Cap 7 – Receios na Madrugada

- Harry eu não...

- Me dê uma chance, Gina! Eu só quero te fazer feliz, uma chance é tudo que eu peço, pelo nosso passado, por mim – pediu com os olhos verdes úmidos, cheios de amor, de paixão.

"There's always that one person
Sempre tem aquela pessoa
That will always have your heart
Que sempre terá o seu coração
You'll never see it coming
Você nunca vê isso chegando
Cause you're blinded from the start
Pois está cego desde o início
Know that you're that one for me
Saiba que você é essa pessoa pra mim
It's clear for everyone to see
Está claro para todos verem
You'll always be my boo
Você sempre será meu amor..."

Gina parecia paralisada, um misto de emoções tomava conta dela. Estava decepcionada com Draco, e a dor parecia não ter fim. Harry como sempre estava ao lado dela para ampará-la, ela reconhecia o quanto ele a adorava, mas não sabia dizer o que sentia por ele. Sentia-se tão só, seria tão simples se ela voltasse a ser aquela menina de quinze anos, seria maravilhoso se Harry pudesse abraçá-la em frente a lareira da sala comunal e levar os problemas embora.

Ela o puxou para si, o abraço dele era quente, estava segura de novo. Ele falava algo em seu ouvido que ela mal podia destinguir. Harry se afastou um pouco, eles já não choravam mais. Ele aproximou os lábios da boca dela, temia a reação, mas ele havia esperado tanto por aquele momento, por anos tudo o que desejou era estar com ela novamente.

(Flashback)
Era verão e a Toca como sempre parecia o lugar mais perfeito do mundo para se estar. Molly Weasley servia o jantar para seus filhos, Harry e Mione que mais uma vez estavam presentes na casa. Gina tentou disfarçar a careta, tinha acabado de morder a língua, estava tão nervosa, era sempre assim, mal conseguia comer no horário das refeições, tudo por causa dele, Harry Potter.

Gina não conseguia evitar, sentia algo por Harry e sofria com o desinteresse dele. Sempre que as férias chegavam, ela pensava que talvez fosse a chance de se aproximar dele, mas essa oportunidade nunca chegava. Ela já estava debaixo das cobertas, pronta pra dormir quando o seu estômago roncou, denunciando que ela deveria ter se alimentado melhor em vez de encarar Harry no jantar.

Silenciosamente ela desceu as escadas. Quando chegou na cozinha pegou uma maçã e caminhou distraidamente pra sala. Sentou-se no sofá e abocanhou a fruta, seus pensamentos vagavam e por isso, ela se assustou quando ouviu uma voz atrás de si:

- Ainda acordada?

- Ah, oi Harry – disse ela surpresa – Só estou fazendo um lanchinho.

- Eu perdi o sono – falou ele sentando-se ao lado dela na poltrona.

Gina sentiu seu estômago afundar com a proximidade repentina dos dois, estavam sozinhos e era madrugada, mas ela não deveria sonhar. Harry estranhou o silêncio e perguntou:

- Está pensando em quê?

- Nada, só estou lembrando de uma coisa – inventou.

- Lembrando de quê? – perguntou virando o rosto para ela.

Gina torcia a mão no colo apreensiva enquanto tentava achar alguma lembrança sua com maçãs pra contar a ele. Mal sabia ela aonde isso daria.

- Lembrando... das meninas do meu dormitório! Elas treinam beijo em frutas, sabe? Maçãs, laranjas, essas coisas – disse ela sentindo-se uma fofoqueira, mas pelo menos Harry parecia ter engolido que era realmente aquilo que ela estava pensando.

- Treinar beijo? – perguntou ele curioso – E em frutas?

- É, de que outro jeito vamos aprender, quer dizer, elas, elas vão aprender?

- Beijando oras! – disse ele sincero pensando como as garotas eram confusas.

- Bom, mas nem todas podem né, nem todas conseguem isso – comentou a ruivinha sem graça.

Harry ficou meio sem graça também. Será que Gina nunca havia beijado ninguém? Provavelmente não, ela parecia tão inocente para ele. Lembrou-se de seu primeiro beijo com Chang, estava tão nervoso. Olhou novamente para Gina, ela tinha o rosto corado, isso acontecia normalmente quando estavam perto, Rony insistia em dizer que ela era apaixonada por ele. Harry tentava não pensar nisso, achava que já tinha problemas demais com garotas. Mas naquela noite ela parecia diferente, e ele não podia evitar em sentir-se atraído por seus olhos castanhos que brilhavam.

"Do you remember girl
Você lembra garota
I was the one who gave you your first kiss
Eu fui aquele em que você deu seu primeiro beijo
Cause I remember girl
Porque eu me lembro garota
I was the one who said put your lips like this
Eu fui aquele que disse coloque os seus lábios assim..."

- Espero que eu não tenha interrompido o seu treinamento então – disse ele divertindo-se e pegando na mão dela. A pele era macia e estava quente, e se ela realmente gostasse dele?

- Não! Não, eu estou com fome mesmo – disse Gina sem graça.

- Então, como é que vocês fazem pra aprender a beijar com maçã? – perguntou ele virando o rosto e a encarando de perto. Seu olhar parecia não querer abandonar a boca dela, o aroma adocicado da fruta envolvia os dois.

- Ah, eu nunca tentei realmente – falou ela cada vez mais nervosa com a proximidade dele.

- É tão simples – disse ele imaginando se os lábios dela teriam gosto de maçã.

- Talvez pra você – disse ela encarando os olhos verdes dele.

- Se você tentasse – disse ele, os rostos cada vez mais próximos, podia sentir a respiração dela em sua pele – veria que não tem nada demais. Você só tem que se aproximar da pessoa – falou Harry e diminuiu a distância entre eles, as bocas a pouco centímetros - Fechar os olhos – continuou ele sussurrando e assistiu a ruiva fechar os olhos envolvida – E...

O resto não foi dito, as bocas se encontraram lentamente. Gina mal podia acreditar, estava beijando o menino que sobreviveu, estava beijando Harry Potter. Ainda processava essa informação quando Harry separou-se dela assustado:

- Gina! Me desculpe – falou ele sem jeito – Eu não devia ter feito isso. Seu irmão... Se Rony souber, me desculpa Gina, foi uma grande besteira.

