Disclaimer: Não, Furuba ainda não me pertence...
Melodramatic fool
Do you have the time to listen to me whine
Você tem tempo para me ouvir choramingar
About nothing and everything all at once
Sobre nada e tudo, tudo de uma vez
I am one of those
Eu sou um desses
Melodramatic fools
idiotas melodramáticos
Neurotic to the bone
Neurótico até os ossos
No doubt about it
Sem dúvida quanto a isso
Sometimes I give myself the creeps
Às vezes eu tenho arrepios
Sometimes my mind plays tricks on me
Às vezes minha mente prega peças em mim
It all keeps adding up
Isso tudo continua se somando
I think I´m cracking up
Eu acho que estou quebrando
Am I just paranoid?
Eu sou um paranóico?
"Basket Case" – Green Day
Andava abraçando o próprio corpo, num gesto mais provocado pela insegurança que pelo frio. As ruas ficavam mais vazias no inverno, mas para ele, ainda parecia ter gente demais.
Avistou mais a frente um grupo de garotos e pensou em todas as maneiras possíveis de evitar passar por eles. Não conseguindo lembrar de nenhum caminho alternativo, andou o mais relutantemente que conseguiu.
Suspirou ao passar. Previra cada um dos comentários que ouviu.
"Não sabia que boneca andava..."
"Tem colher, gata? Eu to dando sopa."
Apertou o passo e saiu olhando para baixo. A maioria das pessoas teria uma resposta na ponta da língua pra cantadas imbecis do tipo. Em seu caso, amais óbviadelas seria dizer que não era uma garota, mas Ritsu Sohma não conseguia se forçar a falar qualquer coisa.
Continuou andando e um dos garotos começa a segui-lo.
"Ei, menina qual é? A gente só queria te conhecer..."
"Mas, eu... Eu..."
O garoto segurou em seu pulso.
"Espera aí."
"Eu tenho que ir." Tentou se desvencilhar, mas o garoto apertou com ainda mais força. Doía.
Ritsu pôde perceber os olhos atentos do rapaz sobre si, esquadrinhando cada detalhe. Pôde ver o menino apertando os olhos, concentrado.
"Peraí... Tem alguma coisa errada..." Ele disse enquantoo Sohmaapenas esperava a bomba explodir. "Tu é um cara?"
Aproveitando-se do choque do outro, Ritsu liberou agilmente seu pulso do aperto.
"Gente! É um cara!" o jovem continua; rindo. "Um cara de cabelo comprido, laço e camisa rosa..."
"Desculpem-me! Eu tenho que ir!"
"Peraí, afeminado! Vem aqui conversar!" O garoto disse de maneira agressiva.
Ritsu sequer ouviu a última frase. Instintivamente começara a correr. ercebeu que o grupo o perseguia, mandando-o para parar. Aumentou ainda mais a velocidade.
Das poucas vantagens de ser um juunishi. Habilidades físicas fora do normal. Conseguira fugir, mas não sem antesaguentar mais algumas ofensas gritadas ao longe e não sem antes se desviar uns dez quarteirões de seu caminho.
E agora? Estava perdido! Como chegaria à Mansão Sohma a tempo pra festa? E se topasse com outras pessoas como aqueles garotos no caminho? Talvez devesse desamarrar o cabelo! Ou quem sabe voltar pra casa e trocar a camisa? Mas como ia voltar pra casa? E se o fizesse quanto tempo mais levaria pra chegar à festa?
Parou pra respirar, percebendo que outra vez estava entrando em surto.
Pensar antes de desatar em lamentações e desculpas não era exatamente seu forte, mas tentou. Decidiu que seria mais fácil se tivesse uma vista panorâmica das ruas.
Com a agilidade que lhe era natural, escalou a árvore alta mais próxima e procurou. A casa não estava muito longe, não seria muito difícil chegar. Desceu lentamente e continuou a andar na direção que lhe parecera mais apropriada; sentindo uma pontinha de orgulho por ter conseguido manter a calma e pensar direito, para variar.
Porém qualquer outro sentimento, além do costumeiro nervosismo, desaparecia conforme ele se aproximava da Mansão.
E se ele estivesse parecendo mesmo uma garota? Como a família inteira o olharia quando entrasse? Se bem que praticamente a família inteira já o vira vestido como garota... O que faria a respeito disso então? O que pensavam dele? Ia entrar na casa, sozinho? Com quem ia conversar? E o que tinha dado nele pra por aquela camisa rosa? Tinha que voltar pra casa e trocar!
Surtando de novo. E dessa vez não conseguia se acalmar.
Não podia entrar. Ia envergonha a família! Ia ficar parecendo um idiota sozinho ali no meio. Precisava se desculpar. Precisava ir embora. Precisava parar e respirar.
Passou reto pelaentrada da Casa Principal e se dirigiu aos jardins. Era melhor ficar sozinho do que já entrar na festa se desculpando com desconhecidos, por motivos que só ele entenderia. Era um neurótico autêntico.
