Desculpem a demora e obrigada pelas reviews! Agora que um dos mutantes já chegou ao Instituto, vou tentar ir pondo aos poucos os outros personagens que vocês já conhecem, cada capítulo vai aumentar levemente a participação de cada mutante para no final ficar meio equilibrado. Como eu gosto dos Novos Mutantes é provável que sempre haja uma cena ou outra com eles... mesmo que não haja tanta importância...
Cap.03: Primeiros passos
Linus acordou com várias batidas na porta de seu quarto, que fora aberta por Logan.
"Acorde, garoto, está atrasado."
"São sete horas!"
"Não, são sete e uma."
"Dá na mesma." Ele voltou a deitar, virou-se para o outro lado e puxou o cobertor, como quem dissesse que queria dormir mais um pouco.
"A sessão já começou, era para você estar lá embaixo com os outros. Ande, apresse-se." Logan jogou o uniforme na cama dele, Linus ia dizer que não o tinham avisado quando o canadense desapareceu, aparentemente não indo se juntar aos outros.
Resmungando, o neozelandês vestiu-se e foi para a Sala do Perigo.
-Casa dos Biasi-
"Então, o que você pode fazer?" A menina não respondeu, parecia ofendida com a pergunta.
Todos na sala pararam para encará-la. "Você está bem?"
"Estou, é que... eu vejo o futuro...a toda hora."
"O quê? Que poder inútil! O que faz aqui? Não precisamos de você, vá embora!"
Mais um sonho, a segunda noite e outra previsão dormindo... Era difícil aceitar aquilo, viver normalmente e, um dia, acordar e descobrir que não é normal, viver no futuro e não poder aproveitar o presente, ficar presa a uma coisa que desconhece, queria ser como os outros, mas sabia que não podia.
Ela se levantou e vestiu-se como sempre, roupas de apenas duas cores, bem básico e fácil de se escolher.
Estava chovendo, gotas caíam do céu como as lágrimas já caíram de seu rosto pela manhã, apesar do medo e da falta de vontade, sabia exatamente o lugar que deveria procurar...
-Sala do Perigo-
"Hoje teremos uma sessão mais calma, já que é o primeiro treino coletivo depois que voltaram de suas casas." A voz do professor ecoava pela sala, enquanto todos ficavam felizes com a notícia.
'Não é como o Logan pensa...' Pode apostar que todos os Novos Mutantes pensavam isso, os únicos que já tinham treinado.
"Quero que todos participem. Simularemos uma área montanhosa e uma vasta vegetação com várias bexigas cheias de água escondidas que reaparecerão se vocês as usarem. Podem chamar isso de guerra d'água se quiserem. Serão dois times: Scott, Kitty, Linus, Ray, Amara, Rahne e Jamie em um time e Jean, Kurt, Vampira, Bobby, Jubileu, Roberto e Sam em outro. Roberto, Rahne, Sam e Jamie só vão entrar quando alguém do time for acertado e ser eliminado. O time que tiver um sobrevivente no final é o vencedor."
Depois do que tinham ouvido, a sala ficou repleta de frases como 'Legal', 'Isso vai ser divertido' ou 'Moleza, vamos acabar com eles!'.
A simulação mal tinha começado e cada um já tinha achado um lugar para se esconder e bolar uma 'estratégia', foi pura diversão. Jubileu tentou acertar Kitty, mas ela atravessou a bexiga, esta acabou acertando Bobby, que foi eliminado. Foi trocar um Bobby por outro. Roberto rapidamente pegou uma bexiga e se perdeu pela floresta, atingindo Amara antes que esta se desse conta de que ele estava lá.
Sam entrou como um míssil, literalmente, e tentou acertar Jean, ela usou a TK e, se não fosse Ray e Scott destruindo as bexigas, mais um estaria fora.
-Casa dos Biasi-
Mirela estava na cozinha tomando café da manhã, não parecia nada feliz desde que acordara. Alfonso a olhava ao mesmo tempo com preocupação e acusação. Enquanto ela se sentia perturbada com os últimos acontecimentos, ele não sabia se a tratava com uma irmã ou como uma mutante, no conflito de idéias, acabou sem trocar palavras com a irmã desde o dia anterior.
"Como acontece?" Ela levantou os olhos para encarar o irmão, se ele tinha ficado quieto durante tanto tempo e aberto a boca só para aborrecê-la, ela preferia que não o tivesse feito, mas tentou interpretar a pergunta dele do melhor modo possível.
"Como acontece o quê?"
"Sabe o que é... aquilo"
"Se
eu soubesse como, Alfonso, eu evitaria... Desculpe, não quero falar
sobre isso." Ela se levantou e foi dar uma volta pela casa, mas quando tropeçou, o que levou não foi um apenas simples tombo...