- Ah, tudo bem – disse ela desconcertada, seu coração despedaçando. Tudo que ela queria era beijá-lo e ele estava dizendo que havia sido uma grande besteira.

- Fica só entre nós, ok? Vamos esquecer isso. Boa noite. Eu sinto muito, me desculpe – falou ele se retirando apressado da sala.(Fim do Flashback)

"It started when we were younger
Isso começou quando éramos mais jovens
You were mine my boo
Você era minha, meu amor
Now another brother's taking it over
Agora outro cara está levando a melhor
But its still in your eyes my boo
Mas isso continua nos seus olhos, meu amor
Even though we used to argue it's alright it ok ay!
Mesmo que nos costumássemos discutir está tudo certo, está ok
I know we haven't seen each other
Eu sei que nós não temos nos vistos
In a while but you will always be my boo
Por um tempo, mas você sempre será meu amor"

Gina estava beijando Harry, depois de anos ela estava beijando Harry Potter, aquele por quem ela tinha sofrido na sua infância, mas também aquele que tinha correspondido seu amor na adolescência e aquele que nunca deixou de amá-la. Ela se sentia-se protegida, em paz, mas de repente pensou que não era assim que deveria se sentir durante um beijo.

"I was in love with you when we were younger
Eu estava apaixonada quando éramos jovens
You were mine my boo
Você era meu, meu amor
And I see it from time to time
E eu vejo que de tempo em tempo
I still feel like
Eu ainda me sinto assim
And I can see it no matter
E eu vejo que não importa
How I try to hide
O quanto eu tente esconder
Even though there's another man in my life
Mesmo que exista outro homem na minha vida
(My Boo – Usher ft. Alicia Keys)"

Um beijo deveria fazer seu mudo vibrar, deveria fazê-la esquecer tudo e todos ao seu redor, deveria ser cheio de paixão, deveria fazê-la ter certeza de que amava, assim era beijar Draco Malfoy. Mas certamente não era daquele jeito que ela se sentia agora. Com esses pensamentos ela virou o rosto interrompendo o beijo e colocou as mãos no peito de Harry tentando empurrá-lo de uma maneira delicada.

- O que houve? – perguntou com o coração apertado, temia o que estava por vir.

- Harry, eu não posso, eu simplesmente não posso – disse Gina sentando-se na cama.

- Não pode por quê? Você não tem mais nada com ele, você pediu o divórcio – falou desolado.

- Não é isso, eu não posso porque não seria justo, Harry. Não com Malfoy. Mas comigo e com você. Não é assim que eu me sinto Harry, e vai ser duro demais se eu te der uma chance, e cedo ou tarde, tivermos que terminar tudo.

Harry passou a mão nos cabelos, como doía ser rejeitado, mas ele morreria se não tentasse mais uma vez, se não tentasse uma última vez.

- Você já me amou Ginny, não acha que eu posso fazer isso acontecer de novo? Eu faria tudo por você, você sabe, eu não te prenderia, não te impediria de viver seus sonhos – falou ele fazendo uma indireta a Draco intencionalmente, na tentativa de balançar a garota.

Mas o efeito em Gina foi justamente o contrário, ela lembrou-se de Draco e conseguiu ver com mais clareza a diferença entre seus sentimentos em relação à Harry.

- Isso não é sobre o que sinto por Draco, isso é sobre o que nós sentimos. E eu te amo Harry, por tudo o que nós passamos juntos, pela nossa história, mas esse amor é carinho, é amizade, é saber que você sempre estará aqui do meu lado. Não me peça pra transformar isso em algo mais, não seria justo.

- Sua resposta é não? Por favor Ginny, seja sincera e não piore as coisas – disse ele, a garganta amarga, não choraria de novo, era a última vez.

- Eu não posso Harry, você sabe que eu nunca quis te magoar. Eu sinto muito, me desculpe. Foi tudo uma grande besteira. – falou ela levantando-se desajeitada sem se dar conta que enquanto saia do quarto deixava Harry na mesma situação que ela vivera há anos atrás.

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Gina seguiu o caminho para seu dormitório apressada, as lágrimas se formando novamente em seus olhos, ela não sabia o que pensar, não sabia o que sentia. Podia ter dado uma chance a Harry, podia ter tido uma chance de ser feliz de novo, mas não tinha conseguido. Ela o tinha beijado sem pensar e feito uma grande besteira. Não queria magoá-lo, ela sempre gostara muito dele e não queria que ele sofresse mais uma vez. O grande problema é que ela ainda pensava em alguém, ela sentia-se arrasada, mas cada vez ficava mais difícil sobreviver sem Draco Malfoy.

Com tanta confusão ela só pode distinguir o vulto que se aproximava lentamente com uma garrafa quando ela se chocou violentamente com ele.

- Por Merlin, Gina! Que susto! Você não pode ir andando por aí desse jeito – disse Luna assustada.

- Me desculpe Luna, eu estava distraída – falou ela enxugando os olhos.

- O que houve? Porque você está assim? Foi aquela doninha loira? – perguntou Luna e sem querer fazendo Gina soltar um sorriso.

- São problemas e mais problemas... – disse ela tentando não dar corda ao assunto e foi em direção a maçaneta do seu quarto que ficava logo ao lado do da amiga.

- Pois então vamos conversar sobre esses problemas, eu estou sem sono mesmo – disse ela animada puxando Gina pelo braço.

- Ah não Luna, eu...

- Nada de não! Sabe o que eu tenho aqui nessa garrafa? – disse ela com os olhos arregalados pra garrafa térmica que segurava.

- Café? – arriscou Gina.

- Chocolate Ginny! Chocolate quente, agora venha tomar comigo e me conte tudo o que está acontecendo – disse ela empurrando a ruiva que caiu sentada em sua cama.

Essa era uma das coisas boas de estar de volta a Hogwarts, primeiro as risadas porque Luna tentou conjurar as canecas, só que Gina teve que ajudá-la, pois se recusou a beber em algo com formato de privada. Depois as confissões, como se fossem adolescentes de novo, enroladas nas colchas fofas lavadas pelos elfos:

- O que deu errado? – perguntou Luna – Além do fato dele ser um ex-sonserino e você uma ex-grifinória, deve ter acontecido alguma coisa.

