Disclaimer: o mesmo de sempre...
Broken Hallelujah
I heard there was a secret chord
Eu ouvi dizer que havia um acorde secreto
That David played and it pleased the lord
Que Davi tocava e agradava ao Senhor
But you don´t really care for music do you?
Mas você não se importa de verdade com música, se importa?
Well it goes like this: the fourth the fifth
Bom, é assim: a quarta, a quinta
The minor fall and the major lift
A menor cai e a maior se levanta
The baffled king composing hallelujah
O rei atônito compondo, aleluia
Well maybe there´s a god above
Bem talvez haja um Deus acima
But all I´ve ever learned from love
Mas só o que eu aprendi do amor
Was how to shoot somebody who outdrew you
Foi como atirar em alguém que ataca você
And it´s not a cry that you hear at night
E não é um choro que você ouve à noite
It´s not somebody who´s seen the light
Não é alguém que viu a luz
It´s a cold and it´s a broken hallelujah
É uma fria e quebrada aleluia
"Hallelujah" – Jeff Buckley
Hiro saiu pisando forte com um ar irritadiço e Momiji deu um sorriso de quem sabia das coisas. Aquele era o jeito do Carneiro. Por mais confuso que o garoto parecesse, para Momiji era óbvio que ele faria a coisa certa.
Hiro tinha um caminho a seguir.
O Coelho continuou sorrindo, agora de um jeito vazio. Aquela sua vontade de ajudar... Era pelo simples prazer de fazer alguma coisa boa ou mera hipocrisia sua, uma desculpa para evitar olhar seus próprios problemas?
Não gostava muito de pensar sobre aquilo. Como todos os juunishi, ele tinha suas feridas, mas, ao contrário de muitos deles, evitava perder tempo remoendo.
O problema era aquele lugar. O ambiente meio solene, entediante. Não combinava com Momiji. Quando não podia liberar toda aquela sua energia, seu jeito vibrante; era como se fosse forçado a olhar para dentro de si. E detestava aquela sensação.
Aos 15 anos, continuava uma criança, justamente por ter crescido cedo demais.
Pensou em sua mãe. Pensava nela todo dia, mesmo que algumas vezes sequer se desse conta disso. Nada mais natural para um filho. Mesmo um filho recusado.
Era inevitável que às vezes imaginasse a vida que poderia ter tido, mesmo que nada adiantasse sonhar com algo que não podia mais existir. Ele a amava como se ela o amasse de volta; como se ela o aceitasse.
Muitos não percebiam, mas fora aquela rejeição que o fizera amadurecer muito cedo. E ele encobria isso com gestos e falas infantis. Não que o fizesse de propósito; fazia apenas.
Andou, à procura de alguém para conversar.
"Yuki!" gritou, ao avistar o primo de cabelos prateados.
"Tudo bem, Momiji?"
"Siiiiim!" O Coelho disse animado, enquanto Yuki se perguntava de onde ele tirava aquela felicidade toda. "Você tá com uma cara meio desanimada. Aconteceu alguma coisa?"
"Não. Só estou um pouco cansado." Ele negou, um pouco rápido demais. Momiji notou, mas nada disse.
"O Kyo não veio, né?"
"Ficou em casa com a Honda-san."
"Ahhh... O Kyo às vezes tem sorte. Eu também queria ter ficado com ela. Você também não queria ter vindo, né?"
"Ninguém queria de verdade. Não muda o fato de que estamos aqui."
Momiji sorriu.
"Você mudou, Yuki. Antes você teria ficado do lado do Akito o tempo todo, com aquela cara de quem não consegue respirar... Você mudou. Foi por causa dela, né?"
Yuki sorriu.
"Em parte. Ela é especial, mesmo."
"É." Concordou. Tohru. Momiji gostava dela de verdade. Alguém gentil, que não fazia qualquer julgamento. Alguém tão capaz de aceitar...
Uma mulher se aproximava, caminhando apressada. Uma bela taça de cristal segura entre os dedos. Momiji se encolheu e Yuki soube na hora do por que. Cabelos louros, olhos castanhos; uma mulher bonita, com uma expressão tão dura e fria... Apenas isso a tornava menos parecida com o filho que rejeitara e sequer lembrava.
