Capítulo 11 – Teorias
A noite de terça para quarta fora bem fria, declarando, ainda com mais firmeza, o final do verão. Havia chovido e, pela manhã, o solo ainda estava molhado... A temperatura tinha caído de forma brusca desde a última semana, mesmo o sol era incapaz de trazer calor por muito tempo.
Muitos estudantes se recusaram a acordar cedo, mas Linus, ao contrário da maioria, não sentia tanto frio. Era só bater uma brisa que suas mãos e pés estariam congelando... em compensação, no resto do corpo, era preciso muito para que ele sentisse frio, tanto que seus colegas se assustavam com sua figura desagasalhada.
Tomou um banho rápido e foi à cozinha, em busca de comida. Para sua surpresa, não fora Logan nem Xavier que encontrara... era Mirela.
Embora gostasse muito de dormir em paz, Linus recusava-se a ficar na cama acordado, achava perda de tempo. Por isso, quando acordava cedo, geralmente encontrava um dos mais velhos acordados, isso quando não estava sozinho.
Ele parou ao ver Mirela. Sem trocar palavras, pegou uma vitamina na geladeira e uma barra de cereais, no armário. Não sentou-se à mesa, ao lado da garota, em vez disso, encostou na parede e observou-a, enquanto lanchava.
"Acordou cedo" Disse ela, sem encará-lo.
"Você também"
"Escuta, Linus..." Mirela virou-se para ele. "Me desculpe por ontem..."
Ele se surpreendeu. Depois de tanta discussão, a última coisa que imaginaria seria Mirela pedindo desculpas.
"Eu também devo minhas desculpas, Mirela, acho que exagerei."
"Não, você tinha razão... eu não tinha motivos para ficar brava com você, você não teve culpa... E sobre sua mãe..."
"Tudo bem, você tem motivos para pensar o que pensa."
"Não, não é isso... eu só queria dizer que... depois de tudo o que aconteceu... eu pensei nisso. O que foi tirado de mim foi uma obra do destino, ela não quis... digo, se meu pai não queria culpá-la, ela deveria ser uma boa pessoa."
"Tenha a certeza de que sim." Ele esboçou um sorriso, ela fez o mesmo. "E, Mirela, até onde sei... devo minha vida a você, e serei eternamente grato por isso."
"Eu fiz o possível"
Linus sentia-se bem por eles terem resolvido aquilo, não gostava do fato de estar brigado com alguém... ainda mais por uma coisa que não pode ser mudada.
Assim que terminou o desjejum, Linus deu uma última conferida em sua agenda, vendo se tinha tarefas escolares. Depois das tarefas, assistiu um pouco de televisão, enquanto o resto da mansão acordava.
"E aí, Linus?" Kurt aparecera em sua frente.
"Bom dia, Kurt."
"Pronto pra mais um dia de aula?"
"Nem me fale... Tá a fim de enforcar aula?" Sugeriu ele, com um sorriso maroto. Obviamente não falava sério.
"Fala sério, Linus, é só seu terceiro dia... fica pra próxima.
Era a vez de Kurt dirigir, enquanto Scott se propusera a levar os demais mutantes, em seu conversível.
Era um dia bem mais alegre que o anterior, havia mais disposição no ar. No caminho, foram conversando sobre as aulas, como sempre. Linus teria Biologia com Vampira na segunda aula, e Educação Física com os demais mutantes, na última.
Antes do sinal tocar, Kurt acompanhou Linus até seu armário, enquanto Kitty tratava de manter Vampira longe dali.
"E aí, Kurt, como vai a vida com a Kitty?" Linus perguntou.
"Ah, cara, você fala como se eu estivesse casado! Ainda moramos sob o mesmo teto, sabia?"
"Tá, mas não foi isso que eu perguntei."
"Estamos bem. Kitty é demais, bonita, inteligente, divertida e animada... além do que, é claro, tem a melhor qualidade do mundo, que é ser amada por mim."
Linus riu da resposta.
"Mas e você, Linus?" Indagou Kurt, fechando seu armário.
"O que tem eu?"
"Ainda não caiu nos braços de nenhuma garota? Ou o contrário, sei lá..."
