Cap 2 – Decisões Irremediáveis
Draco se revirava na cama incomodado. Porque ela sempre tinha que ser tão cheia de opinião? A vida não estava boa o suficiente para ela? Uma casa luxuosa, um bom emprego, uma filha educada e um marido tão gostoso quanto ele? O que ela podia querer mais?
Potter. Sempre ele tinha que vir e estragar tudo! Sempre! Desde Hogwarts ele parecia estragar toda a diversão de Draco e agora estava querendo destruir a família dele, levar sua esposa pra Hogwarts. Ela sabia que não poderia vê-la com frequência pois tinha muitas obrigações no Ministério da Magia mas porque mesmo assim Gina insistia nesse convite? Será que ela havia enjoado dele? Será que a rotina tinha finalmente esfriado o relacionamento? Será que... e levantou-se espantando os pensamentos. Draco rumou para a porta decidido a tomar um drink para relaxar e tentar dormir.
Andou pela mansão silenciosamente, os passos abafados pelo carpete dos corredores, pensando qual dos vários caminhos que levavam ao seu escritório ele tomaria. É claro que seria mais simples chamar um elfo doméstico e pedir a bebida, mas ele achava que o ritual de prepara-la o deixava mais relaxado.
Não havia sinal de Gina pela casa, ela provavelmente devia estar em algum quarto de hóspedes, ele voltou a pisar forte com raiva quando entrou no escritório. Se aproximou da estante de livros e murmurou um feitiço que revelou uma abertura para uma ampla sala. Ele atravessou os sofás verdes de veludo e se dirigiu a um bar de mármore preto no canto do cômodo. Observou as muitas garrafas aleatoriamente e depois preparou sua bebida.
Estava tomando a terceira dose quando um brilho prateado na janela chamou sua atenção. Ele se aproximou e encarou o enorme jardim que se estendia lá embaixo. Uma figura pequena com uma camisola branca e os cabelos platinados andava descalça pela grama.
Draco olhou com carinho para a filha, eram tão parecidos e tão diferentes ao mesmo tempo. Ele também costumava se isolar nos jardins quando era mais novo e se sentia acuado ou quando tinha problemas, mas jamais caminharia descalço sentindo a grama nos pés, esse tipo de prazer pertencia mais a Gina. Ele virou o que restava da dose lembrando-se repentinamente da esposa.
A bebida desceu queimando em sua garganta, mas ele gostava disso, acomodou-se em um dos sofás pensando em terminar a garrafa mas adormeceu pouco tempo depois.
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Sorvete de morango e o hálito dela também tinha esse cheiro adocicado, os olhos amendoados e o cabelo caindo graciosamente pelo rosto, brilhoso e muito, muito vermelho.
Harry acordou e sacudiu a cabeça, não gostava nem um pouco de ter esses sonhos. Virou-se e encarou sua esposa dormindo, ela era linda mesmo, o nariz e a boca tão pequenos, tão qual uma boneca de porcelana. Ele passou a mão pelos cabelos dela e desceu para o seu pescoço. Cho abriu os olhos preguiçosamente e deu um sorriso ao encara-lo. Ele sorriu de volta e a beijou tentando afastar qualquer lembrança sobre cabelos ruivos e sorvete de morango, qualquer sonho, qualquer pensamento, qualquer sentimento.
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Gina acordou e sentiu-se extremamente cansada, não havia tido um sono muito restaurador, fez uma anotação mental de tomar uma poção animadora assim que chegasse a clinica em que trabalharia naquela manhã.
Depois de se arrumar e descer para o café encontrou a mesa pronta como sempre com comida mais do que suficiente para três pessoas, Elizabeth já estava sentada e tomava um copo de suco.
- Bom dia filha.
- Bom dia.
- Elly, você saberia me dizer.. bem.. é que..
- Meu pai ainda não desceu para o café não. Brigaram de novo? – perguntou a menina astutamente.
- Ah não foi nada.
- Sei... – disse ela e começou a comer uma torrada azul.
- O que é isso que você está comendo? – perguntou Gina curiosa.
- Torrada com menos calorias. Você sabe, eu estou tentando manter o meu corpinho, me disseram que a comida de Hogwarts é realmente calórica e eu estou tentando evitar isso emagrecendo uns quilos extras antes de ir para lá.
- Não diga bobagens Elizabeth. Você não precisa emagrecer está ótima assim – disse a mãe preocupa com o excesso de vaidade de Elizabeth.
A menina era assim desde pequena, Gina acha que era devido a parte veela da família de Draco que havia com certeza se manifestado na loira, já que ela tinha uma beleza incomum para a sua idade e muitos a julgavam mais velha não só pelo corpo mas por sua esperteza.
- Não quero você fazendo essas dietas malucas filha.
- Está bem... – disse a menina contrariada.
