CAPITULO 4

As belas rosas da Primavera

A luta de Jacob já havia terminado e a de Aleck estava terminando, quando Camus, Fritz e Kolckier chegaram no bosque da primavera. O bosque era muito belo, todo o chão gramado, com várias moitas de rosas e algumas árvores floridas. As flores eram muito belas e exuberantes, algumas amarelas, outras vermelhas e muitas rosas. O perfume do lugar era muito agradável, mas os cavaleiros andavam com cautela, pois sabiam que toda essa beleza escondia um poderosíssimo cosmo que podia ser sentido em todo o local.

No meio do gramado, envolto por rosas, estava sentado um cavaleiro com as pernas cruzadas, a coluna reta e os olhos fechados, como se estivesse meditando. Quando Camus e seus cavaleiros se aproximam ele abre os olhos e emana seu poderoso cosmo.

- Finalmente chegaram... Posso sentir que conseguiram derrotar Verão. Estava me concentrando... Eu sei que não conseguirei mata-los com a facilidade que esperava ter. – Diz o cavaleiro da Primavera, de traços bem femininos, trajando uma armadura rosada, lábios bem vermelhos e longos cabelos verdes que lhe caiam pelos ombros.

Fritz e Kolckier se põem na frente Camus.

- Deixe-nos passar! – Diz com firmeza Kolckier.

Primavera levanta os olhos para o cavaleiro, depois se levanta lentamente, tira uma rosa vermelha que ele tinha em seu cabelo e a aponta para Kolckier.

- Cavaleiro impertinente...Não vai me derrotar... Se for realmente bom você vai ao máximo conseguir me tocar... Nada mais... Não se iluda!

- Não me subestime assim cavaleiro! Eu juro que irei matá-lo com minhas próprias mãos!

- Acalme-se Kolckier! Se continuar agindo movido pelos sentimentos só irá facilitar as coisas para Primavera. - Diz Camus que estava atrás dele junto de Fritz.

- Deixe-nos sozinhos, mestre! Irei derrotá-lo!

Camus tenta negar, mas é interrompido por Fritz.

- Deixe Kolckier aqui. Ainda temos mais um Cavaleiro das Estações para derrotarmos.

Primavera começa a rir.

- Derrotar? Estão pensando em derrotar Inverno? - ri novamente.

- Saiba que se há um cavaleiro que pode... humm... Se igualar aos meus poderes é Inverno! Devo confessar que é um cavaleiro realmente poderoso... Saibam que ele não tem nem um pouco de piedade de seus oponentes... Não que eu venha ter alguma, mas Inverno é diferente. - ri novamente - O túmulo de vocês dois será no Bosque do Inverno!

- É bom saber isso de Inverno... Isso só me deixa mais animado, quanto mais forte o adversário, maior o desafio! - diz Fritz virando e partindo em direção ao próximo bosque.

Camus fica por mais alguns segundos e depois se vira e começa a segui-lo, mas antes diz a Kolckier, tocando em seu ombro:

- Não se esqueça, cavaleiro de Yeti: Anule seus sentimentos, chegue ao zero absoluto, estude os ataques e vença!

- Sim, mestre!

Camus parte junto com Fritz e ficam somente Kolckier e Primavera.

- Mas do que diabos ele estava falando? Será que... Ele acha que você vai me vencer? - Primavera dá um leve sorriso - Como são tolos!

Kolckier aumenta seu cosmo com intensidade, fecha seus punhos com força e põe-se em posição de combate. Seu olhar penetrava no fundo dos olhos de Primavera.

- Você fala muito! Cale a boca e venha lutar como homem!

Uma expressão de raiva surge no rosto de Primavera, que responde numa explosão violenta de cosmo:

- Como ousa falar assim! Sentirá meu verdadeiro poder!

Seu cosmo aumenta com tanta força que as rosas que estavam em volta são jogadas longe e um vento forte começa a soprar o local suspendendo no ar pétalas de flores. No punho de Primavera crescem grandes espinhos verdes, tão afiados como punhais. Ele parte pra cima de Kolckier desferindo socos em altíssima velocidade.

O cavaleiro de Yeti tem alguma dificuldade, mas consegue desviar dos golpes, e com um salto para trás consegue manter uma certa distância de Primavera.

- É assim que pretende me derrotar? Saiba que meu mestre é um dos cavaleiros de ouro de Athena, e domina por completo a técnica que permite mover-se na velocidade da luz! E eu, como seu discípulo fiel, também domino essa técnica, e a menos que também se mova nessa velocidade não vai conseguir me acertar!

