No dia seguinte, Sirius apareceu apenas após o meio-dia.
– Essa Marlene por acaso te deu alguma coleira, Almofadinhas? – perguntou James, assim que o viu.
– Acredite, Pontas. – Sirius abriu um sorriso cínico – Nenhuma mulher coloca coleira em Sirius Black. Nem mesmo a Marlene.
Remus resumiu o ocorrido na noite anterior e a necessidade de conseguirem um alvará para continuar o trabalho.
– Ou simplesmente saímos da cidade. – disse Sirius – Eles não nos querem, nós não vamos chorar por migalha.
– Acontece que nosso amigo James não está nem um pouco interessado em sair, por causa da Lilysbela. – Remus observou.
– Que nome horroroso... – Sirius fez uma careta – É bonita, pelo menos?
– É. – James respondeu e Remus confirmou com a cabeça – E gosta que a chamem de Lily.
– Menos mal... – Sirius revirou os olhos – Bem, então vamos até a delegacia para tirar o tal alvará. E espero, Pontas, que você se acerte de uma vez com a sua ruiva.
– Eu também – James mexeu na fivela em forma de lírio em seu bolso.
Chegando na delegacia, os três não encontram ninguém na recepção.
– O auror responsável não chega cedo? – Sirius perguntou, em tom de censura.
– Vai ver foi prender alguém.
– Difícil, Remus. – observou James – Nessa cidade quase não se tem crimes.
– Silêncio! – ordenou Sirius – Ouçam.
Um barulho vindo da única cela da delegacia chamou a atenção. Lá, havia um lençol pendurado num varal, de modo a esconder a cama do preso. Sirius começou a rir.
– Pelo alvoroço, diria que esses presos se empolgaram.
A voz de Sirius chamou a atenção das pessoas por trás da cortina, fazendo aparecer duas cabeças por cima dela, uma de Peter Pettigrew e outra de uma mulher.
– O que vocês fazem aqui?
– Viemos tirar nosso alvará – Lupin respondeu, calmamente.
– Só que não tem ninguém para nos atender – censurou James. Sirius continuava rindo.
– Eu te falei, Peter, assim não dá. – disse a mulher se vestindo – Não venha me procurar até que encontre um barraco para a gente morar. Até lá, não te quero mais.
– Mas Suzan...
– Sem mais, vou-me embora.
Ela saiu da cela, passando pelos marotos e se dirigindo para a porta. Peter saiu da cela, já composto de suas vestes.
– Mulher tinhosa, essa.
– Diz a verdade, ela é casada – deduziu Sirius.
– É, ou era. O marido dela nos flagrou. – Peter respondeu – Colocou-a pra fora de casa e como não tem onde ficar, então ficamos aqui.
– Mas isso não é proibido?
– Claro que é. – Peter respondeu, sentando-se à mesa e pegando um pedaço de papel na gaveta – O chefe já nos pegou aqui duas vezes. Perguntou: e isso tem jeito? Eu disse, não tem. E tinha? Não tinha. Aí ele me deu uma semana para encontrar outro lugar.
– Mas você deve ter uma casa.
– Tenho, mas já tenho uma esposa nela, não dá para levar as duas.
Os três se entreolharam e sorriram. Pelo olhar deles, tinham um plano infalível para "ajudar" o auror assistente e ainda se darem bem.
– Meu caro, temos a solução. – começou Sirius – Me pergunte como.
– Como?
– Acontece – James tomou a palavra – que nós três fazemos parte da seita dos irmãos Marotos da Boa Fé. Agora pergunte: e eu com isso?
– E eu com isso?
– Muito simples. Você manda a sua amante para a sua casa. As duas brigam e aí você tem que sair de casa com sua amante, estando devidamente separado. – continuou Lupin – Agora pergunte, e depois?
– E depois?
– Depois, como você não terão mais casa, vêm morar aqui – tornou James – Agora pergunte: Tem jeito?
– Tem jeito?
– Óbvio que tem. – Sirius respondeu – É só você se casar com ela. E na nossa seita, você não precisa se divorciar no papel; só é preciso cinco galeões para se converter.
– E se ela não quiser se converter? – Peter perguntou maravilhado, mas confuso.
– Não precisa. É tudo muito prático, basta apenas que você se converta.
– Nossa, é uma idéia genial! – os olhos de Peter brilharam – Só que eu não tenho cinco galeões.
– Arranja a grana e a gente converte. – Sirius resumiu os termos – Aproveita e arruma esse alvará, licença ou o diabo a quatro que a gente precisa para voltar ao trabalho.
