Capítulo 12 – Baque!

Os mutantes se arrumaram após a aula de Educação Física e, assim que Kurt e Kitty ficaram presos na classe de inglês, Linus se despediu deles, esperando por Vampira.

Assim que a avistou, acenou, chamando-a para ir embora.

"Onde estão os outros?" Ela perguntou.

"Acho que Scott os veio buscar... fora que Kurt e Kitty ficaram 'presos', né?"

"Num sei não, acho isso muito suspeito..."

Os dois foram caminhando sem pressa até o carro, comemorando internamente por estarem sozinhos...

"O que será que aprontaram desta vez?" Linus riu ao pensar nas possibilidades.

"Kitty costuma prestar atenção na aula."

"É, é meio improvável que tenha feito algo... mas Kurt..."

"Se quer minha opinião, Linus, alguma coisa nova aconteceu."

"Ou talvez... não tão nova assim."

Vampira parou, olhando-o. "E o que seria?"

"Não faço a mínima idéia, mas, do jeito que eles são, você pode esperar qualquer coisa."

"É."

Ambos voltaram a caminhar e, assim que alcançaram o veículo, Linus espantou-se.

Sentados no banco de trás, Bobby e Amara sorriam, olhando para eles.

"O que vocês dois fazem aqui?" Linus entrava no carro também, mas sem deixar de encará-los.

"Num é óbvio?" Bobby adiantou-se. "Pelo que sabemos, Kitty e Kurt não vão vir."

"É, e num tem mais ninguém pra gente ir a pé, fora os lugares livres a aqui." Amara completou.

Os outros dois se entreolharam, um pouco, digamos, frustrados.

"Scott não veio buscá-los?" Foi a vez de Vampira se pronunciar.

"É, Sam, Jubes e Ray foram com ele." Amara respondeu.

Derrotados, Linus e Vampira não tiveram outra escolha, se não levá-los ao Instituto.

E, deste modo, os dias passaram bem rápido...

A semana que se seguiu foi "quase" normal. Havia muita agitação, devido à futura mudança de Jean e Scott, e, também por isso, era difícil que eles parassem na mansão, sempre inventando coisas novas para fazer.

Kurt e Kitty conseguiram esquecer um pouco de xeretar sobre a vida de Linus e Vampira, estes que pareciam deixar ainda mais óbvio o que eles pensavam... mas, por uma obra do destino, jamais tiveram uma chance de se pronunciar... Xavier estava mais calmo, satisfeito com o desempenho de Mirela... ela agora também tinha previsões felizes, e se tornavam cada vez mais concretas.

Os dias estavam mais frios e escuros, como se quisessem apressar a chegada do inverno.

Era um sábado, o primeiro sem Jean e Scott. Kitty estava gripada, portanto mais silenciosa, mas não muito. Kurt ficava a seu lado, demonstrando o quanto se preocupava, embora ela não gostasse muito de ser tratada como doente, exceto pelo fato de que, é claro, recebia mais atenção do garoto que tanto amava.

Logo pela manhã, assim que Linus pisara no corredor, Mirela o alcançou.

"O que pensa em fazer hoje?" Perguntou ela, após os devidos cumprimentos. Parecia perturbada.

"Eu tava pensando em sair..."

Ela ficou levemente assustada, mas não demonstrou tanto pânico. "Ah... apenas... apenas tenha cuidado"

Linus notou que algo estava estranho, percebendo sua inquietação. "Mirela... há algo errado?"

"Acontece que... eu sonhei com você, Linus." Ela o encarou, com o mesmo ar preocupado.

"Algo bom ou ruim?"

"Você... estava em profundo coma."

Ele olhou-a com mais atenção, não se esquecendo de que ela, praticamente todas as noites, tinha uma previsão. Se agora suas previsões se tornavam mais concretas, isso poderia representar perigo. Mas Linus não parecia preocupado, estava sorrindo, como sempre fazia.