As mães que davam à luz um dos doze tinham tendência a se tornar superprotetoras ou recusar os próprios filhos. A de Momiji se encaixava no segundo perfil. Yuki não sabia como o primo se sentia, uma vez que sua mãe pertencia a um grupo à parte: no daquelas que tentavam usar sua posição para ganhar créditos com o patriarca da família.
Mesmo assim, o Rato sabia como devia machucar. E sabia que, se os olhos de Momiji não desgrudavam da figura longilínea da mulher, era porque ele estava esperando. Que ela passasse por ali, que ela o notasse que falasse com ele.
Quantas vezes ele não tivera as mesmas esperanças em relação à sua própria mãe? Agora já estava acostumado o bastante para saber que certas coisas não mudavam do dia para a noite, nem nunca.
As pessoas eram quem eram. Momiji jamais poderia mudar o fato de que sua mãe o esquecera por opção.
Mas o alemãozinho queria. Queria tanto... Yuki sabia o quanto ele desejava que aquela mulher o percebesse, mesmo que viesse falar com ele como se ele fosse apenas um garotinho qualquer. Pelo menos assim, Momiji poderia pensar que tinha algum significado, por menor que fosse.
No entanto, a mulher passara reto pelos dois. Não que aquilo fosse grande surpresa. Mesmo assim...
"Momiji..." Yuki começou, num tom compreensivo, desprovido de pena. Nada era pior que ouvir aquela piedade complacente das pessoas cheias de boas intenções, dispostas a ajudar. O que importava naquelas horas era dizer tudo e sentir-se compreendido. O Rato sabia e estava disposto a tentar pelo primo, embora não conhecesse de verdade a situação na qual o outro se encontrava.
O Coelho exibiu-lhe um sorriso pequeno, antes de dizer, tentando fazer a voz soar animada:
"Vou dar uma volta... Ver se eu acho mais alguém... Te vejo depois, Yuki?"
"Você tem certeza que..." começou a pergunta, mas deixou-a em suspenso uma vez que o primo já estava longe.
Se alguém na festa tivesse notado o garoto correr para fora da mansão, rumo aos jardins; certamente pensaria que ele estava perdido. Mas Momiji Sohma não podia ter mais certeza de para onde ia.
Os passos rápidos, sobre a grama coberta de cristais de gelo... A distância que parecia não encurtar nunca... O que deixara aqueles jardins tão enormes? Ele só precisava de um refúgio. Todos tinham um lugar aonde iam para ficar longe do mundo. Um lugar que, não importava onde fosse, fazia com que se sentissem em casa.
O dele era ali. Naqueles jardins, mas, a cada passo que dava, parecia mais longe.
Ouviu as vozes de Hatori e Ayame vindo de algum lugar próximo e parou um pouco. Não tinha nada a ver com ele, mas ficou feliz em escutar os risos dos primos. Gostava demais dos dois e achava que Hatori já tinha se punido o bastante pelo que acontecera com Kana.
Afinal por quê? Por que as pessoas faziam tanta questão de se punir? Mesmo por coisas pelas quais não eram culpadas?
Voltou a andar. O som reconfortante dos risos cada vez mais distante. Agora havia apenas o barulho da grama se amassando sob seus pés.
De súbito, um som baixo. Quase um ruído... Algo com um quê de familiar, um quê de estranho.
Continuou seu caminho original, o som cada vez mais próximo. Andou ainda mais rápido, a curiosidade pegando o melhor dele, embora, no fundo, provavelmente soubesse o que encontraria quando alcançasse o quarto onde praticava violino.
Seu refúgio. Uma casinha minúscula, com apenas um quarto, no meio do jardim aonde ia sempre que o mundo parecia estar de cabeça para baixo.
Girou a maçaneta, sentindo as mãos apertarem-na com mais força do que pretendia. O som escapou alto pela porta aberta, ecoando pelos jardins congelados.
O barulho suave de um violino sendo tocado. Os acordes subindo e descendo... E Momiji os acompanhava, num êxtase silencioso.
Uma melodia, falha, típica de alguém inexperiente. Era de se impressionar a firmeza com a qual a mão da garotinha envolvia o arco do violino. Mesmo que as notas saíssem tremidas ou erradas, ela continuava tocando com uma certeza que impressionava.