– Com todo o prazer, só preciso que o auror chefe assine. – Peter se levantou, com o papel na mão – Depois eu levo lá pra vocês.
Estavam de saída, quando James voltou para falar com Peter.
– Escuta, você sabe onde a "dona" Lilysbela mora?
– Saber, eu sei. Mas contar, não conto. – Peter respondeu, dando as costas a James – O Sr. Longbottom me mataria, pra não falar do noivo da dona Lilysbela.
– Aquele noivo é de meia tigela, um covarde.
– Olha, não sei não. Ele gosta das Artes das trevas.
– Grande coisa. – James revirou os olhos – Me dá uma chance, garanto que sou muito melhor para ela.
Peter suspirou resignado.
– Olha, eu disse que não contava onde ela morava, mas posso contar onde ela gosta de ir. – ele deu uma pausa e continuou – Ela adora ir ao cinema, vai quase todo o dia para assistir um filme diferente, a não ser que goste do filme e assista de novo, de novo e de novo. A primeira seção é às 16h, se tiver sorte.
Enquanto James conversava com Peter, Sirius e Remus esperavam na porta da delegacia.
– Espero que não demore muito... Essa coisa do James perseguindo essa menina dá nos nervos – Sirius reclamou.
– Dá um tempo. Ele gosta dela, quando é que você se sentiu assim?
Sirius parou para pensar, calculando com os dedos.
– Acho que nunca – respondeu, finalmente.
Remus ia protestar, quando viu um ônibus estacionar e duas pessoas estranhas descerem. Uma delas foi em direção ao bar, a outra olhava ao redor. Remus reconheceu imediatamente.
– Snape!
– Ranhoso? O que ele tem a ver com isso? – Sirius perguntou confuso.
– Está na cidade. Ali!
Sirius olhou incrédulo para o local onde Lupin apontara. Tirou a varinha do bolso.
– Aquele ranhoso vai se arrepender de pisar nessa cidade – apontou a varinha para Snape, mas Remus o segurou.
– Espera, Sirius. Não podemos atacar, podemos ser expulsos e o James ia ficar mal.
– Ele seria inocentado, tem o álibi do auror assistente frouxo. Já eu, posso ser linchado que não ligo, desde que quebre o nariz daquele seboso.
– Você sabe que Snape veio atrás de nós três. – disse Remus, tentando arrastar Sirius – Vamos fazer o seguinte, vamos atrair a atenção dele para longe do James, que tal?
– 'Tá certo, mas espero que não demore muito, marquei com a Marlene.
– Pensei que tivesse sido só uma noite.
– Ultimamente as mulheres são insaciáveis, meu caro Aluado.
Os dois saíram correndo. Sirius olhou em direção a Snape e lançou uma azaração nele, que saltou um metro para trás.
– EU AINDA PEGO VOCÊS, SEUS DESGRAÇADOS! – berrou, se erguendo e tentando se recompôr diante de algumas pessoas – Estão olhando o quê? Cuidem de suas vidas!
Foi procurar pelos arredores e assim que dobrou a esquina da delegacia, James sai de lá. Estranhou que Sirius e Remus não o esperassem, talvez eles tenham se cansado.
Foi quando, atravessando a rua, avistou Lilysbela. Resolveu aproveitar o momento para convidá-la para ir ao cinema.
– Bom dia, Lily.
– Meu nome é Evans, Potter. – disse ela, continuando sua caminhada tranqüilamente – Bom dia.
– Ah, tá. Então, Lily... – James continuou – Já que nos conhecemos melhor ontem, que tal irmos ao cinema?
Lily parou, hesitante. Lucius a convidou uma única vez para ir ao cinema, no início de namoro. Depois, era sempre ela quem o arrastava.
– Olha, não sei se você reparou na minha aliança na mão direita... Eu sou comprometida, Potter – de certo modo, falava com um pouco de tristeza.
– Bem, o que te impede de ir com um a... Ami...Amigo? – James teve dificuldade em pronunciar essa última palavra.
Lily não respondeu, apenas encarou James, pensativa. Estava levando tudo a ferro e fogo, talvez ele só quisesse mesmo sua amizade, afinal, apesar de não ser a resposta que ela esperava.
James olhou para o lado de relance e viu Severus Snape voltando para a praça. Assim como seus amigos, ele não tinha medo de Snape, porém não queria que ele o visse com Lily, poderia representar algum risco a ela. Então fez algo por instinto. Ela nunca se arrependeria daquilo na vida, mas o ato acarretou conseqüências não muito agradáveis.
