CAPITULO 5
O impiedoso frio do Inverno
Depois de deixarem Kolckier no bosque da Primavera, Camus e Fritz chegam ao bosque do Inverno. Um bosque escuro, que inspirava um ar tenebroso. A árvores estavam secas e desfolhadas, os galhos finos e retorcidos emergiam dos troncos altos e ocos. O céu estava pintado com nuvens escuras, e o solo coberto de neve e folhas secas.
Um assovio fino do vento quebrava o silêncio quase palpável do lugar.
- Onde está o cavaleiro deste bosque? Não consigo sentir nenhum cosmo... É estranho mestre!
- Espere! - Camus faz um sinal para ele parar.
Ele fica olhando para os lados com um olhar desconfiado, e põe-se na frente de seu discípulo.
- Coloque-se em posição de defesa Fritz! O inimigo está perto!
- O quê? Onde ele está? – rapidamente obedece às ordens.
Camus permaneceu imóvel por alguns segundos, com a mesma expressão de atenção. Concentrava-se em aguçar seus sentidos, principalmente o sexto, que indicava um perigo iminente. Algo estava errado naquele lugar: não se podia sentir nenhum cosmo, mas havia uma presença persistente. Olhando para os lados nada se via além da paisagem mórbida do bosque.
De repente Camus faz uma rápida defesa em X e cria uma barreira de cristais de gelo e vento em volta dele e de seu discípulo. A barreira nem chega a ficar pronta e uma lança de gelo passa pelos cristais, por uma brecha na defesa e atinge Camus bem no peito jogando-o longe. Fritz se assusta e corre para dar assistência a seu mestre.
- Mestre! O senhor está bem! O que houve!
- Esqueça-me... Coloque-se em posição de defesa, agora!
Uma nova lança de gelo é disparada para cima de Fritz. Com um rápido e poderoso soco ele consegue quebrá-la. Rapidamente se levanta deixando Camus deitado no chão. Olha em volta e sem ver ninguém, grita para todos os lados:
- Quem está aí! Apareça se tiver coragem! Deve ser muito fácil atacar escondido! Apareça!
Ouve-se uma risada que ecoa por todo o bosque. Ao longe aparece a silhueta de um homem caminhando na direção dos dois cavaleiros. Em instantes o homem já estava a poucos metros dos dois.
- Ainda estão vivos? Realmente vocês são fortes, devo admitir...
Responde o homem com sua voz rouca. Ele vestia uma armadura azul bem brilhante, da mesma cor de seus olhos que tinham um forte contraste com sua pele extremamente pálida. Detalhes como os lábios rachados e sem cor e os cabelos negros cobertos por uma fina camada de gelo, revelavam o frio a que estava acostumado o cavaleiro.
- Cavaleiro covarde! Como ousa nos atacar desse jeito? Sem nenhuma manifestação...
- Não sou covarde... Se fosse covarde - Inverno levanta seu dedo para o alto enquanto fala e faz formar uma bola de cosmo concentrada -... Dispararia este golpe sobre seu mestre, que está quase morrendo! Mas terei piedade dele, matarei você primeiro! Rajada Glacial!
Da concentração de energia no dedo de Inverno sai uma rajada de cosmo na direção de Fritz, acertando-o em cheio no peito. Tamanha foi a intensidade do golpe que o joga com extrema força contra as árvores que havia ali. Seu corpo cai no chão, imóvel. De sua armadura se partem algumas lascas.
- Hunf... Fácil demais... – Inverno baixa sua guarda, levanta a cabeça olhando para o céu enquanto estrala o pescoço.
- Tolo... Cavaleiro tolo! Acabou definir sua morte! - diz Camus com certa dificuldade.
- Eu? Por que diz isso? Não vê que acabei de matar o garoto?
- Tem... Certeza?
Seu olhar se dirige para a árvore onde tinha sido jogado o corpo de Fritz. Inverno se assusta ao ver que o corpo dele não estava lá, e o que mais lhe assustava era que o seu cosmo estava extremamente intenso e agressivo.
- O quê! Onde ele está?
- Seu erro foi ter piedade de mim e subestimar seu oponente... Impressiona-me um cavaleiro tão poderoso como você, capaz de manter seu cosmo imperceptível até o momento de disparar um golpe, cometer um erro tão humano como esse! - diz Camus.
