Armas e Rosas

Segundo Capítulo

Conseguia sentir o hálito adocicado dela se aproximando cada vez mais, à medida que ela se achegava e continuava a entoar a música. Shun não conseguiu - por mais que tentasse – se manter controlado diante de todo aquele torpor que sentia. Não havia mais regras. Instintivamente, o rapaz fechou os olhos, pronto a apenas enxergar com os lábios, aquele belo rosto. Mas antes que os milhares de olhos que formavam o seu aguçado tato pudessem vislumbrar a pele aveludada, Amamiya sentiu que seu corpo fora bruscamente projetado contra a cadeira, que por pouco não virara com o impacto.

A garota o havia empurrado e levantando-se da mesa, deu a volta por ele e com um ar brejeiro, afundou o chapéu que usava na cabeça de Shun, bagunçando ainda mais os revoltos cabelos esverdeados.

- So much for my happy ending… - a cantora sussurrou pela última vez, enquanto caminhava a passos rápidos e elegantes rumo ao palco, vindo a desaparecer entre as cortinas escarlates.

Apenas bastou a silhueta da loira desaparecer, para que todos os convidados daquela boate batessem palmas freneticamente. Para eles, a simples presença de Camaleão com a sua voz melosa era a melhor recompensa para o caro convite que pagaram por aqueles poucos minutos de êxtase.

- Hei, aonde você vai? – Ikki indagou ao ver o irmão se levantando da cadeira.

- Vou atrás dela. – ele respondeu prontamente, com os seus olhos fixos nas cortinas que esconderam aquele anjo mundano.

E sem tempo a perder, Shun logo subiu ao palco, adentrando no espaço reservado às apresentações. Após atravessar uma porta que ficava no final do palco, um estreito corredor se mostrou a ele, que quase a correr, tentava alcançar a moça o mais depressa possível. Porém, o que encontrou logo ao fim do corredor foi outra porta onde estava demarcada a palavra "jardim". Ele estranhou o nome gravado, mas sem hesitar, girou a maçaneta, abrindo a porta de uma vez e se deparando com um grupo de aproximadamente dez mulheres que pareciam estar trocando de roupa.

- AAAAA! – uma delas gritou, escondendo o corpo com uma toalha.

- Um homem! – outra mais espantada berrou.

- Cal..calma! – Shun pedia, erguendo as mãos. – Eu só estava procurando...

- Quem ousa entrar nos meus domínios e amedrontar as minhas preciosas rosas!

Todos se viram em direção a voz que perguntava de forma indignada. Um homem de aparência andrógina, cabelos longos e possuidor de um sinal perto da boca bem desenhada se aproximou de Shun e voltou a falar:

- Enquanto eu, Afrodite estiver aqui, nem a máfia poderá entrar aqui e fazer as minhas preciosas rosas sofrerem, ouviu bem!

O irmão mais novo de Ikki olhava Afrodite admirado. Afinal, o que ele era realmente?

- Eu não quero fazer mal algum as suas... Rosas. Eu apenas queria ver...

- A minha preciosa "rose rouge"?

- Se é dessa forma que você se refere a ela, sim, é Camaleão que eu quero ver.

- Ora, ora... Você é muito atrevido! – Afrodite estava perplexo com a atitude de Shun.

- E você não sabe quem eu sou. – Shun retrucou, sem nenhum resquício de hesitação.

- É! Eu não sei quem você é rapazinho! Talvez algum "filhinho de papai" que só quer gastar a fortuna do velho com mulheres e orgias! – o outro respondeu mais afrontado ainda. – Seguranças! Seguranças!

- Hei, não grite tanto! – Shun irrompeu, vendo que aquilo estava indo longe demais. – Está bem, eu vou...

- O que está acontecendo? – uma voz alheia a toda àquela confusão fez com que Shun sorrisse.

- O que acontece a toda apresentação sua, minha bela rosa! Esse... "Senhor" invadiu o camarim e fez com que as minhas outras meninas ficassem assustadas!

A loira sorriu, enquanto meneava a cabeça para o lado. Ela encarava Shun que não desviava os olhos dela, que naquele momento estava vestida com um sobretudo de seda rosa. Pensando rapidamente em um bom motivo para dar a ela sobre aquela intempestiva visita, o rapaz se lembrou do chapéu em sua mão e disse:

- Eu vim lhe entregar isso.

- Meu chapéu? – ela sorriu mais ainda. – Quanta gentileza.