- Ele não quis que eu viesse pra Hogwarts, disse que tinha obrigação de ficar ao lado dele.

- Mas que canalha – falou Luna dando um soco na almofada.

- Foi tão grosso comigo!

- Realmente um canalha... – disse Luna colocando a caneca com estrondo em cima da cômoda.

- Depois disse que eu não o conhecia de verdade, que eu podia ir que ele não se importaria comigo – falou Gina com a voz magoada.

- Mas é mesmo um filho da , um idiota, um escr - enquanto ela xingava arremessava almofadas pelo quarto.

- Luna! Luna! Você tá bem? – perguntou Gina assustada.

- O que? Estou, estou. Sua raiva diminui?

- Xingar o Draco não ajuda, Luna – disse a ruiva desanimada.

- Ah, ok, foi uma tentativa.

- A verdade é que eu tenho revido as coisas, sabe. Eu fui muito dura com ele também, eu sabia que ele sentiria ciúmes se eu viesse para Hogwarts.

- Com toda razão, Harry gosta de você – comentou ela sincera.

- Pois é, pra piorar a situação eu acabei de beijá-lo.

- Você o que?!? – falou ela arregalando os olhos.

- Eu sei! Foi um erro, mas eu estava confusa.

- Você não gosta dele?

- Não.

- Ah sim. Mas então você acha que deveria ter levado em conta o ciúme do Malfoy ? – perguntou Luna respirando aliviada.

- Deveria, mas na hora, cabeça quente, pensei que tudo não passava de infantilidade dele. Eu o amava, não tinha porque pensar ele pensar que algo poderia acontecer.

- No entanto algo acabou de acontecer essa noite e eu te pergunto, você o ama?

- Eu não sei!

- Então talvez o Malfoy tivesse um pouco de razão, embora eu deteste admitir isso – falou Luna tomando um gole do chocolate.

- De que lado você está afinal? Eu esqueci de mencionar que Draco não ligou se eu sonhava em atender diretamente os pacientes de novo, se eu sonhava de voltar pra Hogwarts e todo o resto?

- Ginny, porque você não passou a atender os pacientes em uma das suas clínicas? – perguntou Luna tomando outro gole do chocolate.

Gina ficou sem resposta, era óbvio demais, porque ela não pensara naquilo, podia ter conciliado seus desejos e os de Draco. Mas depois refletiu bem:

- Não seria a mesma coisa Luna, eu queria voltar a Hogwarts, é como se eu tivesse deixado um pedaço de mim aqui.

- De todo jeito você poderia ter vindo pra Hogwarts e tê-lo visitado nos finais de semana.

- Ele não quis, é tão orgulhoso, acha que eu tenho que ficar lá onde ele possa me vigiar o tempo todo.

- Se ele está sendo orgulhoso porque você não dá o braço a torcer? Você o ama, não minta. Vale a pena jogar seu casamento para o alto por orgulho?

- É tarde demais Luna – disse Gina, o coração amargurado – Eu tentei fazer as pazes um dia de noite na Mansão (n/a: início do cap 3), mas ele foi grosso comigo, e aí eu o deixei.

- Não é tarde demais, porque não vai lá no Ministério e conversa com ele?

- Eu fui! Sabe, eu estou com tanta pena do inquérito que ele está enfrentando no trabalho, tenho certeza de que ele não desviaria aquele dinheiro, ele não precisa disso.

- Você foi até o Ministério para ser solidária?

- Não, eu fui dizendo a mim mesma que era pra pedir o divórcio, mas na verdade eu queria vê-lo, queria que ele se assustasse com o meu pedido e lutasse por mim.

- E não deu certo?

- Não – disse ela sem segurar mais as lágrimas – Não deu certo, ele mesmo já tinha entrado com um pedido de divórcio. Acho que ele já me esqueceu, deixou o nosso casamento de lado para sempre.

- Nunca se sabe Ginny, talvez ele precise acordar – falou Luna tentando animá-la.

- Ele parecia bem acordado para mim, com a mão na cintura de Pansy Parkinson.

- Parkinson? Aquela da Sonserina? Péssima escolha, ela é antipática, tinha uma mania de apontar para mim e cochichar com as amigas, não sei bem porque mas...

- Ela é mais bonita do que eu? – perguntou Gina ainda chorando e sentindo-se idiota com aquela pergunta, mas ela não podia evitar, estava abrindo seu coração para a amiga.

- Ah, claro que não, Ginny. Ela só, ela é.. Você sabe, o tipo do Draco Malfoy.

- O tipo do Draco?

- Você não acha que você e o Malfoy combinavam muito, né? A Pansy é sonserina como ele, arrogante, ambiciosa, mentirosa, rica e você sabe, toda aquela coisa de linhagem, um bando de bobagens.

- Ah entendo, então você acha que ele finalmente se tocou de que eu não sou mulher para ele? – perguntou desiludida.

- Não fale besteiras. Gina preste atenção. O Malfoy pode ser arrogante, cabeça dura, mas se ele se importasse mais com bobagens sonserinas do que com você ele não teria feito o que fez. Ele não teria largado a antiga vida dele, ele deixou de ser um comensal, ele matou o pai, tudo, tudo por amor à você, Gina! Pense nisso.

- Você realmen... – falou a ruiva mais foi cortada pela porta que se escancarou mostrando Carmela, a enfermeira que trabalhava com Gina, suada e assustada.

- Gina, você tem que vir, rápido. A Elizabeth, não conseguimos acordá-la.

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A maca branca da enfermaria parecia mais melancólica do que de costume, Elizabeth Malfoy jazia ali com os olhos fechados, as mãos relaxadas ao lado do corpo, como se dormindo em um sono profundo, uma beleza fria emanava da menina. A pele pálida e lisa parecia violada pelos pequenos arranhões vermelhos que os cacos de vidro tinham lhe causado. Amigas da Sonserina choravam silenciosamente ao seu redor, embora nem todas estivessem tristes.