Antes que Inverno pudesse dizer qualquer coisa, um grito é ouvido:
- Execução Aurora!
Uma fortíssima rajada de gelo atinge o cavaleiro de Artemis em cheio, jogando-o longe. Frtiz surgiu de trás de uma árvore, e agora corria até Camus.
- Mestre! Como o senhor está?
Camus, com dificuldades, coloca-se de pé.
- Estou bem... Não se preocupe comigo! Concentre-se na batalha! O inimigo ainda não foi derrotado!
- Rajada Glacial!
Uma rajada de cosmo é novamente disparada contra Fritz, que não tem tempo de fazer nenhum tipo de defesa. Centímetros antes de atingi-lo, a rajada é desviada por uma barreira de gelo que se formou em torno dele.
- Eu disse para ficar atento! Não estarei sempre aqui para lhe defender!
Camus havia se colocado na frente de seu discípulo.
- Não se preocupe mais, mestre! Siga em frente, depois deste bosque já é o território de Athena, não é?
- Sim, é o território dela... Eu irei, mas esperarei por todos vocês na montanha da fronteira, e quero encontrá-los vivos! Ainda não começamos a nossa verdadeira batalha!
- Vai fugir? Pois vá! Posso derrotar este verme sozinho, depois irei até as montanhas finais te matar! - grita Inverno para Camus, que finge não ouvir e prossegue caminhando, ainda que com dificuldades.
- Só vai matar meu mestre se conseguir fizer isso comigo primeiro... E eu juro que não vai conseguir!
Inverno se vira para Fritz olhando-o com desprezo.
- Ora, cavaleiro, não pôde prever dois de meus ataques e quase morreu por conta deles. Eu posso manter meu cosmo imperceptível e só aumentá-lo frações de segundo antes de disparar um golpe... Não terá tempo nem sequer de pensar em se defender!
- Pode ter certeza que agora já sei como vencê-lo, já pude lhe observar tempo suficiente!
Fritz explode seu cosmo com muita intensidade, mantendo-o no zero absoluto. O solo à sua volta se congela e fragmentos dele se erguem no ar e em seguida se desfazem. Atrás dele a imagem de Aurora se forma.
- Execução Aurora!
Inverno já estava preparado e estica as mãos com a palma voltada para a rajada de gelo que vinha em sua direção. Incrivelmente ele consegue segurar a Execução Aurora com as mãos e quando se preparava para desviar o golpe, Fritz concentra seu cosmo novamente.
- Explosão Aurora!
Um círculo de gelo se forma e rapidamente se fecha em volta de Inverno, causando uma grande explosão, desfazendo sua defesa e fazendo com que ele seja atingido também pela Execução Aurora. Ambos os golpes o atingem de uma vez só. Uma densa neblina se ergue.
Fritz se desnorteia, sem saber onde foi parar seu inimigo. Mal podia enxergar um palmo à sua frente. Ele mantém-se em posição de defesa e com seu cosmo intenso, enquanto a grossa neblina começa a se dissipar. Estava apreensivo, sabia que Inverno podia atacar de qualquer lado e a qualquer momento e provavelmente não teria tempo de fazer uma defesa eficiente.
- Onde está? - grita Fritz, enquanto forma um campo de cristais de gelo em volta de si.
De repente um grito é ouvido:
- Execução Aurora!
Uma fortíssima rajada de gelo e vento passa por sua defesa e o atinge nas costas arremessando-o contra as árvores, rachando completamente sua armadura e congelando-a nas costas.
Fritz se levanta com dificuldades e se vira para ver de onde veio o golpe. Uma expressão de assombro ilustra sua face. Quem disparou foi Inverno.
- Você! Co-como conseguiu, você usou uma das técnicas Aurora? Isso é impossível!
O cavaleiro do Inverno permanecia em pé, sua armadura estava muito rachada, mas ainda brilhava e incrivelmente não estava congelada. Ele responde calmamente sem preocupação:
- Acho que não mencionei uma outra habilidade minha. Consigo aprender técnicas de gelo muito rápido... Basta que eu a observe por uma ou duas vezes e já consigo dispará-la! É bem interessante não é?
