Final da sessão das 18 h, dia seguinte. O casal se beijou apaixonadamente, e apareceu em letras caligráficas a palavra FIM.
– Eu disse que o filme terminava em beijo. – disse Lilysbela.
– Você não acha essas cenas inspiradoras? – Lucius perguntou, virando o rosto de Lily devagar para ele.
– O filme todo é inspirador. – disse Lily, se levantando enquanto as luzes se acendiam – E esse filme foi muito romântico, pareceu até um sonho.
– Já que você é tão entendida em cinema, – disse Lucius, se levantando e seguindo a noiva – Me explique como é que raios ele não matou a mulher?
– Você não entendeu? Quando a mocinha chega e dá todo aquele chilique, a fera tapa sua boca com a mão. Ela ainda fica assustada, mas olha nos olhos dele e descobre que aquela fera ainda é o Dr. Jeckil, porque seu olhar ainda mantém sua bondade.
– Pensei que fosse pena... – Lucius deixou escapar, mas Lily não ouviu.
– Então ele dá um sorriso meio bobo, mas fica com vergonha das suas presas. Ela sorri de volta e afaga a cabeça dele. Nessa hora, ela percebe que pode dar um beijo nele. E os dois vivem felizes para sempre.
– Mas claro que ele não fica com aquela aparência – disse Lucius, quando já se aproximavam do carro. Lucius não gostava de dirigir, tinha um elfo que controlava os comandos e a direção. Coisas típicas de um janota bruxo. – Ou por acaso ele foi salvo graças ao beijo? Isso é tão... Trouxa!
– Não foi só o beijo. Foi o amor, além do antídoto que ele consegue fazer com a ajuda dela, e termina o efeito da poção.
– E se o efeito do antídoto terminar? – ele perguntou, quando os dois entraram no carro.
– Ainda terá o efeito do amor.
– Que piegas... – Lucius revirou os olhos. Lily mais uma vez fingiu não ouvir.
– Não vejo a hora do próximo seriado, vai ser uma aventura. – disse Lily, encostando a cabeça no ombro de Lucius, finalmente satisfeito.
– Sabe, minha querida... Tenho reparado que você é muito, mas muito fissurada em cinema.
– Desde criança – ela respondeu, sorrindo de modo sonhador.
– Sim, sim... Que seja. Mas será que não está na hora de você organizar os preparativos para nosso casamento?
– Temos tempo – ela respondeu, um pouco incomodada.
– Menos de um mês.
– Eu sei, mas... Ah está praticamente tudo acertado. A capela, o vestido, meu enxoval... E como vamos viajar, queria aproveitar as séries, porque sei que não vamos ter oportunidade na lua de mel.
– Não teremos nenhuma oportunidade depois do casamento – Lucius murmurou.
– O que disse? – Lily perguntou, encarando-o nos olhos, muito séria.
– Disse que a música está num volume muito baixo. – ele se desculpou e bateu no vidro que separava do banco do motorista, chamando a atenção do elfo – Aumente, seu verme.
– Não fale com ele assim, Lucius. – disse Lily, enquanto o elfo obedeceu, sem responder – É seu servo, mas pelo menos o trate com decência.
– Não se incomode, minha querida, apenas ouça a música. – ele respondeu, fazendo com que ela voltasse a apoiar a cabeça em seu ombro. – Ouça a música e pense na nossa viagem de lua de mel. – disse, e a música começou a tocar.
Oh! Carol
I am but a fool
darling i love you
though you treat me cruel
You hurt me
and you make me cry
but if you leave me
I will surely die
Darling, there will never be another
'cause i love you so
don't ever leave me
say you'll never go
I will always treat you as my sweet heart
no matter what you do
oh! Carol
I'm so in love with you¹
Lucius aproximou Lily ainda mais de seu corpo, descendo a mão que estava no ombro dela para o braço.
– Lucius, – Lily se afastou um pouco – Eu já disse que sou uma moça de família e você concordou em esperar.
– Minha querida, falta menos de um mês... – disse ele, suplicante, quando o carro parou em frente à casa de Lily.
– Não quer dizer que você tenha que provar o jantar na hora do almoço. – respondeu ela, saindo do carro. Lucius a seguiu.
– Lily, acontece que desde que eu voltei da capital e ficamos noivos, a nossa única atividade é o cinema, mal conseguimos namorar direito!
– Como não? Todos os casais de namorados vão ao cinema. – Lily se fingiu de ingênua – Ou será que é você quem não gosta dos filmes?