A enfermeira Carmela chegou acompanhada de Gina e Luna, que pareceram surpresas ao encontrar um Harry Potter preocupado encarando a garota e tentando afastar as outras estudantes.

- Como você veio parar aqui? – perguntou a sempre sincera Luna com a delicadeza de um elefante.

- Meu quarto é caminho para o de vocês, Carmela me chamou, afinal, sou o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas.

- Artes das Trevas? Oh não, me diga que isso não tem nada haver com magia negra? – disse Gina desesperada se aproximando da filha.

- Eu não sei, Ginny – falou Harry.

- Ok, não temos tempo pra isso. Carmela vá procurar alguma poção, eu vou tentar acordá-la com algum feitiço. Luna, por Merlin, leve essas garotas daqui!

As duas seguiram rapidamente as instruções enquanto Gina tentava feitiço após feitiço sem sucesso. Ela olhou pra filha e sentiu o desespero alcançá-la, daria qualquer coisa no mundo para não vê-la ali desacordada, será que estava sofrendo? Será que iria morrer? Não! Ela não podia pensar nisso, não conseguiria perdê-la. Já havia tentado de tudo e nada parecia funcionar:

- Filha, por favor, acorde.. – pediu ela sacudindo levemente a garota pelos ombros, as palavras embargadas com o choro – Elly! Você está me ouvindo, acorde Elly, vamos.. por favor..

- Ginny, fique calma – falou Harry, a mão no ombro dela.

- Eu deveria estar cuidando dela, estou aqui pra isso, não era pra isso ter acontecido, foi por isso que vim e Draco não entendeu, oh meu deus, Draco.. Harry por favor, você pode avisá-lo?

- Eu?!

- Se for possível Sr. Potter, eu e a Dra. Weasley temos situações a resolver aqui – disse o diretor Gaspar que acabara de entrar na enfermaria.

- Ah, tudo bem então – disse Harry desconcertado e saiu em direção ao corujal.

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Draco Malfoy aparatou no Hall de entrada de sua mansão, sua cabeça doía, não fazia mais sentido ir ao Ministério, por mais que ele se empenhasse em reunir provas da sua inocência no desvio de dinheiro tudo parecia indicar perfeitamente que alguém de seu setor estava fazendo isso, mas quem seria?

Pensava isso quando foi interrompido pela visão de Pansy Parkinson em seu corredor e da elfa Judy, cujo olhos dobraram de tamanho ao avistar o seu senhor.

- Judy má, Judy má. Deveria estar na cozinha, mas Sr. Malfoy mandou, Sr. Malfoy pediu que Judy obedecesse a Sra. Parkinson – disse ela ajoelhada aos pés de Draco.

- Desgruda daí maldita! – falou Draco sacudindo os pés com nojo – Vai pra cozinha anda!

- Sem castigo? – disse ela inconformada.

- Sem castigo, sai logo!

A elfa guinchou e sumiu com um estalo no ar, Draco encarou a morena que sorria displicente para ele, não parecia constrangida por estar no seu corredor sem sua autorização. O loiro cruzou os braços e fez sua costumeira cara de deboche:

- Devo começar pela invasão a propriedade privada ou por exploração de elfos domésticos que não lhe pertencem?

- Só vim te fazer uma surpresinha, não é invasão, pedi ajuda a elfa para entrar na Mansão, só isso.

- Ela me parecia bem desesperada – comentou desconfiado.

- Elfos são assim Draco, até parece que não foi criado com eles – disse ela encerrando o assunto – Então, como foi no escritório?

- Desisti de pensar que o desvio de dinheiro não aconteceu, mas não fui eu, então tudo indica que foi alguém do setor, amanhã dê uma pesquisada se tem alguém comprando bens novos e coisas do tipo.

- Farei isso, pode deixar – disse ela tentando soar eficiente.

- Já que está aqui, quer jantar?

- Eu adoraria.

É claro que Draco tinha pedido que fizessem faisão, Virgínia não gostava daquela comida, talvez por isso ela parecesse tão saborosa naquele momento com Pansy. Aliás era tão bom fazer tudo que Gina não gostava, embora ele não admitisse que sem ela para reclamar que o cabelo dele estava grande demais, que não devia dar tantos doces à Elly e coisas do tipo, não tinha a menor graça. Mas ela devia estar se divertindo afinal o cabelo do Potter era tão bagunçado que ela poderia reclamar sobre ele todos os dias, idiotas, que fiquem juntos então, belo casal.

- A comida está ruim? – perguntou Pansy observando a cara azeda dele.

- Não, está ótima.

- Você parece meio distan...

Uma coruja marrom e grande entrou na sala de jantar e foi descendo até a mesa em círculos chamando a atenção dos dois.

- Deve ser uma carta da sua filha, parece ser uma das corujas de Hogwarts.

- Estranho, Elly usaria a própria coruja – disse Draco pegando a carta que acabara de cair no seu colo e a abrindo.

"Malfoy,

Espero que você não rasgue essa carta apenas ao olhar para a minha assinatura, porque eu jamais perderia meu tempo lhe escrevendo algo se não fosse por extrema necessidade.

Ginny pediu que lhe mandasse essa carta porque ela está ocupada na Enfermaria tentando reanimar a Elizabeth. Ela desmaiou e não está respondendo aos feitiços padrões. Estamos muito preocupados, nunca vi nada assim, o diretor já tomou conhecimento, venha para Hogwarts o mais rápido que puder.

Harry Potter"

- Então? O que a pirralinha quer? – perguntou Pansy enquanto se servia de mais faisão.

Draco olhava estático para a carta, seu coração batendo acelerado, ouviu a pergunta de Pansy vagamente, mas aparatou em seguida sem respondê-la. Hogsmeade estava silenciosa, mas ele não parou para admirá-la corria o mais rápido que suas pernas permitiam, ele não pensava em Elizabeth, pois se pensasse sabia que morreria de angustia, não conseguia admitir a idéia de que algo estava errado, de que podia perdê-la, apenas queria chegar até ela e rápido.

