Rebecca Dumbledore andava pela mata tentando não fazer muito barulho. Apesar de estar em lugar relativamente seguro, temia ser encontrada por Comensais e sentia que a qualquer momento poderia desmaiar tamanha a excitação que sentia.. Olhava para todos os lados para evitar surpresas.
Tinha acabado de fazer 18 anos e por ser uma ótima aluna em Poções fora convidada por seu tio-avô, Alvus Dumbledore para entrar na Ordem da Fênix. Quando entrou pela primeira vez no quartel general da Ordem quase entrou em êxtase. Ver todas aquelas pessoas que apenas tinha ouvido falar e conversar com elas era mais do que um sonho. Claro que seu maior sonho era ser uma espiã, entrar em lugares perigosos sem ser notada. Gostava da adrenalina, de viver perigosamente e ficava mais empolgada ainda quando a morte e a vida caminhavam lado a lado.
Parou perto de um grande carvalho e olhou ao redor. Sorriu. Tinha a sorte ao seu lado, pois conhecia aquelas matas até de olhos fechados. Crescera ali e sentia que ali, entre aquelas árvores e animais estava em casa. Cansada, porque não dormia há três dias resolveu parar um pouco. Precisava dormir, senão não conseguiria terminar o que foi ali fazer.
Lembrou de um pequeno chalé abandonado onde quando pequena adorava se esconder e agradeceu a Merlin por ele ser bem escondido dos olhos trouxas e bruxos. Foi andando na direção do chalé, ainda tentando não fazer barulho e ao passar ao lado de um barranco que havia na floresta escutou um gemido. Estacou na hora para que, quem quer que fosse não percebesse sua presença naquele lugar. Muito devagar foi descendo até onde essa pessoa estava e ao vê-la arregalou os olhos. Era um rapaz. Ele estava virado de bruços no chão, com as roupas todas rasgadas e muito machucado. Podia notar o sangue que escorria pela sua perna esquerda e o grande machucado que havia em sua cabeça, perto da têmpora. Chegou mais perto, tocou em seu ombro direito e o virou. Ele gemeu de dor e no momento que ela viu seu rosto sentiu como se milhares de borboletas voassem dentro de sua barriga. Seu cabelo era castanho, assim como seus olhos e podia notar que estava em muito boa forma, assim como um jogador de Quadribol.
Quando ele olhou em seus olhos notou que além de muito machucado estava febril. Não poderia deixa-lo ali, morrendo. Não conseguiria viver com isso. Então tomou uma decisão. Resolveu leva-lo para o chalé e cuidar dele, apesar de não saber quem era ou em qual lado estava. Perigo não corria, pois sua varinha estava a poucos metros de onde estavam, quebrada.
Conjurou uma maca e o colocou em cima. Fez um feitiço para esta levantar um pouco do solo e começou a caminhar, tomando cuidado para não deixar nada bater nele ou ele se machucar ainda mais.
Andaram pouco mais de 15 minutos até chegarem ao chalé, que estava muito sujo e empoeirado. Rebecca fez um feitiço rápido de limpeza, pois aquele lugar parecia que não era usado desde quando era uma criança e arrumou a cama. Colocou-o gentilmente em cima dela e foi preparar algumas poções de cura para ele. Abriu a mochila e pegou alguns panos, algumas ervas e pôs-se a fazer uma poção de cicatrização. Enquanto a poção fervia pegou uma bacia com água e começou a limpar o rapaz.
Ele se debateu no início, mas a medida que ela limpava seus machucados e seu corpo parou e apenas olhou para ela com olhos vidrados da febre. Quando ela limpou seu rosto notou que ele deu um sorriso, o qual ela devolveu. Foi quando ele, cansado e com muitas dores, perdeu a consciência.
Quando o viu desmaiando ficou até feliz, pois assim ele não sentiria tanta dor. Tirou a capa que ele usava, que agora era apenas pedaços de pano rasgados, tirou a blusa dele também e notou que não era uma simples blusa, era um uniforme de Hogwarts! Olhou o símbolo que se encontrada bordado do lado esquerdo do peito. Sonserina. Apesar de não estudar em Hogwarts, já tinha ouvido falar dessa casa, e muito mal por sinal. Mas não se importou, não era porque ele era da Sonserina que ele era uma cobra.
Ao retirar a camisa dele notou várias contusões e um corte em seu estômago. Sentiu pena por ele estar sofrendo tanto e desejou saber se todo o coração o que tinha acontecido com ele. Mas sabia que sua prioridade agora era cuidar dele. O corte do estômago não estava tão feio quanto o da perna, mas bem, ela tinha que começar por algum lugar, não? Limpou o corte e fez um feitiço cicatrizador, rezou para ele não se mexer tanto para que este pudesse melhorar logo.
