Título da Fic: Por Estranhas Razões
Título do Capítulo: Problemas
Autor: Marck Evans
Betas: Lili e Ivi (brigadão, lindas!)
Censura: NC-17
Desafios da Fic: № 9 (Antigos) e №3, 31, 55 e 85 (Novos)
Desafios desse capítulo: nenhum
Gênero: Romance e Angst.
Par: Harry Potter e Draco Malfoy
Disclaimer: A JK criou os personagens, mas o conceito dela de fazê-los se divertirem inclui apenas enfrentar bruxos das trevas e morrer. Eu pego os coitados emprestados para que eles possam ter outro tipo de diversão. Não ganho grana com isso, mas, em compensação, eu ganho o prazer de conhecer outras pessoas tão pervs quanto eu. :))
Resumo: De formas diferentes, Harry e Draco amadurecem durante a guerra. E eles têm razões muito estranhas para se aproximarem.
Fic escrita para o festslash do potterslashfics
Por Estranhas Razões
Capítulo II - Problemas
Draco odiava a inatividade. Odiava estar à margem dos acontecimentos. Escondido naquela casa no meio do nada, ele não podia nem mesmo saber o que estava acontecendo. Snape e o lobisomem do Potter eram os únicos que ele e Narcissa tinham visto nos últimos meses.
Eles traziam notícias e mantimentos a cada quinzena. E as notícias eram cada vez mais estranhas. Lucius estava morto, executado pelo Ministério sem que Draco pudesse ter gritado na cara dele como se sentia. Ainda estava muito zangado com o pai quando soube da execução e não se permitiu ficar triste. Narcissa se trancara no quarto durante horas. Não que isso fizesse muita diferença. Ele quase não estava falando com ela. Não conseguia perdoar Lucius e Narcissa por ser filho de uma trouxa. Seria melhor nem ter nascido.
Lentamente, Draco vinha mergulhando fundo em autopiedade. Seu tempo era dedicado a lamentar o seu sangue trouxa, imaginar vagamente o que faria se algum dia a guerra terminasse e ele conseguisse sair dali. Por hora, tudo o que fazia era andar a esmo dentro da casa e no pequeno terreno que estava incluído no feitiço Fidelius.
Quando a lareira deu o sinal combinado de que teriam visitas, Draco se assustou. Fazia menos de dois dias que Lupin viera. Era muito cedo. Alguma coisa muito séria deveria ter acontecido.
Sua tensão só aumentou ao ver o lobisomem sair da lareira com expressão preocupada.
-Malfoy. – A saudação seca do outro bruxo, de ordinário bem mais educado, também não foi um bom presságio. – Onde está sua mãe?
-Lupin. – Narcissa chegara atraída pelo barulho inusual na sala. – Houve algum problema?
-Sim, mas já foi solucionado. Sentem-se, por favor. Eu tenho de lhes explicar algumas coisas.
-Há algum perigo imediato para nós?
-Não, Sra Malfoy. – Lupin estava pálido e parecia mais cansado que o normal. – Os problemas são de outra natureza.
O bruxo se sentou diante deles.
-Algum de vocês já ouviu falar em horcruxes?
Draco não se lembrava de ter escutado essa palavra, mas Narcissa fez um breve aceno com a cabeça, indicando que sabia o que era. A explicação de Lupin foi sucinta:
-Horcruxes, Draco, são fragmentos da alma escondidos em objetos. Assim, a pessoa se garante contra a morte do corpo físico. Enquanto uma horcrux se mantiver intacta, o bruxo é, para todos os efeitos, imortal. É preciso muito poder, um ato realmente hediondo e um feitiço pouco conhecido de magia negra para criar uma horcrux. Voldemort dividiu sua alma em sete pedaços e criou seis dessas horcruxes.
Draco viu seus poucos planos ruírem de vez. Sua única esperança de retomar algo que parecesse com uma vida estava na derrota do Lorde, mas quem poderia matar um imortal? A expressão de Narcissa indicava que ela estava tão surpresa e assustada quanto ele.
