N/A:O tempo num colaborou (e muito menos a internet), mas aí estou eu de volta xD

Neste cap. tem uma pontinha de Kurtty que eu iria colocar no cap. passado, mas "não coube" xD daí eu puxei pra esse.

Luz em meio às sombras

Capítulo 7 – A busca

Linus saíra da mansão, resolvera dar uma volta, ficar um pouco sozinho. Ainda não se acostumara viver com a casa cheia.

O dia estava gostoso, um sol fraco, uma brisa refrescante... era perfeito para reorganizar sua mente. Porém, teve um mal pressentimento.

Uma tontura repentina viera para si, junto com a mesma voz de logo cedo.

'Você descobre o que mudou em sua vida, o que mudou no mundo. Sente o impacto do que jamais deveria ter acontecido. Mudança. Não queríamos mudança, mas agora é o que mais queremos.'

Novamente. Isso o perturbava, passava a achar que sua mente já não era mais um lugar seguro... Quando a tontura passou, uma forte dor de cabeça aparecera.

Apressou-se então a enfiar-se em um beco escuro, para evitar problemas com seu lado mutante. Mas a dor só piorou. Não tardou que sentisse uma precisa pancada na nuca. Seu corpo não agüentara, e ele caíra, inconsciente.

-Quarto-

Vampira pega uma pequena mochila e procura por algo no armário.

"Vai sair?" Pergunta Kitty à companheira de quarto.

"Não, vou jogar uma partida de Squash com o Ray. Quer vir?"

"Hmm... não, brigada."

"Por que não sai um pouco?" Kitty riu da pergunta. Vampira ficou sem entender. "O quê?"

"Linus disse a mesma coisa."

"Ah."

"Mas preciso arrumar minhas coisas, as aulas começam na segunda e não sei nem onde está meu caderno."

"Ah, Kitty, ainda é sábado..." Kitty se mostrou indiferente e Vampira saiu com os pertences.

--Baque!--

No meio de fumaças surgira Noturno, na frente de Kitty, que agora arrumava o material perdido.

"Kurt! Quantas vezes disse pra não fazer isso?" Ela arremessou uma almofada nele.

"Argh, wie du wünschs! Como quiser"

Kitty girou os olhos. "Isso não muda nada, você não vai parar mesmo..."

"Poxa, Kitty, num sou eu quem fica atravessando paredes. Eu sou eu e você é você, kapieren?"

"Ok, ok."

"Danke."

"Dá pra parar de falar alemão?"

Kurt amarrou a cara. Kitty teve a certeza de que ele o fazia apenas porque ela não gostava.

"E então, vamos sair? Tá a fim de sair?"

"Não, Kurt."

"Hey, qual é? Você precisa de uma resposta nova, é sempre não, não, não..."

Kitty lançou mais uma almofada.

"Já é a quinta vez que me perguntam isso hoje, três vezes só você"

"O QUÊ? Está bem popular, hein, garota?" Kurt sentiu mais uma almofadada. "Bah, quer parar?"

"Não foi nesse sentido que eu quis dizer"

"Que sentido então? Então quer dizer que foram só três pedidos hoje?"

Kitty parou um pouco. Ela estava completamente louca ou... ou Kurt estava insinuando que realmente queria sair com ela, não só para animá-la, não só como amigo.

"E então, o que me diz?"

"Não, Kurt! Está louco? Por que eu não estou a ponto de sair com você!"

"Por quê?"

"Ora, porque... porque..." Não adiantava, as palavras não vinham, talvez não houvesse uma desculpa. Talvez ela, em seu interior, jamais quisera dizer o que realmente dissera. Não conseguiu completar a frase, o que não passou despercebido por Kurt.

"Por que não, Kitty? Eu gosto de você, você gosta de mim..."

"Eu não-- " Antes que terminasse, sentiu seu lábios serem cobertos pelos de Kurt. O cérebro não raciocinava, ela não parou. Fora consumida por algo maior.

Em um impulso, Kitty devolveu o beijo de forma carinhosa, seus olhos se fecharam por um instante. No entanto, passado o primeiro momento, a garota esteve ciente do que havia acontecido, queria não tê-lo beijado, mas, relutantemente, parte de si queria continuar na partilha de sentimentos... Imagens dos tempos que namorava Lance vieram à mente, uma delas, muito semelhante a essa... Relembrava o quanto foram felizes nos tempos mais calmos e, ao mesmo tempo, lembrava o quão tumultuada fora sua relação, lembrava das brigas, da discordância, da desconfiança... Ela balançava negativamente a cabeça e, seu olhos, cheios de lágrimas, não conseguiram olhar diretamente nos de Kurt.

"Vá embora, Kurt."