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A ruiva olhava apreensiva para a filha, haviam tentado de tudo e ela não reagira, porém seu quadro parecia estar estável. Elizabeth estava com os batimentos e a pressão sangüínea normalizados, parecia estar apenas num profundo sono. O diretor Gaspar havia sido muito atencioso, sua conversa com Gina a acalmou mais. Eles sabiam que um hospital comum não poderia fazer mais do que eles fizeram e por isso o diretor estava a caminho do Ministério da Magia com uma amostra de sangue da garota. Claus Gaspar conhecia bruxos sábios que trabalhavam lá diagnosticando males raros causados por magia, eles com certeza iriam poder ajudá-la.

Harry embora se sentisse desconfortável por toda a situação que ocorrera com Gina há uma hora atrás em seu quarto, não achava justo afastar-se dela num momento como aquele. Ele a abraçou por trás e falou no seu ouvido enquanto apertava as mãos da ruiva:

- Vai ficar tudo bem Ginny, não se preocupe. Nós vamos descobrir como ajudar a Elizabeth. Eu te prometo, nem que seja a última coisa que eu faça, ela vai ficar bem.

Gina apertou a mão dele em retorno, talvez tivesse dito algumas palavras se a porta não tivesse sido aberta de maneira brusca e um pálido Draco Malfoy não tivesse entrado na enfermaria. Harry soltou Gina e ambos se viraram para Draco, havia um silêncio incômodo entre eles, Draco olhava pra Gina com desprezo.

- Desculpe interromper a cena romântica mais uma vez. Mas eu não entendo o porque das carícias se pelo que o Potter disse temos problemas... maiores por aqui! – disse ele gritando a última parte, normalmente ele não perderia o controle com ceninhas de ciúme, mas estava incrivelmente abalado com a notícia sobre a filha.

Harry saiu da enfermaria murmurando algo para Gina, Draco avançou em direção a cama de Elizabeth e empurrou a ruiva de maneira grosseira para se aproximar da filha. Ele colocou a mão na testa da menina loira, como se pudesse perceber que era apenas uma febre por ter ficado muito tempo brincando na neve com os primos. Ao ver que a menina estava com a temperatura normal ele sacou a varinha:

- Enervate! – disse ele e Elizabeth sequer se mexeu – Enervate! Enervate! Enervate! Enervat.. Enerv..

- Draco, isso não adianta, eu já tentei – disse Gina ao ver o desespero do ex-marido.

- Não dirija a palavra à mim – falou ele friamente.

- Draco, não podemos deixar isso de lado por um minuto? E a nossa filha que está aqui em perigo!

- Está assim graças à você! Onde você estava quando ela desmaiou? Não, não precisa responder, devia estar se agarrando com o Potter! Você não encheu tanto o saco pra vir pra cá, então porque é que não estava tomando conta da Elizabeth! Eu juro, eu juro que se algo acontecer à ela, eu, eu..

Draco não terminou a frase porque sentiu a mão de Gina se chocar violentamente contra o seu rosto que passou a arder intensamente. Meio abobado com o tapa ele ficou estático encarando a ruiva que chorava e apontava o dedo ameaçadoramente para ele:

- Não ouse abrir a boca pra falar sobre como eu cuido dela! Não há ninguém no mundo que seja mais importante para mim, eu faria tudo por ela e nunca colocaria nada na frente do bem estar de Elizabeth! Pare de usar o seu ciúme idiota pra me ofender!

Olhar para ela chorando dessa forma acabava com ele, ainda mais sabendo que ele provocava tudo aquilo. Draco sentiu-se extremamente idiota naquele momento, onde ele estava com a cabeça afinal? Aquela ali a sua frente era Virgínia Malfoy, foram casados por doze anos, doze anos! Ele estava sendo tão orgulhoso, não conseguia admitir que a atacava porque ela ainda revirava seus sentimentos. Mas ele já a havia magoado tanto, era tão tarde para fazer alguma coisa.

- Eu não quis dizer isso, eu perdi a cabeça, ok? Só estou nervoso por causa dela. Eu sei o quanto você a ama, eu realmente não pensei quando falei e..

- Vá para o inferno, Malfoy! – disse Gina saindo apressada e batendo a porta da enfermaria atrás de si, deixando o loiro pensar que realmente era tarde demais.

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Draco encarava a filha melancólico, quase como se um círculo de dementadores estivessem sugando todas as suas chances de ser feliz algum dia. Então, algo completamente extraordinário aconteceu, Elizabeth mexeu a cabeça para o lado e abriu os olhos, piscando várias vezes, tentando se situar ao contexto em que se encontrava, reconhecendo aos poucos a Enfermaria.

- Elizabeth! Você pode me ouvir? Você está bem? – perguntou apertando as mãos da garota.

- Estou, só estou meio fraca – falou ela tentando sentar.

- Não não, continue deitada.

- O que faz aqui? – questionou ela mal educadamente.

- Não lhe repreendo pela arrogância somente pelo seu estado. Como assim o que faço aqui? Você desmaiou, ninguém conseguia acordá-la.

- Achei que estava muito ocupado com aquelazinha. – falou a menina em tom de deboche.

- Sua mãe lhe contou sobre Parkinson? Porque você sabe, Virgínia com certeza está tendo um casinho com o cabeça rachada nojento.

- Claro que ela não me contou, ela não foi tão baixa como você está sendo agora, tentando me jogar contra ela – falou ela de forma lenta como se cada palavra fosse um enorme esforço - Eu soube pelo Semanário das Bruxas.

- Não temos tempo para essas futilidades! – disse ele totalmente desconcertado – Vou procurar a sua mãe e..

- Pai! – disse ela segurando o braço dele e impedindo que ele se levantasse – Você está sendo tão cego!

- E você está sendo muito atrevida pra quem estava totalmente desmaiada a poucos minutos mocinha.

- Diga-me, quando as suspeitas de desvio de dinheiro começaram?

- Ora, Elizabeth isso não é hora, você está tão fraca.

- E quando você contratou Parkinson?

- Isso não tem o menor cabimento Elly, ela nunca trairia a minha confiança – falou Draco assimilando o que a filha tentava insinuar.

- Ah é? Pois ela acha que você já traiu a dela, e ela tem direito de fazer o mesmo. Não acha que se vingar roubando o dinheiro e colocando a culpa em você seria uma boa forma?