Linus parou o que estava fazendo, esticando o pescoço para encarar o amigo, encoberto pela porta de seu armário, ainda aberto. Logo, voltou a mexer em suas coisas, sumindo por trás da porta, novamente.
"Heim?" Insistiu Kurt.
"Talvez." Respondeu, fechando a porta e sorrindo para si.
"Ahá, eu sabia! E esta pessoa seria... Vampira?"
Antes que ele respondesse, o sinal tocou, anunciando o início das aulas. Linus pôs a mochila nas costas e, sem responder, sorriu para Kurt, deixando-o sozinho, enquanto rumava para uma das salas.
-Instituto Xavier-
Jean se encontrava em frente ao computador, em seu quarto. Scott estava sentado na cama, brincando com um yo-yo, mas sem deixar de prestar atenção nela.
"Olha aqui, Scott" Ele se virou com a voz de Jean. Ela apontou para a tela do computador, onde havia a planta de um apartamento. "O que acha?"
"Parece legal."
"Sei... você nem olhou direito."
"Claro que olhei, Jean. Olha só, um dormitório, um banheiro, uma cozinha, uma sala..."
Jean encarou-o, como se dissesse 'não é óbvio?'.
"Tem fotos também?" Perguntou Scott.
"Claro." Ela passou o mouse pela tela e, com alguns cliques, apresentou uma série de fotos.
O apartamento era bonito, piso de madeira, janelas bem planejadas... possuía também uma pequena varanda, que dava de encontro à área de lazer do condomínio. Além disso, vinha mobiliado, parecia bem cuidado também.
O condomínio também tinha um ar agradável, possuindo duas quadras e uma piscina. Havia também uma pista de Cooper em volta e uma pequena academia.
"Uau!" Scott exclamou, enquanto via as fotos. Jean sorriu para ele. "Em qual andar ficaremos?"
"Quinto"
"Muito bom, Jean, esse lugar é --"
"Magnífico" Completou ela, empolgada com a mudança, assim como o namorado.
"Isso aí!" Scott chegou mais perto, e eles trocaram um beijo apaixonado.
Seria um novo passo em suas vidas. Desde que se conheceram, tornaram-se os melhores amigos, mas foi só há alguns dias que começaram a namorar. Dali a duas semanas, estariam dividindo um apartamento, estudando na mesma faculdade, longe de mutantes, longe de Instituto... longe de Xavier. Seria um novo desafio, mas cuja recompensa era grande.
O condomínio era reservado para estudantes, estes não pagavam quase nada pela estadia. Além disso, todo e qualquer gasto que os dois tivessem por lá seria coberto, ora por Xavier, ora pela família de Jean, isto é, enquanto não arrumassem um emprego.
-Colégio Bayville-
Sentando em uma das carteiras ao fundo, Linus colocou a mochila ao lado, retirando o estojo e um caderno.
Assim que o professor começou a matéria, ele mostrou certo desinteresse... certo de que era algo fácil, prestou atenção nos primeiros dez minutos de aula, aprendendo o necessário.
Entediado, abriu o caderno na última página, e, com uma lapiseira, começou a rabiscar palavras estilizadas, aleatórias. Escrevia nomes, apelidos, elementos, poderes, coisas relacionadas a humanos e mutantes... enfim, havia de tudo ali. Enquanto estilizava cada palavra, sua cabeça se perdia em idéias...
Pelo jeito que Kurt o desvendava, era como ele refletira dias atrás... suas atitudes eram mais óbvias do que pareciam. Na verdade, Linus não se importava com isso, o problema era se Vampira soubesse... claro, no fundo ela deveria saber, mas deixar isso óbvio só pioraria as coisas... Afinal, o que seria melhor para ela? Gostar de alguém e não ser correspondida, ou ser correspondida mas não poder tocá-lo? Era difícil tocar neste assunto mesmo sozinho, queria ajudá-la, e, ao mesmo tempo, se ajudar, mas a pergunta era... como?
