N.A.: Bom, venho aqui postar mais um capítulo após ser ameaçada por alguém no facebook... cofcofCoracofcof
Mentira, eu já vinha postar antes, mas a ameaça ajudou na escrita... ahauhauahuahua
Agradecendo: Cora e gabs, obrigada, amores, vocês são fofas!
Percebi que o numero de reviews diminuiu bastante, mas o de favs e alerts não... ¬¬ comentem povo, por Merlin.
Sem betagem, sorry!
Boa Leitura!
Capítulo 8
Seus olhos azuis miravam as árvores e o caminho que seguiam. Desde que fugiram nunca ficaram tão longe de Winterfell, mas nunca tão perto para que pudessem ser encontrados. Sabia que Sandor nunca deixaria que ninguém a levasse, mas pedira para ele que ficassem longe, para que não pudessem ser encontrados, mesmo que sem querer, pela Guarda-Real. Recostou-se no ombro dele e sorriu ao ouvi-lo respirar mais rápido. Mesmo após tantos anos Sandor ainda tinha tais reações quando o tocava, e Sansa sentia-se como o presente que ele tanto esperara em seu dia de nome.
"Chegaremos em Winterfell em pouco tempo, Milady."
O vento estava fraco e a madeira da pequena e simples carroça que tinham começava a lhe incomodar. Porém, a ansiedade de ver Arya, olhá-la e confirmar que era realmente sua irmã, fazia com que esquecesse tudo aquilo. Olhou para trás, vendo duas pequenas bolsas de lona, onde estavam suas capas e o embrulho das cartas.
Sansa sabia que o destino da casa Stark mudaria para sempre com aqueles papéis, mas precisava mostrá-los. A força que sabia que Jon teria com Arya viva e ao seu lado, era a força que ele precisaria para encarar seu destino. Virou-se novamente, os olhos conseguindo divisar nas montanhas à frente o castelo. A visão de Winterfell acelerou o coração da mulher, e Sandor ao ver o semblante saudoso dela, soltou uma das mãos das rédeas e puxou-a para si.
Conseguia entender o nervosismo dela, mas entendia ainda mais a ânsia de ver a irmã, de saber se ela era a verdadeira Arya Stark e se assim fosse, ter parte da família Stark restaurada. Sorriu ao vê-la escorrer os pequenos dedos por sua couraça no peito e escondê-los em sua capa. Ela era sua Sansa e sempre seria, mas ela também era uma Stark, e também sempre seria uma loba.
Arya sabia a confusão que conseguiria com Jon ao dizer tudo aquilo, conhecia o irmão bem demais para saber que ele apenas a julgaria por aquilo; mesmo que nunca antes o tivesse feito. Mas não vira saída, ele continuaria com aquilo, continuaria a pressioná-la e a querer saber quem era o homem que entrara com ela pelos portões de Winterfell até que ela contasse.
E talvez não tivesse que ter lhe contado sobre Gendry, mas ele simplesmente não deixaria aquilo passar também. Jon queria ouvir as piores coisas sobre ela, e Arya então contaria. Entrou em seu quarto rapidamente, batendo a madeira da porta com força e desejando ardentemente que não tivesse sido encontrada por Jon aquele dia. Se ele simples não tivesse aparecido, se não tivesse procurado por ela, não tivesse olhado-a duas vezes.
Sentou-se em sua cama e observou como estava escuro, como a noite chegara rapidamente e parecia que os dias não passavam. Winterfell lhe lembrava tudo que doía e Arya queria apenas ir embora. Amava Jon, nunca perderia tal amor, mas ele estava apenas lhe trazendo dor, apenas lhe deixando com raiva. Talvez se soubesse de sua dor, ele a deixasse partir, mas Arya duvidava. Sabia que após tantos anos com o pensamento que ela estava morta, Jon não a deixaria partir.
