N.A.: Bão, eu penei pra fazer esse capítulo PRINCIPALMENTE porque eu mudei o plot... ahauhauhauhua mas acho que agora eu acertei em cheio!

Agradecendo: gabs, Veronique e Cora, vocês sempre me empolgam... leitoras fiéis é outra história! *-*

Sem betagem, sorry!

Boa Leitura!

Nenhuma das personagens me pertence, apenas o plot. Agradeço ao Martin por criar personagens tão perfeitas. *-*


Capítulo 16

"Vocês estão loucos."

Arya observou Sansa e o Cão como se eles tivessem duas cabeças cada um. Estava a contar-lhes o que ouvira de Aegon e o que ele queria, e agora parecia ainda mais louca despenteando os próprios cabelos, andando de um lado para o outro, tropeçando na barra do vestido que esquecia estar usando. Balançou a saia do vestido com raiva e quis rasgá-lo.

"Arya. Se pensar, é uma saída para ambos."

Arya olhou para a irmã com os olhos semi-cerrados. Ela não parecia intimidada com seus olhares, e as mãos cruzadas no colo, os longos cabelos escuros, o rosto solene apenas a deixavam com mais raiva. Aproximou-se da janela, o tempo escuro deixando o ar mais quente, mas o frio logo viria novamente. Respirou fundo.

"Não sou você, Sansa. Não vou me casar, não tenho ideia do que seria ser uma lady ou boa mulher de alguém."

"Ora, o bastardo se vira. Ele não é um Dragão? Consegue lidar com uma loba, tenho certeza." Sandor riu, e Arya apertou os pequenos dedos no vestido, pronta para levantá-lo até os joelhos, correr e usar o que estivesse em seu alcance para acertá-lo. Mas viu Sansa olhá-lo séria, como que não gostando do que ele havia falado.

"Então, se o Dragão domina o Lobo. O Lobo domina o Cão?"

O sorriso no rosto de Sandor morreu, Arya deu risada e Sansa sorriu vitoriosa. Afagou o rosto de Sandor, o lado queimado, vendo-o lhe mirar bravo. Mas Sansa sabia que ele não estava na realidade.

"Apenas esse Lobo domina esse Cão. Mas o Cão ainda domina o Passarinho."

Sansa encostou o rosto em seu peito e ouviu-o rindo baixo das prórprias palavras. Arya assistia aquilo. Não tinha ideia de como alguém como Sandor Clegane poderia ser assim com alguém como Sansa, mas ali estava. Ali estava a prova de que mesmo os mais sanguinários poderiam amar, e afastar-se da espada. Ali estava a prova de quem mesmo com tudo que eles poderiam ser, de tudo que eles poderiam sentir, eles se amavam. E a intensidade do olhar fez com que Arya desviasse o seu para a janela.

Era algo forte demais, parecia corroer suas veias. Era Jon e o sangue dele. Era Jon e a força do sentimento que tinha por ele. Mas casamento? Casar-se? Ser uma mãe? Uma mulher de um Senhor? Ser sua mãe? Respirou fundo enquanto balançava a cabeça. Não era Catelyn Stark. Não era, e nem nunca seria.

"Não posso. Não vou."

Virou as costas para ambos, saindo do cômodo. Não conseguia idealizar a ideia de casar-se com Jon. Não conseguia colocar a ideia de estar presa a alguém o resto de sua vida, perante os Sete Deuses, Novos e Antigos, perante seus parentes. Não. Amava Jon com todas as suas forças e não queria perdê-lo ou vê-lo com Daenaryes, mas casar-se... não podia.


Sansa caminhava ao lado de Jon, observando-o inquieto sobre o que havia acabado de lhe dizer. Sabia que Arya veria aquilo como traição, mas Sansa apenas estava interpretando o papel de irmã mais velha. E mesmo que há anos não pudesse chamar-se assim, era o que era, e protegeria Arya, mesmo se fosse dela mesma.

Via que Jon era mais racional que Arya, que aquele plano estava montando-se em sua mente, que ele estava entendendo o que ela dissera e que aquilo era o certo. Parou vendo-o fazer o mesmo e olhá-lo com olhos duros e sérios. O cinza escuro e sombrio.

"Arya nunca aceitara."

Sansa empurrou seus cabelos dos ombros, pegando uma das mãos de Jon e olhando-o ainda mais séria. Se Jon começasse a ter segundas ideas agora, Arya estaria casada com Aegon e Jon com a Rainha em menos de uma volta de lua. Apertou os dedos enluvados dele contra a palma de sua mão, observou-o atentamente e aproximou-se minimamente.

"Não deverá lhe dar opções, Jon. Ela não entende o que tem em jogo. Você entende... não entende?"