– A verdade é que... – Lucius queria dizer desaforos para sua noiva, mas isso poderia acarretar em rompimento de compromisso, o que seria um escândalo, então mudou o tom – A verdade é que eu gosto muito de ir ao cinema, principalmente com você, Lily querida... Eu só estranho que uma bruxa puro sangue como você goste tanto de algo tão... Trouxa!
– Puro sangue? – Lily estranhou – Mas Lucius, eu não...
– Ah, aí estão vocês, finalmente. – Frank Longbottom, o primo em 4521369o grau de Lily, interrompeu – Mais um filme, não foi?
– Sim, e amanhã começa outra série – disse ela, sonhadora. Lucius revirou os olhos, irritado pela interrupção de Frank e principalmente por Lily ser tão teimosa quanto a seu hobby.
– Então... – Frank encarou Lucius, Lily e de novo mirou Lucius. Olhou para o céu, viu que já era noite e fitou os dois novamente – Lily, é melhor entrar. Sabe como é, cidade pequena... Podem começar a falar de você...
– Meu caro Frank, você fala como se eu fosse algum aproveitador.
– Nada pessoal Lucius. Só por precaução.
– Diga-me, você não deveria tomar conta da segurança da cidade, sendo o auror chefe da região? – Lucius perguntou, como se Frank fosse um reles empregado.
– A segurança pública está garantida, mas prometi aos pais de Lily que cuidaria dela até o casamento. Sabe como é, nada de avanços de sinal...
– Por favor, Frank. Sou quase casada – disse Lily, entrando.
– E de quase em quase, eles vão conseguindo tudo – Frank murmurou, observando Lucius partir em seu carro. – Alice quer falar com você, acho que é sobre o vestido.
O fato de Lily ser prima de 4521369o grau de Frank foi um achado inesperado. Segundo ele, a família desmontou toda uma árvore genealógica para descobrir que o tio tataravô de Lily era na verdade um aborto, sendo tio tataravô do primo de terceiro grau de Frank. Depois da morte dos pais e depois que sua irmã se casara com um trouxa repugnante e preconceituoso, Frank e Alice a acolheram de braços abertos.
– Você não vai querer que eu experimente esse vestido agora, vai, Alice? – Lily perguntou à amiga, na cozinha.
– Na verdade, não. – ela respondeu, secando as mãos depois de lavar um prato – Eu dei essa desculpa para o Frank não nos importunar.
– Eu ouvi isso. – Frank respondeu, abraçando a esposa pelas costas – Mas tudo bem, assuntos de mulher, certo?
– Certíssimo, meu bem. – Alice respondeu, piscando para Lily – Venha comigo, Lily.
Lily a acompanhou até o quarto do casal e Alice trancou a porta. Sentou-se na cama, curiosa.
– Qual o problema? É algum segredo?
– Eu é que te pergunto. – Alice respondeu – Menos de um mês para o casamento e você não parece entusiasmada com isso, como toda noiva apaixonada fica. Algum problema com Lucius?
Lily foi pega de surpresa. Alice foi a única a perceber.
– Nada de errado. – respondeu, um pouco surpresa – Às vezes percebo que o Lucius quer se aproveitar do fato de sermos noivos para... Se aproximar mais, acho.
– Ele tenta te agarrar, certo. Você deixou?
– Não! – Lily parecia chocada com essa possibilidade – Quero dizer, mesmo ele sendo meu noivo, entende? Eu prefiro esperar até o casamento...
Alice suspirou e sentou-se na cama ao lado da amiga.
– Lily, seja franca. Você ama o Lucius?
– Eu... Amo, claro que sim. – Lily respondeu, sem jeito – Por que está me fazendo essas perguntas?
– Porque eu acho que você está se enganando. – Alice se ajeitou na cama, para explicar melhor – Veja bem, você está namorando e acha que é uma ótima oportunidade de se casar, tirar todo aquele estereótipo de solteirona e encalhada que as vizinhas vão colocar em você. Só que você sabe que ele não é o homem da sua vida. Você está com ele... Por estar!
– Alice, que absurdo! Eu nunca...
– Você não o ama, Lily. Dá pra ver em seus olhos quando tocamos no assunto do casamento. Sinceramente, se você não tem certeza de que é isso que quer, desista. Senão estará acabando com sua vida.
Lily não respondeu. Não tinha pensado em nenhuma dessas possibilidades quando aceitou que Lucius a namorasse, ou mesmo quando ele a pediu em casamento.
– Lily, – Alice continuou – presta atenção no seu coração. O que ele te diz? Pense no Lucius e no que sente por ele.