Desde que Vampira chegara ao Instituto, Xavier trabalhava duro para ajudá-la, mas, até o momento, não conseguira novos resultados... Se nem ele conseguira, como Linus seria capaz? Havia mais de um ano que ela se descobrira como mutante... que absorvera inúmeras pessoas... que fora impedida de um contato gentil, um simples carinho, um simples toque. Essa maldição a privava em um momento crítico, em uma adolescência conturbada, incapacitando-a do melhor dos sentimentos... o amor.
Como a vida poderia ser tão cruel? Enquanto uns são livres para fazerem o que querem, dotados de dons extraordinários, outros são limitados em plena juventude, presos quando se quer mais liberdade.
Esses pensamentos invadiram sua mente o resto da aula... era inevitável.
Mais tarde, em Biologia, sentiu-se amaldiçoado por estudar genética... e com Vampira. Tudo isso só o deixava mais inquieto...
Tudo bem, eles não eram os únicos com problemas... olhe Kurt, por exemplo, que se pergunta todos os dias por que Deus, que tanto ama, o transformou em um demônio... Mas era outro caso... Para Linus, era só a aparência de Kurt que mudava... as pessoas se afastavam, infelizmente, mas era como faziam com todos os mutantes... Além disso, Kitty o amava como ele era, não importando sua aparência...
Antes que sua cabeça explodisse, no entanto, mais uma vez o sinal tocou, anunciando o início da terceira aula. Lá, para seu alívio, conseguiu pensar menos, e prestar mais atenção na aula.
-Aula de Inglês-
Kurt bocejara baixo assim que o sinal tocara. Percorrera o corredor em silêncio, entediado. Chegara na sala de Inglês sem vontade, literalmente jogando seu material. Sentara-se ao fundo, pois (assim como Linus) a última coisa que esperava fazer era assistir a aula.
Ele acompanhou o professor com os olhos, fingindo prestar atenção no que ele dizia. Não se passaram nem trinta segundos, e ele já achava a idéia de matar aula um tanto quanto, hmm, tentadora. Seus olhos começaram a pesar... não tardou para que caísse no sono.
No entanto, antes que sequer mais um minuto passasse, foi acordado por um cutucão nas costas. Saltando de tanto susto, virou-se para trás.
"Céus, Kitty! Quer me matar?"
"Shh, fala baixo... e não, eu não quero te matar, tipo, eu te amo ainda, sabia?" Kitty sussurrava, debruçada na carteira de trás.
"Ainda?" Perguntou ele, chateado por ter sido acordado.
"É, como sempre. Eu só queria te acordar, elfo."
"Ei, espera aí... que 'cê tá fazendo aqui, amor?" Kurt esfregava o rosto, piscando os olhos freneticamente, como se tivesse dormido o dia inteiro.
"Alôoo, esqueceu que estamos no mesmo ano? Faço Inglês com você, se ainda não percebeu..."
"Ah, é... mas há algo errado..." Ele parou para pensar, com a cabeça lerda ainda. "Você... está falando comigo?"
"Kurt, ta dormindo, é?"
"Estava. Mas, o que aconteceu com seu interesse pela matéria?"
"Eu já terminei a lição."
"E por que você fez o favor de me acordar?" Agora ele estava mais atento, e Kitty percebeu isso. Estava pronto para responder o que ela queria.
"Você, tipo, falou com o Linus?"
"Claro."
"E então? O que ele disse?"
Kurt enrugou a testa, tentando se lembrar da conversa antes do período começar. "Talvez."
"Ele disse talvez?" Kitty não estava surpresa.
"É, foi o que ele disse. Depois eu perguntei se era Vampira --"
"O quê! Você é maluco? Precisava ser tão óbvio?"
"Claro, acha que vou perder o dia inteiro? Eu sou direto, more" Ele estufou o peito. Kitty rolou os olhos.
"Ta, mas e depois?"
"Depois eu estou aqui, tentando dormir enquanto você --"
"Depois daquilo, oras. Tipo, o que ele respondeu?"
"Nada."
"Ele disse nada?"
"Não"
"Disse não?"
"Não, Kitty, ele não disse não. Ele não disse nada."
"Como assim 'nada'? Você num insistiu?"
