Capítulo 3 –Pesadelos

Tinha ido buscar algumas ervas que precisava para testar novas poções, mas ao entrar na cabana não notou que a cama estava vazia e quando notou foi tarde demais. Um par de braços fortemente a agarrou pela cintura e uma voz forte, um pouco rouca e incrivelmente sensual sussurrou em seu ouvido.

Vai me responder algumas perguntas, ou que terei que te matar agora mesmo? – sentiu que ela endurecia em seus braços e riu – Sei que estou fraco, mas não a ponto de quebrar esse seu lindo pescocinho minha bela captora.

Não sou sua captora. Apenas estou cuidando de você, dos seus ferimentos. Não me machuque, por favor.

Então é bom que me conte tudo, desde o começo – ele falou, sentando-se na cama, muito sério – Primeiro, quem é você?

Meu nome é Rebecca... E o seu? – respirando fundo para tentar se acalmar.

Pode me chamar de Zabini. O que estou fazendo nessa cabana, no meio do nada?

Encontrei você na floresta, ferido. O trouxe para cá e cuidei de seus machucados.

E minha varinha? Onde está?

Infelizmente estava quebrada...

Mentirosa!!! – berrou se levantando muito rapidamente, o que causou uma incrível tontura que o fez quase cair no chão, mas ela se levantou a tempo de segura-lo e o fez sentar na cama novamente – Solte-me garota!

Teimoso! Você ainda está fraco, não vê? Sente-se! Agora! – segurando-o pelos ombros. Mas ele estava tão tonto que acabou deitando na cama. – Ótimo, fique deitado então. Por que não tenta dormir um pouco? Quem sabe se sinta melhor depois.

Sua doida. Tire suas mãos de cima de mim. Sim, vou dormir, mas não porque você está mandando e sim porque estou cansado. – falou com uma voz bem cansada e fechou os olhos.

Ele dormiu quase imediatamente e ela pode pensar com mais clareza. Não tinha muito que fazer e testar as novas poções já não a deixavam extasiada. Suspirou e de repente se sentiu muito cansada. Então pegou seu saco de dormir e abriu-o no outro lado do cômodo, bem longe daquele rapaz, para seu próprio bem e para seu coração que começava a bater forte, sinal que se não se cuidasse poderia acabar de apaixonando. Olhou uma ultima vez para ele dormindo na cama, fechou os olhos e dormiu.

Sonhava com uma festa, um baile para dizer a verdade. Estava sentada em um canto olhando para algumas pessoas dançando, então o viu. Não sabia quem ele era, mas sabia que estava vindo para ela. Levantou-se e foi caminhando na sua direção, mas quando estavam a poucos metros um do outro, uma sombra negra veio e o carregou para longe dela. Ficou parada apenas escutando os berros desesperados que ele dava. Então acordou e abriu os olhos, mas mesmo assim continuava a escutar os berros dele. Foi então que olhou para a cama e viu Zabini se debatendo como nunca. Levantou-se como um raio e se sentou ao seu lado colocando as mãos em seu rosto tentando acorda-lo.

Zabini, Zabini, acorde, você está tendo apenas um pesadelo. – disse enquanto acariciava seu rosto.

E ele abriu os olhos vidrados, meio dormindo e meio acordado e não a reconheceu, senão não a teria abraçado do jeito que a abraçou. Pelo menos foi o que ela pensou, pois quando ele realmente acordou, continuou a abraça-la, cada vez mais forte.

Zabini me solte. O que houve? O que você sonhou? Quer me contar?

Nada demais, nada que te interesse, apenas algumas coisas que aconteceram, mas que você não deve saber, não seria algo bom de se escutar. – disse ele muito sério, soltando ela.

É da sua iniciação, né? Sei que é um Comensal. – sussurrou a última palavra com medo da reação dele.

Sim. Sou um Comensal. Está com medo de mim? – olhando dentro de seus olhos.

Deveria. Mas não estou. Além de você estar sem varinha, não sinto que é alguém perigoso para mim.

Você não pode ter tanta certeza sobre isso. – e sorriu, o que fez com que sentisse milhares de borboletas em seu estômago – Estou melhor agora. Não quero falar sobre o assunto e você, volte a dormir.

Não me dê ordens, você não é meu pai, nem meu irmão e muito menos meu namorado pra ficar me dando ordens. – cada palavra que ela falava ia aumentando um pouco sua voz a ponto de quando terminou de falar ficou sem fôlego. – Durma você! Eu tenho coisas mais importantes para fazer. – levantou-se e foi até a mesa, onde começou a separar ervas para fazer as benditas poções que eram sua obrigação.

Picava algumas ervas, mais alguns ingredientes como se fosse ele quem estivesse sendo picado e cada vez que a faca cortava algo ela resmungava xingando-o. "Garoto idiota, acha que pode ficar mandando em mim, só porque é um Comensal..."

Ai!!! – tinha cortado o dedo. – Droga! – e ia colocar o dedo na boca quando sentiu alguém pegando sua mão e se virou. Era ele.

