Casal: CedricxHarry
Classificação: Slash, Angst
Notas: Eles não pertencem a mim, infelizmente. E culpem o filme por essa história existir. 8D Eu não tinha percebido as probabilidades no livro antes.
Primavera tardia – primeira parte
Estava quase amanhecendo e o jovem de 14 anos via Edwiges levantar vôo para entregar sua carta para Sirius, onde quer que ele estivesse. Ele só esperava que acordar com sua cicatriz doendo não fosse um mau sinal.
Um farfalhar chamou sua atenção. Ele viu uma coruja marrom com pintas pretas se aproximar mais e mais da sua janela. Harry franziu a sobrancelha. Nunca tinha visto aquela coruja, de quem seria?
Ele deixou o animal entrar e pegou a carta enrolada em sua pata. Enquanto deixava a coruja beber água e descansar, o jovem bruxo abriu a carta, estranhando ainda mais a letra curvada e fina.
"Harry,
Provavelmente você não deve nem se lembrar do meu rosto. Quem está escrevendo é Cedric Diggory, da Lufa-Lufa. Aposto que seu sentimento para mim é apenas de raiva, por nosso time ter ganhado de você no Quadribol, quando você caiu da vassoura.
Mas não foi para isso que eu escrevi. Soube que esteve envolvido com Sirius Black no final do semestre e quase foi morto por causa disso. Meu pai me contou sem muitos detalhes a histórias, pois o Ministério ainda está preocupado de não tê-lo capturado. Mas o que eu queria saber...é como você está.
Sirius Black é seu padrinho, não é? Papai esteve no casamento de seus pais e ele deixou isso escapar em nossas conversas. Sei que você tem poucos amigos próximos, apenas aquela garota e o Weasley, por isso...não sei o que me levou a fazer isso, mas...gostaria que soubesse que se um dia quiser conversar sobre isso, eu estarei a disposição.
Sei que não somos amigos, mal nos falamos para ser sincero. Mas apenas...gostaria de tentar. Ser seu amigo, digo. Será que isso um dia será possível Harry?
Eu vou à final da Copa Mundial de Quadribol. Espero que apareça por lá, assim conversaremos mais, quem sabe?
Até logo,
Cedric"
Ele leu uma, duas, três vezes. E a cada leitura seus olhos se arregalavam mais. Que raio de carta era aquela? Porque Cedric se interessara tanto? Porque se preocupava?
Ninguém nunca havia se preocupado com ele, tirando Hermione e os Weasley. Mas com essa carta...um sentimento agradável invadiu todo seu corpo.
É...talvez eles pudessem ser amigos, quem sabe? Não faria mal algum tentar, não é mesmo?
Ele viu a coruja pousar ao seu lado e ficar parada, como que esperando resposta. Rapidamente ele puxou um pergaminho e escreveu:
"Cedric,
Não posso mentir, dizendo que sua carta não me surpreendeu. Não sei o que deu na sua cabeça para escreve-la, mas...fico de certa forma feliz que tenha feito.
Eu irei a Copa Mundial, sim. Sairei da casa dos Weasley e de lá iremos. Quem sabe nos encontramos lá, não é? Podemos tentar ser amigos.
Harry"
Ele leu mais uma vez, vendo se não estava idiota demais. É, estava bom. Logo ele prendeu a carta no pé da coruja e soltou no ar, ao mesmo tempo em que via os primeiros raios de Sol invadirem seu quarto. Era hora do café da manhã com os Dursley.
Mas naquele dia, estranhamente, ele se sentia bem.
Eles andavam em direção a barraca que usariam na Copa Mundial. Os Weasley comentavam sobre os times e Hermione conversava animada com Gina. Harry ficou mais para trás, observando com interesse tudo que o mundo mágico ainda lhe surpreendia. Uma voz cortou seu devaneio.
- Você recebeu minha carta, Harry?
O moreno voltou seu rosto para Cedric.
- Sim...você não recebeu a resposta que eu mandei?
- A Henry deve ter voltado depois que eu saí de casa.
- Henry?
- A coruja da minha mãe. – respondeu o loiro, sorrindo levemente.
- Então...seremos amigos certo? – disse o grifinório o observando de canto de olho.
- Claro! Se você aceitar.
Eles pararam de andar. Iriam se separar para irem à suas respectivas barracas.
- Aceito sim. – disse Harry.
Cedric estendeu a mão.
- Nos vemos no jogo então?
- Certo. – eles apertaram as mãos.