"Não se preocupe com isso, são só previsões."

"É, mas --" Ela fora interrompida.

"Tente esquecer, não vale a pena."

"Tá, mas tome cuidado. Prometa-me que não vá fazer nenhuma besteira, ok?"

"Te dou a minha palavra, Mirela." Ele sorriu novamente, virando-se.

Profundo coma. Seria um aviso? Se Mirela estava preocupada, ele também deveria estar, mas não o fazia, jamais o fizera. Se o futuro era algo incerto, para que viver de previsões? Ele não acreditava em destino, e muito menos em previsões. Não valia a pena viver do futuro, quando ele, certa vez, já vivera do passado.

Nisso, encontrou Kitty tendo um ataque de tosses, espirros e soluços... assistindo televisão ao lado dos demais mutantes. Era realmente engraçado seu estado, ela vivia resmungando, só contribuindo para as brincadeiras.

Foi uma manhã cheia de tédio, o que não era comum nos sábados da mansão. À tarde, tiveram uma sessão na Sala do Perigo, bem descontraída na verdade. Era estranho não ter uma liderança por ali, nem alguém os guiando telepaticamente... tudo bem que não seria sempre assim, afinal, Scott e Jean eram parte da equipe, eles se encontrariam quase todos os finais de semana.

Havia um estábulo ali perto, onde os X-Men casualmente iam. No entanto, como os últimos meses foram cheios de novidades, fazia tempo que não apareciam por lá. Vampira amava aquele lugar, tinha vontade de mostrá-lo a Linus o mais breve possível, e era o que faria.

Após a sessão na DR, no final da tarde, Linus estava em seu quarto, folheando o diário de seu pai, mas sem ler sequer uma palavra. Não havia motivos para ler aquilo, mas algo chamava sua atenção, como se o desafiasse. Provavelmente, Magneto não seria punido pela morte de um condenado, até porque não havia provas contra ele... Linus não dava a mínima para isso, mas algo ainda o incomodava... O que Magneto pretendia ao entregar-lhe um diário antigo? Seria fazê-lo inimigo dos humanos, assim como, do outro lado, Neil fizera com os Biasi?

Decidido, fechou o livro com certa violência, enquanto ouvira uma voz feminina. Era Vampira.

"Você leu?" Ela apontou para o diário.

"Não."

"E... não tem curiosidade?"

"Um pouco. Mas isso só me faria ter mais raiva, no fundo, eu sei o que meu pai pensava, e isso já não importa mais." Ele atirou o livro no armário, no exato lugar onde antes estava. "E então, Vampira, quer dar uma volta? O Instituto tá meio parado hoje."

Ela sorriu. "Eu pensei a mesma coisa."

"Então, onde quer ir?"

"Eu estava pensando... tem um estábulo aqui perto, ele costuma estar vazio, nós vamos lá de vez em quando. Eu queria mostrá-lo faz tempo, é bem legal, Linus, você vai gostar."

"Demorou, vam'bora" Linus alegrou-se com a idéia, descendo as escadas rapidamente.

Assim que os dois passaram pela sala, vários olhares os cercaram, seguidos pela voz de Kurt. "Onde vocês vão?"

"No estábulo. Quer vir?" Foi Linus quem falou.

Kurt sorriu para Kitty, que, entre espirros, devolveu uma expressão satisfatória. Jamie quase se propôs a ir, mas, antes que o fizesse, foi fuzilado pelos olhares mortíferos dos demais mutantes, e ele mudou de idéia.

"Não, podem ir." Kitty, mesmo rouca, completou, antes que mais alguém se manifestasse.

Ao vê-los sair, ela trocou mais um olhar com o namorado, e, sem que palavras fossem necessárias, eles comemoraram, abrindo largos sorrisos de vitória. Logo depois, fizeram um pequeno pedido a Ororo e, de repente, como um milagre, o céu que parecia enjoado ficou mais claro, limpo, e os ventos que antes eram bruscos, tornaram-se leves brisas refrescantes.

xXxXx

Eles foram andando sem pressa, chegando em um estábulo vazio, além, é claro, dos cavalos.