Lupin estava em silêncio, dando-lhes tempo para assimilar a informação. Draco precisava pôr em palavras o que o preocupava:
-Então, não há forma de se derrotar o Lorde das Trevas?
-Sempre há um caminho. Harry destruiu uma das horcrux há muito tempo, sem nem mesmo saber do que se tratava.
Isso era típico do Cabeça-Rachada e sua infalível sorte!
-Dumbledore destruiu outra. Mas foi afetado por isso. Deve se lembrar que, no último ano, ele tinha uma das mãos inutilizada.
Draco não queria pensar no velho. Não durante o dia e na frente de Lupin e Narcissa.
-Potter não teve problemas quando destruiu a tal coisa?
-Não. Por razões que não me cabem esclarecer, Harry é o único que pode destruir as horcruxes sem ser afetado ou morto.
-Morto?
-Regulus Black morreu ao destruir uma.
-Então, foi assim... – Narcissa se interrompeu.
-Exatamente, Sra Malfoy.
Era mesmo o estilo do Potter! Heroizinho metido a invulnerável como sempre! Sem que ele mesmo notasse, Draco estava mais alerta e interessado do que estivera desde que saíra de Hogwarts. Depreciar Potter era sempre estimulante.
-E as outras?
A pergunta de Narcissa trouxe a atenção de Draco de volta à conversa.
-Harry, Ronald Weasley e Hermione Granger têm seguido as pistas que o Professor Dumbledore encontrou e têm caçado as horcruxes desde agosto passado. Poucas pessoas da Ordem sabiam disso. Até ontem, eles haviam localizado as três restantes, com uma certa ajuda das informações que vocês deram, e destruído duas delas, então Harry reuniu a Ordem e fomos atrás da última.
Algo no tom de voz de Lupin alertou Draco que nem tudo tinha dado certo.
-Voldemort pretendia criar a última horcrux na noite em que tentou matar Harry. O assassinato de um bebê seria um ato cruel o suficiente para isso. Mas as coisas deram errado, e a magia se descontrolou quando ele foi atingido pelo rebote da maldição imperdoável. Ele perdeu o corpo, mas não morreu. Fosse qual fosse o objeto que ele ia usar para criar a horcrux se perdeu, no entanto sua serpente tornou-se a sexta horcrux.
-Nagini!
-Exatamente. Nunca ninguém tinha ouvido falar em uma horcrux viva. Severus não podia matá-la nem seqüestrá-la para que Harry a destruisse, então ele franqueou a entrada de um grupo no atual esconderijo de Voldemort.
O coração de Draco disparou. Potter era louco ou o quê?
-A cobra foi destruída, mas o preço foi alto. Houve um grande número de mortos e feridos.
Potter! Draco não queria que o imbecil morresse assim. Ele tinha de ... Draco não queria nem pensar no que ele tinha de fazer com Potter antes de poder vê-lo morto. Mas ainda não era hora do idiota morrer.
-Severus? – Narcissa parecia calma para quem não a conhecesse bem.
-Ferido. Já está fora de perigo, mas ainda inspira sérios cuidados. Por enquanto ele está escondido na mansão dos Black.
Narcissa assentiu.
-E Potter? – Draco perguntou, esperando fervorosamente que ele também se mostrasse calmo.
-É aí que está o problema de que vim tratar.
Draco queria esganar o lobisomem idiota que não dizia qual o estado do Cicatriz.
-Aconteceu alguma coisa que afetou Harry, depois que ele matou Nagini. Ele precisa de isolamento e descanso, o que não está encontrando em Grimmauld Place.
Isso era totalmente previsível. Na única vez que Draco queria que o imbecil fosse realmente invencível, sortudo e invulnerável como sempre, ele dava um jeito de se ferrar. Fantástico.
-O curandeiro aconselhou que Harry ficasse em um lugar isolado. O único lugar que temos assim é aqui. Felizmente, ainda temos alguns quartos vazios. Shacklebolt virá com Harry em alguns minutos. Eu e ele nos revezaremos aqui, até que Harry esteja bem. Traremos Severus também. Apesar das explicações que Harry e o retrato de Dumbledore deram, alguns membros da Ordem ainda não aceitam a presença dele muito bem. É mais seguro tê-lo aqui.