O moreno entrou na barraca, arregalando os olhos, vendo seu tamanho se comparado com o lado de fora. Rony parou ao seu lado.
- Harry...que é que você tanto conversava com Cedric?
- Nada. – disse. Seu instinto lhe dizia que não deveria contar sobre a carta que recebera do aluno da Lufa-Lufa. Por hora.
Seus pés amassavam madeira queimada e cinzas do que fora o acampamento de Quadribol. Isso não era nada bom, aquele ataque. Harry via vários bruxos do ministério andando pra lá e pra cá, tentando resolver todas as reclamações e atendendo os feridos. Ele havia saído da barraca, onde os Weasley e Hermione dormiam. Ele queria ficar só.
- Acho que nunca vou querer entrar no Ministério... – disse para si, vendo os homens atarefados.
- Ótima idéia.
A voz o fez pular de susto literalmente. A risada de Cedric chegou aos seus ouvidos. Os olhos verdes se estreitaram. Detestava quando riam de si, não importava as circunstâncias.
- Qual a graça?
- Calma Harry... – disse o loiro, parando de rir. Ele apenas o encarou – Só disse que era uma ótima idéia você não entrar no ministério, sabe? Eu vejo pelo que meu pai passa e não desejo isso pra ninguém.
O grifinório cruzou os braços enquanto chutava um graveto queimado.
- O que faz em pé?
- Sem sono. E você?
- O mesmo.
Um silêncio pesado caiu sobre eles. Harry desviou o olhar para o céu.
- Sabe...eu ainda não entendo porque você quer ser meu amigo Cedric. Tem tanta gente mais...
- Popular? – disse o aluno da Lufa-Lufa.
- É. – disse num bufo.
- Eu não me importo. – o jovem sentou-se num dos tocos de madeira. Harry fez o mesmo – Na verdade nem eu sei o que me fez escrever aquela carta. Só imaginei...que você deveria estar sofrendo em descobrir que seu padrinho matou seus pais e tudo mais...
- Ele é inocente.
- Ahn? – disse o loiro, voltando seus olhos cinzentos para o moreno.
- Sirius é inocente.
- Como você pode saber?
Sem saber porque, ele se abriu com Cedric. Contou tudo que acontecera no ano anterior e, para sua surpresa, dividiu o que ele sentira ao ter a felicidade a poucos centímetros de suas mãos para depois ser arrancada.
Só quando um funcionário do ministério os avistou, foi que eles se separaram, indo para suas barracas.
Tudo estava tão calmo. Mas Harry deveria saber que isso não duraria tanto assim. Afinal, seus anos em Hogwarts nunca foram tranqüilos.
Ele não sabia o que era pior: ser selecionado para o Torneio Tribruxo ou receber aqueles olhares de desprezo. Ele e Cedric caminhavam pelo salão principal, agora deserto. Foi quando a voz do mais velho ressoou no silêncio pesado.
- Então...vamos jogar um contra o outro novamente!
- Acho que sim. – disse sem muita emoção.
Durante os primeiros meses em Hogwarts nesse ano, eles mal tiveram tempo para conversar, visto que Hermione e Rony sempre estavam com ele e porque...eles mantinham a nova amizade em segredo.
- Então me conta...como foi que você conseguiu inscrever seu nome?
- Não inscrevi. – disse o moreno, erguendo os olhos para o loiro – Não pus o meu nome lá. Falei a verdade.
- Ah...ta. – o sorriso no rosto do outro era falso e Harry sabia disso – Bom...a gente se fala então Harry!
Com um aceno, Cedric sumiu em direção a sua casa.
Harry sentiu um peso estranho no estômago, coisa que só sentira quando vira Cho no vagão do Expresso Hogwarts. Não sabia porque, mas a descrença do outro lhe machucara. Se eles eram amigos, porque ele não acreditara nele?
Amigos. O grifinório poderia rir da palavra. Desde que aquela 'amizade' começara, ele experimentara as mais estranhas das ocorrências. Eles mal se falavam nos corredores. Todas suas 'conversas', se é que podia chama-las assim, eram por bilhetes.
Agora porque ele mantinha aquela amizade em segredo era o que mais confundia sua mente. Não é como se Hermione ou Rony achariam estranho ele ter como amigo um aluno da Lufa-Lufa. Que os derrotara no ano passado.
Achara sua resposta.
Mais tarde, deitado na sua cama enquanto ouvia a chuva ruidosa escorrer pelas vidraças, ele achara outra resposta. Ninguém acreditava que ele não tivesse trapaceado. Nem Cedric, nem Rony.
CONTINUA
Mystik
