Se eu me lembro bem, tem um capítulo que a Vampira aparece no quarto sozinha, possivelmente no ex-quarto da Tabitha, mas nesta fic ela divide o quarto com a Kitty, não quis mudar isso porque eu acho que vai ficar melhor assim. Ah, em falar em Tabitha, eu não me lembro bem se ela voltou para os X-Men depois de sair da Irmandade, de qualquer forma, aqui ela está com os pais, pelo menos por um tempo...


Cap. 2: A Chegada ao Instituto

Com passos largos e silenciosos, Linus entra na mansão junto com os outros mutantes, tinha uma expressão fria no rosto, como se estivesse determinado a seguir seu caminho. Era seu modo de ser: misterioso e atento a tudo o que acontece ao seu redor, um olhar frio e determinado quando há muito em jogo, mas um jeito leve de levar a vida, sem grandes preocupações visíveis... esperto, sabia contornar qualquer situação, quando punha algo na cabeça, dificilmente o faziam mudar de idéia, seguia as regras da vida de seu modo, o medo de encarar a verdade fazia com que a escondesse, tornando-o uma pessoa livre, às vezes rebelde e, acima de tudo, sombrio.

"Linus, esses são alguns dos mutantes dos quais falamos" Scott apontou para os quatro garotos no canto da sala "Ray Crisp, Amara Aquilla, Jubilation Lee e Robert Drake. Este é Linus Fletcher, acabamos de conhecê-lo."

Eles se cumprimentaram quando Jean perguntou "Onde estão os outros?"

"O senhor McCoy deve estar preso no laboratório, Logan sumiu, Sam está no quarto, Rahne e Roberto estão na piscina e Jamie..." Amara parou pensou um pouco "...bem... Jamie está em toda parte."

Alguém teria que apresentar a mansão toda para o novo recruta, pensando nisso, Scott olhou para trás, nenhum sinal de Kurt e apenas o cabelo de Kitty atravessando a porta da cozinha, pedir a um dos Novos Mutantes seria meio caminho andado para torná-lo como eles e ele e Jean teriam de preparam as aulas, já que o professor pedira que fossem tutores dos mais jovens.

"Vampira, pode mostrar a mansão para o nosso companheiro aqui?"

"Hmm... claro, sem problemas. Vem, Linus."

Eles saíram da sala e começaram pelo lado de fora, onde se podia ouvir barulho de água e pessoas conversando. Dava para ver de longe que havia mais de três pessoas lá...

"Rahne Sinclair, Roberto Da Costa e..."

"James Madrox." Conclui Linus ao ver quatro réplicas desajeitadas do garoto jogando tênis.

"Isso. Que eu saiba era para ele estar estudando como castigo..."

"E eu acho que está." Ele indicou para uma árvore onde mais três réplicas de Jamie estudavam, cada um segurando um livro e fazendo anotações, nem parecia o garoto arteiro de treze anos que todos conheciam.

"É... se for ficar aqui vai ter que aprender a conviver todo dia com caras como esse. Vai por mim, até você acostumar vai odiar isso."

"Como consegue ter privacidade aqui? Quero dizer... com tudo isso ao seu redor, gente usando poderes o dia todo..."

"Não consigo, não dá pra ter privacidade onde se tem garotas que atravessam paredes e garotos que aparecem na sua frente do nada, mas logo você acostuma, todos são bem legais e tenho certeza de que o receberão bem."

"O que vocês fazem aqui além de recrutar mutantes?"

"Pensei que soubesse... a gente tem sessões na Sala do Perigo para simular situações com outros mutantes ou contra qualquer um que queira tirar a gente do mapa... os mais novos tem aulas com os tutores, além de sessões com o Logan e com o senhor McCoy... além disso, aqueles que têm família passam o Natal e as férias em casa, os outros ficam aqui, mas dessa vez foi diferente... todos resolveram passar o final da férias aqui porquea Jean e o Scott vão pra faculdade em outro lugar, vão morar fora por isso."

-Irmandade-

"Vocês falharam seus incompetentes!"

"Ih, olha quem fala, você também falhou, Mística."

"Quieto, sapo!"

"Fala aí, por que tá tão interessada no garoto, hein? Faz um tempão que num incomodamos o pessoal do Xavier..." Lance agora esticava os pés em cima da mesa, que por sinal, estava toda bagunçada.

"Logo logo saberão"

- Mansão Xavier-

"Onde mora sua família?" Vampira perguntou, logo se dando conta de que não sabia nada sobre ele.