- Não me diga... Isto está claro pela intensidade de seu cosmo! O que você não percebeu, por que estava ocupado se desviando de meus golpes em baixa velocidade... Foi que nem todos foram na mesma velocidade que você viu... Consegui disparar um golpe no instante em que seu movimento deu uma mínima desacelerada... E este ultimo golpe é o que vai lhe levar a morte... Uma morte lenta e muito... Muito dolorosa!

- O quê!

Kolckier passou a mão no rosto e levou-a em frente aos olhos. Havia sangue. Realmente um golpe havia lhe atingido, e apesar de se tratar de um pequeno corte, a dor era insuportável.

- O veneno age rápido... Não levará mais do que alguns minutos e estará morto!

Primavera solta uma risada, que é interrompida pelas palavras de Kolckier que começa a desfazer sua expressão de preocupação.

- Acha mesmo?

Ele põe sua mão sobre o corte e emana seu cosmo congelante. Parte de seu rosto de se congela.

- Como pôde fazer isso? É o seu rosto... Vai congelá-lo?

- Exatamente! Assim o veneno não cai na corrente sangüínea... E poderei mata-lo!

- Tolo... Sacrificou a parte mais bela de um homem à toa! Se não for meu veneno, serei eu que vou matá-lo! Morra! Pétalas Assassinas da Primavera!

Milhares de pétalas de rosas vermelhas levantam do chão e partem para cima de Kolckier como um turbilhão à uma velocidade extrema. Ele, sem tempo de armar uma boa defesa, faz um X com os braços e forma uma forte corrente de ar gelado em volta de si, na intenção de parar as pétalas de Primavera. Não adianta muito. As pétalas passam pela corrente de ar e começam a acertar e rachar a armadura de Yeti. Quando elas começam a acertar o braço de Kolckier, na altura dos bíceps, que é desprotegido pela armadura, começam a grudar e a drenar seu sangue.

- Argh! Que diabos é isso? - ele tenta arrancar as pétalas do braço, mas não consegue.

Primavera começa a rir.

- Minhas pétalas só sairão de seu braço quando não tiver mais sangue para sugar... Desista!

- Maldito!

Kolckier começa a puxar com muito mais forças as pétalas sem se importar com os ferimentos. Ao arrancá-las causa ferimentos profundos em seu braço, mas isto não parecia abalá-lo.

- Não são limitações físicas que irão parar o Titã das Neves! Prove o real poder do Cavaleiro de Yeti! - Kolckier explode seu cosmo atingindo o zero absoluto.

Ele junta seus braços acima de sua cabeça e desfere um poderosíssimo golpe no chão, abrindo uma cratera onde seu punho tocou o solo.

- Ira do Titã!

Todo o chão do bosque treme com violência, ondas de impacto saiam do centro do impacto. O solo é coberto por um tapete de gelo. Em meio ao tremor, altas rajadas de gelo começam a explodir do chão. Uma delas explode bem debaixo de Primavera, jogando-o para o alto com extrema força.

Enquanto inimigo estava no alto, Kolckier aproveita a intensidade de seu cosmo e prepara um novo disparo.

- Execução Aurora!

A fortíssima rajada de gelo atinge seu oponente em cheio, mandando seu corpo pra mais longe ainda.

O corpo de Primavera cai ao longe e sua armadura se cobre de trincas e gelo. Com uma certa dificuldade, Primavera tenta pôr-se de pé. Embora ele parecesse ter sido atingido com força, seu cosmo permanecia aceso com intensidade, agora emanando um terrível sentimento: raiva, muita raiva.

Primavera fica de pé, de longe, encarando Kolckier.

- ...

Estendendo sua mão ele revela um belo botão de rosa. Com um sopro o botão se lança no ar, e suas folhas funcionam como asas, fazendo ele planar até se aproximar de Kolckier.

Não havia por que desconfiar de um botão de rosa. Mesmo assim Yeti não desfez sua posição de combate, porém não havia tanta força em seus punhos. Erro dele. Tratava-se de uma armadilha.

O botão explode com extrema violência, e seu poder de impacto foi capaz de arrastar Kolckier vários metros para trás, que em reflexo colocou os braços em frente ao rosto. Mas o grande perigo estava nos milhares de espinhos que foram lançados na explosão. Longos e finos como uma agulha, eles perfuraram toda a armadura de Yeti e atingem sua carne, cravando nela como verdadeiros espinhos. Pelos ferimentos seu sangue escorria.

- Argh! Desgraçado...