Deixa que eu cuido disso. – ele falou, colocando o dedo dela em sua boca e chupando o sangue cuidadosamente para não machuca-la mais.

Amanhecia muito lentamente e os Comensais acordaram para levantar acampamento e ela para segui-los. Tinha uma ordem a cumprir, tinha que descobrir alguma coisa para que tio Dumbledore possa formular um plano de ataque. Já estava cansada de ficar apenas observando aqueles homens que nada faziam.

Eles se levantaram e começaram a andar em direção a cidade, uma cidade trouxa que pelo jeito os Comensais tomaram conta, pois parecia totalmente acabada, como se uma guerra tivesse acontecido ali a muito tempo e estava vazia. Sabia que com o começo da guerra vários trouxas se mudaram para outros lugares, mais afastados, onde a guerra provavelmente não iria chegar.

Corria perigo de ser vista, então colocou em seu corpo uma capa de invisibilidade, que estava com um feitiço feito por seu tio para que nenhum outro feitiço fosse feito e ela identificada. Continuou seguindo-os até uma pequena casa, que apesar de muito acabada parecia que tinha sido muito bonita num passado muito próximo. Eles entraram e ela também, que ficou escondida em um canto da cozinha enquanto eles se sentaram à mesa, abriram uma mochila, tiraram um pão amanhecido, um pedaço de queijo e começaram a comer.

Enquanto comiam conversavam sobre várias coisas que não tinha importância, como quadribol, bebidas e mulheres e ela já estava ficando impaciente com aquilo. Tinha vontade de estuporá-los por serem tão idiotas. Mas de repente mudaram de assunto e começaram a falar sobre o encontro da noite com Nott, um dos Comensais que o Lorde mais confiava, depois de Bellatrix e Lucius Malfoy.

Isso está ficando interessante. – pensou sorrindo – Será que ele estará lá? Como queria encontra-lo para... Não, nunca conseguiria mata-lo, não depois de tudo o que aconteceu. Mas gostaria de enfrenta-lo cara a cara e dizer umas boas verdades. – então viu os homens se levantarem e irem para os quartos dormirem. Ainda eram 4:00 da tarde e o encontro era às 8:00, então fez o mesmo que os homens e foi dormir, pois estava muito cansada. Sentou encolhida onde estava, com as costas na parede e os joelhos encostados no peito e dormiu.

Perto das 8:00 os homens acordaram e com o barulho que fizeram ela também. Levantou-se e ficou quieta esperando eles. Não demorou muito e eles vieram com muita pressa usando capas pretas com capuzes e máscaras horrendas. Saíram a foram andando pela cidade, contornando casas e entrando em ruelas. Andaram cerca de uns 30 minutos, o que para ela era uma eternidade, pois cada passo que dava ficava mais e mais nervosa. Foi quando pararam em um galpão abandonado e entraram.

Lá dentro estava um pouco escuro, salvo por uma luz perto de um lugar que lembrava um altar de uma igreja trouxa e o local estava lotado! Conseguiu contar cerca de 30 Comensais, todos usando a mesma capa e a mesma máscara.

De repente um homem andou em direção ao tal altar e utilizando o feitiço Sonorus tirou o capuz e a máscara, seguido por todas pessoas presentes e começou a falar. Ela reconheceu o homem, era Nott.

Meus caros companheiros Comensais, estamos aqui reunidos para fiquem sabendo que logo, muito logo iremos começar o ataque em massa em todo o mundo bruxo e trouxa, principalmente naqueles conhecidos como "A Ordem da Fenix", nosso grande Lorde irá matar não apenas o velhote conhecido como Dumbledore, como também aquele pirralho, Harry Potter. – ao escutarem isso todos começaram a urrar e assobiar e Nott fez um sinal para que se calassem – O ataque começará nada mais nada menos no que nos lugares onde o chamado "futuro" do mundo bruxo está, nos colégios Hogwarts, Beauxbatons e Durmstrang. E começaremos essa invasão dentro de exatamente 7 dias.

Rebecca não acreditava no que estava escutando, tinha que avisar Tio Alvus imediatamente, mas não sabia como. Tinha que tentar descobrir uma maneira de fazer isso. Nisso todos os Comensais foram indo para suas "casas" e ela o viu. Estava lindo! Sem aqueles machucados, claro, o que ela queria, depois de 4 anos que ele estivesse machucado ainda? Ele saiu juntamente com outro homem e ela o seguiu. Quando chegaram em uma encruzilhada os dois se despediram e cada um foi para um lado e ela continuou seguindo-o.

Andaram mais uns 10 minutos e ele entrou em uma ruela, mas quando entrou ali não viu ninguém, então sentiu um a varinha sendo encostada em seu pescoço e alguém empurrando-a na parede. Tinha sido pega, tinha sido descoberta. O que iria fazer? Foi quando ele falou...