"Kitty--"

"Vá embora! Saia daqui, Kurt!" Ela apontou a porta e não parou de gritar com o alemão, jogando tudo o que estava em seu alcance em sua direção.

"Ainda vai gostar de mim" Disse ele, abalado. Depois desapareceu em meio à fumaças, deixando-a sozinha.

Talvez estivesse assustada, nunca imaginara que Noturno a amava, e muito menos que isso a pudesse afetar. Eles eram apenas amigos, ele a provocava, ela devolvia na mesma moeda... mas agora era diferente. Kitty trancou a porta e sentou encostada nela. 'Por que, Kurt, por quê?' Ela não omitia seu choro baixo. Antes era tão claro que tudo havia acabado entre ela e Lance... por que raios Kurt tornava isso confuso? Por que, embora jamais tenha gostado de Lance, Kurt trazia as memórias de volta?

xXxXx

Tempos depois do susto (que Linus julgou por quase uma hora), ele acordara. Estava jogado no chão, sua cabeça latejava, seu corpo estava fraco. Quando abriu os olhos, viu, de forma distorcida, um cômodo escuro... Aos poucos seus sentidos foram sendo retomados e ele ouviu algo.

"Essa música..." Sem dúvida alguma, piano. Sua fascinação pela música o tinha feito conhecê-la antes dos dez anos...

"Chopin" Ouviu uma voz dizendo.

Quando deu-se conta, a música já havia cessado e, em sua frente, estava parado um homem. Linus o reconhecera, mas não lembrava de onde. Fez um esforço e lembrou-se, era o sujeito com quem trombara a caminho da sorveteria com Kurt.

"Então você é Linus Fletcher..."

O garoto ficou pasmo. Como ele sabia seu nome? Aquilo o incomodava.

"Supondo que eu seja, o que isso muda? E como conhece esse nome?"

"Linus, Linus... sei muito mais sobre você do que você mesmo... deixe-me ver... filho de Susan Burns, mutante... nascido na Nova-Zelândia, abandonado pelo pai--"

"O que--"

"Perdeu a mãe no parto, cresceu em escolas internas... Tem grande fascinação pela música, gosta de preto e branco e... hmm, digamos... Oh, Linus Fletcher tem um coração! E adivinhem, ele está apaixonado! E pela última garota em quem iríamos pensar!" Dizia ele, em tom alto, mas não desesperado. Pelo contrário, fazia uma expressão de zombação e mantia um sorriso irônico em seu rosto.

O neozelandês, mais pálido que nunca, desconfiou do sujeito ali presente. O que mais o perturbava era que, como ele havia dito, parecia saber sobre seu passado mais do que si mesmo...

"O que quer?" Disse Linus, em um tom não muito amigável.

"A questão é... o que você quer?"

"O que acha que eu quero? Eu quero sair daqui, seu neurótico!"

"Não, Linus, você busca a verdade e eu tenho o que você quer."

"Eu não me importo com o que aconteceu..."

"Mas deveria, e estou aqui para lhe contar."

Linus de certa forma o ignorou, já estava se irritando com o sujeito.

"Susan Burns..." Ele agitava uma foto no ar. "Vamos começar por sua mãe... sabia que era mutante?"

"O quê--? Por que me diz isso?"

Mas ele o ignorou, prosseguindo. "Sim, ela era mutante... e sabe o que mais? Uma assassina."

"Cala a boca!"

"Ah, então você não sabia? A senhorita Burns, pouco antes de você nascer foi à Itália, onde ficou hospedada na casa dos Biasi..."

Biasi, conhecia aquele sobrenome... Mirela!

"Quando Alessandro saiu para passear com a mulher, Susan ficou com seus pais. O que será que aconteceu? Tem idéia, Linus? Quando voltou, tudo o que viu foram dois corpos sem vida... e nem sinal de Susan."

"Mentira!"

xXxXx

Um garoto, um lugar escuro... um sujeito a sua frente...

"Professor!" Mirela gritava quando o encontrara.

"Diga, Mirela"

"A previsão, de novo... a mesma... Linus!"

Xavier pareceu preocupado, tratou de ouvir tudo o que ela tinha a dizer o mais breve possível, logo depois virando-se para Logan. "Rápido, reúna todos os X-Men, Logan. Já é tempo de agir."

A sirene tocou e, em pouco tempo, eles estavam todos reunidos.

"Onde devemos ir, professor?" Dizia Scott.

"Não sei ao certo, estamos em uma busca. Onde está Linus?"

Eles se entreolharam.

"Escutem, quero que vasculhem toda e qualquer construção escura, procurem por Fletcher."

"E o cérebro?" Questionou Jean.

"Inutilizável no momento. Nenhuma sonda mental funciona perante ele."