"O bem e o mal... a distância entre os dois não existe, não existe o bem nem o mal, tudo depende do seu ponto de vista, meu jovem. Um lado sempre vence e outro sempre sai perdendo... O que me difere dos seus amigos é que eu não aceito perder, não ficarei quieto enquanto os humanos nos desprezam e nos rejeitam... Uns dizem que estou do lado certo, outros... que sou maléfico. Resta saber uma coisa... de que lado você está?"
O futuro novamente a tinha pego desprevenida, mas desta vez, sem imagens... uma simples fala, uma voz sábia capaz de persuadir qualquer um... Seria mesmo o futuro? Ou só um pensamento vindo das profundezas de sua mente? A resposta parecia não existir...
"Mirela? Está bem, filha?"
"Mãe" Ela correu para abraçá-la e, nos ombros da mãe, derrubou lágrimas que inevitavelmente nasciam em seus olhos. "Eu não sei... o que devo fazer? Você não me odeia, odeia?"
"Claro que não, filha..."
"Me desculpe... eu não queria isso... queria ser... só eu."
"Mas você é. Escuta, não importa o mude, não importa a dificuldade que enfrente você sempre será minha filha e nada vai mudar isso, sempre estaremos do seu lado, todos nós..."
-Instituto Xavier-
"Bem legal a sessão, num acharam?" Estavam lá os Novos Mutantes conversando na biblioteca enquanto Jamie imitava o momento em que Bobby fora atingido.
"É que num era o Logan que estava comandando... afinal, onde ele estava?" Rahne não conseguiu a resposta, mas ela tinha a certeza de que ele não estava na mansão durante o treino.
Neste momento, Linus entra no cômodo de cabelo molhado, aparentemente tinha acabado de sair do banho como os outros. Estava com uma camiseta branca e uma camisa preta por cima com as mangas dobradas um pouco abaixo do cotovelo, o que lembrava o estilo de Ray se vestir, uma calça muito parecida com a de antes e o mesmo tênis.
"Alguém sabe onde tá o Kurt? Disseram que ele está me procurando..."
"Aqui ele não está." Sam olhou para ele de um jeito nada agradável e este ignorou.
Um estalo foi ouvido e instantaneamente apareceu o garoto azul.
"Kurt!"
"Cara, tá a fim de tomar um sorvete? Eu tava pensando em dar uma volta, mas a Vampira disse que precisa falar com o professor, a Kitty tá ocupada demais no telefone, o Scott disse que hoje num vai dar e a Jean acabou de começar a ler o livro que ganhou dele..."
"Hmm... ok." Por último ele devolveu o olhar para o loiro e seguiu o alemão.
Assim que eles saíram, todos se viraram para Sam, não compreendendo o garoto.
"É impressão minha ou aconteceu alguma coisa que não estamos sabendo?"
"Esquece, Ray."
"O que aconteceu?"
"Eu só não o suporto, ele chega sem mais nem menos achando que vamos tratá-lo como um príncipe, com aquele estilo que pensa que vai mandar... ninguém sabe nada dele, não podemos ir confiando assim de cara, pra mim ele não deveria estar aqui..."
"Ah, qual é? Ele não disse nada disso, além do mais, algum dia eles também não sabiam nada da gente" Jubileu achou estranho e, assim como ela, ninguém deu satisfação a Sam, mas, por fim, deixaram isso de lado, ninguém era obrigado a gostar de ninguém.
Os dois mutantes estavam a caminho da sorveteria, talvez fosse um jeito de iniciar um amizade.
"Fiquei sabendo que você já viveu em muitos outros lugares... já conheceu outros mutantes?"
"Já."
"Algum mais estranho que eu?" Linus riu, a aparência de Kurt poderia ser diferente, mas isso não era nada se comparado a personalidade das pessoas que conhecera.
"Muitos... Conheci uma garota que era fascinada por coisas que não fazem sentido ou que não parecem ter importância, coisas como as sombras e as cores... precisava ver a cara dela quando eu disse que podia controlar minha sombra... só não foi pior do que quando ela descobriu que era mutante e podia ver as coisas como uma câmera térmica..."
"Aff, cara, que coisa..."
"Tinha um sujeito que podia falar com os animais, falei pouco com ele, logo ele sumiu e se auto-denominou protetor das florestas. Também conheci um outro que adorava desafios, simplesmente arriscava sua vida em qualquer besteira, e o pior, ele sempre se dava bem..."
"O que ele podia fazer?"
"Até hoje eu não sei ao certo. Parece que ele podia sentir a presença das pessoas, pressentir o perigo ou coisa do tipo, talvez como um sexto sentido... sei lá. Tinha uma mulher que tinha total controle sobre o corpo, a ponto de controlar a dor, a pressão sangüínea e até os batimentos cardíacos... sem contar mais alguns outros mutantes... não conheci muitos."
"Deve ser legal... mas e então? Tá gostando de Bayville?"
"Ah, é um lugar bem legal, isso vindo de alguém que está aqui há menos de dois dias..." Eles foram andando até que Linus trombou acidentalmente em um homem que segurava uma caixa retangular. O sujeito se levantou e, ao vê-lo, pareceu reconhecer seu rosto e saiu correndo.
