Disclaimer: o fic acaba no proximo cap e Furuba ainda não me pertence... Acho que eu não tenho mais esperança mesmo u.u

All I've Got

Is it getting better

Está melhorando

Or do you feel the same?

Ou você ainda sente a mesma coisa?

Will it make it easier on you

Vai ficar mais fácil pra você

Now you got someone to blame?

Agora que tem alguém pra culpar?

(…)

Did I disappoint you

Eu te decepcionei?

Or leave a bad taste in your mouth?

Ou deixei um gosto ruim na sua boca?

You act like you never had love

Você age como se nunca tivesse tido amor

And you want me to go without

E agora quer que eu continue sem nenhum

Well, it's too late

Bom, agora é tarde demais

Tonight

Essa noite

To drag your past out into the light

Para trazer o passado à tona

(…)

Did I ask too much?

Eu pedi demais?

More than a lot?

Mais que muito?

You gave me nothing

Você não me deu nada

Now it's all I got

E agora nada é tudo que tenho

We're one

Somos um

But we're not the same

Mas não somos o mesmo

We hurt each other

Machucamos um ao outro

"One" – U2

Segurava com firmeza a garrafa de vidro, enquanto derramava, em seu copo, porções generosas de bebida. Deu um sorriso, perguntando-se se seria o único a apreciar a festa.

Olhando em volta, podia dizer com segurança que sim. Pela primeira vez, não era ele o único a agir com cautela, calculando as falas e gestos daquele personagem que era perante o resto da família.

Por não ter ido até ali enclausurado apenas em seus próprios problemas tinha a capacidade de encarar o evento como o que realmente era: o ponto onde todos os conflitos, todas as mágoas de cada um dos juunishi, se entrelaçavam.

Num castelo de cartas, uma única carta colocada fora do lugar causa a queda da estrutura inteira. Numa vida, um dia, um gesto, uma única decisão era capaz de mudar tudo. Só o que ele vinha fazendo era tentar manipular decisões dos outros da maneira que fosse mais conveniente para si.

Censurável? Sem dúvida. Era essa a atitude que acabara por transformá-lo no pior tipo de pessoa: egoísta, dissimulado e nada confiável. Desde o começo ele sabia que era aquele o preço a se pagar por correr atrás de um sonho distante, mas ainda a seu alcance.

Por isso, seu modo de agir era, acima de tudo, justificável.

Seu olhar não desgrudava da figura pequena e solitária de Akito. Seu desejo havia lhe aberto os olhos. Já não se sentia mais preso a medos, crenças ou maldições.

Apenas à única coisa que almejava mais que tudo. Acreditando que, no fim, valeria a pena.

xXxXx

Podia ver os olhos gris de Shigure sobre si. Manteve a própria expressão impassível, como se o desafiasse. Mas sabia tão bem quanto o Cão, que não havia mais motivos para fazê-lo. Ele estava certo. Em cada comentário sarcástico, cada palavra cruel, em cada sorriso arrogante; estava certo. Ela estava sozinha.

No fim, Shigure, e mesmo Ren, tinham razão a seu respeito. Aqueles laços da maldição nada tinham de verdadeiros ou duradouros. Ao observar a festa, podia ver seus juunishi cada qual em seu canto, cada qual com seus próprios problemas... Todos afastados.

Lembrava-se, de quando criança, das palavras carinhosas que seu pai insistia em repetir, como uma profecia: "você nasceu para ser amada... Todos estão esperando..." Porque ela era especial.

Ou era como deveria ter sido.

E o único que permanecia fielmente a seu lado era Kureno. Não sabia por quê. Com certeza não por considerá-la especial. Em verdade, o Galo nunca estivera com ela. Por mais que estivesse sentado ao seu lado naquele exato momento, Kureno não estava ali.

Tinha os pensamentos em outro lugar.

E mesmo aquela distância a incomodava. Não era um afastamento físico, mas era o tipo mais palpável de distância. A aversão que sentia àquela fidelidade insincera... Não conseguia agüentar... Tão longe...

"Kureno, eu quero ficar sozinha agora."

O outro demorou alguns instantes até perguntar:

"Quer mesmo que eu vá?" Aos ouvidos de Akito, a pergunta soara falsa. Como se ele quisesse apenas ter certeza de cumprir sua obrigação.

"Quero." Respondeu, com certeza absoluta.

O Pássaro não voltou a hesitar. Afastou-se em passos arrastados sem olhar para trás. A patriarca fez o mesmo, dirigindo-se a seus aposentos.

Atravessou os jardins congelados, admirando aquela paisagem que parecia tão desolada quanto ela própria. Chegando ao quarto, deslizou devagar a porta, entrou e sentou-se diante de uma das enormes janelas para contemplar a neve.

Ninguém sentiria sua falta na festa porque ninguém se importava. A profecia que se concretizava era a de sua mãe: cedo ou tarde acabaria abandonada por todos eles. Não conseguiu evitar mostrar aquela frustração, mesmo que em palavras quase sussurradas.

"Pai, por que você mentiu pra mim?" Não era especial; era apenas distante... Ao ponto de se tornar inalcançável. Permaneceu apática observando a tempestade branca que caía lá fora. Apenas ela restaria isolada naquele mundinho dos Sohma.