Foi o que Lily fez. Respirou fundo, pensou em Lucius e concluiu que Alice estava certa. Ela não olhava para ele com amor, ela apenas considerou "amizade". Talvez nem isso, pois Lucius era uma pessoa difícil de se agradar, e Lily sabia que ele só a acompanhava ao cinema por mera formalidade de namorados. Era como se preenchesse o protocolo de "coisas para se fazer com sua noiva". Lucius não gostava de cinema, mas será que gostava dela? Era algo a pensar também. Além do pressuposto que talvez Lily nunca se apaixonasse, se não saísse daquela cidade.
– Eu acho – disse ela, com a voz um pouco embargada – que essas coisas de "se apaixonar perdidamente" e "amor verdadeiro" só devem funcionar mesmo nos filmes, porque eu sei que isso não vai acontecer comigo...
– Não tem nada a ver com filmes, Lily. Afinal, eu e Frank nos amamos! Somos um bom exemplo disso. E você é muito jovem para dizer uma coisa dessas. Afinal, o que te impede? De uma hora pra outra a sua cara metade pode aparecer. E o que vai fazer se já estiver casada?
– Bem, me conformar. Talvez eu possa gostar do Lucius, dizem que o amor pode crescer com o tempo.
– Crescer, sim. Mas nascer... Se não nasceu quando você começou a namorá-lo, então esqueça. Estou te estranhando, Lily. Você não costuma ser assim, geralmente costuma reagir quando não gosta de alguém. Ele por acaso te ameaçou?
– Não, Alice. – Lily ficou alguns instantes em silêncio antes de continuar – É que eu vivo sonhando com esses filmes e pensei que namorando o Lucius, um homem rico, bonito... Que eu poderia viver o que se passa nos filmes. Mas aí, eu vi que não era nada disso e me conformei apenas.
– Vai romper com ele, então? – Alice perguntou, pegando as duas mãos de Lily, como quem faz um apelo. Lily suspirou mais uma vez.
– Vou pensar nisso. Não posso romper um noivado por bobagem da minha imaginação. Mas se eu não quiser, até o dia do casamento eu posso dizer não, não é?
Alice sorriu em resposta e beijou a testa da amiga, como se fossem irmãs. Lily foi para seu quarto, ainda pensando.
– De uma hora pra outra... Como minha cara metade apareceria de uma hora pra outra?
– Não tinha uma estrada melhor não, Sirius? – James perguntou, colocando a cabeça para fora do carro, para verificar as condições dos pneus – Tudo esburacado.
– É o preço a se pagar pelo sucesso de artista mambembe. – riu Sirius, na direção – Pare de reclamar, Pontas! Estamos chegando.
Sirius apontou para um vilarejo mais adiante. Um aglomerado de casas, uma vila um pouco maior que aquela que deixaram há poucos dias. Passando pela suposta entrada, um arco todo florido, chegaram logo à praça central, onde as crianças começaram a correr atrás da caminhonete como em um cortejo de dia de festa.
– Quanta gente no meio da rua – Remus observou.
– Aproveita, então. Quanto mais pessoas ouvirem, mais virão. – disse Sirius, tentando desviar das pessoas na rua.
James foi até a boléia e ampliou o som de sua voz com a varinha. Abriu a cortina e começou a anunciar o novo espetáculo.
– NÃO PERCAM! O MEGA ESPETÁCULO! TRAZIDO ATÉ VOCÊS PELA CIA. MAROTOS DE ENTRETENIMENTO! UM SHOW INESQUECÍVEL, IMPERDÍVEL, SENSACIONAL...
– Pára de embromar, Pontas! – berrou Sirius, da direção. James prosseguiu.
– Para deleite de toda a cidade, a verdadeira história de Camelot! Com participações especiais dos membros de vossa comunidade, em colaboração com nossa companhia teatral! Testes para papéis logo mais, assim que montarmos acampamento!
– O James podia ser um pouco mais discreto sobre nosso acampamento – comentou Remus.
Sirius riu da observação do amigo. Sua atenção, porém, foi desviada para uma pessoa que caminhava lentamente na direção oposta da caminhonete.
Era uma mulher alta, de pele branca e cabelos negros. Andava devagar, parecia procurar algum tipo de presa com seu olhar, quase assassino. Sirius a achou extremamente sensual, talvez porque seu vestido preto com decote generoso favorecia a visão.
Fascinado, continuou seguindo-a com o olhar, desviando a atenção do caminho. Remus teve que pegar a direção para evitar que a caminhonete atropelasse uma velhinha, desviando ainda de dois cachorros, um gato, uma mulher com carrinho de bebês e uma criancinha.