"É impressão minha ou ele te reconheceu?"
"Não sei, eu pelo menos, não o conheço." Kurt deu de ombros e entrou na sorveteria.
"Qual sabor?"
"Põe um de cada." Kurt disse para a sorveteira, que agora perguntava para Linus.
"Flocos."
Eles receberam os pedidos e o alemão voltou a falar. "Tem que aproveitar, cara, se depender da Kitty você morre de fome. Ela pode ser bem legal e engraçada, mas boa cozinheira não é."
"Não deve ser tão ruim assim..."
"Sei... claro que não... os bolinhos são tão duros que provavelmente o Magneto os controlaria sem esforço." O neozelandês parou ao ouvir aquele nome.
"Você disse... Magneto?"
"Ah, é um sujeito que controla metais..."
"Ele também está no Instituto?"
"Nem pensar! O cara vive arrumando confusão, não acredita que humanos e mutantes possam viver em harmonia e ele quer ser respeitado custe o que custar... Mas por que a curiosidade? Conhece ele?"
"Não exatamente." Ele desviou o olhar, mas não parecia estar brincando. Vendo isso, Kurt insistiu.
"... como?"
"Foi há cinco anos... coisas estranhas estavam acontecendo na minha escola, um dia, minha sombra se moveu... ninguém sabia antes que os mutantes existiam, mas eles me expulsaram... Três dias depois, de alguma forma, Magneto me encontrou e disse que eu tinha dons especiais que ninguém tem, que era superior a todos eles e não poderia deixar que eles tirassem vantagem de mim e me expulsassem daquele jeito, disse que eu era um mutante. Eu não acreditei, mas aos poucos mais e mais coisas estranhas aconteceram e eu sabia que provocava tudo aquilo... Ele falou que eu poderia me unir a ele, que não havia mais jeito de eu ser aceito pelos humanos e que ele faria de tudo para que compreendessem, fosse transformando-os em mutantes ou matando-os. Eu neguei o convite e ele foi embora..."
"Estranho... por que Magneto procuraria alguém no outro lado do mundo?"
"Talvez... ah, esquece."
Enquanto isso, Vampira estava na mansão, na frente da sala do professor, precisava dizer o que tinha visto, sabia que era importante.
"Entre."
"Professor... podemos conversar?"
"Claro. O que lhe preocupa?"
"Linus... vi as lembranças dele..." Agora Xavier parecia mais interessado, se a garota estava ali então algo diferente tinha acontecido. "É que... é tão confuso. "
"O que viu?"
"Uma criança, provavelmente ele... não devia ter mais de oito anos... parecia sério, fez uma promessa a si mesmo... pareciam ter passado alguns anos e então, uma escola, os professores brigando com ele, ele parecia não ligar, não prestar atenção... foi expulso por algum motivo... depois eu vi diversas casas e... e famílias diferentes... disse que não podia esquecer o passado... que tinha medo... medo da verdade..."
"Acalme-se, Vampira, são só lembranças."
"Sim, mas... eu não entendo, não é como antes... não faz sentido..."
"Linus tem defesas mentais, se é isso que a preocupa, não sei que aprendeu a fechar a mente com alguém, se é parte da mutação ou se é natural, mas ele é diferente, isso o torna mais misterioso. Sugiro que fale com ele para não se preocupar tanto, aos poucos creio que ele se abrirá."
Ela saiu da sala e caminhou pela mansão, faria o que o professor dissera, mas esperaria a hora certa.
"Como foram?" Perguntou ela ao ver que os rapazes já tinham chegado.
"Só tomamos um sorvete e conversamos, maninha, nada de Irmandade"
"... é." Vampira lançou um olhar tímido e enigmático para Linus e subiu as escadas, ele foi procurar alguma coisa pra fazer e Kurt sentou no sofá para assistir televisão, onde podia ouvir Kitty falando ao telefone.
"Vocês também...tipo... só arrumam confusão." Do outro lado da linha o namorado reclamava da acusação. "Ah, Lance, eu não quis diizer isso!" E desligou o telefone na cara dele. A Irmandade já não trazia mais grandes problemas aos X-Men há alguns meses, mas a chegada de um novo mutante tinha trazido um ar antigo a Bayville.
"Tudo bem?"
"Era só o Lance."
"Ainda brigando com ele? Fala sério, num esquenta com isso não, Kitty."
"Eu não estava brigando!"
"Tá bom, não está mais aqui quem falou."
Neste momento, o telefone toca. Kurt, que estava em pé em cima do encosto do sofá, se desequilibra e cai no susto.
Como podem ver o passado dele vai aparecendo aos poucos, então, tenham paciência XD. Se tiver alguém que gosta do Sam, me desculpem, eu num tenho nada contra ele, mas precisava de alguém que não gostasse do Linus.