"Anda, pega um." Disse ela, enquanto selava um corcel marrom. Ele tinha uma faixa vertical no centro da cabeça, branca como nos locais próximos às patas, o que fazia com que parecesse que usava botas.

Meio sem jeito, Linus fez o mesmo com outro, marrom clássico.

Assim que guiaram os animais para fora, encontraram um amplo campo, cujas gramas, verdes, exalavam um ar campestre. Ao olhar para o céu, viram uma grande mudança no tempo, como se este atendesse a seus pedidos. Sem dúvida, um lugar agradável. Era simples, muito simples. Justamente o que esperavam, o que procuravam. Era tudo o que queriam, um pouco de paz... ou melhor, quase tudo...

And I'd give up forever to touch you

(E eu desistira da eternidade para te tocar)


Não chegava a fazer calor, mas o frio passara, trocado por um ambiente mais alegre, com energia renovada.

'Cause I know that you feel me somehow

(Pois eu sei que de alguma maneira você pode me sentir)

Vampira montou em seu cavalo, passando a cavalgar em círculos, rodeando Linus.

You are the closest to heaven that I'll ever be

(Você é o mais próximo do paraíso em que eu jamais estarei)

Entendendo o desafio, ele subiu em seu cavalo, mas este estava inquieto, dando pequenos passos para frente e ameaçando ir para trás. Ele quase perdeu o equilíbrio, lutando para manter-se no controle.

And I don't want to go home right now

(E eu não quero ir para casa agora)

Vampira riu. "Você não engana ninguém, Linus, nunca fez isso antes."

And all I can taste is this moment

(E tudo que vejo é este momento)

"Eu sou um mestre nisso, é só falta de prática."

"Sei..." Ela ironizou, ainda rindo.

And all I can breathe is your life

(E tudo que respiro é sua vida)

"Fique só vendo, Vampira, em breve, Spirit não será mais um corcel indomável perante a mim." Ele puxou as rédeas com firmeza, fazendo o animal se tranqüilizar.

'Cause sooner or later it's over

(Porque mais cedo ou mais tarde isso iria acabar)

Ela riu novamente, tendo a certeza de que ele mal se mantinha equilibrado. Para provar o contrário, ele começou a movimentar o animal lentamente, fazendo-o andar pelo gramado, assim como ela passou a fazer, ao seu lado.

I just don't want to miss you tonight

(Eu só não quero sentir sua falta esta noite)

Eles foram aumentando a velocidade, como se corressem em linhas paralelas, mas não foram tão rápido. Estavam se desafiando. Nenhum dos dois queria ficar para trás. Nenhum dos dois queria deixar o outro para trás.

And I don't want the world to see me

(E não quero que o mundo me veja)

'Cause I don't think that they'd understand

(Pois não acho que eles compreenderiam)

O vento batia em seus rostos, era uma sensação boa, trazia paz. Cada galope soava como a batida de um coração, cada olhar era um desafio, cada sorriso, um incentivo. Tudo parecia tão simples... Era como se estivessem fugindo... e na realidade estavam. Mas ali, sozinhos, na sutileza do campo, ao som de galopes... eles se sentiam livres...

When everything's made to be broken

(Quando tudo é feito pra não durar)


I just want you to know who I am

(Eu só quero que você saiba quem sou eu)

"Tente me alcançar, Vampira." Rindo, cavalgou em zigue-zague para ganhar impulso, então, curvando-se para um melhor desempenho. Seu cavalo saiu em disparada em linha reta, depois fazendo uma larga curva, e voltando no sentido contrário, passando por ela em uma velocidade incrivelmente superior.

And you can't fight the tears that ain't coming

(E você não pode enfrentar as lágrimas que não vem)

Ela sorriu, copiando cada movimento do rapaz, porém, com uma perfeição que este jamais teria. Logo, ela o alcançou, passando-o e devolvendo o riso provocador.

