Disclaimer – InuYasha não me pertence. Sua autora é a Rumiko Takahashi ... Mas por pouco tempo. Huhuhuhuhuhu
Reviews – Obrigada a todas as reviews. Responderei no próximo capitulo XD
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Ardente PaixãoCapítulo 3
- Que droga!- gritou InuYasha, massageando o braço. – Nos cinemas parece tão fácil!
Apesar da dor, abaixou-se para socorrer Kagome, que ainda estava no chão. Tocada pela consideração gentil, deixou-se ser carregada para fora do pequeno banheiro e colocada sobre o sofá. InuYasha pegou alguns lenços de papel da caixa sobre a mesa e enxugou as faces úmidas dela. Em seguida, colocou os cabelos longos para trás.
- Vou pegar um copo de água. – E apressou-se de volta ao lavabo.
Entretanto, a ausência de InuYasha por um curto instante fez Kagome prestar atenção à cena do "crime". A visão dos sapatos no meio da sala e das roupas íntimas a fez estremecer. Lembranças vieram-lhe à memória, tudo o que ela dissera e fizera.
Com o coração apertado, virou-se e escondeu o rosto contra o encosto do sofá e voltou a chorar. Foi quando sentiu as mãos de InuYasha sobre os ombros trêmulos.
- Por favor, não chore, Kagome. Não agüento vê-la nesse estado.
-Eu ... sinto muito...
- Não é você quem deve pedir desculpas.
Kagome o viu triste, e ficou ainda pior. Com grande esforço e força de vontade, respirou fundo e virou-se para encara-lo
- Está certo.
InuYasha soltou-a. Kagome pegou o copo que ele segurava e bebeu toda a água,usando aquele tempo para colocar em ordem seus pensamentos. Poderia continuar sofrendo com o que aconteceu ou enfrentar os fatos com honestidade e sem melodrama. Continuar vivendo apesar de tudo.
A tentação de fugir da realidade era grande. O futuro pelo qual tanto se dedicava e fizera tantos planos não se concretizaria. Ayame ficaria com tudo. Kagome sabia que demoraria anos para conseguir confiar em outro homem. Isso se conseguisse. Era uma pessoa muito cautelosa, quando sóbria.
Bebeu o último gole e tomou uma decisão. InuYasha não merecia dividir a culpa. Ele iria, então, fingir estar tudo bem, pelo menos naquele momento.
Não havia dúvidas de que, mais cedo ou mais tarde, deveria pedir demissão. Como poderia encarar InuYasha todos os dias no escritório? Como evitaria as lembranças do que ocorrera naquela tarde quando deixou de lado o respeito por si própria e pelo patrão?
Mesmo assim, a demissão poderia esperar até depois dos feriados de fim de ano. Afinal, estava frágil demais para fazer qualquer coisa naquele momento a não ser voltar para o apartamento e ir para a cama.
Sozinha.
Mas, primeiro, precisava fazer com que InuYasha se sentisse melhor.
- Obrigada...
- Você está melhor?
- Sim, é claro. – Kagome esboçou um leve sorriso. – Estou só me comportando como uma mulher normal.
- Ah!não! Nem de longe!
Kagome enrubesceu, e InuYasha tentou explicar melhor.
- Não foi isso que eu quis dizer. Hoje eu não estou fazendo nada direito...
- Em minha opinião fez várias coisas certas, InuYasha. Poucos homens teriam tanta consideração ou preocupação, nas mesmas circunstâncias . Acredite em mim quando digo que não tem do que se culpar.
- Fala isso porque não está no meu lugar.
Kagome decidiu não discutir mais a questão.
- O que está feito, está feito. Acho que estamos cobrando demais de nós mesmos.
Um dos cantos da boca de InuYasha ergueu-se, dando-lhe uma expressão de intriga.
- Evidente. Somos seres humanos. Mas talvez você esteja certa, chega de discussão. É melhor eu leva-la para casa, agora. Ainda está muito pálida e fraca.
Kagome não retrucou. Sentiu-se muito mal. Os efeitos do álcool eram terríveis, o enjôo incessante não a deixava em paz.
- Vou trazer o carro para a saída lateral – orientou-a InuYasha. – Encontre-me lá em cinco minutos.
Kagome estava grata pela oportunidade de vestir-se sozinha, apesar da tarefa ser muito difícil, pois se lembrava dos momentos em que se despiu diante de InuYasha. Não conseguia acreditar que fora ela mesma quem agiu como a mulher fatal que seduziu InuYasha. Ele não tinha sido capaz de tirar os olhos dela ou deixar de deseja-la.
Kagome estremeceu. Ainda não conseguia crer no que tinha feito. Relembrando tudo, era como se fosse outra pessoa que fizera tudo aquilo. Sozinha no escritório balançou a cabeça de um lado para o outro e encostou-se na mesa para colocar os pés no sapato e arrumar a blusa dentro da saia.
Quando saiu, a primeira coisa que viu sobre sua escrivaninha foi o laço que tirara dos cabelos. Suspirou, colocou-o dentro da bolsa, pegou o paletó de seu tailleur, que pendurara no espaldar e saiu apresada.
InuYasha esperava por ela no local combinado, com o braço apoiado na direção de seu Fairlane Ghia. Ao vê-la, saiu para recebê-la.