Afrodite se calou, mas seu semblante era de quem não havia engolido muito bem o motivo que Shun anunciara. June por sua vez, se aproximou e para pegar o objeto, sua mão deu uma leve passeada pela mão do jovem. Ela sentiu que os pelos da mão dele se eriçaram ao toque e que a tez de sua face ficaram levemente enrubescidas. Como ela achou aquela reação bela! Como um anjo que saiu do céu para conhecer o inferno, assim ela assimilou Shun naquele momento.

- Obrigada... – ela agradeceu, deixando um rastro de voz como se perguntasse qual seria o nome dele.

- Shun Am... – ele imediatamente se calou. Seu sobrenome era o sinônimo do crime naquela cidade e mesmo sabendo que o Moulin Rouge era freqüentado em sua maioria por pessoas da mesma estirpe que ele, o irmão mais novo de Ikki preferiu se calar, mesmo sem entender bem o porquê daquele "medo" de pronunciar o seu último nome.

- Bem rapazinho, minhas donzelas precisam descansar. – Afrodite interrompeu, tocando de leve o ombro do rapaz de cabelos verdes à sua frente. Parecia até que o temperamental homem já tinha se afeiçoado (pelo menos um pouco) a Shun.

- Onde eu posso encontrar você novamente? – Shun indagou à jovem, sem se importar com Afrodite e com a platéia formada pelas dançarinas da boate.

- Onde você menos esperar. – ela respondeu imediatamente.

Shun deu um meio-sorriso. Não era a resposta que esperava, mas preferiu não insistir. Dando um leve acenar de cabeça para as garotas que o olhavam com olhares nada inocentes, ele finalmente deixa o camarim, indo atrás de seu irmão.

Mal fechou a porta e todas as garotas (ou as rosas, se assim preferir) "voaram" para cima da loira que agora, mantinha um ar compenetrado. Todas queriam saber quem era aquele "rapaz com cara de anjinho" que ela havia "descolado" tão facilmente. Porém, receberam da bela cantora, apenas um "estou cansada e preciso dormir". É claro que todas fizeram cara feia, mas Afrodite estava ali para acalmar os ânimos das meninas do Moulin Rouge que nem sempre, eram calmos.

- Vamos meninas, amanhã será um novo dia e então vocês poderão dissecar ela a vontade. Agora, vão dormir senão se acordarão mais feias que a própria Medusa.

...x...x...x...

Shun já havia saído da boate quando avistou seu irmão encostado na limusine preta que os levaria de volta para casa. Não foi necessário se aproximar muito para ver que Ikki estava com um olhar inquiridor.

- Ikki, eu...

- Conseguiu o que queria?

- Err... Bem... Não. – o rapaz respondeu por fim, baixando seus olhos um pouco mais. Via-se em seu rosto o amargo da decepção. Sentiu duas mãos firmes segurarem o seu ombro.

- Shun. Você disse quem era? – ao receber a resposta negativa dele, Ikki continuou. – É melhor assim. Pelo menos ela demonstrou o que sentia em relação a você mesmo sem conhecê-lo. Se soubesse quem era, seria bastante provável que a cantora o quisesse apenas pelo status. Essas mulheres geralmente são assim.

- Ikki. Você fala como se eu já tivesse desistido dela. – Shun contra argumentou.

- E você não desistiu? – o irmão indagou enquanto arqueava uma sobrancelha.

- Claro que não! – e sorrindo meio constrangido, terminou. – Eu vou encontrá-la novamente.

Ikki preferiu se calar. Se preocupar com os negócios da família que estavam indo de vento em popa e com os problemas que a carga que havia sido desviada causaria futuramente eram naquele momento, mais preponderantes. Quanto à história de amor que o irmão mais novo parecia querer se enveredar, seria melhor que ele não se intrometesse. Que Shun encontrasse o melhor caminho a seguir, da mesma forma que ele o fez. Porém, o homem forte da Fênix Vermelha arrematou:

- É impressão minha ou temos uma queda por loiras?

- Deve ser hereditário! – Shun respondeu sorrindo.

- Bem, deve ser. – Ikki respondeu enquanto meneava a cabeça como se o gosto deles fosse algo banal. – Agora vamos. Amanhã teremos que resolver o pepino que o imbecil do Gigars deixou como herança.

Assim, o motorista que trabalhava para os irmãos Amamiya polidamente abriu a porta do veículo para que eles entrassem. O automóvel então deixou a rua que àquele horário, já não se encontrava mais tão cheia de pessoas.

...x...x...x...