Talvez fosse aquilo que tornasse a música tão bonita.
A pouca luz vinda da pequena janela a um canto da sala iluminava os cabelos da garotinha, tão loiros e cacheados quanto os do próprio Momiji. O rosto delicado, os olhos fechados, que o Coelhinho sabia serem castanhos.
Uma miniatura dele e da mãe de ambos. A irmãzinha que ele não tivera oportunidade de conhecer direito.
Encostou a porta devagar, aproximando-se dela em passos, pela primeira vez, incertos.
Ela só o notou quando já estavam muito próximos e soltou uma exclamação surpresa antes de desatar a pedir desculpas.
"Eu sinto muito! Vim pra cá porque a mamãe estava conversando e eu estava sozinha e achei que ninguém viria aqui hoje! Não sabia que você viria! Senão nunca teria mexido nas suas coisas! Eu sempre te ouvi tocando essa música e a achava tão bonita que... Eu estou indo! Desculpe!"
Ele passou a mão delicada sobre os cabelos finos da menininha.
"Não tem problema." Disse gentil.
"Eu sou a Momo."
"Nós já nos vimos antes."
"Não achei que fosse se lembrar." Ele respondeu, num tom que misturava timidez e educação.
"Claro que lembro! Você toca bem. Faz aulas faz tempo?"
"Um pouquinho... Eu ouvia você tocando e achava tão bonito... Mas nunca mais te ouvi tocar."
"Ah... Eu parei, faz um tempo."
"Por quê?" Momo arregalou os grandes orbes castanhos, parecendo mais infantil do que nunca.
"Por que... Estava me atrapalhando na escola... Acharam que... Os meus estudos eram mais importantes." Inventou. Jamais poderia ter dito que a verdade era que seu pai o pedira para parar, porque Momo queria fazer o mesmo curso e não queriam que Momiji se aproximasse da irmã.
"Mas... Você tocava de um jeito tão bonito... Eu queria ter podido tocar violino com você... Pode me ensinar? Eu estava tocando aquela música que você fez." Ela pediu, lhe entregando o instrumento.
Ele sorriu, aceitando. Talvez as coisas acontecessem por um motivo. Ele podia estar separado da mãe, mas era quase natural que a irmã se aproximasse cada vez mais. Por causa daqueles laços invisíveis... Muito mais fortes que os da maldição.
Mesmo que ele não soubesse no momento, qual era o seu rumo, não havia becos sem saída. Seu caminho não estava mais tão distante. Tinha certeza disso agora.
Sentiu o toque saudoso dos dedos contra a madeira do violino. Com o arco, começou arranhando devagar às cordas... As notas caladas, adquirindo cada vez mais confiança através das mãos do violinista.
Uma canção que ele mesmo compusera. Era quebrada, inacabada...
E foi ao ver a expressão admirada da irmã que Momiji percebeu. Uma coisa incompleta ainda podia ser perfeita.
xXxXx
N/A: Olha eu aqui de novo xD Pra todo mundo que acompanha, desculpa a demora pra postar esse capítulo... Também não tenho tanto o que dizer sobre esse cap. Meu preferido do fic inteiro é o ToriAaya, mas eu gosto muito desse também. Se tiver palavras grudadas nesse cap, eu queria pedir pra todo mundo relevar pq a culpa eh do ff net que fica zoando o fic, nao importa quantas vezes eu reveja u.u
Fora isso só mais uma coisa a dizer: pra Wanda, que me deu o maior apoio com esse fic por msn e sempre me anima com os comentarios dela sobre o que eu escrevo, pra Ayumi que sempre me faz rir com os reviews dela (é, o Rolex sempre volta XD), pro Maioki que tá lendo o fic desde o comecinho, pra Lingue, que deixa os comentarios mais meigos que eu adoro, pra marida Faye que sempre que pode mostra aqui que ela tá me apoiando também, pra Freya que comentou cada um dos caps e pra Natty Kinomoto que comentou o cap passado, VALEU MESMO, pessoas!
Se eu to animada pra continuar com esse fic, é por causa de todo o incentivo de vcs lol
Proximo cap é o do Yuki!
Lyra