"Não sei."

"Você... foi abandonado?"

"Não... na verdade... eu não faço idéia."

"Não conheceu seus pais?" Ele balançou negativamente a cabeça e ela abriu a boca para falar quando ouviram música em um volume absurdo vindo de um dos quartos. Andaram até a fonte de todo o barulho e encontraram Sam, que abaixou o volume quando os viu chegando. "Sam, este é..."

"Linus Fletcher." Ele estendeu a mão para o rapaz enquanto Vampira rolava os olhos, não sabia o que fazia lá se ele sabia falar, apresentar muitas vezes a mesma pessoa no mesmo dia não é a coisa mais legal de se fazer.

"Samuel Guthrie." Disse ele, não movendo um dedo sequer para cumprimentar o neozelandês.

Linus viu de relance uns CDs espalhados na cama e uma bagunça de dar nojo em todo o quarto e voltou a encará-lo, desistindo de tentar ser amigável. Por que afinal Sam o recebera daquele jeito? Eles nem sequer se conheciam e pareciam se odiar. Vendo que o clima estava esquentando, Vampira puxou Espectro para fora do quarto e partiu rumo ao laboratório de Hank junto com ele.

"Num esquenta, ele deve estar de mau humor. O Sam não costuma ser assim."

"Não faz mal, só gostaria de saber a razão disso tudo."

Eles passaram por toda a mansão, cômodo por cômodo e depois voltaram para a sala, onde conversaram por um bom tempo, já que não havia mais ninguém por lá.

"Então, veio a Bayville só para ser encontrado?" Era estranho, Vampira não costumava passar tanto tempo conversando com alguém, mas sentia-se bem conversando com ele, queria descobrir quem ele realmente era e por que estava ali, embora não se importasse muito se ele não quisesse dizer.

"Vim sem saber onde era aqui, no meio do caminho descobri que essa cidade era cheia de mutantes e fiquei mais empolgado, nunca morei em um lugar onde todos são como eu."

"Então é um viajante? Assim, um andarilho?"

"Se você entende assim... mas se não fosse eles eu não estaria vivo... bem, isso é lógico, mas... eles salvam a minha vida todos os dias quando posso comprar comida ou pagar um lugar para passar a noite... eu não ligo para o dinheiro, mas sem ele sei que não estaria vivo."

"Tem certeza de que não sabe mais nada sobre eles? Nem o nome?"

"Hmm... Meu pai se chama Neil Fletcher e minha mãe, Susan Burns."

Era difícil acreditar no que ele dizia, ele omitia muita coisa como se ainda não tivesse pensado ainda nisso, como se mentisse. Eles ficaram em silêncio por um tempo e Linus resolveu mudar de assunto, não estava nem um pouco a fim de dividir sua história com alguém.

"Vampira, quando você absorve alguém, absorve as lembranças dessa pessoa também?"

"Não só as lembranças, mas como também alguns pensamentos... Eu não posso controlar isso, não posso tocar em ninguém ou..."

"... quer dizer que isso machuca a pessoa?" Ela desconfiou da curiosidade dele, mas fez com que ele compreendesse. Tirou a luva e lentamente encostou a sua mão na dele. Linus sentiu dor a ponto de quase desmaiar. Vendo isso, ela cessou o toque para que nada mais grave acontecesse. Alguns segundos se passaram até que tudo voltasse ao normal, embora Linus estivesse visivelmente esgotado, agora ele entendia porque ela se vestia daquele jeito. "Agora eu sei como é... isso dói!"

"Ah, desculpa mas era a melhor forma de fazer você entender." Ela levantou-se e foi para o quarto, parecia não entender o que tinha visto nas lembranças dele, estava séria.

A porta da sala se abriu e lá estavam o professor Xavier e Tempestade.

"Sabia que estaria aqui, bem-vindo, Linus. Suponho que já tenha conhecido os outros mutantes."

"Já." Ele fixou seus olhos no telepata, então aquele era Charles Xavier... "Falei com a Vampira... deve ser difícil para ela..."

"Não tenha dúvida disso. Ela está praticamente incapacitada de tocar em alguém, mas não se preocupe, tenho a certeza de que ela não quer ver ninguém triste por causa dela. Estou tentando ajudá-la há muito tempo, mas não tive grandes resultados... Em breve conhecerá alguém com um problema muito pior do que o dela se os poderes não forem detidos..."

"Pior do que o dela?"

