Ardente Paixão
Capítulo 4- Eu estava certo, Kagome – disse o médico ao ler o exame que tinha em mãos. – Você está grávida. Pelas datas que me deu e o tamanho de seu útero, diria que de um mês.
Kagome arregalou os olhos.
- Mas não pode ser, doutor!Eu lhe falei que tomei as pílulas e não me esqueci nenhum dia de tomá-las.
O doutor deu os ombros.
- Isso não quer dizer que não possa engravidar. A pílula não é cem por cento eficaz. Mesmo que tome todos os dias, no mesmo horário. Há vários fatores que podem ainda diminuir essa eficácia. Antibióticos, alguns outros medicamentos e altas doses de vitamina C têm levantado suspeitas em alguns estudos. Mas o maior problema para as usuárias de anticoncepcionais são os gástricos. Esteve doente durante seu último ciclo? Vomitou ou teve diarréia nos dias em que teve relação sexual?
Kagome sentiu vontade de chorar. Seus olhos encheram-se de lágrimas. Como a vida podia ser tão cruel?
- Posso ver, Por sua expressão, que acabamos de descobrir a razão dessa inesperada, e suponho que indesejada, gravidez.
Kagome continuou imóvel, chocada, sem palavras.
- Está tendo um relacionamento estável, Kagome? Ou esse é o resultado de um único encontro?
Kagome encarou-o. O médico falava com cavalheirismo sobre uma relação superficial.
- Não estou mais namorando, doutor. Meu noivo terminou o noivado há pouco.
- Então ele é o pai?
- Não.
- Oh... Compreendo. Existe alguma possibilidade de que o pai cuide de você e do bebê?
- Eu jamais pediria isso a ele.
- Sendo assim, o que vai fazer, Kagome?
- Não tenho idéia...
- Olhe, existe uma clinica para mulheres que poderá aconselhá-la e explicar-lhe todas as opções. Quer que eu lhe dê o endereço?
- Sim...Não...Sim. Ah! Meu Deus, isso tudo é terrível! Não consigo raciocinar direito.
- Por que não vai para casa e pensa com calma em toda a situação? Venha ver-me de novo na semana que vem, certo?
- Mas voltarei para onde moro semana que vem. Tenho que retornar ao trabalho.
- Hum... Tem um ginecologista próximo a você?
- Não. Quando precisava de algum cuidado, costumava dirigir-me ao pronto-socorro ou a clinica do convênio, e era atendida pelo profissional de plantão. É muito raro eu ficar doente, por isso não precisei de um médico de confiança. Suponho que possa procurar a doutora que me prescreveu à medicação . Era uma senhora muito agradável .
Parece ser uma boa idéia. Médicas em geral são mais sensíveis com moças em sua situação.
Kagome estremeceu diante do comentário. Ser mãe solteira era a última coisa que desejava. Sabia das conseqüências de uma mulher só assumindo um filho, e nenhuma delas era agradável.
Para Kagome, o casamento não seria uma solução, e não ter a criança era necessariamente uma resposta.
Sua melhor amiga da escola engravidou no final do último ano. Foi pressionada pelos pais para que fizesse um aborto.
Sally acabou repetindo em todos os exames e teve uma crise nervosa. Sem suportar a situação, tomou uma overdose de comprimidos para dormir. E tudo aconteceu no dia em que o bebê deveria nascer.
O funeral da amiga afetou muito Kagome, na época, e por durante muito tempo depois.
De repente, Kagome levantou-se. Não agüentava pensar em tudo aquilo.
- Não tenha pressa para tomar uma decisão, Kagome. Tem algumas semanas para refletir. Agora ainda está em choque .Pode sentir-se diferente em relação ao bebê em um ou dois meses.
- Não se preocupe. Não vou fazer nenhuma loucura.
- Ótimo. – O doutor levantou-se e saiu de trás da mesa para confortar Kagome, batendo de leve no ombro dela. – Ter um filho não é o fim do mundo. Você não é mais uma adolescente. Parece ser mulher sensata, que seria uma ótima mãe.
Kagome fitou-o, pela primeira vez pensando no bebê, e não em si. Mas nada ainda parecia real, quanto mais ser mãe. Não se sentia mãe. Ainda era a mesma de sempre.
Agradeceu ao doutor e deixou o consultório em direção a recepção.
Sua mãe a esperava, paciente, folheando uma revista . Parecia estar se divertindo com as fotos e mexericos.
Uma imensa tristeza tomou conta de Kagome. O que queria para si própria e para a criança? Uma vida cheia de restrições, de desejos reprimidos, aluguéis de casas de péssimo estado e roupas de segunda mão?
Kagome olhou para sua mãe, com os cabelos grisalhos e as faces marcadas pelo tempo. Tinha apenas quarenta e cinco anos, mas parecia muito mais velha. Fora uma mulher bonita, e ainda tinha traços que a tornavam uma senhora simpática, mas sofrida.
O pai de Kagome estava mais uma vez desempregado. Procurava qualquer trabalho, mas, em sua idade, ficava cada vez mais difícil encontrar algo. E o fato de não conseguir sustentar a família o deprimia cada dia mais.
O Natal com eles tinha sido melancólico, apesar de estarem todos juntos. A angústia de Kagome não diminuiu, porem , achou bom ficar com as pessoas que a amavam de verdade. Passou os dias de descanso sentada na cadeira de balanço, na varanda, lendo.
