Disclaimer: mesma coisa dos caps anteriores...
One That Saves Me
I don't believe that anybody feels the way I do about you now
Eu não acredito que ninguém se sinta como eu, em relação a você, agora
And all the roads that lead you there were winding
E todas as estradas que conduzem você eram sinuosas
And all the lights that light the way are blinding
E todas as luzes que iluminam o caminho, estão cegando
There are many things that I would like to say to you
Existem muitas coisas que eu gostaria de dizer a você
But I don't know how
Mas eu não sei como
I said maybe
Eu disse talvez
You're gonna be the one that saves me
Você vai ser aquele a me salvar
And after all
E afinal
You're my wonderwall
Você é meu porto seguro
"Wonderwall" - Oasis
Apertou a mão da mãe com ainda mais força ao entrar na festa. Incapaz de fixar o olhar em qualquer lugar que fosse, observava nervosamente às pessoas em todas as direções; sentindo-se pequena demais em meio àquela multidão.
O barulho de dezenas de vozes era quase opressor e ela sentia como se tivesse perdido outra vez a capacidade de falar. Como se cada um dos olhares presentes estivesse sobre si. Queria desaparecer.
A única coisa que a acalentava em meio a aquilo era o toque morno daquela mão envolvendo a sua.
"Kisa-chan?" a mãe voltava-se para ela. "A mamãe tem que conversar com algumas pessoas. Você vai ficar bem sozinha? Pode procurar os seus primos?"
Ela assentiu com a cabeça, sem se atrever a falar. Tinha vergonha de que ouvissem sua voz. Não gostava da idéia de ficar sozinha, mas não achava justo pedir à mãe que continuasse ao seu lado. Mesmo sabendo que ela ficaria, não queria prendê-la.
Além disso, havia dito que ia mudar. Que ia se esforçar. Quando começaria a tentar?
Os lábios da mãe encostaram de leve em sua bochecha num beijo carinhoso. Com uma das mãos ela lhe afagou de leve os cabelos loiros. Kisa sorriu, sentindo-se um pouquinho mais confortável, mesmo ao vê-la se afastar.
Logo, deu-se conta de que estava sozinha em meio a uma aglomeração de pessoas que, para ela, parecia imensa. Respirava fundo, de um jeito quase desesperado, como se o ar lhe faltasse.
Sem conseguir avistar nenhum dos primos, foi tentando abrir caminho como podia entre as pessoas. Seus olhos o procuravam, mesmo que ela não estivesse ciente disso.
"Hiro-chan..."
A outra pessoa que ela queria ao seu lado; que podia fazê-la sentir-se melhor, um pouco que fosse. Sabia que não devia procurá-lo. Akito já ficara bravo quando soubera dos dois. Ficaria furioso se os visse juntos ali; provavelmente por isso Hiro não se aproximava.
Ela também tinha medo. Tinha medo demais de Akito, depois de tudo pelo que passara. Mas, se Hiro estivesse ao seu lado... Era como se uma parte muito grande daquele medo simplesmente fosse embora.
Continuou a andar, sem saber para onde. Não conseguia achar nem ele, nem ninguém. Não importava o quanto ela tivesse crescido, não mudava. Sempre uma criança perdida e frágil.
Tropeçou em algo ou alguém e pôde ouvir alguns risos, acompanhados de comentários impacientes. Quase podia sentir os olhares se voltando para ela.
Só queria ir embora dali.
Olhou em volta, procurando uma saída. Viu a um canto a pessoa que menos queria ver no mundo. O olhar gélido atraído pelo barulho da comoção que ela mesma causara.
Agora queria ainda mais desesperadamente fugir. Não agüentava a pressão do olhar de Akito-san. Desviou-se das às pressas pessoas em seu caminho.
Viu uma mesa vazia, a um canto qualquer do salão. Correu para lá; acomodou-se sobre uma das grandes cadeiras, abraçando os próprios joelhos. Sentia-se quase invisível assim.
Bem melhor.