"Creio que sim, mas não se preocupe.Você ficará no antigo quarto de Evan, se não se importar, deve saber onde fica. Depois que ajeitar suas coisas quero que vá até a minha sala, preciso falar com você".

"Claro, professor."

Ele foi até o antigo quarto de Spyke e colocou suas coisas lá, depois foi encontrar Xavier.

"Professor? Queria falar comigo?"

"Sim, Linus, preciso saber algumas coisas... Sente-se, por favor." Ele obedeceu e o professor pareceu satisfeito. "Quanto controle tem sore seus poderes?"

"Consigo controlar minha sombra e conversar com outra pessoa ao mesmo tempo, embora tenha alguma dificuldade...ela passa a ser uma sombra normal quando perco o controle, isso acontece quando perco completamente a concentração."

"Pode fazer qualquer coisa com sua sombra?"

" Desculpe, professor, mas acho que o senhor não entendeu completamente meus poderes... Quanto uso minha mutação, é como se eu me dividisse em dois, um sem sombra e outro sem corpo... o único modo de afetar a parte sem corpo é tirando minha concentração ou... tirando a luz que a faz existir. Eu não posso controlá-la se estiver na sombra, mesmo se eu for para lá depois de movê-la para o sol, pois ela tem de existir antes que eu possa controlá-la"

"Hmm... sabe, Linus, penso que tem um grande dom, mas tem de saber a que irá usá-lo ou será uma grande ameaça não só a você, mas a todos nós."

"Não se preocupe, professor, não o usarei para machucar ninguém."

"Acha que consegue cumprir uma missão? Fazer parte dos X-Men?"

"Sei o que pensa, senhor, mas eu não penso em salvar pessoas..."

"Por que não?"

"Elas me rejeitaram quando eu mais precisava de ajuda, além disso, não é meu dever, é uma opção."

"Nem todos são iguais, assim como eles pesam que todos os mutantes só usam os dons para o mal, você pensa que todos eles são iguais, mas não são, deveria reconsiderar sua opinião."

"Não quero ser um super-herói, mas posso ajudá-los se precisarem de mim, isto enquanto me ajudarem me dando abrigo e comida, é tudo o que posso oferecer."

"Fico feliz que tenha concordado em ajudar. Faremos algumas sessões de treino em breve. Aqui está seu uniforme." Ele mostrou um uniforme nas cores preto e azul escuro, mas com cinto e luvas amarelas características dos X-Men.

"Vou ter que usar isto?" Xavier sorriu.

Ao ver Linus saindo da sala, Logan foi falar com o professor.

"Tem certeza de que fizemos bem o trazendo para cá? Pelo que o Cyke me disse, deu a impressão de que ele só veio porque venceram a batalha, do contrário teria ido com a Irmandade."

" Pode ser, mas devemos dar uma chance a ele, penso que nos ajudará muito no futuro e ajudá-lo será um prazer. Não acho que esse jeito de ele ser nos afete, creio que os problemas sejam particulares."

"Por que não entra na mente dele só para ter segurança?"

"Não posso, mesmo que ele não saiba, ele tem grandes defesas mentais..."

-Quarto de Vampira e Kitty-

Vampira estava deitada na cama, olhando para o teto. Lembrava das memórias de Linus...

"Não prometa o que não pode cumprir"

Um menino... muitos colégios... broncas, expulsões...

Vá embora!"

Famílias diferentes, lugares diferentes...

"Por que está aqui? Pense no que digo"

Um olhar profundo e misterioso...

Esqueça o passado, você não pode ficar preso a ele, viva o presente e pense no futuro."

"Não posso"

Passos lentos e sem rumo...

"O que você tanto esconde?"

"Eu tenho medo."

Medos... incertezas... promessas...

"Medo do quê?"

"Da verdade."

Não conseguia compreender, sempre tinha visto as lembranças das pessoas em flashes, mas entendia o que via... desta vez tudo estava muito confuso, desorganizado, não fazia sentido. O que viu tinha passado muito rápido e eram poucas lembranças se comparado com as outras pessoas que absorvera, não haviam pensamentos, era como se a mente dele rejeitasse ser invadida. Mas sabia que ele não era uma pessoa fácil de ser compreendida, parecia ter sido isolado... ou talvez...se isolado.


Aí está o segundo capítulo, espero que tenham gostado.. Já tenho parte da história em mente, mas vocês podem me ajudar se quiserem. Elogios, críticas, sugestões... tudo será bem-vindo.