- Liguei o ar-condicionado para ficar melhor. – Abriu a porta do passageiro. – Você indica o caminho. Sei que mora em Tókio, mas não conheço o endereço.
Graças a Deus, o percurso era de apenas quinze minutos, àquele horário.
Quando o Fairlane aproximou-se da guia na frente do prédio onde Kagome morava, ela respirou fundo, o que fez com que InuYasha a fitasse com atenção.
- Vou subir com você.
- Oh, não, InuYasha... Só quero ficar um pouco sozinha.
- Nada de discusões, Kagome.
Ela abaixou as pálpebras. Sabia que o patrão era teimoso e muito insistente algumas vezes. Admirava tais características no trabalho, mas ali e naquele momento, não. Era hora dela mostrar determinação e teimosia.
Lutando contra o mal-estar, encarou-o com uma expressão firme.
- Sinto muito, InuYasha, mas não estamos em Shikon. Portanto, vai ter que aceitar um "não". Se está preocupado achando que poderei fazer alguma bobagem, fique tranqüilo. Sou mais forte do que imagina.
- Todos nós temos momentos de fraqueza, Kagome. Não é bom ficarmos sozinhos quando estamos infelizes.
- Não ficarei sozinha. Pelo menos não por muito tempo. Irei para a casa de meus pais para passar o feriado de Natal.
- Onde fica? Que coisa... É minha secretária particular há um ano e meio e não sei nada sobre você. Por que isso, Kagome? Por sua ou minha culpa?
Kagome franziu a testa.
- No dia em que me contratou, disse para eu não me vestir roupas chamativas e para não tratá-lo de forma familiar. Sua mulher não gostava dos hábitos da antiga secretária. Não está lembrado?
- Sim, recordo.
- E foi só por isso que falei sobre meu relacionamento com Kouga. Assim, Kikyou não acharia que eu viria a ter algum interesse em você.
- Por esse motivo sempre foi muito discreta.
- De certa forma.
- Como assim?
- Não me incomoda o modo como me visto para trabalhar. Sai bem barato.
InuYasha não compreendeu.
- Barato?
Kagome gargalhou.
- Isso você deveria saber sobre mim, InuYasha. Sou muito econimica. Tenho fascinação por barganhas, gosto de pechinchar, mas... Meu pior defeito é ser aborrecida e cansativa, de acordo com meu ex-noivo. Segundo ele, não tenho nenhum sinal de espontaneidade em nenhum osso de meu corpo. Por isso Kouga me deixou para ficar com a fantástica, divertida e experiente amante chamada Ayame, que faz tudo de excitante que um homem pode imaginar. Coisas que eu nunca faria nem em um milhão de anos. Mas Kouga estava errado, não estava?
Kagome esboçou um sorriso sem graça, procurando camuflar o sofrimento com a doçura.
- Eu posso fazer loucuras, e também em um escritório. Kouga ficaria surpreso, não acha?
- O que acho é que você deveria esquecer esse sujeito.
- Farei isso. Na hora certa. Agora vou entrar, InuYasha. Desculpe-me por não ter comprado um presente de Natal para você. Pretendia sair na hora da festa, mas nada saiu como eu havia planejado. Espero que tenha um feliz Ano-Novo, e aproveite o feriado para descansar, embora tenha certeza de que passará as próximas cinco semanas em seu laboratório, inventando mais produtos maravilhosos. Mas não encara isso como trabalho, não é? É onde tem prazer.
Kagome meneou a cabeça.
- Estou falando demais. Sinto muito, InuYasha.olhe, ficarei bem. Amanhã, neste horário, estarei no trem a caminho da casa de meus pais. Engraçado, estou até ansiosa para chegar logo... Não achei que isso fosse acontecer. Natal em família é sempre agitado, uma loucura. Voltamos a nos encontrar em cinco semanas, chefe. – E saiu do automóvel.
Kagome acenou. Sim, o veria em breve. Com a carta de demissão em mãos.
Eram onze horas, quando Kagome desligou a tv e foi tentar dormir.
Deitada, olhando fixo para o teto, lembrou-se da pílula anticoncepcional. Levantou-se depressa e correu para o banheiro. Engoliu o comprimido da sexta-feira e voltou para a cama.
O telefone começou a tocar quando Kagome carregava sua bagagem até a porta, já no meio da manhã. Após a hesitação momentânea, Kagome a caminhar, dizendo a si mesma que não tinha tempo para conversar com ninguém, pois o táxi estava esperando na frente do edifício.
Se fosse Kouga, não tinha mais nada a lhe dizer. Mas se fosse InuYasha...Bem, quando mais cedo o chefe percebesse que não tinha responsabilidade sobre ela, melhor.
Kagome não queria a piedade de InuYasha. E era o que ele sentia por ela. Pena. Decerto ainda amava a ex-mulher. Qualquer um poderia ver. O que aconteceu no escritório na véspera fora só sexo. Nada mais.
O aparelho continuou a tocar enquanto ela girava a chave. E se fosse InuYasha querendo mais do que tivera? E se não tivesse compreendido nada do que aconteceu foi com a Kagome de verdade? E se ele tivesse acreditado que ela sempre o desejara?
Desesperada, Kagome desceu depressa as escadas e entrou no carro que a aguardava.
Continua...