Isso era perfeito. Além de estar enfiado no meio do nada, ele agora teria um auror mal encarado, Snape e o sarcasmo dele, um lobisomem e o Potinho Pentelho dodoizinho como companhia. Perfeito.
drarry // drarry // drarry // drarry // drarry // drarry // drarry // drarry // drarry // drarry //
Draco estava habituado à insônia, por isso quando viu que não conseguia dormir, resolveu dar uma volta no pequeno jardim. Caminhar em volta da casa parecia menos entediante do que ficar deitado olhando para o teto do quarto.
Os últimos três dias tinham sido bem mais agitados que os lentos meses anteriores.
Potter chegara calado e pálido e, pelo que Draco sabia, não havia saído do quarto. Ele ouvira Lupin comentando com Shacklebolt que o Cicatriz passava todo o tempo dormindo ou em silêncio.
Apesar de não se atrever a pedir, Draco queria notícias do outro bruxo. Não que se importasse com ele, mas é que ele queria ver o Lorde derrotado, e Potter parecia bastante útil nesse caso.
A noite de início de primavera estava linda, apesar de ainda bastante fria, mas sua capa o protegia bem. A lua crescente dominava o céu, indicando que em breve Lupin teria de se afastar. Draco caminhou até a cerca que delimitava a propriedade e se debruçou nela. Sabia que se desse mais dois passos estaria fora da área protegida. Estaria vulnerável ao Lorde.
Algumas vezes ele ficava ali por horas, realmente tentado a sair, a se arriscar. Mas ele nunca dava o último passo.
-Tentador, não?
Draco se virou já com a varinha na mão. Potter estava parado sob um velho carvalho.
Era a primeira vez que ouvia o outro bruxo falar desde que ele chegara. Na verdade, além da rápida visão dele chegando e sendo levado para o quarto, essa era a primeira vez que Draco via-o desde antes do Natal, quando ele lhes dera asilo.
Potter estava mais alto, mas também estava muito mais pálido do que Draco se lembrava. Seus olhos pareciam mais intensos, brilhando no escuro como os de um gato, mesmo atrás das lentes dos óculos.
Draco guardou a varinha:
-Supõe-se que você deveria estar no seu quarto, Potter.
O Cicatriz ignorou seu comentário, e caminhou lentamente até a cerca, onde se apoiou, olhando para fora.
-Eu sei porque se sente tentado, Draco. E também porque não se arrisca.
O uso do seu nome de batismo por Potter era meio assustador.
-Potter, vá se deitar antes que seus poucos neurônios escorram pela rachadura na sua cabeça. – Era reconfortante provocar o outro assim. – Você não sabe nada sobre mim.
Antes que Draco se afastasse, Potter estava na sua frente, bloqueando o caminho.
-Sei muito mais que você pensa.
Potter segurou o rosto de Draco com uma mão, o polegar acariciando levemente seus lábios. Draco o teria empurrado dali se não fosse o brilho que reconheceu nos olhos do outro garoto.
Os lábios de Potter formaram um quase sorriso:
-Muito bem, Draco. Você percebeu.
A outra mão de Potter estava segurando o braço esquerdo de Draco, exatamente em cima da Marca Negra, que parecia queimar levemente com o contato. O medo começou a tomar conta de Draco, o que pareceu divertir Potter.
-Você percebeu o que os outros não viram, mas ainda não entendeu o que realmente está acontecendo.
-O Lorde... – Draco odiou ouvir o tremor na sua voz.
Potter cobriu sua boca com um dedo, silenciando-o.
-Não. Ele não me possuiu, nem dominou, nem nada do gênero. – A voz de Potter estava diferente, mais irônica, mais intensa, mais... sensual.
Draco apelou para oclumência numa tentativa de não deixar o outro ver como estava se sentindo, mas ficou óbvio que não estava fazendo efeito.
Potter levantou a manga da camisa de Draco e acariciou a Marca Negra, que se aqueceu mais ainda, mas não doía como quando o Lorde a tocava, era diferente. Era excitante.
