N.A.: Que agora o negócio começou a pegar fogo, baby... ahauhauhauhauhau Leiam e me digam, o que vocês acham que vai acontecer?

Obrigada: Cora, Gabs e Babi, vocês são umas lindas por comentarem.

Boa Leitura!

Quase nada aqui me pertence, apenas as situações que escrevo e a O.C.. Não ganho nada com essa fanfic, apenas comentários lindos e leitores maravilhosos.


Capítulo 9

Arya estava deitada em sua cama, os pensamentos passavam por tudo que havia escutado Sansa contar do que passara. E imaginava o quão forte ela tivera que ser para suportar tudo aquilo, todas as provações. Mas o que mais a surpreendia era o fato de que Sansa amava Sandor Clegane. Aquele homem odiado, aquele homem que ela não conseguia entender, que ninguém conseguia entender ou gostar. E Sansa o amava.

Passou a mão pelo rosto, sentindo o suor em sua testa. Estava uma noite quente, e mesmo que Arya estivesse evitando pensamentos sobre o que acontecera anteriormente a chegada do casal, não conseguia. Seus sonhos povoavam sua mente, mesmo acordada, lembranças dos olhos nervosos e possessivos de Jon ao ouvirem sobre Jaqen e Gendry. E agora tudo que deveria voltar ao normal, não estava. Sansa aparecia com Sandor Clegane, Jon parecia mais e mais possessivo e descontrolado.

Sentou-se na cama e olhou pelo quarto escuro. A luz da lua entrava pela janela e Arya levantou-se, andando até a janela. Abriu-a e olhou o aro prateado no céu, o vento forte eliminou um pouco do calor em seu corpo. Fechou os olhos, ouvindo o vento bater contra as copas das árvores, balançando galhos e folhas. Aquilo lhe trazia lembranças. O vento trazia cheiros que também lhe traziam lembranças, algumas boas outras não.

Abriu os olhos e virou-se. Precisava dormir, precisava descansar. Seu corpo e mente lhe diziam que o próximo dia não seria fácil, que algo esgotaria suas forças. Precisaria estar forte, estar alerta, em Winterfell não poderia mais fraquejar, ou aquele lugar e as péssimas lembranças a engoliriam viva. De uma só vez.


Desjejum, almoço e caminhadas, todas feitas em seu horário e para desgosto de Sandor, todos eles participaram disso. Sansa estava acostumada, era como fora criada. Mas para ele, aquilo era uma enganação, um teatro mal armado, apenas um incentivo para que fosse embora mais rápido. Ouvira Sansa e Jon a conversarem sobre as coisas que ela quisera contar para ele, e aquilo não lhe interessava nem um pouco. Mas manteve seus olhos presos na pequena. Aquela sim era um tópico interessante. Lembrava-se de tudo que ouvira sobre ela, sobre o que acontecera com a pequena Stark. A pequena desobediente e aventureira, que fora dada como morta, mas que sempre se ouvia estar viva de anos em anos.

Viu o Lord bastardo, Sansa e o gordinho andarem na frente, a conversa mais baixa. O sol não estava forte, mas já começava a incomodar. Percebeu que a pequena estava mais atrás deles, olhando para os lados, vendo as pessoas e parecia procurar alguém. Aproximou-se dela, os olhos dela pararam em algum lugar, como se vissem algo de interessante.

"Então, está viva."

Arya sentiu o sangue gelar, mas continuou observando Jaqen à sua esquerda, os olhos dele pareciam sorrir junto com a boca. Aquele sorriso que ela gostava de ver, mesmo que nunca tivesse admitido. Fingiu olhar alguns vasos que estavam à sua frente quando sentiu Sandor Clegane se aproximando.

"Viva e voltando para ser uma dama." Provocou-a, aproximando-se e fingindo olhar o que ela olhava. Olhou pelo canto de olho e viu que Sansa e Jon conversavam, mas que o gordinho tinha desaparecido. Voltou sua atenção a Arya, vendo-a ainda observando algo.

"Não sou nenhuma dama."

Sandor riu dessa afirmação.

"Isso todos sabemos, não?"

Arya fechou as mãos em punhos, a raiva tomando conta de seu corpo. Mas era perigoso, era perigoso demais expressar algo para ele. Jon estava perto, Sansa estava perto, não queria que ele lhes dissesse algo. E não queria perder a oportunidade de falar com Jaqen sem que precisasse explicar porque estava ali.

"O mais interessante é como alguém que foi ferida gravemente, está viva."

Fechou os olhos e apertou as unhas curtas contra as palmas das mãos. Não queria dizer nada, não queria revelar nada. Porém, a lembrança voltou em sua mente. A espada que fincaram em seu tornozelo enquanto estava caída, a lâmina rasgando sua pele, subindo em direção a sua coxa.