"O sinal ba--"
O professor fez um barulho com a garganta, alto, como se chamasse a atenção dos dois.
"Já paramos, professor, desculpe." Respondeu rapidamente Kitty.
"Ok... Bom, como eu estava dizendo, veja bem, ..." E ele continuou a explicação, antes de corrigir os exercícios.
"Diz aí, Kitty..." Kurt retomou a conversa assim que ele se virara. "O que você acha disso?"
"Acho que devemos conversar mais tarde." Ela retrucou, voltando a prestar atenção... ou pelo menos tentar...
"Bah, de jeito nenhum... Você começou, agora termina. O que acha da resposta do Linus?"
"Da falta de resposta, você quer dizer."
"Duh." Foi a vez de Kurt revirar os olhos.
"Denunciadora."
"Como eu pensei."
"Ele é esperto, mas é um péssimo mentiroso." Kitty encostava a ponta de trás da lapiseira nos lábios, mas sem mordê-la. Seus olhos acompanhavam o professor, embora sua conversa fosse com Kurt.
"Ele não mentiu."
"Por isso mesmo."
Kurt a olhara feio, mas ela não o viu. "Ok, missão um cumprida."
"Você anda assistindo muito filme"
Eles riram baixo.
"Silêncio aí no fundo!" A voz do professor viera novamente, fazendo os dois se calarem, voltando a prestar atenção na correção.
Tempos depois, no entanto, Kurt retomou a conversa.
"Tá, mas e agora, Kitty? Se você acha que eles se amam, no que isso ajuda?"
Kitty olhou-o imediatamente, com uma sobrancelha erguida. "Isso é um grande passo, sabia?"
"Sei, sei... só descobrimos o que já sabíamos..."
"Nada a ver, Kurt. Pensa bem, agora é só a gente fazer eles se declararem, se entenderem e viverem felizes para sempre, não é lindo?" Os olhos de Kitty brilhavam, sonhadores.
Kurt balançava a mão em frente ao rosto dela, chamando-a de volta à Terra. "Ah, sim, claro... levamos os dois para um quarto trancado, com as luzes apagadas... depois voltamos e recolhemos o corpo do nosso amigo..."
Kitty revirou os olhos. "Será que vocês, garotos, só pensam nisso? E quem disse que ele vai morrer?"
"Eu. O que mais poderia acontecer? Hmm, deixe-me ver..." Ele colocou a mão no queixo, fingindo estar pensativo... "Bem, ele poderia entrar em coma, ficar eternamente em estado vegetativo..."
"Chega, Kurt, como você é pessimista."
"Realista, você quer dizer."
"Ta, mas o que vamos fazer?"
"Ei, Kitty, essa fala é minha!"
Eles se entreolharam, percebendo que não estavam chegando a lugar nenhum... Com isso, Kitty, outra vez, passou a prestar atenção nas palavras do professor. Kurt ficou olhando-a por um tempo, confuso, mas logo fez o mesmo que ela.
Para a surpresa de Kurt, no entanto, cinco minutos depois, fora Kitty quem voltara a falar.
"E daí?"
"E daí o quê, doida?" Kurt parecia mais surpreso do que confuso.
"E daí que eles não podem se tocar?"
Kurt sentara de lado em sua carteira, para, desta vez, poder encará-la melhor. "Enlouqueceu, é?"
"Tipo... se eles se amam... e daí que não podem se tocar?"
Ao que seus ouvidos comprovaram o que ela disse, Kurt deixou de encará-la, bufando.
"É, Kitty, você realmente enlouqueceu..."
Ela ficou filosofando durante um bom tempo, mas Kurt não prestou atenção em nem mais uma palavra.
De repente, sem ter parado de falar um minuto sequer, Kitty solta um berro no meio da classe. "Já sei!"
Kurt tentou tampar a boca dela nesta hora, mas fora tarde, a classe inteira já os encarava. Ela, no entanto, se mantinha com os olhos brilhando, olhando para Kurt.
"Posso saber o que os senhores tanto conversam?" Aproximou-se o professor, aparentemente bravo. Só então Kitty deu-se conta do que tinha feito.