– O que aconteceu aí na frente? – perguntou James – Quase fui arremessado ali atrás.
– O nosso amigo Almofadinhas aqui ficou babando por uma mulher. De novo – resmungou Remus.
– Droga, Sirius. Você sabe o que aconteceu da última vez.
– Não me amolem, vocês dois. – Sirius retrucou, estacionando em determinado local – Vamos montar logo o acampamento; tenho assuntos de família por aqui.
Mal terminaram de montar acampamento e a cidade se mobilizou. Muitos queriam participar e tinha alguns papéis de figurantes disponíveis. Sirius entregava algumas fantasias, quando ela apareceu.
– Há quanto tempo, primo. – cumprimentou a jovem de cabelos negros que ele vira um pouco antes – Garanto que não esperava me encontrar aqui.
– Bellatrix. – Sirius jogou as fantasias num canto para beijar a mão de Bella – Bem que estranhei que não estivesse na mesma cidade que a Narcissa.
– Novos ares, Sirius, novos ares... – ela olhou em volta para o acampamento – Pelo visto, resolveu levar uma vida nômade.
– Descobri minha verdadeira vocação. – ele fez uma reverência – Aliás, vai assistir à peça?
– Eu quero participar do elenco. – disse ela, pegando um vestido de época – Quero ser Morgana, ela que representou o poder de toda uma época, quase tão forte quanto Merlin e que levou Camelot ao seu fim.
Sirius encarou a prima sério, e a olhou de cima a baixo. Realmente, ela daria uma ótima Morgana, se não fosse por um mero capricho do destino.
– Ah, minha querida prima... – ele se apressou em pegar outro vestido – Infelizmente o papel de Morgana já foi preenchido, sabe como é, muitas pessoas, poucos personagens... Mas não fique triste. Afinal, todas querem ser Morgana, mas só uma beldade como você conseguiria representar uma rainha como Guinevere!
– Guinevere? – Bella fez uma careta – Ela não é muito... Sem sal?
– Se a pessoa certa a representar, poderá ostentar toda a grandeza de ser rainha... E você é essa pessoa, minha cara.
– Hm... – Bellatrix se olhou no espelho, colocando o vestido na frente do corpo – Tudo bem, se o papel de Morgana já foi preenchido. De qualquer modo, eu sei que consigo representar o papel de Morgana e de Guinevere melhor que ninguém! Até mais tarde, priminho.
– Com certeza, com certeza... – Sirius a seguiu com o olhar. Remus saiu de uma das barracas.
– Eu ouvi direito? Ela é sua prima também?
– Irmã da Narcissa. – Sirius parecia abobado – Tem algo entre nós, que nem mesmo a gente sabe. Aquela coisa de amor de primo, já ouviu falar?
– Já, mas no caso de Bellatrix, acho que não é uma boa idéia.
– Por que não?
– Ela tem cara de quem pode te atacar pelas costas pra te matar, Sirius.
– Bella, me matar? – Sirius gargalhou – Você deve estar brincando, Remus! Ela nunca me mataria! Aquela ali me adora!
– Sirius, a Bella não é mais velha que você? – James perguntou, se aproximando.
– E daí? Só alguns anos. Uns 7, 8... Mas ela está linda, não acha?
James e Remus se entreolharam e deram de ombros. Afinal, gosto não se discute, se lamenta.
Durante a noite, a população ajudou na preparação do palco improvisado, constituído por pedaços de pau para representar o castelo de Camelot e a praça principal da cidade. Era uma das cenas finais da história.
– Seus malditos! – James, no papel de Merlin, bradava, apontando um cajado para Sirius e Bellatrix, que interpretavam Sir Lancelot e Lady Guinevere, respectivamente – Vocês escolheram trair nosso rei amado e por isso devem partir de Camelot em exílio, confinados a morrer à míngua. – dizia, com gestos etéreos, como se visse além.
– Não, Merlin! – era Lupin, vestido de Rei Arthur – Prefiro que os dois sejam colocados a ferros e que apodreçam nas masmorras!
– Se é assim, lutarei para proteger minha amada! – disse Sirius, colocando-se à frente de Bellatrix com uma espada de madeira na mão.
– Sabe, para uma história verídica, tem muitas partes diferentes – cochichou Bellatrix.
– Tínhamos que colocar mais emoção e drama para atrair o público – cochichou Sirius de volta.
– Guardas! – ordenou Remus, e alguns figurantes foram "lutar" com Sirius – Diz uma coisa, Pontas. Por que eu tive que ficar com o papel de corno dessa história?