- Aonde você quer chegar? Do que você está falando?

- Elizabeth tirou a varinha do bolso do pai de maneira ágil e apontou para a própria cabeça.

-O que você vai fazer Elizabeth?! Enlouqueceu?! – perguntou desesperado.

- É claro que não, eu não privaria o mundo de uma beleza como a minha - disse ela afastando a varinha da cabeça e Draco percebeu que havia um fio prateado grudado nela, a menina havia retirado um pensamento para ele.

- Pode ser que eu esteja errada, mas para mim faz muito sentido.

Draco recebeu a varinha de volta e guardou o filamento mágico num vidro de remédio vazio que estava na mesinha de cabeceira e o colocou em seu bolso. Encarou a filha com carinho, não importava que a recepção dela tivesse sido tão acusadora, ele sabia que Elizabeth era muito geniosa, ele só estava aliviado e feliz de ver que ela melhorara.

- Eu também te amo pai – disse ela sorrindo e adivinhando os pensamentos do loiro que sorriu em retribuição.

- Fique aí quietinha que eu vou chamar a sua mãe.

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Enquanto isso, no outro lado do castelo, Harry entrava silenciosamente na sala dos professores que ele julgara vazia, mas já havia alguém em seu interior. Luna estava sentada no sofá de veludo, e com a cabeça apoiada nas mãos enquanto observava o fogo que crepitava na lareira. Harry sentou ao lado dela com um suspiro, as coisas faziam tão pouco sentido pra ele... Havia tido um casamento feliz, sabia que Cho nunca tinha conseguido despertar um sentimento verdadeiro da parte dele, mas ainda assim, ele tinha uma vida tranqüila ao seu lado. Vida que era totalmente desestabilizada toda vez que Gina se aproximava dele, e agora ele havia sido rejeitado, mais uma vez.

Sentado ali sem mencionar nenhuma palavra, pensou se sentiria tudo aquilo até o resto de sua vida, se nunca seria capaz de esquecê-la, se sempre sofreria por ela. A imagem dela com lágrimas nos olhos por causa da filha lhe cortava o coração e ele desejou mais uma vez que pudesse fazer algo para curar Elizabeth.

- É dói mesmo... – disse Luna repentinamente e Harry ficou em dúvida se ela estava murmurando para si mesma ou falando com ele, mas mesmo assim ele respondeu.

- O que dói?

- Amar alguém, e esse alguém amar outra pessoa.

- Ah sim – respondeu Harry sem graça.

- E como a menina está?

- Ainda desacordada, mas o diretor já está tomando conta da situação, a essas alturas o pai dela deve estar aí.

- Nossa, você não deve estar tendo uma noite nada fácil, né?

- É... Eu só queria poder arrancar o que eu sinto do meu peito.

A voz de Harry estava tremida, Luna podia ver que seus olhos estavam úmidos, e aquela visão a machucava tanto que ela até se assustava. Queria poder fazer alguma coisa, queria que ele esquecesse Gina, queria que ele fosse feliz. Logo ele, que sempre fora tão bom com todos e principalmente com ela. Mesmo quando todos caçoavam dela, ele parecia compartilhar algo com Luna. Como se os dois soubessem no fundo como é ser incompreendido, como é se sentir diferente de todo o resto.

- Sabe Harry, talvez se você parasse de tentar esquecê-la, isso aconteceria naturalmente. Se você ficar sempre pensando que não tem que pensar nela, isso já faz com que você pense nela e se você pensa nela não consegue esquecê-la, logo você não pode pensar nela mesmo que isso significa pensar em esquecê-la porque aí você já estaria pensando nela e isso significaria que...

- Ok Luna – disse Harry contendo o riso – Eu acho que já peguei a essência da sua idéia.

- Acho que você vai conseguir, sabe, você derrotou o Lorde das Trevas, esquecer uma garota é bem mais fácil. A não ser que ela seja uma Namberete.

- Uma o quê?

- Namberete Ora francamente Harry, você ensina Defesa Contra as Artes das Trevas e não conhece as Namberetes? São criaturas fatais disfarçadas de mulheres que dominam os seus pensamentos e vão sugando suas idéias para alimentar as crias. Se você quiser eu te empresto a última edição da revista do pai, lá tem uma matéria sobre elas.

- Ah, obrigado Luna, é melhor eu ler mesmo talvez a Ginny seja uma Namberete – disse ele rindo.

- Não, ela não é – respondeu Luna séria.

- Ah não?

- Não, os pés dela sabe, são muito pequenos pra ser uma Namberete.

- Hahaha, ok. Menos mal, isso significa que eu tenho o controle da minha mente, que bom. E essa mente me diz que eu deveria ir dormir, mas eu tenho que ficar aqui esperando pelo diretor.

- Bom, minha mente sugere que você deite no sofá e meu corpo acrescenta que se você quiser apoiar a cabeça no meu colo ele não vai reagir negativamente.

- Ah é? – disse Harry sorrindo e começando a se acomodar no sofá – Pois diga a sua mente e ao seu corpo que eu estou muito agradecido.

Ele deitou a cabeça no colo dela achando bastante confortável a sensação do algodão macio da saia dela, tão confortável que o sono aumentou ainda mais, os dedos dela se perdiam no seu cabelo desalinhado, Luna fazia um ótimo cafuné. Ele olhou pra cima, e antes de fechar os olhos e adormecer a última coisa que viu foram dois olhos azuis o encarando atentamente.

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Draco não precisou andar muito pelo colégio, embora caminhar pelos corredores vazios lhe trazia uma sensação muito boa, sentia-se em seus turnos de vigia de quando era monitor, pronto pra pegar algum aluno desprevenido e lhe dar alguma detenção terrível. Mesmo gostando do momento nostálgico seu rosto se iluminou ao encontrar Gina e o Diretor Gaspar parados próximos a uma estátua, a ruiva parecia aflita.

- Desculpem interromper, mas eu devo admitir, eu sou mais eu – falou ele com um sorriso convencido.

- Ah sim, ótimo, parabéns, já sabemos como você é maravilhoso. Será que você não consegue deixar o seu egocentrismo de lado nem quando estamos numa situação como essa? – perguntou a ruiva irritada.