Queria apenas se sentir segura, mas não conseguia. Quando todos olhavam para ela, era quase como se pudesse ouvir os comentários maldosos, ler o que se passava por trás dos olhares que lhe lançavam...
Às vezes queria poderir para longeou chorar, ao mesmo tempo em que queria provar que não era mais uma criança.E só o que resultava desse conflito eraela se quebrar por dentro, mais e mais...
Queria ao seu lado a pessoa com quem podia desabafar... E continuava ali. Sozinha e pequena, incapaz de mudar.
"Kisa?"
Ela levantou a cabeça.
"..."
Haru sorriu.
"Eu vi o que aconteceu. Perdeu a voz outra vez?"
"...Não..."
Ele a abraçou, afundando as mãos nos cabelos loiros da menina.
"Mas você está com medo, não está?"
Ele era como um irmão. Aqueles braços envolvendo-a apertado... Era como ter um irmão mais velho protegendo-a. Ela podia ver que seus olhos estavam tristes... E que mesmo assim ele colocava a própria tristeza de lado para cuidar dela.
Kisa confirmou com a cabeça. Tinha medo. De tantas coisas... Mas o que mais temia era ficar sozinha e ser para sempre aquela menina assustada. Precisava de ajuda para mudar, precisava sempre que alguém lhe desse a mão para se levantar, precisava de apoio para caminhar.
Um dia aprenderia a andar com as próprias pernas?
Hiro sabia consolá-la. Ao seu lado, Kisa se sentia bem. Sequer poder chegar perto dele, como se suas intenções fossem sujas ou erradas... Aquilo lhe desesperava mais que tudo. O fato de que ele estava quase inalcançável.
Relaxou o corpo, quase se desfazendo naqueles braços protetores.
"Tudo bem... Vai ficar tudo bem." Haru sussurrava, mas não tinha como saber.
Mesmo assim, aquelas eram as palavras que ela precisava ouvir. Ter uma ilusão na qual se agarrar, às vezes, era tudo que precisava.
xXxXx
Suprimiu um bocejo enquanto observava aborrecido ao movimento da festa. Pensou por que faziam tanto estardalhaço a respeito das reuniões dos Sohma. Para Hiro, não passavam de nada além de uma tarde de tédio.
"Por que você é tão arrogante? Por que você estraga as coisas desse jeito? Algum dia você vai crescer?"
Por que os outros não podiam simplesmente aceitar que ele tivesse chegado a um ponto onde combatia qualquer coisa com indiferença?
Não havia muita coisa em sua vida que o fizesse querer agir diferente daquele jeito esnobe. Nada que o levasse a tentar mudar.
Até que Kisa aparecera.
Quando estava com ela, queria apenas agradá-la, fazê-la se sentir feliz e segura. Clichê como fosse; com ela era uma pessoa melhor; longe dela, como estava, voltava a ser o mesmo pirralho mimado.
Podia vê-la, ainda que de longe, lutando para andar em meio aos convidados. Detestava vê-la sozinha daquele jeito, mas precisou conter a vontade de ir até lá. Não ousaria falar com ela; não com Akito presente.
Se ela se machucasse como da última vez...
Naquela época ele não sabia, mas não era ele o único juunishi a sofrer nas mãos do líder do Clã por causa de amor. Eventualmente aprendera que o amor daqueles que carregavam a maldição era errado, por algum motivo.
Mas não aprendera a lição antes que Kisa fosse machucada por causa do que ele sentia. Não queria que Akito a punisse outra vez por causa dele. Por isso se afastava.
E voltava a ser aquela pessoa esnobe.
Por que quanto mais eles lutavam, mais pareciam longe do alcance um do outro?
Por que ele não conseguia encontrar nenhuma solução?
Por que ele não conseguia deixar de ser aquela pessoa imatura e egoísta?
"Hiro!"
O garoto ergueu a cabeça de má vontade ao ouvir seu nome sendo chamado por uma das vozes que mais o irritavam no mundo.
"O que foi Momiji?" perguntou ríspido.
"Você estava aí sozinho, achei que ia gostar de companhia!" o primo disse com um sorriso.