"Bela festa, não, Akito san?"

A Patriarca não respondeu. Congelara no segundo em que escutara a voz do Cachorro tão próxima de seu ouvido.

"O que você está fazendo aqui?"

"Vi que seu acompanhante a deixou sozinha." Enfatizou a última palavra. "Pensei que algo tivesse acontecido quando a vi se recolher tão cedo no dia da sua própria festa..." o peso do significado do que dizia deixava transparecer todo o veneno que o tom afável de Shigure se encarregava de encobrir encobrir.

"Eu pedi que Kureno saísse. E vim para cá porque estava cansada."

"Parece que você gosta de ser solitária, não, Akito-san?" o Cachorro sempre tivera aquela capacidade de conseguir dizer muito nas entrelinhas de conversas simples. Era nos comentários despretensiosos que ele a atormentava mais.

"Por que você tem que ser assim? Vir até aqui para me dizer essas coisas... Querendo sempre me ferir..."

"Quem está na ofensiva é você. Eu apenas quis ver se estava tudo bem."

"Por que você sempre quer fazer parecer que tem boas intenções?"

"Você realmente não entende não, é?"

"Você gosta de fazer com que me sinta sozinha... Quando dormiu com ela... Querendo me mostrar que eu não valho nada..."

"Não importa quantas vezes eu diga, você não vai entender. É sempre por sua causa. Quando eu disse que pensava sempre em você... Eu falei a verdade. Tudo que eu faço é por sua causa."

"Você me deixou!"

"Porque você mandou que eu fosse. Você se sente melhor me culpando? Faça isso."

"A culpa não é minha! O jeito como eu trato meus juunishi é minha escolha! Eu sou especial..."

Era um erro dizer palavras tão passionalmente impensadas como aquelas numa conversa com Shigure, mas não conseguia evitar. Já não tinha qualquer segurança no que dizia. Queria apenas sentir que era verdade, que era especial...

O Cachorro a envolveu em seus braços, tentando acalmá-la, como se ela fosse uma criança.

"Tudo o que eu faço... É para mostrar que para mim... Ninguém é mais importante." Ele murmurou com suavidade. Parecia até outra pessoa quando usava aquele tom carinhoso sem qualquer traço de ironia. "Se isso te machuca, se você não consegue entender..."

Akito não queria mais ouvir. Só queria calar as dúvidas, a insegurança... Queria um apoio, queria uma prova. Queria sentir-se especial ou se quebraria... Era pedir demais?

Shigure capturou seus lábios num beijo que não deixava dúvidas de que a desejava. Akito retribuiu desabotoando a camisa que ele usava. Logo, estava deitada no futon com o corpo dele sobre o seu, ansiando por mais.

Aquela falsa impressão de que era amada... Precisava daquilo, mesmo que nada significasse. Mesmo que só por aquela noite. Mesmo que fosse um sentimento amargo que fosse machucar depois.

A auto-destruição era mútua.

Shigure sabia que Akito continuaria distante quando a manhã chegasse. Não era um passo adiante nem um retrocesso em seu caminho rumo ao que tanto ambicionava. Era apenas um ato desesperadamente passional da parte de ambos. O momento em que deixavam um pouco de sinceridade transparecer naquele jogo estranho no qual haviam se aprisionado.

A única coisa certa era que ele continuaria ali quando Akito fatalmente caísse de seu pedestal. A esperara por muito tempo, por mais que ela ignorasse esse fato.

xXxXx

N/A: Então... É isso aí. Já foram todos os personagens da família Sohma, o próximo cap é só encerramento, mesmo. Gostaram? Deixei Shigure e Akito pro final por alguns motivos: primeiro pq eu adoro os dois e deixar o casal mais angst logo no começo não teria graça. Segundo pq eu queria mostrar que o Shigure tem uma visão clara sobre o que acontece nessa festa, que resume basicamente o que eu mostrei ao longo do fic. E também pq é por causa da Akito que a festa acontece, então... Sei lá o.o parecia lógico ela ficar pro final.

Na minha cabeça, a ordem dos caps desse fic fez sentido.

Explicando esse capitulo, eu queria mostrar, como eu já disse, a visão clara que o Shi tem do evento e como eu mostrei durante o fic inteiro como todos os juunishi se sentem em relação à Akito, queria mostrar um pouco como ela se sente em relação a eles e à posição dela na família. E como esse sentimento faz com que ela se renda ao Shigure pelos motivos errados. Ela tem que sim ceder a ele, porque eles devem ficar juntos, porque ele é tudo que ela precisa. Mas só vai ser assim quando a Akito for capaz de perceber isso.

Acho que vou fazer minhas N/A de fim de fic no próximo capítulo que é o fim definitivo. Dedico esse à Lingue que me perguntou acho que mais de uma vez desse casal e que acho que é tão fã deles quanto eu. Dedico tbm à Neyota que tbm gosta dos dois.

E eu não me canso de dizer isso: pra quem leu e comentou o cap passado ou qualquer cap do fic: eu não teria chegado até aqui sem vcs! lol

Até o próximo.

Lyra