Já se faziam nove horas da manhã quando o escritório da mansão da família Amamiya começou a se ver abarrotada de homens elegantemente vestidos. Eles eram os mesmos homens que no dia anterior, estavam presentes ao fato que confinou na morte de Gigars. Hyoga, um belo jovem com ar europeu e braço direito dos irmãos Amamiya também estava presente. Todos mantinham em seus rostos, a apreensão pelo conteúdo da reunião que estava prestes a começar, mas ninguém ousou fazer nenhum comentário, ou melhor, mover os lábios sequer. Todos aguardavam que "os chefes" se pronunciassem primeiro, o que não tardou a acontecer.

- Como todos aqui já devem saber, uma carga cuja cifra ultrapassa a casa dos seis zeros foi desviada graças ao trabalho de um traidor. – Ikki começou, e olhando de uma forma inquiridora para cada um que estava presente, concluiu. - E todos sabem que eu não admito traidores na "Fênix Vermelha".

- Chefe, - Geki com seu tamanho exagerado, mas com sua voz mostrando-se temerosa, retrucou. - a culpa foi...

- Não nos interessa mais saber quem foi o culpado, Geki. – Shun intervém. – O que nos interessa agora, é a recuperação das estátuas.

- Exatamente. A carga deve ser recuperada antes que...

Nesse momento, a porta foi aberta bruscamente, dando passagem a um homem de pele bronzeada e de cabelos azuis, um pouco longos e despenteados. As feições do rosto comprovavam sua origem latina e seu olhar, provava que seu dono era alguém que não possuía escrúpulos quando o assunto era de seu interesse.

- Minha carga foi roubada...?

Todos sem exceção se levantam, encarando o novo personagem. Demonstrando impaciência, ele torna a indagar:

- Minha carga foi roubada!

- Foi desviada. – Ikki respondeu com segurança.

- Como assim, "desviada"!

- Foi o que meu irmão falou Máscara da Morte. – Shun respondeu. – Mas ela será recuperada, nós garantimos.

- Vocês garantem! – Máscara da Morte devolveu sarcasticamente. – Quem me garante? Um menininho que ainda brinca de bonecas e o seu irmão com cara de mal! Faça-me rir!

Talvez, Máscara ainda pudesse proferir mais impropérios contra os irmãos, mas um toque frio e rígido em sua nuca, o calou de imediato.

- Quer que eu o mate? – Hyoga perguntou, enquanto forçava o cano da pistola automática no pescoço do italiano que começou a suar frio.

- Não é necessário. Ele veio em missão de paz. – Ikki respondeu, enquanto fazia um gesto de mão que indicava desdém. – Aliás, acho que seu chefe iria ficar decepcionado em saber que seu melhor assassino foi eliminado de uma forma tão... Amadora como essa, não é, Fabri...

- Não diga o meu nome! – o homem gritou, com seus olhos prontos a saltarem de suas órbitas. – E ele não é meu chefe... É meu sócio!

- Que seja...

- Sabe o nome dele, irmão?

- Sei de muita coisa, Shun... Principalmente quando se trata dos nossos clientes.

- Ele ficará sabendo disso! – Mascada da Morte ameaçou novamente.

- Eu já estou sabendo disso.

Outro homem aparece, se escorando na abertura da porta, com as mãos enfiadas nos bolsos da calça. Parecia ser o mais velho dentre eles e também, um dos mais belos não somente pelo porte físico, mas também pelo ar de maturidade que tão dignamente ostentava.

- Bom dia senhor Evangelos. – Shun cumprimentou, dando um leve aceno de cabeça.

- Pelo visto, você cresceu mais uns dez centímetros desde a última vez, não é, garoto? – o estranho indagou, virando-se para Ikki e dizendo: - Vejo que tomou de vez as rédeas dos negócios de seu velho pai, Ikki.

- Sim, é verdade. – e levantando um pouco o queixo, sem deixar o ar de riso em seu rosto, o irmão mais velho de Shun conclui: - E como vai à família, Saga?

O moreno de olhos e cabelos azulados deu uma gargalhada com a pergunta e em seguida, disse: - Puxou a cara-de-pau do seu pai! Vim para saber do paradeiro da minha encomenda e me pergunta como vai a minha família! Se não fosse filho do Amamiya, com certeza estaria com uma bala na garganta agora.

- A carga será devolvida o mais breve possível, senhor Saga. – Shun interveio. – Só precisamos saber ter certeza de quem está com ela agora. Apenas isso.

- Hum... E vocês já têm suas suspeitas?

- Sim. – Ikki agora responde. – Já suspeitamos quem foi o mentor do desvio.

Saga fechou os olhos e sorveu o ar, como se este tivesse em suas moléculas, o suave perfume de uma mulher. Após soltar o ar de seus pulmões, voltou a falar:

- Quarenta e oito horas.