Fritz estava perplexo. Impressionado com o tamanho do poder que aquele cavaleiro tinha. Ele já possuía a vantagem de esconder seu cosmo enquanto não atacava. E agora revelou poder aprender golpes apenas observando.
Por alguns segundos pensou que realmente não poderia derrotá-lo. Enquanto isso viu toda a sua vida passar em sua mente, todos os momentos difíceis que passou, o árduo treinamento e os infinitos sonhos que teve com um mundo melhor, onde se pudesse viver onde queria, onde se pudesse ver o sol.
"Todo esse tempo de dificuldades não pode ter sido em vão! - Pensa Fritz - A Terra é nossa! Não dos deuses, não deles!"
De repente seu cosmo explode com tamanha força que todo chão do bosque começa a tremer. Cristais de gelo começam a se erguer do chão. Seu cosmo até assustou a Inverno, que recua alguns passos.
Agora havia um fator que Fritz tinha a seu lado: seu cosmo estava nulo de sentimentos, não havia nem mesmo raiva, havia apenas poder e somente o poder.
- Já sei como derrotá-lo! Já sei como te matar, verme cavaleiro de Artemis!
- A mim? Tem certeza? - Inverno responde com sarcasmo e explode seu cosmo ao máximo de uma única vez.
Inverno ergue seus braços enquanto seu cosmo se intensificava. Uma aura de um azul intenso envolvia seu corpo e do chão se erguia uma espessa massa de ar gelado que começava a cercar Fritz.
- Tempestade Polar!
- Mas... O que é isso!
Dentro da massa de ar começa a se formar uma tempestade de gelo. Rajadas de ventos em altíssima velocidade e milhares de cristais de gelo o atingiam ao mesmo tempo, qualquer tipo de defesa era inútil.
Enquanto a tempestade cerca Fritz, Inverno ria com nítida satisfação.
- Cavaleiro medíocre! Morra aí dentro! Não vai poder... O quê!
De repente ele dá um salto desviando-se de uma rajada de gelo que saiu do meio da massa de ar. Enquanto estava no ar uma rajada colorida de cosmo rasgou o céu em sua direção. Inverno percebe e tenta se desviar, a rajada o pega de raspão no braço e nesse local a armadura se estraçalha. Atingido, perde o equilíbrio no ar e cai no chão, em cima de estacas de gelo que se ergueram.
A massa de ar em torno de Fritz se dissipa. Ele ainda estava de pé, mas muito ofegante. Sua escama marinha estava toda destruída e havia vários cortes pelo seu corpo que sangravam muito.
- Gostou... Desta seqüência de golpes?
Inverno se levanta do meio das estacas de gelo, com sua armadura quebrada quase que por completo. O seu braço, onde foi atingido pela rajada de cosmo, sangrava bastante.
- Foi forte... Mas não o suficiente! Morra! Gládio de gelo!
Inverno estica seu braço e dele se forma uma fina e longa lança de gelo que parte em direção ao peito de Fritz.
Ao invés de fazer alguma defesa enquanto a lança vem em sua direção, o cavaleiro de Kraken apenas faz um leve movimento com o corpo para a direita e joga na direção de Inverno duas esferas de cristal de gelo que brilhavam. A lança o atinge em cheio, mas não no peito, e sim um pouco acima, perto do ombro. Ele cai no chão com o ombro perfurado pela lança.
- Agora sofra verme maldito que ousou me enfrentar! Poderia ter uma morte muito rápida, mas escolheu o modo mais difícil! Irei fazer implorar-me para matá-lo logo! - diz Inverno.
- Não cante vitória antes do tempo! - responde Fritz apontando para as esferas de gelo aos pés de Inverno que brilhavam intensamente.
- Mas o que... - antes que pudesse terminar a frase, duas explosões violentas se seguem, jogando o corpo do cavaleiro do Inverno para o alto e para longe. Ao cair no chão sua armadura se desfaz em pedaços e seu corpo se congela por inteiro.
- Queime no inferno... Verme!
Fritz se levanta com muitas dificuldades e com força retira a estaca de seu ombro. Ele se vira e começa a caminhar para a saída do bosque do inverno.
Seu sangue pingava, manchando o solo branco.