Quem é você espião? Vamos, diga seu nome logo, ou irei te matar agora mesmo, sem dó nem piedade. – ele falava com uma voz muito ameaçadora, que a fez ficar de pernas bambas, de medo. Não podia morrer agora, não podia deixar sua linda menina sozinha. Então ele foi bem perto dela e ela o reconheceu.

Zabini... – sussurrou e ele se afastou dela, ainda apontando a varinha para seu pescoço. Ela tirou a capa e disse bem baixo – Sou eu, Rebecca.

Ele arregalou os olhos e abaixou a varinha, incrédulo. Então sua expressão mudou para raiva. Pegou-a pelo braço a empurrou para a primeira uma porta um pouco escondida pelas sombras, ela tropeçou e caiu com tudo no chão. Sabia que tinha machucado o joelho, mas não iria se queixar, não para ele e não notou que seu medalhão tinha caído também.

Droga garota! Você está louca? – ele já foi gritando com ela, mas num tom baixo, para que ninguém que estivesse passando por ali no momento escutasse – Se alguém tivesse te visto? Você poderia estar morta agora! – então ele parou e a observou por um momento – Você é da Ordem não?

Si...sim... – trêmula, com medo do que ele poderia fazer, apenas sussurrou e balançou a cabeça.

Droga! – pegou-a pelo braço e a levou até um dos quartos. – Amanhã você vai embora daqui. Não me interessa se você tem uma missão, você vai embora. Não posso te matar porque tenho uma dívida de gratidão contigo, então te deixo ir embora. Agora durma, você parece estar exausta. – fê-la deitar na cama e não resistiu, deu um beijo em sua testa e saiu do quarto fechando a porta.

Ela dormiu a noite inteira, sem se importar com nada. Iria no outro dia iria para o número 12 e iria contar tudo o que tinha escutado para seu tio e iria esquecer que ele existia, para sempre. Acordou cedo, quando o dia estava ainda amanhecendo. Saiu do quarto e foi até a cozinha de onde vinha um delicioso cheiro de café trouxa. Amava o café trouxa, era a melhor coisa que tinha para acordar de manhã.

Ele estava sentando comendo já, em silencio e não falou nada quando ela pegou um copo de café, um pedaço de pão e se sentou na outra ponta da mesa. Comeram e ela foi se arrumar para ir embora. Não sabia o que ele tinha, se estava brabo com ela, ou se apenas estava sendo cauteloso, então voltou para a cozinha, onde ele estava encostado na pia com o olhar fixo em um ponto qualquer na parede do outro lado.

Ela colocou a mochila na mesa e estava fechando-a quando deu por falta de um pequeno peso em seu pescoço. Abriu a mochila e começou a procurar o medalhão desesperadamente. Foi quando escutou vindo dele...

Procurando por isso? – levantando o medalhão.

Nossa, você o achou que bom! Obrigada! – e quando foi tentar pegar ele tirou de perto dela.

Quem é a menina? – abrindo o medalhão e olhando a foto.

É Anna, minha filha. – ela disse em apenas um sussurro, mas que ele escutou.

Você não perdeu tempo, hein? Mal saí de seus lençóis e já pulou na cama de outro. Quem é seu marido?

Eu... não... me... casei...

Então quem é o pai da criança? O famoso Harry Potter?

NÃO! Claro que não! Você acha que eu sou uma promíscua que pula de cama em cama? Eu NUNCA fiz isso! – e arrancou o medalhão da mão dele colocando de volta em seu pescoço firmemente. – E o pai da criança não te interessa. – fechou a mochila e colocou em suas costas, colocou a capa por cima de si mesma apenas deixando a cabeça de fora andou até a porta onde parou e se virou – Adeus Zabini. Apenas tenha cuidado para não morrer. – se virou e começou a andar quando escutou...

Ela é... minha... filha? – ao escutar isso ela parou, respirou fundo, voltou-se para ele e com um sorriso meigo disse...

Sim... Mas não precisa ficar preocupado. Tem muita gente cuidando dela e também nunca irei pedir nada para você. – colocou o capuz da capa e ficou invisível para ele – Adeus. – e foi embora.

Deixou um Zabini parado na porta, com cara de espanto parado na porta e foi em direção a floresta onde tinha uma vassoura escondida dentro de um tronco de uma árvore morta. Tinha que chegar logo ao local onde iria encontrar os outros para contar o que tinha escutado na tal reunião.

Depois de aproximadamente uns 10 minutos parado naquela posição, Zabini voltou a si. Entrou na casa lentamente e foi em direção ao quarto, onde tirou uma foto de dentro de um fundo falso no chão e sentou na cama. A foto era de Rebecca e uma linda menininha abraçadas, sorrindo e mandando tchauzinhos e beijinhos para a câmara, que ele nunca soube dizer quem era, mas agora sabia. Passou os dedos sobre os rostos da foto e deu um sorriso triste mas ao mesmo tempo feliz murmurando "Anna, minha linda menina, minha filha..." e começou a lembrar...