"Nós, errr... falávamos sobre a questão 14..." Kurt respondeu, orgulhoso pelo improviso.
Kitty levou as mãos à cabeça, enquanto o resto da classe ria.
"O quê?"
"Com certeza, senhor Wagner. Os dois ficarão limpando a sala, após as aulas."
Assim que ele voltou para sua mesa, Kurt, que não entendera nada, virou-se novamente para Kitty. "Que eu fiz?"
"Acabou de nos ferrar, Kurt... acabou de nos ferrar."
Ele olhou para a lousa, onde só constavam oito questões. Logo depois, olhou a sala, imunda, por sinal. Lamentando por ter se manifestado, ele trocou um último olhar desanimado com Kitty, e eles passaram os últimos dois minutos da aula em silêncio, esperando pelo intervalo.
-Intervalo-
Assim que o sinal ecoara pelo colégio, Linus se apressara a sair dali, recolhendo seu material.
Após pegar seu almoço, deu uma olhada pelo refeitório. As mesas estavam cheias. A três mesas dali, estavam sentados os Novos Mutantes. Na mesa ao lado, Vampira lanchava, ainda estava sozinha.
"Hey" Disse ele, sentando-se ao lado dela.
"Como anda o dia?"
"Entediante... como sempre. Exceto Biologia, é claro." Acrescentou ele, assim que ela pareceu se manifestar.
"E pensar que é apenas a primeira semana..."
"Relaxa, Vampira, ainda terá o ano todo para reclamar."
Ela o encarou, deixando de levantar o garfo, cheio de comida. "Pensei que fosse você quem estivesse reclamando..."
"É pra num perder o costume..." Ele deu um gole no suco, logo depois fazendo careta; conteve-se para não cuspir aquilo. "Argh, esqueci o açúcar"
Vampira riu dele, acompanhando-o com os olhos, quando este foi correndo atrás de açúcar.
"E aí, Espectro?" Perguntara Lance, quando Linus estava voltando. "Ainda vivo no meio dos 'mocinhos'?"
"É o que parece, Alvers."
"Sai dessa, o Instituto num é lugar pra você, você sabe disso"
"E por acaso onde seria? Na Irmandade?"
"Sabe do que eu falo, Fletcher, cedo ou tarde você vai sair de lá. Não é lugar para você, você sabe disso..."
"Cedo ou tarde você vai engolir o que disse." Revidou Linus, passando por ele.
"Ah, sim, esperarei por esse dia, Fletcher. E diz para aquele idiota do Noturno --"
"Diga você, amigo..."
Linus voltou a sentar-se ao lado de Vampira, deixando Lance resmungar sozinho...
xXxXx
Indo em direção ao refeitório, estava Kitty, andando calmamente, enquanto Kurt vinha correndo atrás dela. "Ei, Kitty, espera!"
Ela parou, fazendo ele quase trombar nela.
"O que você sabe? Num vai me dizer que você encontrou um jeito de--"
"Ok, então eu não digo"
Kurt ficou de boca aberta com a afirmação. "Mas, mas, mas... como?"
Rindo da atitude do outro, Kitty voltou a ter seus olhos iluminados...
"Olha, Kurt, é simples... o que Linus tem que nenhum de nós tem?"
Ele pensou. "O amor de Vampira?"
Ela girou os olhos. "Menos poético, por favor."
"Então, hmm... um pai neurótico e uma mãe assassina?"
Kitty o olhou feio. "Como sabe disso?"
"Ouvi uma conversa entre ele e... Ei, espera aí! Como você sabe disso?"
"Bem, isso não vem ao caso..."
Kurt a olhou, desconfiado, mas achou que não estava no direito de o fazer, já que provavelmente teria sido pelo mesmo meio que ele...
"Voltando ao assunto... desembucha logo, Kitty, como...?"
"Ah, Kurt, tipo... ele controla as sombras, não é? Eu tava pensando... e se ele encostasse nela sem realmente encostar?"
"Como assim?"
"Digo, e se ele chegasse perto, como se fosse tocá-la, mas, em vez disso, usasse sua sombra?"
