N.A.: Bom, adoro que essa fic flui tão fácil pra mim que sempre att certinho... ahuahauhauhuahua

Agradecendo: Veronique, Cora e gabs, obrigada mesmo! Vocês são divas demais!

Sem betagem, sorry! Li o capítulo algumas vezes para tirar os piores erros, mas vocês sabem, né?!

Nada disso me pertence, apenas o plot.

Boa leitura, povo!


Capítulo 17

Daenerys estava sentada em uma larga poltrona dentro de seus aposentos. A noite já estava alta, e Aegon olhava-a com certo sono. Queria ter contado antes, mas as circunstâncias pediam que as coisas fossem feitas mais discretamente. Levantou-se, aproximando-se do sobrinho, acariciando seu rosto e vendo-o olhá-la sem entender.

"Ele é mais Dragão do que achamos, Aegon."

Viu-o franzir as sobrancelhas claras, o rosto confuso. Havia algo ali que Daenerys via Jon Snow. Ela conseguia ver os traços Targaryen, e isso apenas inflamava seu fogo.

"Está apaixonado por Arya Stark. Casará com ela."

Aegon inclinou a cabeça na direção do carinho da tia, enquanto sorria do que ela havia dito. Seu meio-irmão era alguém em que se deveria permanecer atento, nunca dormir com ambos os olhos fechados. Ele provava ser alguém que Aegon não esperava. Sabia que as pessoas do Norte eram frias, eram simples. Mas ele, não. Jon Snow era um Dragão, isso era certo.

Ele estava ali para conhecer sua família, saber quem era. Porém, impunha-se a Rainha, deixando claro que ele casaria com uma Stark. Uma loba. E mesmo se talvez sua tia tivesse recusado o casamento, ele já poderia ter colocado um pequeno dragão dentro da menina. Duvidava que ela tomaria o chá para não engravidar. Não, Arya Stark era orgulhosa demais.

Começou a rir baixo, mas então seu riso tornou-se alto e sua tia fitou-o com os olhos violetas, sorrindo do riso dele.

"Ele é mais Dragão do que pensamentos realmente." Levantou-se e envolveu a tia em um abraço. "Eles cresceram juntos, acreditaram por quase toda a vida que eram irmãos. E agora, se deitam juntos e se casam? Ele tem nosso sangue."

Daenerys sorriu como o que ele acabara de falar.

"Se deitam juntos? Como sabe?"

O sobrinho afastou-se e Daenerys viu o sorriso maroto dele. Parecia uma criança arteira.

"Digamos que muitos passarinhos adoram cantar pra mim."

Daenerys sorriu e afastou-se do sobrinho, indo para perto de sua janela. Sabia que Jon queria se casar com a menina, via nos olhos dele que ele estava apaixonado, que faria qualquer coisa por amor, mas aquilo? Como aquilo acontecera? E há quanto tempo aquilo vinha acontecendo? Balançou a cabeça e virou-se, encarando o sobrinho que sentara-se na ponta de sua cama.

"Amanhã teremos algumas reuniões com o Conselho. Quero ter certeza de que esse casamento não me trará mais problemas do que já prevejo."

Aegon assentiu e levantou-se, despedindo-se da tia com um beijo casto nos lábios e saindo do quarto dela. Daenerys deitou-se após tirar as peles e soube que perdera Jon Snow. Se o obrigasse a casar com ela, ele poderia matá-la em pouco tempo, apenas para colocar a pequena em seu lugar. Não. Daenerys veria quais peças poderia mover a seu favor com esse casamento e então daria sua resposta. Precisava ser inteligente e rápida.


Andava pelos corredores observando os próprios pés. Jon sabia que mais cedo, mais tarde enfrentaria a decisão de sua tia. E nem ao menos havia falado com Arya. Nem ao menos havia lhe dito que se casariam, que seriam marido e mulher, porque ele simplesmente não poderia enfrentar a tia, contar que amava Arya, que a queria somente para ele, mas que sabia que ela sendo uma Stark e praticamente sua irmã, ele não poderia tê-la.