- Elizabeth... – uma voz arrastada veio da entrada da sala de refeições.
- Sim, senhora – corrigiu a menina ao ouvir a repreensão do pai.
Gina encarou Draco mas ele sentou-se ao lado da filha e não lhe dirigiu o olhar enquanto tomava café ignorando completamente a presença dela. Ela tentou terminar a xícara de chá mas suas mãos tremiam levemente com a raiva. Como ele podia ser tão.. tão.. frio? Ela levou a xícara ao pires com força fazendo com que um pouco de chá esparramasse para fora.
Draco olhou de maneira penetrante para a filha e ela disse se levantando:
- Errr.. Eu tenho que ir... arrumar meu material pra Hogwarts – e começou e se dirigiu a porta.
- Elizabeth... – disse mais uma vez o pai.
- Com licença – disse a menina contrariada.
- Agora sim! – e esperou a menina sair para se dirigir a esposa – Quer destruir a loça francesa ou o quê?
Gina olhou para ele levando algum tempo para entender o que ele havia falado:
- Loça? Depois de tudo você só consegue pensar em chá?
- Ok. Você quer que eu diga o que eu penso? Eu vou dizer.
- Então diga.
- Espero que essa noite tenha feito você voltar a realidade e desistir dessa idéia maluca.
- Draco – falou ela respirando fundo – Eu já tomei a minha decisão, vou para Hogwarts e espero que você compreenda que não estou abandonando você. Veja bem, estou relevando todos os insultos que você me fez ontem e estou propondo que você me visite sempre que possível em Hogwarts, isso não vai abalar o nosso relacionamento – disse a ruiva com calma como quem faz um diagnóstico médico.
- Pois bem, vá pra Hogwarts – disse ele tranquilamente.
- Sério? Você está falando sério? Ah Draco obrigada! – disse ela se levantando e se aproximando dele que também se levantou.
- Vá pra Hogwarts e se esqueça de que um dia foi casada comigo – concluiu ele azedamente.
Gina Weasley parou chocada em frente a ele que a encarava com os olhos frios e ausentes de emoção. Esse olhar a machucava e havia anos que ele não o usava com ela que sentiu seus próprios olhos se encherem de lágrimas. Ele se mexeu desconfortavelmente, como se fosse dizer algo, Gina por um momento achou que ele pediria desculpas, mas ele apenas suspirou e aparatou para o Ministério.
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Pansy Parkison dava uma última olhada no espelho de seu novo apartamento. Ela parecia formal mas ao mesmo tempo sexy, exatamente como ela desejava. Pegou sua bolsa e aparatou no Ministério da Magia. Se dirigiu ao balcão e falou com o bruxo que dava informações.
- Boa tarde, tenho uma entrevista de emprego marcada com o chefe da seção do Controle do Uso Indevido da Magia.
- Boa tarde, ah sim, Pansy Parkison?
- Exatamente.
- Está aqui na lista, pode se dirigir ao nono andar, sala 7.
- Obrigada.
Draco já estava no escritório há alguns minutos mas ainda não havia começado a trabalhar, pensamentos sobre o que acabara de ocorrer na mansão fervilhavam em sua cabeça. Ele olhou para a agenda que um estagiário o entregou quando ele chegou, ali estavam escritos os seus compromissos do dia e ele sabia que seria terrivelmente chato já que Yolanda sua secretária gordinha e prestativa havia fugido de casa e do trabalho para se casar com um trouxa, logo ele teria que aguentar entrevistas chatas com candidatos aquela vaga.
- Sr. Malfoy sua primeira canditada já está a caminho – reconheceu a voz do recepcionista saindo de uma caixinha prateada em cima de sua mesa.
- Obrigada Levis.
Com um muxoxo ele abriu a agenda a procura do currículo e puxou para examinar melhor, olhou para foto esperando alguma senhora de idade e encontrou uma mulher muito bonita, ela sorria de maneira provocadora, ele conhecia aquele sorriso, não, não podia ser. Desceu os olhos pela folha "Nome: Pansy Louise Parkison". Ele tornou a olhar para foto perplexo quando a porta se abriu e alguém lhe encarou com o mesmo sorriso provocador do retrato.
- Mas como pode ser? – disse ele sem conseguir de demonstrar o espanto.
- Surpreso? – falou ela sorrindo e se aproximando.
- Claro! Você não estava presa?
- Nossa mas que boas vindas são essas Draco? – disse ela se aproximando mais ainda e dando um beijo leve nos lábios dele.
- Não faça isso Pansy – disse ele arqueando a sombrancelha.
- Oras não me faça rir Draco Malfoy, desde quando você não se diverte por trás dos relacionamentos oficiais?
Ele não respondeu, ao invés disso continuou encarando ela com ar de surpresa enquanto ela sentava em uma das cadeiras e cruzava as pernas torneadas.
