delas, com a mente e com as pontas dos dedos. Nesse momento ele levantou os olhos da madeira que havia acabado de cortar e viu-a lhe observando.

"Precisa de algo, passarinho?"

Sansa sorriu. Mesmo após cinco anos ele ainda lhe chamava de passarinho. E talvez fosse assim até o fim de suas vidas. Aproximou-se devagar, levantando brevemente seu vestido para que não pegasse na terra. Viu-o colocar o machado de lado e sorrindo brevemente ao vê-la próxima.

"Bom dia, Milord." Sansa gracejou sabendo que ele não gostava do tratamento. "Acordei para uma cama fria e vazia."

Sandor tocou o rosto dela, e mesmo que soubesse que sua mão estava áspera, precisava tocá-la. Amava-a, com todas suas forças.

"Fui a aldeia. Vou deixá-la alegre."

Sansa sorriu e procurou com os olhos o pequeno descampado da cabana que moravam. Não encontrou nada diferente que não estivesse ali na noite anterior. Olhou-o sem entender.

"Sua irmã, a pirralha sem limites."

"Arya." Sansa respondeu rapidamente não gostando do modo como ele havia falado de sua irmã há muito morta. "E sabe que não gosto de falar dela. Arya mor..."

"Está em Winterfell sob a guarda do Lord bastardo, seu meio-irmão."

Por alguns segundos Sansa apenas olhou para os olhos do homem que passava a mão pela testa, limpando o suor e afastando os fios de cabelos da frente dos olhos. Após cinco anos pensando que sua família estava reduzida a nada, a ficar escondida, a ser apenas ela, Bran e Rickon; agora descobria sobre Arya estar com Jon. Respirou fundo, levantando novamente o vestido com as mãos e correndo para dentro da cabana, indo até o baú em seu quarto. Ajoelhou-se na frente dele, abrindo-o e olhando todas as coisas que haviam ali dentro.

Ali haviam lembranças do seu passado, de sua outra vida. Porém, ali haviam outras lembranças. Lembranças que não eram suas. Outros segredos, quais Sansa sabiam que não eram seus para guardar, mas ali estavam. Puxou do lado esquerdo, quase no fundo, um embrulho com um pano verde. Ali estavam provas de algo que nem mesmo ela acreditara quando lera pela primeira vez. Entretanto, quando juntara as peças, lembrara-se do que ouvira quando criança, tudo passara a fazer sentido.

Sentou-se no chão de madeira de seu quarto simples e arrumou o vestido no corpo enquanto empurrava os longos cabelos negros para trás. Olhou uma das mexas de seu cabelo e suspirou, não gostava de ver seus cabelos negros daquele modo, mas precisava esconder-se, disfarçar seus cabelos vermelhos. Colocou o pequeno e gordo embrulho no colo, soltando o nó do pano verde e abriu as pontas, vendo um bolo de cartas abertas, os selos das cartas quebrados.

O Dragão de Três Cabeças e o Lobo Gigante enfeitavam os selos quebrados e Sansa tinha certeza que aquilo seria um grande problema, e uma grande solução. Mas Arya estava de volta, e se ela poderia voltar dos mortos, aquele segredo poderia ser contado, e talvez sua família pudesse ser reunida. O que restara dela.


continua...