Or the moment of truth in your lies

(Ou o momento de verdade em suas mentiras)

Reconhecendo a derrota, ele parou, esperando que ela fizesse o mesmo. Mas ela correu um pouco mais, dando então uma meia-volta, para que ficasse de frente para ele. Atrás dela, o sol se punha, era uma imagem linda.

When everything feels like the movies

(Quando tudo parece como nos filmes)

"Ei, olha isso." Linus pôs-se ao lado dela, e ela virou-se, apreciando, com uma expressão alegre, o belo pôr do sol. Sem que ele percebesse, ela olhou seu rosto, sorrindo, mas com uma ponta de dor no fundo de seu coração...

Yeah you bleed just to know you're alive

(Sim, você sangra apenas pra saber que está viva)

A vista realmente era privilegiada... e a companhia, divina. Aos poucos, a claridade era trocada por tons alaranjados, e o sol, agora bem suave, descia pelo céu, tocando o horizonte.

And I don't want the world to see me

(E não quero que o mundo me veja)

'Cause I don't think that they'd understand

(Pois não acho que eles compreenderiam)

Linus desceu do cavalo, contornando-o, de forma que chegasse ao lado de Vampira. Com um gentil gesto de cavalheiro, ajudou-a a descer também.

When everything's made to be broken

(Quando tudo é feito para não durar)

I just want you to know who I am

(Eu só quero que você saiba quem sou eu)

Os olhos da garota eram iluminados pelo sol, tornando-os mais brilhantes do que já estavam. Sem que o controle estivesse a seu alcance, como sempre esteve para ambos, sem que houvesse tempo para pensar, ou mesmo para reagir... ela se jogou em seu pescoço.

And I don't want the world to see me

(Não quero que o mundo me veja)

Pego de surpresa, ele caiu para trás, e, do mesmo modo que ela não pôde se conter nem explicar, ele girou pela grama, fazendo com que as costas dela encostassem o chão, deixando-o por cima... mas sem encostá-la.

'Cause I don't think that they'd understand

(Pois não acho que eles compreenderiam)

Não havia tanta distância entre eles... Estavam tão perto, que ele poderia descrever cada detalhe de seu rosto, perdendo-se em seus olhos... Tão perto, que podia sentir seu perfume, causando-lhe arrepios... Tão perto, que sentia sua respiração quente, acelerando-lhe o coração...

When everything's made to be broken

(Quando tudo é feito para não durar)

Era inútil evitar... era inútil tentar evitar. Como jamais pensara que fosse ocorrer, Linus rendeu-se à tentação... Suas mãos estavam abertas, tocando a grama em cada lado de Vampira. Seu braço, fazendo força, era a única coisa que os mantinha separados, que o impedira de ter encostado nela...

I just want you to know who I am

(Eu só quero que você saiba quem sou eu)

Lentamente, foi flexionando ainda mais os braços, mas sem mover sua cabeça. Depois, com sutileza, pôs-se a aproximar o rosto ainda mais do dela, esquecendo o mundo a fora. Ela fechava os olhos, e ele fez o mesmo com os seus. Seus lábios estavam quase se tocando quando...

I just want you to know who I am

(Eu só quero que você saiba quem sou eu)

--Baque!—

I just want you to know who I am

(Eu só quero que você saiba quem sou eu)


N/A: Finalmente consegui usar o traço de novo! xD

A música que tocou é Iris, do Goo Goo Dolls, muito linda também, parte da trilha sonora de um filme...

E, novamente, algo os impede, como eu sou má huahuahua mas o Kurt é mais!

Será que eles vão conseguir andar com tantas interrupções? Será que os mutantes realmente ajudam? Ou será que só atrapalham?

Isso, meus caros leitores, vocês só descobrirão quando eu voltar. Enquanto esperam, não acham que uma review é tentadora?