- O quê! – Hyoga exclamou.

- Dou a vocês quarenta e oito horas para que minha carga esteja sã e salva no armazém número sete, que fica no lado oeste do Porto. Se passar um minuto sequer, terei que esquecer a amizade que nossas famílias nutrem entre si durante tantos anos e matar vocês dois.

Os irmãos não moveram um músculo sequer. Sabiam que Saga Evangelos era um homem de palavra, principalmente quando se tratava de seus interesses. O moreno parou seu olhar sobre Shun, esperando a resposta que ele estava prestes a dar.

- Combinado. – o irmão de Ikki respondeu finalmente.

- Perfeito. – Saga respondeu, dando as costas para todos. – Até breve.

Máscara da Morte deu um sorriso de escárnio para Ikki e se retirou junto com seu chefe. Quando a silhueta dos dois homens finalmente sumiu do campo de visão deles, Jabu foi o primeiro a declamar:

- É impossível! Jamais conseguiremos resgatar essa maldita carga em quarenta e oito horas!

- Não é impossível.

Todos se viraram em direção à Ikki que continuou:

- Shun...

- Certo, irmão. – o jovem respondeu prontamente. – Hyoga e Jabu, venham comigo. Vamos visitar o Partenon.

Os dois se entreolharam, sem entender muita coisa. Assim, o loiro indagou, devido a crescente curiosidade:

- E o que vamos fazer por lá?

- Ver um desfile de moda. – Shun respondeu, sorrindo de orelha a orelha.

- O quê! – os dois gritaram em uníssono.

- Vocês vão entender quando chegarem lá. Agora vamos. – o caçula dos Amamiya respondeu, enquanto carregava um revólver, modelo Combat 4. Uma arma de calibre modesto, comparada às armas que seu irmão manejava. Aquela, por exemplo, tinha um tambor de oito tiros e uma velocidade média de 115 metros por segundo. Shun nunca havia usado aquela arma, cujo uso ele dizia que só aconteceria em um caso de extrema urgência.

- Pretende abater alguma "gazela" por lá? – Jabu perguntou, em meio a um sorriso jocoso.

- Não, mas posso começar a atirar no primeiro humorista sem graça que eu encontrar.

Unicórnio teve que engolir em seco a resposta do rapaz. Assim que os quatro saíram da sala, Ikki foi até um cabide próximo, de onde retirou um paletó negro. Por um breve instante, seus pensamentos saíram do presente e volveram de uma forma abrupta, para um passado não tão distante assim.

- Irei sair. – disse para Ichi que olhou discretamente para o calendário e viu a data daquele dia contornado de vermelho. Não eram necessárias mais palavras: ele já sabia qual era o destino de seu chefe.

...x...x...x...

O Cord 812 vermelho estacionou em frente ao Partenon, o grande Centro de Convenções da cidade. Havia uma considerável fila de carros, cada um mais luxuoso que o outro. Realmente, a moda era uma grande preocupação para a alta sociedade daquela metrópole.

Foram devidamente recepcionados e indicados a seguirem o tapete vermelho do enorme salão em mármore branco, que logo os levaria para um outro recinto, mais escuro, e repleto de assentos com estofados em veludo de cor vermelha e onde no centro. O salão já estava de certa forma, lotado e os presentes (na maioria, mulheres entre os trinta e cinqüenta anos), olhavam com curiosidade o grupo de rapazes que chegavam.

- Bem, estamos aqui. – Hyoga começou. – E o que faremos agora?

- Sentar e aguardar o começo da apresentação. – Shun respondeu rapidamente.

- Humpf! – Jabu bufou nada satisfeito.

...x...x...x...

O delicioso aroma vindo dos variados pratos que eram servidos simultaneamente no famoso restaurante francês Ile de France era sem dúvida, um irresistível convite ao paladar. Mas além do cheiro suave dos sofisticados pratos, o ar também continha o aroma forte de cigarro que vinha de uma das mesas reservadas ao fundo do restaurante.

- Eles estão passando a perna na gente, você não consegue ver isso?

Saga, que mantinha os olhos fechados para melhor apreciar um suave champagne, abriu lentamente os olhos, como se estivesse saindo de um completo estado de letargia.

- Máscara, eu sei que eles não teriam tanta ousadia... Ou poderia dizer loucura?

- Não importa o que diga, esses moleques estão nos passando para trás! – Máscara da Morte bradou, esmurrando com o punho fechado o tampo de vidro da mesa.