Ele se virou depressa para Lily, a empurrando para a parede e a beijando logo em seguida. Por mais que a atitude parecesse desesperadora para James, ele preferiria continuar ali por muito, muito tempo. Já Lily, pega de surpresa, apenas sentiu ser enlaçada pela cintura e empurrada para trás. Foi um misto de sensações, desde raiva até desejo de que aquele beijo não terminasse nunca.
James esperou que Snape passasse por eles, sem dar a menor atenção para o casal, visto que sempre foi considerado pelos marotos um mal-amado de carteirinha. Sempre pensou que o problema era os cabelos sebosos, mas Snape nunca deixava que os marotos falassem muito quando estava com eles.
Soltou Lily devagar, ambos ofegantes. Lily se apressou em dar um tapa em James.
– É isso que você chama de amizade? – perguntou ela, empurrando o jovem e andando rapidamente na direção de Snape, para desespero de James – Acabo de contar que estou noiva e você vem e... E me agarra?
– Na verdade, foi um beijo – ele se colocou na frente dela.
– Cara de pau! – tentou se esquivar, mas ele segurou seu braço, fazendo com que ela sacasse sua varinha – Se afaste, ou te azaro!
– Lily, escuta... Desculpa! Se você soubesse o que tenho passado até encontrar você...
– Não me chame de Lily! Não lhe dei essa intimidade, Potter! Assim como também não dei intimidade para você me beijar.
– Eu estou sendo sincero! Lily, você é um sonho que se tornou realidade para mim! Literalmente! Eu sonhei que a encontrava, isso não quer dizer pouca coisa quer? O Destino só pode estar de brincadeira comigo quando me fez encontrar você de verdade, só para mostrar que você não pode ficar comigo.
Ele falava com tal intensidade, que Lily não tinha reação. Sentia que ia começar a chorar, como se estivesse num filme de romance, pois sabia que aquele era o momento em que deveria fazê-lo parar de falar e o beijar novamente. Mas ela ainda tinha raiva, tinha seu orgulho. Por isso resolveu sair correndo, ainda na mesma direção de Snape. James não pôde segui-la.
– Não desisti, Lily...
Rodolphus entrou no bar, onde alguns bruxos bebiam. Todos pararam para encarar o homem com capa preta, com cara de quem pode matar a qualquer momento. Todos, menos um, que continuava jogando sinuca. Era Lucius Malfoy, que fez uma tacada, acertando três bolas na caçapa.
– Você já viu esse homem? – ele perguntou, mostrando o cartaz da peça que os marotos fizeram.
– Por acaso seria Merlin? – Rodolphus o puxou pelo colarinho.
– Não brinque comigo, imbecil – disse, sacando sua varinha.
– Eu apenas quis dizer que não sei quem é. – disse Lucius, se soltando dele sem se intimidar – Mas teria o prazer de conhecer.
– E por que quer conhecer um desgraçado desses? – Rodolphus perguntou, pegando-o novamente pelo colarinho.
– Porque pelo visto você o jurou de morte, e seria interessante ver alguma ação por aqui.
Rodolphus o soltou devagar.
– Deu pra perceber que essa cidade não vale muita coisa. – disse, cuspindo no chão – Teve alguma movimentação diferente por aqui?
– Só uma caravana mambembe, com um truque barato de lobisomem.
– Você disse lobisomem? – Rodolphus se virou rapidamente – Isso muito me interessa. Continue.
Lucius comentou sobre os três arruaceiros que chegaram à cidade. Rodolphus só precisou saber da localização e saiu correndo.
Naquele momento, porém, Sirius estava atravessando a rua, indo para seu encontro com sua nova "amada", Marlene. Os dois quase tropeçaram um no outro, mas nada aconteceu. Não se reconheceram.
Uma agitação chamou a atenção de ambos. Algumas pessoas fugiam de um hipogrifo que se soltara. Ele voava baixo, devido a uma corda presa em seu pescoço e a outra ponta presa em uma pedra, sendo arrastada pelo chão. As pessoas corriam desembestadas.
Rodolphus sacou a varinha. Apontou para o hipogrifo e encarou os olhos do bicho, já encarando os seus. Hesitou em lançar qualquer feitiço, até que Sirius se colocou em seu caminho. Ele encarava o hipogrifo com um sorriso cínico, desafiando o animal, assim como ele se sentiu desafiado.