Primavera, com um leve sorriso diabólico no rosto, aproxima-se dele.

- Então cavaleiro? Pôde sentir o poder de um cavaleiro de Artemis? Agora pode ver como foi tolo em aceitar lutar comigo?

Kolckier têm dificuldades para manter-se de pé, a dor corria por todo seu corpo, era insuportável. Os espinhos eram muitos, impossíveis de serem retirados ali na hora, o máximo que pôde fazer foi expandir seu cosmo e congela-los, assim com um golpe superficial sobre seu próprio corpo foi possível tirar alguns deles.

Mal podendo se agüentar sobre suas pernas, ele é forçado a flexioná-las e sobre seu joelho. Seu olhar carregado fitava com bravura o traiçoeiro cavaleiro.

- Argh... Eu sou o tolo? Tolo... É você por ser o cavaleiro que é! Sempre insatisfeito consigo mesmo... Procura esconder todos os sentimentos terríveis em seu coração com uma pseudobeleza exterior... Chega a ser patético! Um cavaleiro extremamente superficial, que não deveria merecer ser chamado de cavaleiro... Não vejo um traço de beleza na sua repugnante figura...

As palavras sábias de Kolckier surpreenderam Primavera. Talvez por que elas lhe soaram como uma dura verdade.

- Verme! - Primavera enfia no peito de Kolckier um enorme espinho na forma de uma espada que ele havia escondido em suas costas.

- Argh! O que você fez! Maldito... Traiçoeiro!

Kolckier segura o espinho com força, tentando tira-lo inutilmente. Sua face empalidece e suas forças começam a abandonar seu corpo. Seu corpo cai para frente. O lado esquerdo de seu peito, perfurado, jorrava sangue. A risada de Primavera abafava os gemidos de dor de Kolckier.

- Aprenda, verme! Nunca ouse dirigir palavras mentirosas para um cavaleiro de Artemis! Agradeça-me por não faze-lo sofrer tanto... Foi apenas um golpe no coração e lhe matei... Uma morte rápida!

Kolckier agoniza por alguns instantes enquanto Primavera assistia com nítido sadismo.

- Eu... prometi... que iria mata-lo... com minhas mãos... devo cumprir... minhas promessas!

Num esforço sobre-humano, Kolckier consegue se pôr em pé. Os olhos arregalados de Primavera não podiam acreditar no que viam: O guerreiro que há pouco estava com o peito varado por um imenso espinho, agora o retira de seu corpo com as próprias mãos.

- Mas como! Eu... Eu perfurei seu coração! Devia estar morto!

- Claro que devia... - Diz Kolckier, por entre gemidos de dor - Mas não estou! Você errou! Errou o lado do meu coração! Foi uma pequena deficiência que tive quando nasci... Meu coração é do lado direito! Graças a Athena, meu coração é do lado direito!

- Não! Não pode ser!

- Pode... E é!

Kolckier levanta os braços sobre sua cabeça. Seu cosmo se intensifica de forma surpreendente. Flocos de gelo começam a se formar no ar. A imagem de uma mulher segurando um jarro se forma, e atrás dela podia-se ver um enorme gigante branco. Era o titã das neves: Yeti.

- Morra! Execução... Aurora!

O golpe atinge Primavera em cheio, que abismado com tamanho poder, é pego sem nenhuma defesa. Sua armadura se despedaça por completo e seu corpo vai se congelando, caindo ao longe.

Caído no chão, já não se movia. Sua mente ainda não havia assimilado a idéia de ter sido derrotado por aquele guerreiro. O único guerreiro que havia sido capaz de ferir à Primavera, e capaz de revelar-lhe a verdade que ele próprio tentava esconder atrás de toda sua vaidade.

- Como... Como pude ser derrotado?

- Não havia um pingo de sentimento honroso em seu coração... É desprezível que Ártemis tenha aceitado-o como cavaleiro... Eu prometi que lhe mataria com minhas próprias mãos, e assim farei!

Kolckier bota a mão sobre o pescoço de Primavera. Um estalo se ouve. A cabeça de Primavera pende para o lado.

- Promessa cumprida.

Com seus dedos ele fecha os olhos de seu oponente. E com muitas dificuldades caminha para o próximo bosque.

Em off: Ae pessoal...Obrigado pelos previews bacanas! Isso ajuda pra caramba uehuheue Vamo em frente q tô com gás! Um cavaleiro de Artemis q gosto muito é o Inverno, leiam o próximo capitulo e vejam se concordam comigo... Abraços!