Jon observou Sansa por um longo tempo. Parecia que ela estava lhe contanto uma hitória que já ouvira antes. Sabia o fim. Sabia exatamente o fim daquilo. Ele era parte Targaryen, parte Stark. Mas se casasse com Arya, sua família, a parte da Rainha, teria certo controle sobre Winterfell, e isso deveria acalmá-la. Porém, Jon sabia que o que Daenerys queria era poder e a linhagem de sua família. Ela queria um Targaryen para casar, e Jon sabia muito bem que se ele se casasse com Arya, ela mataria a garota.

"Arya ficará em perigo."

Sansa balançou a cabeça, encostando a mão no braço de Jon, um modo de lhe dar um conforto que nem mesmo ela, sentia.

"A Rainha sabe que você não a ama, e que se sua intenção fosse assumir o Trono, você já teria dito sim ao casamento. Ela sabe que existe alguém."

Jon olhou dentro dos olhos de Sansa. Aquilo era estranho. Aquilo era diferente de tudo que ele e Sansa já fizeram. Ela nunca lhe trara com carinho, ela nunca havia lhe dirigido palavras de conforto. Assentiu e decidiu-se por ser forte e lutar por Arya. Se Daenerys o matasse agora, os outros teriam uma pequena chance de fuga.


Ela sorriu. Jon empurrou alguns cachos para trás, o cômodo silencioso. Daenerys havia perguntado a Jon novamente sobre ser Rei, e ele lhe pedira as mais engraçadas desculpas e dissera que estava comprometido e prometido a Arya. Daenerys sorria de uma forma engraçada, Jon concordava.

A mulher não era alta, tinha cintura fina, belos seios, cabelos loiros longos que escorriam pelas costas e caiam quase tocando o chão. Os pés e as mãos delicados, limpos, perfumados. Ela era uma visão, nunca negaria. Uma verdadeira Targaryen, bonita e perigosa. Sabia que a possibilidade de nunca mais sair daquele castelo era grande, que a Rainha poderia ordenar que o prendessem, que ele se casasse com ela e que Winterfell fosse sua, mas aquele sorriso contava mais.

"Majestade?"

Ela sorriu mais.

"Estamos sós, Lord Snow, não creio que seja necessário que dirija-se assim para sua tia." Jon sentia o chão mover debaixo de seus pés. A morte e a vida dançavam naquele quarto, sentia isso.

"Entende o motivo de minha recusa?"

Assentiu. Jon tinha mais medo de Daenerys Targaryen quieta e observadora, do que falante e impulsiva. Aproximou-se, vendo-a sorrir e erguer a mão, pegando sua mão, apertando seus dedos. Ajoelhou-se á frente dela, os olhos violetas colados aos seus cinzas, as mãos tocando-se, o fogo de seus dragões queimando dentro de seus peitos.

"Sente esse fogo inquieto, violento, que consume a carne e queima a alma?"

Sentia. Sentia mais e mais forte conforme permanecia perto de sua Tia e de seu irmão.

"Ele é nossa família. Somos Dragões, Jon Snow. Somos Dragões, e Dragões são violentos, são vencedores, são fogo vivo. Não engane-se em achar que apenas ser meio Dragão torna-o mais fraco. Talvez seja o mais forte de nós três." Ela acariciou seu rosto, os olhos violeta correndo cada canto de sua pele. "Se a Loba é o que quer... não posso recusá-la." Jon sentiu o peito pesar e aliviar ao mesmo tempo. "Mas ela tem que recusar o Dragão."

Jon não entendeu aquilo e olhou sério para sua tia, mas ela era somente sorrisos. A compreensão chegou a Jon como uma espada cortando através de sua malha. Aquilo não era possível, mas mesmo assim via, via que ela estava lhe dizendo a verdade. E se Jon fosse sincero consigo mesmo, veria que poderia ser real. Arya era o tipo de garota que não esperava o príncipe, ela iria atrás de um guerreiro. Que o desafio, a raiva e o desconhecido sempre a chamaram, e Jon era - e sempre seria - o porto seguro.

Levantou-se, sua tia seguindo seu rosto com os olhos violetas mais escuros. Não sabia ao certo como seria aquilo, mas sabia que tinha que contar e ver o que ele faria. Se Jon enfrentasse Arya, a pequena guerreira poderia afastar-se dele, mandá-lo em sua direção. Se ela o enfrentasse e eles ficassem juntos ao final de tudo, Daenerys saberia que aquilo era realmente amor.

Viu-o sair de seu quarto com mais uma reverência e sabia que agora era apenas esperar e ver qual seria o resultado de tudo aquilo.


continua...