Podia ouvir, mesmo no jardim, o barulho de algumas conversas. Ficava nervoso com isso. Ergueu as mãos na direção de um galho da árvore alta mais próxima e içou o corpo pra cima. Continuou escalando, galho por galho, até que não conseguia mais ouvir barulho algum.
Lugares de silêncio, lugares mais altos... Era onde conseguia pensar melhor. Era mesmo uma pessoa estranha. Aos olhos dos outros, sabia que suas manias pareciam esquisitas. E eram mesmo. Mas definiam quem ele era.
Poderia ter continuado pelo resto do dia naquele estado letárgico, não fosse o grito repentino de alguém lá embaixo:
"Rit-chan!"
Só o susto fora suficiente pra fazer com que Ritsu quase caísse. Por sorte e reflexo, conseguira segurar-se a um galho com uma das mãos. Procurou com os pés um ramo mais abaixo, contendo-se pra não gritar de pânico.
Desceu aos poucos, quase congelado de medo. Como conseguira subir num lugar tão assustadoramente alto como aquele?
Deu um suspiro aliviado quando seus pés enfim tocaram o chão.
"Rit-chan! Tudo bem?"
"Err... Tudo..." Ele disse meio tímido quando Kagura veio correndo em sua direção."Foi você que me chamou, Kagura san?" Fez a pergunta óbvia por pura formalidade.
"Fui eu sim... Estava, er... Andando pelos jardins quando vi você subir... Fiquei com medo que caísse."
Não ocorreu a Ritsu apontar que ele quase caíra, mas por causa dela e que, sendo ele o juunishi do Macaco, Kagura não deveria ter se preocupado.
Mas não era do feitio de Ritsu sequer pensar em responder de maneira rude a quem quer que fosse. E, olhando melhor, Kagura não parecia muito bem, de qualquer forma. Os cabelos estavam desarrumados, com algumas folhas presas entre os fios... E os olhos um pouco vermelhos contradiziam sua história e denunciavam que ela estivera chorando.
"Mas e com você, Kagura san? Por que essa cara? Está tudo bem? Foi alguma coisa que eu disse? Foi? Me desculpe!" Começou sem sequer saber porque se desculpava. O único fato que era certo pra qualquer um com um mínimo de lógica é que a culpa não era dele.
"Mas, Ri chan... Você não disse praticamente nada até agora..."
"Devia ter dito? Me des..." Quando entrava naquele estado de espírito era difícil fazê-lo parar.
"Não foi você Ritsu." Ela disse com um traço muito leve de impaciência na voz. "Eu só estava meio chateada...Você também não parece muito bem..."
"Ah..." ele respondeu meio sem graça. "É como todo mundo diz... Eu nunca pareço contente." Emendou, sincero. Se estivesse menos chateado talvez pudesse até ter tentandodesconversar, mas no momento não via problema algum em dizer a verdade, ou pedaços incompreensíveis dela.
"Você não ia ignorar a festa e subir numa árvore dessa altura só porque te deu vontade. Alguma coisa estava te incomodando."
"Não precisa se preocupar comigo, Kagura san. Eu faço coisas estranhas mesmo." Estava agora extremamente sem graça.
"Não vou te dizer que um menino que usa fita no cabelo é a coisa mais normal do mundo. Mas você é parte da família Sohma, Rit chan. Não é sua obrigação ser normal. Não precisa ficar se desculpando pelas coisas estranhas que você faz. Todo mundo tem algum hábito esquisito."
"Eu só queria que não tivessem vergonha de mim. Às vezes eu acho que a única solução é ficar longe."
"Eu não tenho vergonha de você, Rit chan. Espero que isso valha alguma coisa pra você, mesmo vindo de uma menina com os olhos inchados e folhas no cabelo no meio de uma festa."
"Claro que significa. Mas... Tem certeza que você está bem?"
"Não. Por isso eu não queria ficar lá dentro. Mas você não deve se preocupar com isso. E também não tem que se preocupar com como os outros vão olhar pra você. Vem, vamos voltar..."
"Mas... Você acabou de dizer que não queria..."
"Não vou resolver meus problemas nem me escondendo deles e nem voltando lá para dentro. Mas dá pra eu ajudar você. Uma hora ou outra nossos problemas se resolvem sozinhos."
"Obrigado, Kagura san."
"Além disso, eu estou começando a congelar aqui fora. Vem."
Ritsu ficou um pouco sem ação diante do entusiasmo da prima. Limitou-se a sorrir e se deixar conduzir. Era bom sentir que alguém acreditava nele, afinal.
xXxXx
N/A: Eu sei que eu falei que esse capítulo era o Hiro/Kisa, mas eu esqueci que tinha feito essa mudança na ordem dos capítulos. Como nesse fic vão aparecer todos os personagens de furuba dá pra ver bem com quais eu sei e com quais eu não sei escrever. O Ritsu obviamente é um dos que eu não sei e esse foi o capítulo quer eu mais travei pra fazer.
Deu trabalho fazer esse fic, mas eu já tava preparada pra ela não ter quase nada de retorno. Pros poucos que apoiaram:Ayumi, Maioki, Faye, Ling e Sellene Yukari... valeu mesmo!
Lyra