Voltou para perto do fogo onde estava preparando a poção e viu que esta estava quase pronta. Voltou a limpar o rapaz e já estava quase tudo ponto quando notou algo em seu braço. Achou que era apenas mais um machucado dos muitos que ele tinha, mas ao olhar mais de perto notou que era algo muito mais importante, muito mais sério, muito mais perigoso.
Em seu braço ele tinha nada mais e nada menos do que algo parecido com uma tatuagem. Ficou paralisada apenas olhando. Ele tinha uma Marca Negra.
Ficou parada olhando para a Marca por algum tempo e o que começou como desespero mudou rapidamente para descrença. Não acreditava que um rapaz tão novo pudesse fazer uma besteira tão grande como se tornar um Comensal. Agradeceu a Merlin por estar num lugar afastado e por estar a salvo. Sabia também que se alguém soubesse que ela, que pertencia a Ordem da Fênix, estava cuidando de um Comensal, iria fazer algo com ela, quem sabe até a expulsar da Ordem.
Mas no momento ele não representava nenhum perigo, sem varinha, machucado e febril, com certeza estava bem fraco e não poderia fazer nada contra ela. Lembrou da poção de cura que estava no caldeirão e se levantou. Adicionou mais algumas ervas à poção, mexeu por uns 3 minutos e colocou um pouco desta em um copo. Olhou para ele, que tinha começado a tremer e murmurar coisas que ela não conseguiu entender e suspirou.
Sentou em seu lado, levantou um pouco sua cabeça e o forçou a beber a poção.
Vamos, beba... Vai lhe fazer bem – murmurava no ouvido dele. Este apenas abriu um pouco a boca, mas o suficiente para que ela conseguisse com que ele bebesse a poção. Depois de toma-la Rebecca notou que ele se acalmou um pouco e que aos poucos retornou a ficar inconsciente.
Colocou o copo em uma mesa e voltou para perto dele, ainda tinha que cuidar da perna que sangrava um pouco e da têmpora que tinha parado de sangrar, mas estava bem suja, por causa do sangue endurecido. Tinha que fazer algo com a perna dele, mas não podia usar magia, pois o corte além de muito grande era muito profundo, concluiu que teria que fazer isso ao modo trouxa. Pegou em sua mochila agulha e linha de sutura, arrumou tudo e se pôs a costurar o corte.
Foi o mais cuidadosa que conseguiu ao fazer a sutura, mas mesmo assim, sabia que estava doendo muito para ele, pois ele se mexia às vezes por causa do incomodo, mas não podia fazer nada para aplacar sua dor, além de murmurar palavras de encorajamento. Quando terminou, fez um belo curativo, deixou a perna dele repousada em um travesseiro e foi limpar a têmpora.
Para limpar o machucado que ele tinha na cabeça teria que praticamente lavar os cabelos dele. Ao fazer isso notou que seus cabelos eram castanhos bem claros e que dava para dizer que ele era loiro, tinha um corte bem casual e que era gostoso de tocar. Realmente, ele era um belo rapaz.
Mas como não poderia ficar ali apenas admirando ele, observou o machucado e concluiu que não era grave, apenas um arranhão. Então colocou um pequeno curativo e se sentou em uma cadeira perto do fogo, onde passou a observa-lo melhor.
Como um rapaz tão lindo, estudante de Hogwarts acabou se tornando um Comensal? – perguntava-se falando sozinha – E como ele conseguiu esses machucados todos? Será que alguém da Ordem o achou e tentou mata-lo? O que farei? Não posso avisar ninguém que estou cuidando dele, seria uma pena levarem-no para interrogação nesse estado... Ai Merlin, o que eu faço?
Seus pensamentos foram quebrados por uma simples palavra que os tais Comensais que observava falaram e voltou a prestar atenção ao que ocorria na sua frente, deixando o passado para trás...
Temos que encontrar o Zabini... – disse o Comensal moreno – Não foi ele mesmo que nos contou sobre uma garota que ele conheceu que era da Ordem?
Sim, quem sabe ele ainda não tenha contato com ela... E se ela for bonita, podemos nos divertir um pouco com ela antes de interroga-la. Ele não vai se importar... – disse o ruivo rindo, que a primeira vista lembrava muito a Percy Weasley, mas não poderia ser ele, pois ele estava morto, ou não?
Ao ouvir isso gelou e teve vontade de matar a todos, inclusive a ele. "Como ele pode fazer isso comigo? Falar de mim assim? Eu cuidei dele, conversei, amei...'".
Vamos ver o que acontece então... Mas seria muito bom se ele falasse mais dela do que apenas "Ela cuidou de mim e nunca mais a vi" Talvez ele esteja mentindo...
Vamos dormir então. Amanhã procuraremos Zabini e veremos o que podemos fazer.
E eles voltaram a dormir. E Rebecca ficou apenas pensando. Lembrando do tempo que cuidou daquele rapaz, quando tudo era mais simples, quando eles não eram inimigos, apenas... bem, quando ela cuidara dele e lhe dera tudo o que tinha de mais precioso.
