N.A.: Olá, suas lindas! Venho aqui dize que a fic está no fim... MENTIRA! ahauhauhauhaua

Bom, a minha contagem terá 21 capítulos... OU SEJA, coisa pra caray vão acontecer... *-*

Agradecendo: gabs, AVTrindade, Cora e Lori. Adoro vocês, muito obrigadinha! xD

Sem betagem, amores, sorry!


6 - Capítulo

Jon queria quebrar tudo que via pela frente. Não conseguia acreditar em como fora fraco. Em como se deixara levar por um impulso, em como envolvera-se de tal maneira no momento e desejara Arya. Desejara Arya como nunca havia desejado Ygritte, ou qualquer outra mulher em toda sua curta vida. Desejara o corpo dela, a mente, a força, a rebeldia, a raiva, os olhos desfocados, a boca macia e os suspiros. E isso estava errado, pelos Deuses Novos e Antigos, como aquilo estava errado.

Jogou-se sentado na cadeira do grande salão, todo o desjejum intocado. Não conseguia comer, não conseguia sentir fome com aqueles pensamentos. Não conseguia sentir nada, apenas raiva de si mesmo.

Não entendia a força desse sentimento, a força do desejo. Sua respiração tornou-se rápida, sua mão fez contato com força contra a madeira da mesa, o punho fechado. Um cálice virou derramando o vinho pela mesa, molhando pão, frutas e outras comidas. Não era assim, não agia de tal modo, não tinha acessos de raiva como uma criança mimada querendo algo que não pode ter. Ouviu a porta abrir-se devagar e olhou diretamente para lá, seus olhos escuros mirando quem entrava. E só percebeu que segurava a respiração quando Sam lhe sorriu, mesmo não recebendo um sorriso em resposta. E Jon soltou o ar de uma vez, parte de forma raivosa.

"Bom dia, Jon."

Sam apenas parou ao lado esquerdo de Jon, na cadeira em que sempre sentava-se para as refeições. Olhou o amigo e então a mesa, suja com o vinho do cálice de Jon, que estava virado. Olhou novamente para Jon e sentou-se, ajeitando as vestes longas e negras em seu corpo. Via Jon mirando-o, o cotovelo no encosto da cadeira, a mão no queixo, a mandíbula travada, os olhos negros sérios. Conhecia Jon, ele estava nervoso com algo, e Sam conseguia pensar em apenas um motivo para tal nervosismo.

Começou a servir-se sem olhar novamente para Jon. Sabia bem que ele iria lhe dizer em pouco tempo o que estava a acontecer, percebera que ele estava a ponto de explodir. E foi exatamente o que Sam viu Jon fazer, porém, de uma forma derrotada, derrubando os ombros para frente.

"Ela tem 14 anos, Sam."

Sam primeiro comeu o pedaço de pão que havia partido com os grossos dedos. Bebeu um gole de um suco agridoce e respirou fundo. Precisava tomar cuidado com o que falaria, muito cuidado.

"Sim, ela tem 14 anos, Jon, apenas continua provando que já é uma mulher." Bebeu mais suco, seus olhos observando atentamente como Jon reagia à sua frase. Entretanto o moreno apenas olhou-o, esperando pela continuação da frase dele. "Seria estranho não notar isso. Não... observar com certa atenção isso."

Jon levantou-se e começou a andar para frente e para trás, atrás da cadeira, as mãos passando pelo cabelo cacheado à todo momento, empurrando-o para trás. A capa preta balançava atrás dele, as botas batendo contra o chão de pedra.

"Não, Sam... Isso não está certo." Jon respondeu sem parar de andar de um lado para o outro, seus olhos correndo do chão para Sam por conforto. "Ela.."

"Ela é sua meia-irmã e isso seria errado." Sam concordou com a cabeça e a voz calma enquanto partia mais um pedaço de pão com as mãos e colocava-o na boca, mastigando devagar. "Tão errado quanto sentir-se atraído e desejá-la como mulher." Sam bebeu mais um gole de suco e terminou sua frase. "O que ela é."