Mas Jon tivera. E não arrependia-se. Não tinha o menor arrependimento em suas veias ao pensar em Arya em seus braços. Nos gemidos dela, em seu nome sufocado nos lábios dela. Não arrependia-se e queria novamente. Chegou ao salão, vendo apenas a tia e seu irmão. Por um lado eram sua família de sangue, eram o que tinha de mais próximo de um verdadeiro parente. Mas então, eram apenas duas pessoas poderosas que acabara de conhecer, e nada lhe deviam, ou lhe dariam de bom grado. Jon conhecia as pessoas bem demais para se enganar assim.

A Rainha sorriu, chamando-o para perto. Jon andou. Era aquele momento. Ou ela o deixava casar com Arya ou o manteria ali e mataria Arya. E Jon mataria todos os dragões dela com as próprias mãos para defendê-la. Ninguém tocaria em Arya. Nem mesmo a Rainha. Ou seu irmão.

"Lord Snow. Hoje ficamos muito tempo em pequenas reuniões para que fosse decidido sobre o que me pediu. Se haveria um modo de casar-se com sua irm… com Arya Stark." Jon notara a mudança na frase. Viu Aegon sorrir sentando próximo a Rainha, nos degraus. Por um momento Jon perguntou-se de que lado o irmão realmente estaria. "Terá toda a minha benção e permissão." Jon sentiu o peito desinflar, parecia que estivera segurando a respiração. "Mas antes, quero que veja o que está a perder."

Jon assentiu. Não tinha ideia do que a tia queria lhe mostrar, mas veria. Logo após voltaria para seu quarto, encontraria Arya, falaria com ela sobre aquele acordo, e se fosse necessário, amarraria Arya ao pé da cama e a faria escutar. Casar-se não era o sonho dela, mas salvaria a todos.


Bateu a porta atrás de si com raiva. Não conseguia acreditar na audácia de Jon. Não conseguia acreditar que ele tivera a ousadia de pedir o casamento entre eles para a tia, mas não lhe dissera nada. Desceu as escadas rápida, levantando o vestido para que não tropeçasse. A noite estava quente, mas parecia que seu corpo estava fervendo. Não gostava de calor como aquele, era acostumada ao frio, era acostumada a neve. Era do Norte, e o Norte não dobrava-se ao calor. E Arya sentia que era como se estivesse dobrando-se a Jon.

Quando ele lhe dissera que estivera com a Rainha vendo os Dragões, ficou feliz. Eles eram parte de Jon, sabia disso. Aegon lhe dissera que cada um deles era um Dragão. Mas então, Jon falara qual fora o real motivo da reunião e porque sua tia levara-o para ver os Dragões após. E Arya achava que Jon havia enlouquecido. Talvez ele passara tempo demais de preto, passara tempo demais na gélida muralha. O Norte não o fizera bem, via isso.

Ele falara sobre casamento, sobre tê-la em segurança e sobre a benção da Rainha. Mas Arya apenas entendia e ouvia a palavra casamento. Aquela palavra não era nada em sua vida. Casamentos não fizeram seu pai ficar vivo, casamento não ajudara Sansa contra Jeoffrey, casamento não colocara a Rainha Daenerys no trono. Não, batalhas fizeram aquilo. Não entendia como segurança poderia vir de um casamento.

Disse não para Jon e saiu do quarto sem lhe dar chance de continuar. Não casaria, não queria casar-se. Queria Jon, isso ela queria. Queria a força dele, a sensação de pertencer a ele, mas não queria ser sua esposa. Era um cargo grande, de uma lady como Sansa ter. Não, Arya nunca seria a ótima mulher como a mãe fora, a perfeita lady como Sansa era, a regente de uma casa como Daenerys era. Não, Arya seria apenas a guerreira. Ajudaria a defender Jon e sua casa, fosse qual ele escolhesse. Mas não negava que apertava-lhe o coração ao pensar que ele então casaria com a Rainha. E odiava o fato de que sabia que ela sairia vitoriosa sobre si.

