N.A.: Povo lindo, eu ignoro completamente Viserys e completo minha vida com o Aegon, ok? Obrigadinha!
Um pequeno adendo aqui: eu não li todos os livros, e até onde li, não chega nem perto do 4. Parei no começo do terceiro e não consegui ir em frente ainda. Baseio a fic em conversas/fics/tumblr/facebook/twitter e por aí vai. Então, não me matem.
Agradecendo: gabs e Cora, vocês são umas lindas, obrigada por comentarem!
Sem betagem, sorry!
Boa Leitura, povo!
Quase nada aqui me pertence, apenas as situações que escrevo. Não ganho nada com essa fanfic, apenas comentários lindos e leitores maravilhosos.
Capítulo 10
Observou atentamente a parede de pedras escuras a sua frente. Jon não conseguia ainda juntar todas as peças, não conseguia ainda entender o segredo que Ned Stark levara para o túmulo. E não conseguia entender como aquelas cartas apenas agora vieram para em sua mão. Era como o destino querendo lhe dizer algo, mas simplesmente falhando.
Correu as mãos pela cama, todos os papéis abertos e lidos. Relidos. Decorados. Cada palavra ali confirmava que ele era filho de Lyanna Stark e Rhaegar Targaryen. Cada palavra ali contava que ele era quem deveria estar no Trono, e quem deveria ser Rei. Mas Jon sabia melhor que ninguém que não se poderia enfrentar Daenerys e Aegon. E não haveria, na verdade, motivos para tal.
Não queria o Trono, não queria ser Regente, não queria essa atenção. Respirou fundo e passou a mão pelos cabelos, jogando-os para trás, e fechou os olhos. Tudo estava acontecendo rápido demais, tudo estava acontecendo. Eram pessoas do passado, segredos escondidos, vidas destruídas. Tudo que lhe acontecera nas últimas semanas pareciam começar a cobrar seu peso.
Deitou-se, empurrando de qualquer jeito as cartas para o chão. Todos seus pensamentos conflitavam em apenas uma pessoa: Arya. Ela já não era quem esperava e não fazia o que ele esperava. Não conseguia decifrá-la, mas conseguia ver a pequena Arya ainda dentro das íris dela. E essa dualidade estava acabando com sua sanidade. Respirou fundo novamente e fechou os olhos com força. Forçou-se a dormir, precisa descansar, pensar. Amanhã tomaria a decisão mais importante de sua vida.
Já estavam há mais de quatro horas conversando. Sam tinha ouvido boa parte do tempo, Jon estava lhe explicando tudo que lera, todas as teorias que ele pensara. Agora, após o desjejum, ambos estavam sentados afastados de todos, o vento forte batia em suas capas e gelava a pele, mas o sol estava alto e não daria trégua tão cedo. Estavam tão absortos em seus próprios pensamentos que não perceberam que todos os outros já haviam entrado, buscando refugio do sol.
"Jon... acredito que o melhor seria entrar em contato com sua... família."
Jon levantou sua cabeça, cachos escuros caíram na frente de seus olhos e Sam notou como tudo aquilo ainda era estranho para ele. A família que Jon sempre estimara em ter, a família que ele sempre sonhara, estava ali, diante dele, mas de um modo perigoso, mortal. Sabia quais eram os temores de Jon, sempre soubera, mas ele precisava enfrentá-los, agora mais do que nunca.
"Escrava, conte para a Rainha regente o que descobriu. Veremos qual será a reação se fogo começar a cair do céu."
Não riu como Sam da própria piada, mas entendeu exatamente o que ele dissera. A Rainha poderia considerá-lo um perigo, um possível usurpador do Trono, e enviar seus animais lendários para dizimar Winterfell sem deixar vestígios para trás. Ou ela poderia abrir os braços, recebê-lo como família e amá-lo. Balançou a cabeça e passou a mão pelos cachos negros. Tomara sua decisão.
Abriu os olhos claros e viu que entravam no imenso salão: um corvo chegara. Olhou para o lado e percebera que Aegon olhava curioso para o papel que vinha em sua direção. Sorriu. Ele poderia ser puro sangue Targaryen como ela, o próximo na sucessão do Trono, mas ainda sim tinha trejeitos de criança. Aceitou o papel após ouvir de onde viera, abrindo-o rapidamente e vendo a letra estranha e difícil de Lord Jon Snow.
Minutos de silêncio e Daenerys mirou dois selos que vieram junto ao papel, olhando-os seriamente. Uma de suas sobrancelhas levantada até a altura da pequena franja, um rosto desconfiado é o que Aegon via em sua tia. Quis perguntar, mas sabia que ela lhe contaria. Daenerys lhe contava tudo.
"Veja, Aegon. Veja bem que essa família cresce rápido demais."
Entregou a carta ao rapaz mais novo e viu-o pegá-la rapidamente de suas mãos, lendo o que estava escrito e observando os selos assim como ela havia feito. Daenerys reconheceria aquele selo perdido em qualquer lugar. Seu irmão lhe descrevera muitas vezes como o selo perdido de seu pai era único, e como aquilo apenas dava certa prova de que aquelas palavras de Jon Snow poderiam ser verdade.
Remexeu-se desconfortável no Trono de Ferro. Ele lhe dizia que não queria o Trono, que não queria nada, apenas conhecê-la, saber quem era a irmã que ele não sabia ter até recentemente. Fechou os olhos novamente. O fogo dentro de si queimava fraco, queimava calmo, mas apenas um pensamento a atormentava e fora desde o momento em que tocara a carta. Dois eram de seu controle, mas o terceiro fogo que ardia em si, era arredio, era incontrolável. E agora, ele parecia queimar mais forte, mais perigoso.