Saga não pareceu se importar muito com a reação do outro. Sabia que o seu sócio de vez em sempre, se tornava áspero quando o assunto era sobre os negócios da organização. Portanto, não o culpava. Mas também, não permitia que Máscara da Morte fosse longe demais com seus acessos de fúria. E naquele momento, houve uma boa oportunidade para que isso não acontecesse: um terceiro homem se aproximava da mesa.

- Buenos dias. – o homem de pele morena e cabelos castanhos, cumprimentou os outros dois.

- Shura. Traga-me boas notícias. – Máscara rosnou.

Saga não disse nada e apenas, esperou a resposta do moreno que já sentava a mesa e pedia ao garçom uma garrafa de vinho do porto.

- Está tudo acertado. Hoje à noite, durante a festa. Não haverá nenhum erro.

- Durante a festa? – dessa vez, o semblante de Máscara mudou para um ar preocupado. - Mas não há uma outra maneira, digamos, mais "discreta"?

- Não. A festa será a oportunidade perfeita. Ninguém sentirá a falda dela, eu asseguro.

Nesse instante, o semblante de Saga ficou sombrio.

- E ela?

- Shina? – Shura indagou com um misto de suspiro e saudade. – Sim, ela estará lá. Vigiando tudo.

- Perfeito. – Máscara da Morte não pôde conter um sorriso vitorioso.

- Senhores, preciso ir. – Saga disse, se levantando.

- Para onde vai Saga?

- Supervisionar por conta própria a grande merda que vocês estão prestes a fazer. – disse rispidamente, enquanto se dirigia a saída do restaurante.

Shura olhou com ares de espanto, um tranqüilo Máscara da Morte.

- Espere ai! Você não contou nada para ele?

- E por que deveria? – o outro respondeu, enquanto sacava mais um cigarro da carteira. – Saga, não está com cabeça para o nosso problema.

- Como pode ter tanta certeza disso? – Shura interrompeu, se aproximando mais do italiano. – A prisão do grande mestre foi um golpe muito duro para a nossa organização. E agora, assumindo temporariamente o posto dele, Saga está tendo uma responsabilidade muito aquém do que ele havia aspirado.

- Sabe qual é o seu problema, "hombre"? Você o protege demais.

Shura teve a imensa vontade de arremessar o cálice na cabeça de Máscara da Morte. Mas preferiu conter sua ira, apenas em frases mais atrevidas.

- Sabe qual é o verdadeiro problema? Você tem inveja de Saga e quer tomar o seu lugar a qualquer preço.

Uma gargalhada com ares de insanidade invadiu o ambiente, fazendo com que alguns clientes do restaurante virassem suas cabeças em direção à mesa onde os homens estavam. Shura preferiu não falar mais sobre aquele ou qualquer outro tipo de assunto. As atitudes de Máscara da Morte já deixavam claras quais seriam suas verdadeiras intenções.

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Não demorou muito para que as poucas luzes que clareavam a passagem dos convidados cessassem e dessem lugar para um grande breu que só não tornava assustador, graças aos burburinhos vindos das damas em polvorosa.

- Ainda não entendi o que vamos ver em um desfile de modas. – Jabu protestou, sussurrando para Hyoga que mantinha um ar de tédio.

Mal terminara de pronunciar as últimas palavras, e um corredor formado por lustres de design francês, posicionados estrategicamente acima de uma passarela, começaram a ficar iluminadas, criando um ar noir para o amplo salão que ficou a meia-luz.

O ar de tédio dos dois homens da Fênix Vermelha se transformou de imediato, em um ar de espanto. Shun percebeu isso e disse em meio a um sorriso tão comum à sua personalidade pacífica:

- Vocês deveriam ler as colunas sociais dos jornais com mais frequencia.

Jabu pensou imediatamente em dar a sua mão à palmatória. Não é que o Amamiya estava certo?

Continua...

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Notas da autora:

Enfim, o segundo capítulo de "Armas e Rosas". Eu não posso negar a minha surpresa ao perceber que todos que leram ao primeiro capítulo disseram que gostaram do Universo em que os irmãos Amamiya foram inseridos. Isso me deixou bastante feliz e satisfeita.

E hoje, quero agradecer aos comentários da Juli.cham, Harpia, DaniKatsu, Namárië, Margarida, Pisces Luna, Nani Babalu, a todos que já acompanhavam "Armas e Rosas" no antigo site Pandora's Box e principalmente, quero agradecer a Luna Tsukino que tão gentilmente, revisou este segundo capítulo. Ah! As respostas a todos os comentários estão no meu blog, cujo link se encontra no meu profile do o próximo capítulo.