O Carneiro bufou. Irritante.
"Se eu quisesse companhia, iria até onde vocês estão!"
"Você não fica tão mal humorado assim quando a Kisa-chan está por perto. Falando nisso, você viu que ela tá aqui?"
Aonde, diabos, Momiji queria chegar?
"Vi."
"Por que não foi falar com ela?"
"Algum motivo pro interrogatório?"
"Ela está lá num canto, sozinha, com uma cara super triste. O Haru foi falar com ela. Ela está com o mesmo olhar que naquele dia... Quando parou de falar."
"E o que você espera que eu faça?"
"Não era o Haru que devia estar lá com ela. Por que você não vai lá?"
"Por que você tem que ficar se metendo, Momiji?" Ele perguntou perturbado, quase aos gritos.
"Só queria que você soubesse. Tem horas que só uma coisa devia ter significado. O resto não devia ser importante."
"Por que você acha que sabe alguma coisa?"
"Eu não disse que sei." Ele sorriu. "Só vim conversar."
"Eu não quero que você me diga o que fazer!"
"Eu não estou dizendo para fazer nada. Só te contando uma coisa."
"Sai daqui, Momiji!" Hiro gritou, no auge da raiva, mas no fim ele mesmo deu as costas ao Coelho e saiu andando, para o mais longe possível do zumzumzum irritante daquela festa.
"O resto não devia ser importante..."
O garoto pensou um pouco naquelas palavras. Claro que ele queria estar ao lado de Kisa. Mas o resto importava, por menos que ele quisesse. Por que Momiji achava que podia lhe dizer o que fazer quando não sabia de nada?
O próprio Hiro não tinha a menor idéia de como agir. Quanto tempo já se passara desde que ele estava com Kisa? Quanto tempo se passara desde que ele prometera a si mesmo que se tornaria um adulto?
E continuava uma criança...
Estava na hora de ele tomar decisões por conta própria.
xXxXx
Tão pequena em seus braços... Exatamente como uma irmãzinha. Não conseguia não se importar. Não quando ela parecia tão frágil.
Kisa era forte, ele sabia.
Como Yuki, ela tinha por debaixo daquela superfície diáfana e gentil, uma força que quase ninguém seria capaz de imaginar. Só precisava que a ajudassem a descobrir. Assim como Yuki, Kisa só precisava da pessoa certa a seu lado.
O Boi levantou os olhos e sorriu. Sabia desde o começo que Hiro viria.
Apenas demorara um pouco mais do que ele esperava; pensou enquanto aos poucos afrouxava seu abraço e se afastava dando espaço para o Carneiro.
"Hiro chan?" Kisa perguntou, num fio de voz, os olhos arregalados. "Eu achei que..."
"Não importa. Dessa vez eu estou com você e vou te proteger, independente do que acontecer."
A loirinha sorriu e beijou-o com carinho, na bochecha.
"Obrigada." Sussurrou, atirando seus braços ao redor do pescoço do garoto. Agora parecia que era verdade. Ia ficar tudo bem, afinal.
O resto realmente não importava, Hiro percebia agora. Apenas precisava fazer o que achava que era certo e estar pronto a encarar as conseqüências até o fim.
xXxXx
Haru observou de longe o casalzinho abraçado. Sorriu, comentando de si para si:
"É... Vocês dois cresceram."
xXxXx
N/A: Sem muitas notas sobre esse capítulo. Eu gosto dele, pra falar a verdade.
Ling, Maioki e Carolly Sohma, valeu por comentarem o cap anterior, que alias eu postei de novo graças ao aviso do Maioki de que o capitulo estava cheio de erros como palavrasgrudadas, o que na verdade foi culpa mais do ff net (que zoa toda a formataçao dos textos na hora de publicar) que minha, mas enfim...
O próximo capítulo é sobre Hatori e Ayame. E só pra deixar avisado: não é yaoi, apesar de que os mais entusiastas do casal talvez possam enxergar um pouco de shounen ai nele.
Sem mais. Semana que vem eu posto o próximo.
Lyra