- Não, eu não consigo. Porque eu tenho razão em me achar o máximo, afinal, uma pessoa que mal chega na enfermaria consegue acordar a paciente que ninguém conseguia, tem que ser o máximo mesmo.

- Oras seu metido, você.. – continuou Gina, sem prestar atenção ao que ele havia dito.

- O quê? A menina Elizabeth acordou? – perguntou assombrado o diretor, fazendo Gina parar estática olhando para Draco.

- Eu sei, eu sei, mereço uma medalha.

- Isso é um ótimo sinal! Vou na enfermaria, a equipe de pesquisa do Ministério já deve estar chegando lá – falou Gaspar.

- Por Merlin! Que ótimo, vamos logo! – disse a ruiva começando a andar, mas foi impedida pelo diretor que segurou o seu braço.

- Não, não. Fique aqui, a equipe é extremamente rígida quando investiga algum caso como esse, vão querer a sala vazia e a sua histeria só vai atrapalhar.

- Mas Diretor! É a minha filha! Ela acordou, eu quero vê-la.

- Por favor Virgínia, seja razoável, espere só alguns minutos e pode ir. Ela está bem não é, senhor Malfoy?

- Sim, ela está bem. Desperta e conversando.

- Ótimo! Vou indo então, te espero lá daqui a pouco, Weasley. Boa noite, Malfoy – falou o diretor e saiu apressado virando o corredor.

Gina ficou ali parada, respirando de maneira mais acelerada que o normal e encarando Draco Malfoy cujos cabelos caiam por cima dos olhos e que ostentava um sorriso bobo no rosto. Por um momento ela se lembrou de quando Draco descobriu que ela estava grávida, talvez porque parecesse que Elizabeth estava nascendo de novo, uma alegria cúmplice se alargava entre eles.

E embora ela soubesse que Draco não tivesse feito nada de relevante para que a menina despertasse, era como se a vinda dele tivesse trazido sentido novamente para todas as coisas. Era como se tudo tivesse voltado a ser como antes e aquele era o momento que ele a abraçaria e diria alguma bobagem em seu ouvido sobre como a filha era maravilhosa já que eles tinham caprichado bastante na hora de fazê-la. E ela daria um tapa no braço dele e as palavras de queixa iriam morrer na boca dela porque ele não daria tempo para isso e a beijaria, não com ternura ou com carinho, mas com paixão, que era a força devastadora que os havia unido mesmo diante de tantas diferenças.

Mas é claro, isso é o que aconteceria se eles ainda estivessem juntos, mas o que acontecia na verdade era que Gina não conseguia se mexer, e que o silêncio estava cada vez mais incômodo e ambos sabiam que algo devia ser dito, o loiro achou que era ele que deveria falar:

- Lá na enfermaria, eu não quis dizer aquilo – disse ele passando a mão no cabelo.

- Tudo bem – respondeu Gina encostando as costas na parede do corredor.

- É serio, é que eu estava tão preocupado, você sabe como eu fico quando acontece alguma coisa com ela.

- Eu sabia como você ficava, agora Draco, não sei muita coisa sobre você, as suas reações, a pessoa que você se transformou desde aquela noite em que eu fui embora, dessa pessoa eu não sei mais nada.

Como doía magoar Gina, era algo quase insuportável, que ele fazia de forma inconsciente porque sentia que ela deveria aprender alguma lição, sentia que ela devia entender que deixá-lo havia sido algo muito, muito errado. Mas em momentos como aquele, tudo parecia tão confuso, aqueles olhos perdidos de dela pareciam suplicar que ele entendesse que as coisas haviam chegado aquele ponto por causa dele. No fundo essa idéia parecia correta para Draco, simplesmente porque admitir sua culpa era a melhor forma de se aproximar dela novamente. E agora a poucos metros dela a idéia de viver sem Gina parecia a pior sentença de sua vida, e ele desejou ser menos orgulhoso e estúpido, e ser capaz de consertar tudo o que tinha feito.

Sem ao menos entender o que fazia, seu corpo deu alguns passos em direção à ela, analisou as expressões tão familiares, o contorno delicado da boca. Como ele podia ter pensado que o emprego os afastaria? Como ele podia ter sequer imaginado que a sua Gina daria alguma chance para o Potter? Ele fora tão idiota, tão cego e agora parecia simplesmente tarde demais, ele a magoara muito, e ela o odiava.

O coração da ruiva batia acelerado, como se não bastasse estar cara a cara com Draco, conversando depois de tantas coisas, agora ele estava a poucos centímetros dela e a olhava como se tivesse algo a falar. Os olhos cinzas estavam indecifráveis, pareciam um pouco mais escuros que o normal. Ela só pode se encolher mais ainda contra a parede ao sentir as mãos frias dele segurando o seu rosto e a voz aflita saindo meio rouca, meio baixa:

- Você acha que eu gosto da pessoa que eu me tornei? Você acha que é uma escolha viver assim?

- Você é dono dos seus próprios atos, Draco.

- Não, eu não sou, eu não posso controlar isso, é como se a minha vida fosse detestável de novo, é como se o meu pai estivesse na Mansão e como se só houvesse a falsidade sonserina todo o tempo.

- Você não me pareceu viver uma vida detestável no Ministério, com aquele escritório, Parkinson e tudo mais.

- O problema é... - disse ele suspirando – que eu odeio a pessoa que eu sou, quando estou longe de você – disse ele e desceu a mão suavemente do rosto para o pescoço macio dela, pôde senti-la se arrepiando.

A ruiva permanecia em silêncio, não sabia o que aquilo significava, era um pedido de desculpas? Ele queria recomeçar tudo? Ou estava apenas desabafando? Ela não sabia o que pensar. Queria dizer algo, mas tinha medo de que estivesse interpretando tudo errado e parecesse muito fraca diante dele.

- Eu não quero mais que a minha vida continue desse jeito – continuou ele, os olhos indecisos as mãos desciam incertas e ele as entrelaçou ao redor da cintura dela, os olhos castanhos mexiam intensamente com ele – Gina, eu preciso de você.