A lua estava alta e Arya achava que ela nunca estivera tão grande ou tão brilhante. Chegou aos jardins sem dar-se conta. Seus pés pareciam que a levavam para lá sem sua permissão. Encostou-se em uma grande árvore, ouvindo passos aproximarem-se. Não precisou olhar para saber que Aegon estava ali.

"Veio sujar-se de mais sangue, Sor?"

Aegon sorriu. Arya Stark era definitivamente alguém que ele não conseguia entender. Ela era educada, na medida que era possível, e era uma sombra assassina. Precisava de um meio termo, uma Arya qual ele conseguisse encaixar-se. Uma Arya a qual não precisaria ter uma adaga escondida, mas que também não fosse necessário baixar totalmente a guarda.

"Acredito que você não precisa de mais sangue nas mãos, Milady."

Arya endireitou as costas, olhando séria para Aegon. Ele parou a sua frente, olhando-a com intensa curiosidade.

"O que é realmente, Lady Arya? Quem é você?"

Aegon era sincero, direto, não rodeava-a como os outros. Ele queria saber, ele perguntava. Ele queria tocar, ele esticava os dedos. Ele era como ela. Sorriu pelo canto da boca, olhando-o virar as íris roxas para aquele movimento.

"Sou Arya Stark, de Winterfell."

A mão dele seguiu para o lado de seu ombro esquerdo, espalmando-se na árvore. Arya levou a mão a cintura do lado esquerdo, mas nada havia ali. Hábitos antigos dificilmente morrem. Notou que o movimento não passou desapercebido por ele.

"A verdade."

"Sou Arya…"

"A verdade."

Aegon havia colocado a outra mão sobre seu outro ombro na árvore, seu rosto próximo. Não era nenhuma garotinha, não correria. Não deixaria que ele a intimidasse. Não deixaria que ele visse que a proximidade era incômoda. Se ele era forte, ela também era.

"Ninguém."

"A verdade."

Viu-o dar um passo para frente. Suas mãos subiram rápidas pela lateral e seguraram os ombros dele, puxando-o pela cota, empurrando-o para longe e indo com ele, afastando-se da árvore onde estava presa. Viu-o sorrir enquanto batalhavam por força. As mãos dele fechadas em seus ombros, os olhos roxos escuros pela noite. E empurravam-se. O primeiro a vacilar seria levado ao chão, levando o outro junto. Arya tinha que ganhar. Aquilo não eram apenas perguntas. Aquilo era uma luta de poder.

Segundos depois Arya sabia que perderia. Aegon era mais forte, ele não estava na verdade fazendo grande esforço, e sabia que se ele realmente quisesse, a derrubaria. Resolveu que deveria usar o que sabia para derrubá-lo. Não gostava de perder, e não perderia. Mesmo que soubesse que o vestido lhe limitaria os movimentos, enterrou um dos pés no chão, levando o outro para frente e puxando a parte de trás do joelho de Aegon, vendo-o ficar surpreso. Usou as mãos para empurrá-lo e então o barulho das costas dele no chão, foi seu sinal de vitória.

Aegon sentia as costas doendo, mas ao abrir os olhos e ver Arya Stark sorrindo a seu lado, fez com que risse. E assim ficaram. Ambos no chão, deitados observando as pequenas estrelas no céu escuro, rindo. Após o riso passar, Aegon decidiu continuar a conversa.

"A verdade, Milady."

Viu-a olhá-lo séria. E então ela começou. Todos os nomes, todos os locais, todas as mortes. Ela fora pior do que ele esperava, e isso inflamava dentro de si. Ela era como ele, cru, mortal e linda. Um belo espécime de dragão preso no corpo de um lobo. Ouviu por muito tempo e disse que ela deveria ver os dragões.

"Já vi o que eles podem fazer em Harehall, estou feliz em estar longe deles."

Riu disso e voltou a fitar as estrelas, começando a contar sua vida antes de Daenerys. Aquilo levaria horas, mas nenhum deles parecia querer estar em outro lugar.


continua...