"Chame-o."
Abriu os olhos mirando Aegon. Ele sorria como criança travessa e adorava vê-lo sorrir daquele modo.
"Chame-o. Faça com que venha até nós. Se Lord Jon Snow quer conhecer sua família, lhe daremos boas vindas."
Antes que Daenerys pudesse responder, passos se fizeram ouvir ao fundo do salão e ambos olharam naquela direção. Por um segundo o coração Daenerys bateu mais fortemente, mas ela o controlou. Jorah vinha calmo a segurar o cabo de sua espada presa ao cinto e os olhos miravam sérios a Regente. Aegon balançou a cabeça devagar, vendo como o homem observava sua tia com devoção e como ela retribuía o olhar.
"Diga-me, sabe quem reside Winterfell?"
Jorah abaixou-se e logo após Daenerys permitir, levantou-se novamente, olhando Aegon e respondendo sua pergunta.
"O bastardo de Ned Stark, Jon Snow." Jorah respondeu, mas seu sorriso enviesado chamou a atenção da Rainha.
"Diga o que sabe." A urgência na voz dela surpreendeu-o.
Virou-se para a mulher a sua frente. Ela não deixara de ser bela, não deixara de seu altiva, mas deixara de ser sua. Respirou fundo e aproximou-se alguns passos, Aegon acompanhando-o.
"Ouve-se que a pequena Stark, Arya, retornou dos mortos para os braços do irmão."
"A que diziam ter morrido aqui?" Aegon perguntou genuinamente espantado.
Jorah apenas assentiu.
"Então, ele escondeu-a ou ela soube esconder-se?" Daenerys perguntou, sabendo a resposta. Se Jon Snow tivesse escondido a pequena Stark por todos esses anos, alguém já poderia tê-la visto. Ele não sabia que ela estava viva. Não até pouco tempo, pelo que poderia deduzir.
"Ela... escondeu-se." Sorriu e aproximou-se mais da Regente, vendo Aegon fazer o mesmo. Sempre curioso como uma criança. "Dizem que a pequena tornou-se... uma assassina."
Daenerys sorriu genuinamente, ficava cada vez melhor o que ouvia. Jon Snow era um irmão perdido. Arya Star viva e com um passado sujo. Algo mais poderia melhorar, ao que via nos olhos e no rosto de Jorah.
"Conte logo o que está fazendo-o tão misterioso."
Aegon olhou para o rosto de Jorah e viu-o sorrir abertamente, os olhos fixos na Rainha. Aquilo estava ficando cada vez melhor. E sua curiosidade por Arya Stark começara a inflamar de forma vigorosa.
"Um traidor e uma fugitiva também encontram-se em Winterfell." Deixou-os pensar, mas sabia que eles nunca acertariam. Aprumou o corpo, o metal de sua armadura fazendo um leve barulho de sinos. "Sandor Clegane e Sansa Stark."
Daenerys sorriu. Aquilo sim era uma reunião em família. Starks considerados mortos, traidores, possíveis regentes do Trono. As notícias apenas melhoravam. Encostou-se no Trono e pensou seriamente. Poderia mandar um pequeno pelotão e dizimar Winterfell, destruí-los e acabar com a possível ameaça que Jon Snow poderia representar. Porém, aquele fogo dentro de si, aquele fogo que era incontrolável, queimava em outra direção. Sabia qual decisão tomar.
"Mande um corvo. Quero-os aqui, em King's Landing. Todos eles. Garanta-os que nada lhes será feito. Nem aos traidores e nem aos fugitivos. Eles são..." Olhou Aegon que sorria, quis saber o porque. "Família. Diga que podem vir todos em segurança."
Jorah assentiu e saiu do grande salão. Daenerys esperou que ele estivesse longe do alcance de sua voz e olhou Aegon, que estava olhando para frente, mas sem ver realmente nada. Levantou-se, andando até ele, tocando-o no ombro.
"Arya Stark. Ela... intrigou-me com esse passado."
"E agora acredito que vá buscar informações por todos os cantos dos Sete Reinos para que saiba quem ela foi?"
"Se assim permitir, minha Rainha."
Daenerys nunca vira Aegon olhar daquele modo para nada nem ninguém. Ele sorria com os olhos e o rosto parecia mais corado. Algo lhe dizia que era mais do que curiosidade que ele estava sentindo. Assentiu e viu-o agradecer, descendo os degraus e indo na direção da porta. Falou alto para que ele pudesse ouvi-la bem.
"Uma loba, Aegon, não esqueça quanto esse animal pode ser traiçoeiro."
Virou-se sorrindo e viu sua tia lhe mirar séria.
"Um dragão, vossa majestade, não me esqueço de como somos letais."
Daenerys sentou-se no Trono após ver Aegon sair. Ele era um legítimo Targaryen. E talvez, apenas talvez, fosse ótimo que sua atenção se virasse para Arya Stark. Ela poderia concentrar-se inteiramente em Jon Snow e a chama forte que consumia seu peito mais a cada momento.
Dias passaram-se e Sam encontrou Jon olhando seu belo cavalo. Queria entregar o papel logo, queria deixá-lo saber que a Rainha regente havia enviado resposta. E assim que entregou o papel e viu Jon abri-lo, estremecendo logo após, temeu pelo pior e olhou para os céus. Dragões não deveriam ser difíceis de encontrar voando.
"Eles nos querem em King's Landing o mais rápido possível." Sam olhou-o sorrindo, sem entender o rosto de medo que Jon estava. "Arya, Sandor Clegane e Sansa também." Sam entendeu o temor de Jon. E temeu também.
continua...