Os mutantes pareceram confusos, não entendendo o por quê da missão, mas não questionaram mais seu tutor, partiram para a busca.

xXxXx

Linus não conseguia acreditar no que ouvia... por que acreditaria? Parte de si não queria saber, nem acreditar naquele homem... mas, por mais irritante que fosse, ele absorveu cada palavra com mais desgosto.

"Acha mesmo que vou acreditar no que diz?"

"Tenho certeza que acredita. Me diga, quem eu sou? Quem é a única pessoa que sabe tudo sobre Susan Burns? A quem ela confiaria seu segredo? Quem pode conhecer Linus Fletcher mais do que ele mesmo? Quem... quem o abandonou?"

Espectro não se moveu, mas seus punhos estavam cerrados de forma bruta."Você--"

"Neil Fletcher. Eu sou seu pai, por quem você sempre procurou, aquele que decidiu esquecer."

Pai. Há quanto tempo esperara por esse momento... Esperava um motivo pelo possível abandono, alguém que lhe explicasse tudo o que sempre quis saber. Mas... por que isso não o deixava feliz? Estava com raiva, raiva de Neil Fletcher, raiva de seu pai.

"Isso é patético! O que espera de mim? Você não é meu pai e nunca vai ser."

"Sabe o que o assombra, Linus? Não é o passado, não é o medo de descobrir quem era sua mãe, não sou eu. É você. Você teme seus atos, teme quem você é, teme a morte. Sabe quem você realmente é? Você é um perdedor, Linus, igual sua mãe, igual a todos eles, um mutante... um mutante nojento como todo o resto."

Linus não conseguiu se segurar. Neil o provocara, falara mal de sua mãe, e amaldiçoara toda a sociedade mutante... Linus partiu para cima do pai, desferindo socos consecutivos. Seu pai se desviava com facilidade, jamais tirando o sorriso envenenado do rosto.

"O que foi, não pode fazer nada sem sua sombra? A escuridão me protege, garoto."

Espectro avançou com mais velocidade, desta vez colocando mais força em seu golpe. Neil esquivou-se. O garoto caiu no chão com o impulso.

"Não tem curiosidade pelos poderes de Susan? Pois sinta-os." Ele ligou uma máquina enorme que se revelara atrás de si.

Neste momento, Linus sentiu uma insuportável dor por todo o corpo. Ele desabou no pouco que conseguira se levantar. Seu cérebro parecia estar a ponto de explodir, fervia como as lavas de um vulcão, e dava a destruidora sensação de que pressionava seu crânio, como se estivesse em crescente expansão. Ao mesmo tempo, sentia sua cabeça ser espremida pelo ambiente. Pensamentos voavam aleatoriamente junto com as memórias...

Um grito violento de dor tentou sair de sua boca, mas não houve forças para tanto...

"Dói, não é? Foi isso que os Biasi sentiram. Foi isso que os mutantes fizeram ao mundo. Esse era o poder de sua mãe, a destruição. Ela destrói a mente das pessoas, corrompendo mesmo a maior defesa mental... Você não consegue pensar, tudo o que sente é dor, tortura... chega a preferir a morte. Você sente seus músculos deixarem de funcionar, um a um... aos poucos seus sentidos se extinguem, mas você ainda está ali, a dor ainda está ali... você sabe que a morte está tão próxima, mas ao mesmo tempo, tão distante... até que seu cérebro pára, seu coração deixa de bater, restando apenas um corpo sem vida nem alma..."

Enquanto a mente se rendia, Linus sentiu seu corpo queimar por dentro... Gotas de suor desciam frias em sua pele gelada, juntando-se ao sangue derramado por suas mãos, que, brutalmente fechadas, abriam sua pele. Sentia como se feridas estivessem se abrindo em seu interior, acompanhadas de uma grande tempestade que ocorria em sua cabeça...

"Adeus, Espectro, durma eternamente ao lado de sua mãe."

Com esforço, viu seu pai se afastando. Quando este se foi, os efeitos se aprofundaram... Não ouviu a porta bater, não ouviu mais nada... A respiração estava fraca. Deixou de sentir o frio do chão, deixou de sentir o vento... mas ainda sentia dor em seu interior... e mesmo diante de uma mente fraca e destruída, conseguiu sentir ódio, raiva, desespero... medo. Por mais que negasse, sim, ele tinha medo da morte. Tinha medo de morrer sem ter uma vida, sem ter nem mesmo tempo de entender o que tinha acontecido.

Sentiu seus músculos paralisando... seus pensamentos se esvaindo, consumidos por pura destruição mental. Com um suspiro, a última coisa que viu foi uma luz.

N/A: Semana que vem tem mais um capítulo pra vocês Sintam-se livres para deixar reviews, isso me anima bastante xD