– Porque o Rei Arthur não usa óculos. – James sorriu satisfeito e aliviado – E também porque o Sirius roubou no sorteio dos papéis.
– Como se não adivinhasse...
– Arthur, seu covarde! Manda então teus guardas, quando a honra que está em jogo é a tua! – Sirius bradou, derrotando os figurantes um a um.
– Pois bem! Já que insiste em perder a cabeça, eu lutarei! Mas lembre-se, tenho excalibur!
– Espere, majestade! – James tentou impedir, mas Remus se precipitou para Sirius e os dois começaram a lutar. James se voltou para o público – Tive uma visão nefasta de que meu rei perderia a vida neste combate, torço para que o Destino mude de direção!
A luta ainda dura alguns minutos. Remus dava a entender que não queria perder para Sirius, que estava se cansando.
– Remus, cai morto!
– Não, vou mudar o final da peça. Ninguém manda roubar no sorteio.
– Ah, dá um tempo. A não ser que você queira a Bella, irmã da Narcissa, te perseguindo também!
As palavras surtiram efeito e Remus parou de lutar. Sirius aproveitou para atingir o peito de Remus com a espada, que percebendo o que acontecera – fora enganado duas vezes – segurou a espada e simulou cair morto. Sirius pega Bella pelas mãos.
– Partiremos desta terra amaldiçoada, minha rainha! Seremos felizes em outro lugar! – e os dois saem correndo.
A cena final era o funeral do rei Arthur e o mau presságio que Merlin anunciou para o futuro dos bruxos e o destino dos trouxas. A cena teria sido muito melhor, se não começasse a chover de repente e todos dispersassem da praça.
– Só porque era a minha fala final – lamentou James.
– Vamos buscar o Sirius e procurar um abrigo até a chuva passar – disse Lupin, se levantando do seu "túmulo".
– Vamos só procurar um abrigo, porque o Sirius já deve ter encontrado o dele – disse James, rindo e tendo que erguer as vestes até os joelhos, para que não ficassem mais ensopadas do que já estavam.
Quando a chuva começou, Bella correu para casa, deixando a peça e Sirius para trás. Ao tentar fechar a porta, eis que Sirius apareceu.
– Esqueceu de mim?
– Esquecer, eu não esqueci. – ela sorriu – Só pensei que você fosse se esconder com seus amigos e depois viria me ver mais apresentável. – ela se virou e foi em direção ao quarto – E não como um cachorro molhado que está.
– Ah, priminha... – Sirius fechou a porta atrás de si. Ia invadir o quarto de Bella, quando ela fechou a porta na cara dele – Eu não resisti em fazer uma visita, quase não me agüento lá na peça.
– Ainda como um adolescente, não é Sirius? – Bella saiu do quarto, usando outro vestido.
– Bem que você se lembra desses velhos tempos, não?
– Lembro. – ela se sentou, cruzando as pernas devagar, provocando Sirius – Por acaso não fui eu quem te ensinei alguns truques?
– E como todo bom aluno, eu vim aqui para provar que aprendi direitinho. – Sirius se aproximou dela – E que desenvolvi alguns truques alternativos também...
Enquanto os dois estavam na casa, Remus e James encontraram um bar aberto e se serviam de cerveja amanteigada. A luz de um relâmpago iluminou um vulto parado à porta, de capa preta e rosto coberto com capuz.
– Espero que não seja problema – comentou Remus, não transparecendo preocupação.
– Eu também – James bebeu mais um gole, nenhum dos dois se moveu.
O indivíduo de capa se dirigiu a eles. James preparou sua varinha no bolso, Remus fez o mesmo. O estranho parou e tirou o capuz.
– Finalmente achei você. – era Narcissa, ignorando James completamente e se dirigindo a Remus – Não pensei que vocês fossem parar logo aqui.
– Narcissa! – Remus cuspiu a cerveja, se engasgando – O que faz aqui?
– Vim te ver. – ela se sentou no colo dele – Se quiser, vamos só você e eu – continuou, lançando um olhar azedo a James – para a casa da minha irmã, Bellatrix. Acho que o marido dela não se incomodaria em...
– Ela é casada? – James perguntou, rindo – Sirius vai morrer de raiva.
– Talvez ele morra de outra coisa. – disse Narcissa, venenosa – Rodolphus é matador... Mais conhecido como Vela de Libra...
– MATADOR? – os dois perguntaram, se levantando. Conseqüentemente, Narcissa caiu no chão.
¹ NA: Música: Oh Carol, Neil Sedaka