- Draco eu não consigo entender tudo isso, porque você...- começou Gina, mas parou ao sentir as mãos de Draco apertando a sua cintura enquanto ele encostava o corpo no dela, a proximidade lhe tirava o ar, a respiração dele parecia entrecortada.

- Eu te amo, você não consegue sentir isso? Não é simples o bastante pra você?

Ela não pensou numa resposta, apenas se rendeu quando os lábios dele encostaram nos dela, primeiro de maneira receosa como se temesse um choque ou alguma reação explosiva, depois de maneira intensa, como se ele estivesse desesperado e precisasse daquilo para sobreviver, como se fosse vital percorrer as costas delas com os dedos e sentir as mãos dela apoiadas em seu peito se contorcerem quando os beijos a faziam perder o ar.

E agora que ela estava ali, fazendo com que se sentisse vivo de novo, como se depois disso a vida se resumisse a estar com ela, e isso era tudo que Draco mais desejava. Ele não compreendia como tinha conseguido sobreviver um dia longe daquela mulher, mas na verdade sabia que era isso, ele não tinha conseguido e por isso estava ali, para tomar a sua vida de volta, aquela vida que ela roubara desde o momento em que ele a carregou nos braços, desde aquele dia em que a seqüestrara para o plano de Voldemort, ele jamais imaginaria que aquela figurinha de vestido leve o faria se sentir desse jeito.

- Draco – disse Gina o empurrando com esforço – Elizabeth, eu quero vê-la.

- Ah, tudo bem. Eu tenho que ir, tenho coisas para resolver no Ministério – disse ele tentando não soar desapontado e tirou o vidro de remédio em que um fio de lembrança da filha brilhava - Amanhã bem cedo volto pra ver como ela está.

- Bem, então, depois nós... – disse Gina sem graça.

- Conversamos? – tentou ele, já sabendo que com certeza eles ainda teriam muita conversa pela frente, mas pelo menos o fato daquele beijo ter acontecido já significava para Draco que nem tudo estava perdido.

- É, depois conversamos. Então, tá, eu vou indo – disse ela se virando e se afastando devagar.

- Gina! – chamou Draco repentinamente e ela se virou esperando que ele falasse alguma coisa, desejou que fossem desculpas, um pedido para voltar, qualquer coisa, mas ele só balançou a cabeça.

- Não é nada, deixa pra lá – disse ele e partiu apressado na direção contrária.

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Virgínia abriu a porta da enfermaria com violência, queria ver a filha, queria ter certeza de que ela estava bem, alheia ao seu redor, a ruiva foi em direção a cama em que a filha estava deitada anteriormente, mas ela estava vazia. Bem, talvez Elizabeth tivesse sido removida para outro leito, mas ao passear os olhos por todas as camas não conseguiu encontrar a menina em nenhuma delas. Já sentindo o desespero se apoderar olhou com calma ao seu redor e percebeu que só haviam duas pessoas na enfermaria o diretor e um homem que vestia vestes brancas com detalhes em verde.

O diretor ao observar o rosto transtornado dela fez um gesto para que ela se acalmasse e falou de maneira tranqüila:

- Ela acordou por alguns minutos, isso foi um bom sinal, mas ela parou de responder e caiu no sono novamente. Os médicos do Ministério já a levaram.

- Como assim ela desmaiou de novo? Ela estava acordada! Isso não pode ser verdade! Eu quero vê-la!

- Virgínia, por favor, o Ministério está mais equipado do que nós para tentar descobrir que doença ela tem, é algo muito incomum. Vamos ser pacientes e deixar que eles façam o trabalho deles, você estando lá emocionalmente abalada só prejudicaria tudo.

- Eu sei, mas eu não entendo... – disse ela sem conter as lágrimas – Ela estava bem de novo, o Draco disse..

E lembrou-se dos lábios dele nos dela e de como tudo parecia estar dando certo. E ela nem sabia o que significava toda aquela atitude dele. Mas tudo havia mudado nesses últimos minutos e agora ela estava desesperada mais uma vez e perdida. Longe de tudo que a fazia sentir-se viva.

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Nota da Autora: Aleluiaaa! Sim, eu atualizei depois de alguns séculos. Mas aconteceram tantas coisas, fiquei sem inspiração, depois me mudei e fiquei sem computador, mas agora está tudo bem. Espero não ser mais tão apedrejada por causa do H/G hahaha.. A fic está aos poucos entranda na sua reta final, não sei ainda quantos capítulos vem pela frente. Vocês devem ter reparado que este capítulo está mais "bonitinho", isso graças a minha beta maravilhosa Lou Malfoy que corrige meu erros de português, dá idéias e me mata de rir com os comentários dela. Não sei como essa fic sobreviveu todo esse tempo sem ela pra me ajudar, hehehe... Só posso dizer que estou amando escrever Paixão Inesperada II, e que embora as vezes ela fuja um pouco do meu controle (eu juro que os personagens tem vida própria) estou tentando manter o enredo original que eu tinha pensado. Tenho adorado também ler as reviews e os e-mails de vocês, então resolvi pegar uma idéia que vi em uma fic:

!!!!!!ATENÇÃO!!!!!!: Quem mandar a review número 50 vai entrar na história, preciso de uma personagem nova para algumas cenas, e resolvi que ia ser uma boa faze-la baseada em alguma das minhas leitoras que me deixam tão feliz com as reviews. Sorry boys, mas é só vale para meninas, se o 50 for um garoto, a premiada vai ser a próxima review (no caso 51).

Enfim... É isso.. vou tentar atualizar o próximo capítulo mais rápido dessa vez, espero que cheguemos a review 50 pra que eu coloque logo a personagem nova e possa adiantar a história.

Um beijo grande para todos e obrigadaaaa!
Biazinha

N/B: Oiieee, como vocês estão??? Finalmente temos um cap novo dessa fic maravilhosa, e parece que nesse cap as coisas começaram a se resolver!!! E se vocês querem saber como as coisas vão ficar e se a Elizabeth vai melhorar mandem uma review para estimular a Biazinhaa!!! É uma honra para mim betar essa fic, é só clicar no "Go" e dizer o que você achou desse cap, a beta e a escritora agradecem. Bjinhosss, Lou Malfoy!!!!

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