Respirou fundo e levantou-se ao ouvir certa comoção no pátio. Olhou pela janela, era noite e não lembrava-se de ouvir comentários sobre Jon receber alguém; porém, poderia ser algo inesperado, como sua chegada. Observou pelo vidro fosco figuras pequenas a moverem-se ao lado de cavalos e uma carroça. A curiosidade sempre fora sua melhor e pior inimiga; abriu a janela devagar e espiou apertando os olhos para identificar as figuras ao longe e na penumbra. O que viu fez com que sua respiração ficasse suspensa e pensasse que seus dias não poderiam ficar mais estranhos.
Jon estava sentado na escadaria de entrada para o grande salão, seu rosto enterrado nas mãos e a luz do local era mínima, as lamparinas ali apenas iluminando as portas. Estava pensando no que ocorrera e como tiraria de sua mente as frases de Arya quando ouviu uma pequena comoção às portas e logo dois cavaleiros entraram. Um deles vinha segurando o lado esquerdo da cabeça, como se tivesse sido atingido. Levantou-se preocupado que pudesse estar acontecendo um ataque; mas o outro cavaleiro acalmou-lhe ao olhar o companheiro e esboçar um riso contido.
"Lord Snow." o que tentava não rir disse. "Creio que seja melhor vir e ver com seus próprios olhos."
"O que houve com você?"
Jon começou a andar com os dois homens enquanto via o homem ferido mostrar-lhe o lado do rosto, onde parecia que um pequeno pé havia feito contato. A terra seca ainda formava a pegada. E se Jon não soubesse que Arya estava em seu quarto, poderia jurar que aquilo era obra dela.
Viu que o outro cavaleiro agora já ria abertamente, mas o ferido não vira graça alguma e começou a explicar que fora abordar uma carroça que chegava em Winterfell há pouco e a mulher lhe acertara o rosto quando tentou puxar o capuz do homem que guiava os cavalos.
Sabia que com toda certeza a mulher sentira-se ameaçada e agredira o guarda, conhecia como alguns nortenhos poderiam ser petulantes. Andou até perto de onde estavam mais dois guardas postados ao lado da carroça e por um segundo Jon sentiu-se observado por olhos conhecidos. E aquele azul único dos olhos da mulher lhe fizeram estacar no lugar.
Reconheceria Sansa em qualquer lugar, assim como acontecera com Arya. E Jon aproximou-se, mesmo sem saber como reagir corretamente. Viu que ela descia da carroça, os cabelos negros presos em um coque no alto da cabeça, a pele levemente queimada do sol, mas mesmo com todas as mudanças e os anos passados era Sansa. E então ao lado dela descera um homem alto, e Jon soube mesmo com o capuz a lhe cobrir o rosto quem era: Sandor Clegane.
Impediu que qualquer guarda fizesse qualquer avanço contra o homem, sabia qual seria o resultado. Aproximou-se ainda mais e viu que Sansa olhava-o ainda da mesma maneira que antes: vendo o bastardo de Ned Stark. Inclinou-se e viu-a, para sua surpresa, fazer o mesmo.
"Fico feliz que esteja bem, Sansa." Virou-se para o homem. "Pode retirar o capuz, Sor Sandor Clegane, ninguém lhe tocará aqui."
Sandor sorriu dentro do capuz e retirou-o, vendo as pessoas olharem para si com receio. Sansa odiava ver a reação das pessoas ao vê-lo. Ele já não era mais a mesma pessoa e gostaria que o visse dessa forma; porém, sabia que Sandor seria temido por toda sua vida, não mais havia volta.
"Vamos entrar?"
Jon convidou-os e viu Sansa aceitar e olhar Sandor, indicando a bolsa de lona, qual o homem puxou rapidamente para si e colocou-a no ombro. Jon andou ao lado de Sansa e de Sandor, que pareciam temerosos a entrarem no castelo, temendo algum tipo de emboscada. Conseguia entender perfeitamente o receio deles e não lhes tirava a razão, principalmente quando conhecia o sentimento.