O hipogrifo continuou avançando, suas garras galgando o ar e as asas abertas. Num salto, Sirius agarrou seu pescoço, fazendo com que ele se desequilibrasse e tentou impedir que ele voasse para mais alto. Forçando o peso de seu corpo em uma das asas do animal, conseguiu que ele caísse no chão, sem equilíbrio. O hipogrifo tentou acertar Sirius com suas garras, mas este rapidamente se levantou e continuou com o contato visual com o animal, fazendo uma reverência em seguida. O hipogrifo estalou o bico, mas por fim, fez sua reverência, permitindo que Sirius se aproximasse.
– Foi só um susto, hein meu rapaz? – disse ele, acariciando o hipogrifo como se fosse um cavalo, ou um animal mais doméstico.
– Hei você! – Rodolphus chamou, ainda com a varinha erguida – Venha aqui.
Sirius se aproximou, sem medo e sem dizer nada.
– Nunca vi um ato de tamanha bravura! Ou você é muito bruxo, ou é muito burro. Eu podia ter te matado duas vezes!
– Isso não foi nada. – Sirius disse, sem falsa modéstia – Não tinha nem motivo para erguer a minha varinha, nesse caso só enfurece mais o animal.
– Pois eu estou em dívida com você. – continuou Rodolphus – Hesitei em atirar no animal e você foi lá e encarou o bicho com as mãos nuas. O que você quer?
– Eu? Agora nada.
– Não quer se livrar de algum inimigo? Sou um matador profissional, posso dar cabo de qualquer um.
– Para quê? – "eu me divirto melhor com eles vivos", pensou Sirius – Deixe eles vivos, prefiro não carregar essa culpa comigo, mesmo que indiretamente.
Saiu, sem dar mais explicações.
– Estou na cidade a negócios. Se precisar de mim, já sabe – Rodolphus gritou.
Enquanto isso, Remus atraía Snape para uma pequena armadilha. Assim que encontrou o acampamento, Snape começou a revirar tudo, queimar algumas coisas e tirar outras do lugar apenas com um aceno da varinha. Ao chegar em uma uma barraca que não conseguia abrir, tentou entrar a todo o custo. Mas quando estava prestes a desistir, a barraca simplesmente o "engoliu".
– Pronto, não vai dar trabalho por um tempo. – Remus sorriu, satisfeito consigo mesmo – Agora... Onde estão aqueles dois malucos?
Quanto a Rodolphus, este decidiu que esperaria até o dia seguinte. O episódio com o hipogrifo foi um sinal de que não tivesse pressa para encontrar o amante de sua esposa. Além do mais, poderia alertar Snape sobre o local onde se encontravam.
Claro que ele não suspeitava nem um pouco aonde Snape estava naquele momento.
Peter Pettigrew chegou na casa do auror chefe muito afobado.
– Sr. Longbottom, houve uma confusão lá na praça agora há pouco.
– Pare de enrolar, diga o que aconteceu – Frank respondeu, vestindo sua capa. Lily chegava naquele instante, um pouco nervosa pelo o que havia acontecido a ela.
– Um hipogrifo se soltou e ficou vagando pela praça, foi a maior gritaria.
– Merlin! E alguém se feriu? – perguntou Frank.
– Não, um dos rapazes do mambembe conseguiu amansar o bicho, e não usou nem varinha!
– Como era esse rapaz? – Lily perguntou de repente. Frank estranhou o interesse súbito da jovem.
– Tinha o cabelo preto meio longo e desarrumado e umas roupas esquisitas. Acho que o nome dele é Black.
– Ah – Lily se sentou numa das cadeiras da varanda, um pouco decepcionada. Vendo que Frank a observasse com curiosidade, se calou.
– Bem, pelo menos ninguém se feriu – continuou Frank.
– E ainda tem mais. Chegou na cidade um matador profissional chamado Rodolphus Lestrange.
– O que um matador profissional veio fazer aqui? – Frank estranhou.
– Não sei, prefiro não saber para ser sincero. – disse Peter, covardemente – Mas como ia dizendo, o hipogrifo avançou nesse tal Lestrange, que sacou a varinha, mas não conseguiu atirar. Foi aí que entrou o Black, ele acabou salvando o tal matador.
– Pelo menos esse Black fica livre de morrer pelas mãos dele. – comentou Frank, pegando sua capa e se preparando para sair – Porque agora Lestrange tem uma dívida com ele.
– Não sei se esse tipo de gente respeita essas dívidas – observou Lily.