- Então? Vamos começar a entrevista ou não? – disse ela ignorando a reação dele. Draco se lembrava dela em Hogwarts, costumava gostar dela por isso, sabia ser tão fria e irônica quanto ele.
- Ok, eu pergunto e você responde – disse ele sentando-se também.
- Sim senhor.
- Como conseguiu ser solta?
- Cumpri uma parte da pena e como já havia colaborado com o Ministério meu advogado conseguiu que eu fosse libertada mais cedo.
- E o que quer aqui?
- Não é aqui que se faz a entrevista para o cargo de secretária senior do chefe da seção de controle do uso indevido da magia?
- Ah Pansy sem enrolação, você sabe muito bem que eu disse seu nome para o Ministério.
- Ah eu sei – disse ela tranquila.
- E não se importa?
- Eu teria dito o seu se fosse para limpar a minha cara também – mentiu ela.
- Sonserinos não?
- Sempre. Mas não posso dizer que não esteja chateada com você e é por isso que vim pedir... não, exigir esse cargo, eu estou tendo dificuldade de arranjar emprego por já ter sido presa, nada mais do que justo do que você me empregar aqui! – falou ela de maneira espontânea tudo o que já havia arquitetado.
- Bom.. – disse ele se concentrando para não olhar o decote generoso dela – Se é importante pra você, eu não me importo, sempre gostei de trabalhar com você.
- Ótimo, começo hoje então?
- Sim, cancelando as outras entrevistas. Peça instruções a Nadia Blunt na sala 5, fim do corredor.
- Ok – disse ela se levantando.
- Pansy?
- Sim – falou ela se virando para ele.
- Me desculpe. Mas foi inevitável dizer o seu nome, eu dei o testemunho após tomar a poção da verdade para provar que eu estava de fato arrependido e conseguir a absolvição – disse ele com sinceridade como raramente fazia.
- Tudo bem, sem ressentimentos – mentiu ela mais uma vez.
Ele atravessou o cômodo e fez o que estava desejando desde que ela entrara na sala, passou os braços ao redor dela e a abraçou com força sentindo o corpo da morena contra si. Ela retribuiu o abraço na mesma intensidade e virou o rosto para encara-lo, ele continuava incrivelmente fascinante, se era um dos garotos mais desejado de Hogwarts agora sem dúvida era o homem mais bonito que ela encontraria naquele lugar pois seus olhos pareciam estar ainda mais prateados do que ela lembrava.
Ela se inclinou para beija-lo mais uma vez mas ele se afastou, por mais que soubesse que aquela briga no café significava o fim do seu casamento ele ainda sentia-se na obrigação de ser fiel, uma estupidez na opinião dele, mas um instinto que ele não podia evitar.
- Tudo bem, vamos devagar então – disse Pansy sorrindo e saindo da sala sentindo-se extremamente realizada, tudo estava indo exatamente como o planejado.
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O silêncio predominava na Mansão Malfoy, a noite já caíra e Gina estava mais uma vez no quarto de hóspedes, ela estava prestes a pegar no sono quando ouviu uma batida na janela. Uma coruja grande e castanha carregava uma carta com um brasão vermelho.
Sra. Virgínia Malfoy,
Fiquei extremamente feliz com a sua resposta! Seja bem vinda a nossa equipe de funcionários. Não se preocupe pois não recebi a sua coruja tarde demais, o cargo ainda estava vago. Se desejar pode tomar o trem para chegar a Hogwarts junto com os alunos. Enfim, lhe espero amanhã no banquete inaugural.
Atenciosamente,
Glaus Gaspar
Diretor da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts
Gina colocou a carta junto com a bagagem já arrumada para a partida do dia seguinte. Ainda estava confusa, tinha medo de fazer a coisa errada. Ela amava tanto Draco Malfoy mas ao mesmo tempo o odiava tanto por agir daquela forma egoísta. Ele havia passado a semana inteira evitando a ruiva, ficando até tarde no Ministério e ela por sua vez não esbarrava com ele pela casa e fazia questão de dormia em outro quarto.
Se ele realmente agia daquela forma era porque não se importava com os desejos dela e nem sentia sua falta. Gina fechou o malão com força, iria para Hogwarts, não havia porque lutar por um casamento falido, tudo havia terminado mesmo.
N/A: Primeiro queria agradecer as reviews! Fiquei esperando por elas pra poder escrever esse capítulo que afinal saiu pequeno porque eu escrevi rapidinho. Não percam o próximo que terá o reencontro de Gina com Harry em Hogwarts, vocês conheceram os filhos de Rony e Hermione, Pansy continua com seu plano malvado heheh e muito ! Uma perguntinha pra vocês responderem na review, gostariam de ver NC17 nessa fic? Em capítulos separados da história? Enfim, mande sugestões sobre a história também, ok? E o mais importanteeeee:
D E I X E M R E V I E W !