Kurt não pareceu convencido. "Fantasia sua, Kitty... isso é artificial demais... quero dizer, eles não se encostariam de verdade, encostariam?"
Kitty se desanimou um pouco. "Você é muito poético, Kurt, acha que eles realmente se importam com isso? Pense menos e aja mais, elfo."
Kurt revirou os olhos. "Acho que voltamos à estaca zero, amor."
"Não, não voltamos... eu acho que, tipo, eu achei a solução, não achei?"
"Não"
"Por que não, Kurt?"
"Oras, meu amor, porque beijo que é beijo não é assim"
"É, e como é, então?" Perguntou ela, num tom provocativo.
"Vem cá que eu te mostro."
Ao se aproximarem, trocaram beijos cinematográficos, mas cheios de amor. Eles definitivamente eram felizes juntos... e queriam que seus amigos também fossem...
Mais adiante, Lance assistiu à cena e saiu do refeitório.
xXxXx
"Vampira... num acha que ta faltando alguém?" Dizia Linus, notando a mesa mais vazia e quieta que de costume.
"Onde estão aqueles dois?"
"Sei lá, devem ter se perdido... ou passado mal... ou estarem xeretando as vidas alheias..."
"Voto na terceira opção"
"É o mais provável."
Depois de alguns segundos de silêncio, Vampira puxou conversa.
"E aí, o que vai fazer no fim de semana?"
"Num sei." Ele terminou de engolir a comida, prosseguindo. "Na verdade, o povo tava pensando em ir ao shopping... sabe, fazer compras pro ap novo de Jean e Scott"
"Ah, só quero ver a zona que vai ficar o shopping..."
"Sem essa de ver, Vamp... você vai estar nela." Ele sorriu, ao que ela ergueu uma sobrancelha.
"É, sim..." Completou ela, ironicamente.
"Procurando por nós?" Kurt chegara, sentando-se do outro lado da mesa, de forma que ficasse de frente para os dois.
"Err, na verdade, não." Linus respondeu, rindo.
"Claro que não, Kurt. Tipo, eles tem mais coisa pra fazer, não é mesmo?" Kitty sentara-se ao lado do namorado, piscando para os outros dois.
Vampira girou os olhos. "Por que a demora?"
Eles se entreolharam. "Trânsito, sabe como é, maninha..."
"Sei..."
"Por falar em trânsito... Kitty e eu..."
"Eu não, Kurt, você arrumou um castigo para nós."
"Errr... é. Bom, digamos que não voltaremos com vocês..."
Vampira e Linus se entreolharam, dando de ombros.
O intervalo passou rápido, assim como as últimas aulas. Após ela, Kurt e Kitty ficaram limpando a sala de inglês.
Aproveitando que estavam sozinhos, voltaram ao assunto de sempre... Era inevitável, mesmo que não chegassem a lugar algum. Kitty vivia cheia de teorias, sonhadora, como se vivesse em um conto de fadas. Kurt era mais realista, mas nem por isso menos animado. O que resultava desta combinação, só Deus sabe... era uma coisa maluca, às vezes insana demais... eles pensavam como se estivesse acontecendo com eles, embora se divertissem com isso.
Em meio a tantas teorias, Kurt conseguia roubar uns beijos da garota, que, por sua vez, parava a conversa várias vezes, exigindo beijos mais... elaborados.
Eles se divertiam tanto lá dentro, que enrolavam o máximo para não saírem. Quando o fizeram, a classe estava a sétima maravilha do mundo em beleza, e eles saíram de lá alegres, ainda conversando e dando risadas.
Obviamente, o professor ficou de queixo caído ao ver a cena, conferindo várias e várias vezes se a sala estava limpa. Ele não negava que estava melhor do que esperava e, notando a descontração dos dois, pensou que poderia fazer aquilo mais vezes.
N/A: Acho que esse é o capítulo mais longo até agora xD me empolguei, mas fazer o que, neh?
Depois de um reinado descontraído de Kurt e Kitty, que tal um pouco de Linus/Vampira? Então, esperem pelo próximo episódio... errr, capítulo, e não se esqueçam das reviews :D
Até semana que vem.