– Talvez não. – Frank já estava à porta – Em todo o caso, vou ficar de olho. Se cuide, Lily, o casamento é amanhã – disse, se despedindo e indo para a delegacia.
Essa informação fez o estômago de Lily virar. Não estava certa de que queria se casar. Aliás, tinha certeza absoluta, mas foi preciso quase a tarde inteira para tentar se convencer do contrário. Olhou para tudo o que havia ganhado, as vestes do casamento e se sentiu vazia. Não estava feliz e não faria Lucius feliz. Por mais que tivesse raiva do atrevimento de Potter, ele se declarara de maneira sincera. E isso devia ser levado em consideração, já que sentiu seu coração bater mais forte quando ele a beijou.
Às três e quarenta e cinco, Lucius chegou para acompanhá-la ao cinema.
Malfoy estava em seu carro aguardando, quando Lilysbela saiu de casa.
– Então, vamos?
Ela não respondeu de imediato.
– Se não se importa, hoje prefiro ir sozinha.
– Como é? – ele saiu do carro – E por quê?
– Eu só quero pensar um pouco. Só isso, e tenho que fazer sozinha – ela respondeu, caminhando. Ele a seguiu.
– Pensar sobre o quê? – perguntou, irritado.
– Sobre a minha vida, nosso casamento.
– Qual é o problema com nosso casamento? – ele segurou o braço dela.
– Nada. E esse é o problema. Não tem nada – Lily respondeu, se livrando dele – Acontece que não sei se o faria feliz, Lucius. Você devia ter percebido que nosso namoro não foi nenhum romance arrebatador.
– Isso não quer dizer que não possamos nos casar. Às vezes, o romance que você procura vêm depois do casamento.
– Não sei se estou mais disposta a arriscar nisso – Lily deu as costas e Lucius continuou a segui-la.
– Mas e o casamento?
– Cancela.
– E o meu terno?
– Reforma.
– E os presentes?
– Devolve.
– Lily, isso tem cheiro de homem. Quem é ele? Por acaso é um daqueles idiotas do espetáculo?
– Não importa quem seja. – retorquiu ela – Pode ser que não seja ele, talvez seja eu, afinal. Agora, me deixe em paz.
Lucius a deixou ir. Ficou observando sua ex-noiva se afastar e uma raiva incontrolável se apoderava dele, mas sabia que não podia agir sem pensar. Precisava de um conselho.
Indo até a delegacia, foi falar com Frank, que treinava a marcha e apresentação de varinhas com seus oficiais.
– Frank, preciso lhe perguntar. Sobre um assunto delicado que aconteceu comi... Com um amigo.
– Diga.
– Você... Não que você seja, mas... Como é que uma pessoa sabe que está sendo traída?
– Se a pessoa é corno, sei. – disse ele, limpando as varinhas – Tem três tipos de corno: O primeiro é aquele que todo mundo sabe, mas é o último a saber. O segundo, é aquele que sabe e finge que não sabe. E o terceiro é aquele que descobre e toma atitude, matando o amante. Dúvidas?
– E se a pessoa não quiser sujar suas mãos?
– Ela paga um matador profissional para fazer o serviço. – Frank não deu tanta atenção às dúvidas de Lucius, até que perguntou – Por quê? Tem algo o incomodando?
– Não, não... Bem, azar desse meu amigo, não é?
– Pois é, eu sou é vacinado desse negócio – comentou Frank.
– Eu também, quero é distância disso – retorquiu Peter, que estava próximo e ouviu a conversa.
Lucius se despediu e resolveu procurar Lily. Com certeza ela já estava no cinema assistindo ao filme, seja lá qual fosse.
Chegando lá, dito e feito. Lá estava ela, sentada bem no centro, sozinha. De repente, ele viu alguém sentar ao lado dela. Não dava para ver direito, apenas distinguia-se que o rapaz usava óculos e tinha o cabelo bagunçado.
Estava certo, era o idiota do espetáculo. Qual era o nome dele mesmo? Potty... Potter! Isso mesmo. Resolveu não esperar que os dois se aproximassem mais, foi embora do cinema, disposto a acabar com a vida desse tal Potter. Mas não estava disposto a sujar suas mãos, seria um escândalo. Resolveu procurar alguém apto para o serviço.
Nota da Lucy: Olá a todos! Para quem está acompanhando as postagens, postarei mais um capítulo ainda nesse fim de semana e termino no próximo - se não tiver um tempinho de postar antes. Agradeço as reviews e espero que continuem com elas.
Beijos!