-Vejo que nota a diferença. Muito bom. É bem mais... agradável, não?
Draco assentiu com a cabeça, não confiava na própria voz.
Potter, ao contrário, parecia disposto a conversar:
-Sempre tive uma conexão com a mente de Voldemort.
Draco estremeceu com a revelação e, involuntariamente, olhou para a cicatriz na testa de Potter.
-Isso mesmo, Draco. De certa forma, você sempre teve razão, existia mesmo uma rachadura na minha cabeça. – Potter descera a mão do rosto para o pescoço de Draco. – O que você pode imaginar, não era nem um pouco agradável.
Isso era o ufanismo do século. Uma ligação com a mente do Lorde das Trevas devia ser apavorante.
-Quando matei a cobra dele, essa ligação se ampliou bastante por alguns minutos.
Draco sentiu as costas se apoiando na cerca, e o corpo de Potter encostando-se no dele. Os dois tinham a mesma altura, mas, por alguma razão, Draco se sentia frágil diante de Potter, que segurava seu rosto de forma gentil entre as duas mãos. No entanto, o que realmente mantinha Draco preso no lugar era o olhar. Era impossível desviar os olhos. Era assustador, mas era também incendiário. A voz de Potter soava hipnótica:
-Quando nossas mentes se encontraram, ele tentou me subjugar. Você sabe bem como é isso.
Novamente, Draco só fez assentir. Ainda se lembrava da cerimônia onde recebera a Marca, da dor em seu braço, mas principalmente da invasão mental, quando o Lorde sugara cada gota de informação de sua mente. Ele se sentira doente, exposto, vulnerável, humilhado. A lembrança era muito forte e Draco tinha consciência que só não estava encolhido no chão gemendo de dor porque Potter estava ali, quase o agarrando.
-Sabe, Draco – Potter parecia ter um enorme prazer em dizer seu nome-, até àquela hora eu sempre tinha perdido nossas batalhas mentais. Acho que a perda de todas as horcruxes o enfraqueceu.
-Por que está me contando isso?
-Porque você pode entender e porque foi o único que percebeu.
-Há algo do Lorde em você.
-Diga Voldemort. É bobagem ter medo do nome dele.
O nariz de Potter já roçava no seu, Draco se sentia vulnerável e excitado. Tanto que precisou se segurar na frente das vestes do outro bruxo para não cair.
-Não.
-Diga.
-Não.
-Diga. Eu quero ouvir você dizendo.
-Por favor, não.
-Diga, Draco. Diga para mim. – Potter sussurrava no seu ouvido. – Diga Voldemort.
-Vol... Voldemort.
Draco estremeceu, e apenas a cerca e o corpo de Potter impediram que ele caísse.
-Bom menino. É libertador, não?
Potter esperou calmamente que Draco parasse de tremer antes de continuar:
-Sempre houve algo de Voldemort em minha mente. Eu absorvi alguns dons dele quando ele tentou me matar da primeira vez. Mas agora é diferente. Dessa vez, eu li a mente dele. Eu vi cada recanto daquela mente nojenta, todo o conhecimento dele, cada informação que um dia ele recebeu.
Agora Potter também sabia!
-É por isso que eu sei que você se sente tentado, e sei também que você não irá atravessar a cerca. Mais que isso. Eu sei o que você deseja. Achei uma fantasia sua especialmente interessante.
Draco tremeu de desejo. Aquilo era muito humilhante, mas ao mesmo tempo era excitante.
-O que vai fazer com essa informação?
-Seduzir você.
Draco tentou recuperar um pouco do controle da situação:
-Você não está normal.
-Ninguém absorve o que eu absorvi e permanece o mesmo, Draco. Não se preocupe. Não vou me tornar outro Voldemort. Daqui a alguns dias, eu vou ter domado esses novos conhecimentos e, talvez, volte a ser um pouco parecido com o que eu era. Mas até lá...
Quando sentiu a boca de Potter na sua, Draco teve certeza de que estava encrencado. Muito encrencado.
Continua