"E então alguém que matou muito seria uma procurada."

Abriu os olhos e mirou seriamente o rosto desfigurado de Sandor. O homem era gigante, mas Arya mesmo sendo pequena e estando em um vestido delicado, conseguia deixar o quão perigosa conseguia ser. Sandor Clegane sorriu e inclinou levemente seu corpo na direção do dela.

"Seu irmão bastardo sabe que tem sobre a proteção dele uma perigosa e suja assassina?"

Arya olhou rapidamente para à esquerda, olhando para Jaqen, mas ele já não estava mais ali. Ele notara Sandor Clegane, desaparecendo, sabendo que não seria bom mostrar-se, estar sobre os olhos de ninguém. Voltou os olhos para Sandor, o homem estava com a parte desfigurada do rosto encoberta pelos cabelos, que caiam levemente. Arya aproximou-se dele e disse-lhe baixo:

"Não ouse contar-lhe nada, Sor." Usou a palavra com nojo, sabendo que ele não era nada daquilo. "Ele não sabe, e nunca saberá." Aproximou-se mais, porém, viu Sansa e Jon observando-os de longe. Eles também conversavam próximos, como contando segredos, escondendo dela e de Sandor algo; assim como eles estavam fazendo agora. "Não ouse lhes dizer quem fui ou quem acha que fui. Aquela Arya poderia lhe fazer uma visita."

Sandor riu inclinando a cabeça para trás, mas voltou a inclinar-se para perto da garota, os olhos sérios a mirarem o rosto de criança, mas com olhos assassinos. Sandor reconhecia que ela não era mais aquela criança assustada que um dia ele conhecera. Ela tinha feições de um assassino, alguém que mataria para manter os segredos escondidos, alguém que já silenciara pessoas por menos. Não admitiria, mas temera por Sansa.

"Aquela Arya ou aquela sem nome?"

Engoliu em seco. Ele sabia demais. Ele precisava ficara em silêncio. Precisava fazê-lo se calar. Olhou para Sansa e Jon que continuava a confidenciar coisas, e a olharem eles dois. Respirou fundo, dando um pequeno passo para mais perto dele, seus corpos perto demais, seus olhos sérios. E Arya observava Sandor Clegane pela primeira vez: o assassino, o homem desfigurado, judiado, maltratado, usado, e agora, amado. Semi-cerrou os olhos escuros, molhou os lábios e disse:

"Sansa sofrerá sua perda. Não a faça chorar, Sor Sandor Clegane. Ela sentirá sua falta."

Sandor apenas viu a pequena virar as costas e dar dois passos na direção oposta a que estavam, mas parar seus passos ao ver o gordinho, que antes estavam com eles. Os olhos do homem pareceram se arregalar brevemente ao olhar para o rosto da pequena, mas ela continuou o caminho, quase esbarrando nele. Aprumou o corpo e sorriu ameaçador para o homem, virando-se e indo para perto de Sansa. Arya deixara bem claro qual seria seu fim, e mesmo que não estivesse com medo dela, estava com medo por Sansa. Prometera não fazer Sansa sofrer, não fazê-la chorar, nunca machucá-la. Morrer seria isso. Deixaria, a pequena se enforcaria sozinha, ela não precisaria de ajuda.


Sam escutara tudo. Ele escutara cada palavra de Sandor Clegane para Arya, e agora sua mente trabalhava rápido. Ela não apenas escapara, ela não apenas se escondera, ela tornara-se outra pessoa. Ela matara pessoas, ela sobrevivera como pudera, e Sam agora perguntava-se como teria sido para ela. Uma pequena, indefesa e... Não, ele não conseguia vê-la sofrendo triste em um canto. Não, ele a via fazendo exatamente o que Sor Clegane falara: matando, sendo uma suja assassina. E por mais que não quisesse pensar nisso, era tarde demais. Precisava contar a Jon, mas como? Como lhe diria que a irmã que ele tanto estimava, a garota que ele sofrera de luto por cinco anos, e que agora estava de volta aos braços dele, era uma outra pessoa? Alguém perigosa e com um passado sujo, um passado que Sam apenas poderia imaginar?

Aproximou-se dos outros três e sorriu forçadamente, vendo Jon olhá-lo questionador. Deu de ombros, mas sabia que ele viria lhe questionar depois e então contaria. Contaria o que ouvira e sabia que ali Jon cairia, aquela seria a queda dele. E então eles talvez pudessem se acertar, pois sabia que Jon ainda não estava bem com relação a Arya. Talvez após isso a menina que ele ainda via nela, sumisse, e ele pudesse seguir em frente. Talvez.


continua...