Jon, por vezes, odiava que Sam o conhecesse tão bem. Odiava que o amigo soubesse de seus sentimentos e de seus pensamentos. Porém, odiava-o mais por saber que por trás daquela frase havia a resposta que Jon tanto buscava. A resposta para a pergunta que ele ainda não havia feito, mas estava prestes a fazer. E foi então que Jon desistiu. Não poderia cogitar a ideia, não poderia pensar em Arya daquele modo, tinha que esconder esses sentimentos. Não poderia desejá-la, não poderia querer Arya, não sua irmã.

"Ela é minha irmã, Sam. Isso é errado."

Com isso Jon sentou-se a mesa e puxou o cálice caído, colocando mais vinho e bebendo o conteúdo em um gole. Sam o observou por um tempo enquanto comia. Jon poderia dizer que aquilo estava resolvido, que ele enterraria os sentimentos e tudo ficaria bem, mas Sam conseguia ver no semblante sério de Jon que aqueles sentimentos o derrubariam. E a queda seria estrondosa.


Não conseguia fazer seu corpo parar de tremer, parecia que teria algum tipo de desmaio ou ataque. Era como estar submersa em água gelada, e sentir o corpo implorar por calor. Por isso quando Arya viu os cavalos não pensou duas vezes, apenas puxou um para fora do estábulo e o selou.

Correu rápida com ele, ignorando completamente qualquer caminho ou direção. O vento da manhã cortava sua pele, mesmo com o sol que brilhava já alto. Entretanto, ela não queria saber daquilo, apenas afastar-se daquela sensação. Afastar-se da confusão que sua mente estava. No cavalo, apenas com a campina verde a sua frente, o sol e o céu sob sua cabeça e o vento a cortar-lhe a pele do rosto e das mãos desprotegidas. Não queria nada em sua mente, não queria nenhum pensamento, nenhuma tristeza ou qualquer sentimento que fosse.

Prestava atenção à sua frente enquanto o grande cavalo negro corria, quando próximo a orla da floresta, Arya viu alguém. Seu primeiro extinto foi acelerar o cavalo, a ultima coisa que queria era alguém lhe tentando roubar o cavalo ou lhe dizendo para não andar sozinha. Porém, assim que olhou bem, viu alguém que nunca mais pensara em ver, não ao menos daquela forma, não ao menos Westeros.

O puxão que deu na rédea não fora tão forte quanto pretendia, mas o suficiente para que o cavalo desacelerasse e ela conseguisse fazer a volta sem precisar parar para se aproximar. E assim que o cavalo estava próximo de verdade Arya saltou rapidamente. O homem olhava-a sorrindo pelo canto da boca e as mãos no cinto, como costumava ficar. E Arya segurou a barra do vestido, levantando-o e correu. Não sabia bem porque sua reação fora aquela, mas assim que aproximou-se dele abriu os braços e pulou, sendo segura pelos braços dele em um aperto forte.

E ele riu baixo enquanto abraçava-a e Arya sentia que apenas as pontas de seus pés tocavam o chão. Nunca tocaram-se daquele modo, e Arya sentiu-se como que voltando a época negra de sua vida, mas a época em que a morte era a lei e vestidos e desejos não importavam. Nenhum pouco.

"Creio que a garota sentira a falta dele?"

Arya riu contra o ombro de Jaqen enquanto soltava-se dele. Olhou-o no rosto, os olhos verdes de volta ao lugar. E ela sorriu.

"Voltou a ter a mesma aparência."

"Ver a garota mudou a aparência dele. Para melhor, espero."

Arya sorriu enquanto assentia avidamente. Por mais que sua mente sempre desejara que o visse novamente, aquele momento pareceu ser o mais acertado. E seria engraçado, se ela já não estivesse com a sensação de que ele não estava apenas de passagem, mas sim estava ali por ela.


continua...