Sentaram-se à mesa de refeições e Jon pediu que alguns aperitivos fossem colocadas à mesa. Sentou-se e viu que Sansa se sentou a seu lado direito, com Sandor sentando-se logo após ela. Jon serviu-se de vinho quando esse foi trazido e viu Sansa fazer o mesmo, mas Sandor apenas contentou-se com água, algo que não passou desapercebido por Jon.
"Seu cabelo...?"
Sansa suspirou peserosa, como se aquilo a trouxesse uma triste memória.
"Após fugir de King's Landing, precisei deixar de ser Sansa Stark, meus cabelos da casa Tully lembravam demais minha mãe. Precisei tingi-los, e mesmo após a queda de Joffrey preferi manter-me sem ser reconhecida."
Jon assentiu e observou Sandor, que olhava-o com um sorriso enviesado. Não entendia o que estava acontecendo, mas não houve tempo, as portas foram abertas com um estrondo e por elas Arya entrou correndo, vindo na direção da irmã. Esperava que Sansa sorrisse e brigasse com Arya pela atitude tão infantil e exagerada, mas viu a morena levantar-se rapidamente, a madeira fazendo contato com o chão e produzindo um alto barulho. Não esperava vê-las abraçarem-se daquela forma, os braços apertando fortemente o corpo uma da outra e os rostos escondidos em seus pescoços.
Ouvia o choro contido de cada uma e as palavras baixas. Não sabia o que pensar, e nunca esperara ver aquilo de Sansa, mas estava feliz por ver as duas irmãs reunidas. Voltou seu olhar para Sandor Clegane, que servira-se de pão e frutas, e olhava de canto de olho as irmãs ainda em um forte abraço. Jon ficou a observá-lo, vendo a parte deformada de seu rosto e o modo como ele olhava para Sansa a todo momento, protegendo-a.
Não entendia como eles terminaram juntos, mas via nos olhos dele a devoção que sentia por ela. O amor que nunca pensara em ver nos olhos de alguém com seu passado, com sua face, com suas atitudes. Mas via, e vira nos olhos de Sansa o mesmo sentimento, a mesma devoção. Bebeu mais de seu vinho, talvez o tempo lhe explicasse sobre eles, e mostrasse para Jon o caminho para sentir o mesmo sentimento.
Jon estava satisfeito com o tanto que havia comido, e Sandor havia se retirado para buscar outras bolsas de lona que deixara na carroça, enquanto Arya subira para o quarto buscar algo que havia guardado para Sansa.
A morena olhou Jon por alguns segundos, vendo os mesmos cachos, o mesmo rosto, a mesma face triste que ele tinha há cinco anos. O mesmo rapaz que ela não importara-se em agradar, em conhecer melhor, apenas em tratá-lo como o bastardo de seu pai. Respirou fundo enquanto puxava da bolsa de lona ao seu lado o embrulho de cartas. Aquilo mudava tudo, ela sabia, e queria que o destino mudasse.
"Tenho algo a lhe entregar, Lord Snow."
Jon estranhou a voz de Sansa a lhe chamar pelo título, e quase respondeu, pedindo que ela não lhe chamasse daquela forma tão distante, mas não houve tempo. Ela lhe entregava um embrulho: um pano verde que guardava algo.
"Espero que... não me julgue por não lhe entregar tais cartas antes."
Não estava entendendo, mas colocou o embrulho na mesa, afastando o prato e o cálice. Seus dedos desfizeram o nó com facilidade e Jon viu muitas cartas. Por alguns segundos apenas encarou o selo da primeira carta e soube que era Targaryen. Levantou aquele envelope e viu que o seguinte era da casa Stark. Um frio correu sua espinha e Jon levantou seus olhos cinza para Sansa.
"Cersei tinha segredos, e acredito que tenha morrido achando que estavam guardados."
Sansa viu Jon pegar a primeira carta com os dedos trêmulos e abri-la. Pediu licença e saiu do ambiente, deixando-o sozinho para descobrir sua origem e seu futuro.
continua...