Só a noite se lembrava de Kouga, e as vezes de InuYasha. Conseguiu desistir do ex-noivo. Não queria alguém que não lhe desse valor. Chegou até a uma conclusão sensata sobre InuYasha. A distancia e o tempo diminuiria a vergonha e fez com que as suas ações fossem até desculpáveis. Chegou a considerar a hipótese de voltar a trabalhar na Industria Shikon e não pedir demissão.
Pelo menos até aquele dia.
Clara Higurashi olhou para cima e avistou a filha.
- Está tudo bem? – Colocando a revista sobre a mesinha e ergueu-se.
Kagome sorriu.
- Estou ótima. Saudável como nunca.
Não daria mais preocupações a mãe.
- Vamos indo, então. Não achei mesmo que pudesse haver algo errado com você, querida. Sua aparência está excelente. E então, o que médico disse a respeito do atraso de sua menstruação ? algum problema com as pílulas que está tomando?
Kagome quase olhou para o céu em busca de uma explicação razoável que não fosse sua gravidez.
-Como adivinhou, mãe?
- Interferir no curso natural não é uma boa coisa. Deveria parar de usar esses comprimidos, filha.
- É o que vou fazer.
-E, além do mais, não há razões para continuar , agora que você e Kouga não estão mais juntos.
- Mais uma vez você está certa, mamãe.
- Sei que não é um conforto, amor, mas nunca achei que Kouga fosse homem certo pra você.
- É mesmo? E por que não?
As duas chegaram onde à velha picape estava estacionada, e entraram. Clara franziu a testa ao ligar o motor.
- Ele era bonito demais, talvez. E muito esperto. Sem falar que é muito jovem e imaturo. Você precisa de um homem que já esteja situado, que sustente uma família, que lhe ofereça a segurança que tanto quer. Conheço-a, Kagome.
Verificando o retrovisor para ver se vinha algum veiculo na pista, Clara continuou:
- Quer que seus filhos tenham tudo do melhor que há. Sei quanto foi difícil pra vocês cresceram com tantas privações.
Os olhos de Kagome encheram-se de lágrimas.
-Oh, mãe...
Clara virou-se para ela, alarmada.
- O que foi, querida? O que eu disse? Oh, pelo amor de Deus! – Clara parou o carro e encarou a filha, angustiada. – Você está doente, não está?
- Doente, não.
Diga de uma vez o que foi!
- Estou grávida. A pílula não é infalível. – Kagome quase não conseguia suportar o olhar triste e solidário da mãe.
- Pobrezinha... – Abraçou a filha e enxugou-lhe o pranto. – Isso muda tudo. Agora terá de voltar para Kouga. Faça com que ele se case.
Kagome deveria ter previsto tal reação. Era a solução encontrada pela mãe para a gravidez: casamento com o pai do bebê. Para ela, não havia outra atitude a ser tomada.
- Não concordo, mãe. E o filho não é de Kouga.
- Não! Então, de quem é?
- De InuYasha.
- E quem é InuYasha? Eu deveria saber que é ele, certo?
- É meu patrão. InuYasha Akuma. – Kagome sentiu-se desconfortável com o olhar de Clara.
- Está me dizendo que traía Kouga com seu chefe? Foi por isso que ele a largou?
Kagome suspirou.
-- Não é nada disso. Era Kouga quem me traía com uma garota do escritório dele. Nunca houve nada entre InuYasha e mim. Não até o dia da festa de Natal, na firma, e isso foi duas semanas depois que Kouga me deixou. Acho que bebi demais e ... aconteceu. Tudo ficou fora de controle. Mais tarde, nós dois nos arrependemos.
- É mesmo? Tenho certeza de que foi uma alivio para a esposa dele.
- InuYasha não está mais casado. Ela o abandonou. Estão se divorciando.
- Eu também o deixaria se ele fica saindo e engravidando as secretárias. Foi por isso que a outra foi embora? Aquela que trabalhou para InuYasha antes de você?
Kagome resmungou.
InuYasha não é assim.
-Então como é? Esta agindo como se tivesse sido culpada por tudo, filha. Nunca ouvi falar de um homem ser violentado antes!
-Acredite quando digo que a culpa é minha.
- Ora! Não me venha com essa! O rapaz também estava bêbado? Foi assim?
-Não. Só eu.
- Então ele é tão culpado quanto você. Talvez até mais. O nenê é responsabilidade dele, que deve encarar o fato. O mínimo que o sujeito pode fazer é dar ajuda financeira. É um homem rico, considerando o que nos contou. Quando vai contar-lhe?
-Não agora. Ainda não.
Clara compreendia a situação . InuYasha era inocente em tudo aquilo.
O olhar severo e desconfiado de repente encheu-se de esperança.
- E ele é bonito?
- O que? Ah, sim. Muito.
- Quantos anos tem?
-Trinta.
- Bem, bem... Nesse caso, pode ser que esteja certa. Não conte ao moço por enquanto. Não há razoes para assustá-lo antes que tenha a chance de apaixonar-se por você.
Kagome chegou a engasgar.
- Apaixonar-se por mim, mamãe? InuYasha nunca reparou em minha existência em um ano e meio. Além do mais, ainda ama a ex-mulher.
- Não por muito tempo, posso garantir. Com os homens é só estar fora de vista para ficar fora do coração.
Kagome meneou a cabeça. Clara estava sendo muito cínica.
- Eu lhe disse que InuYasha não é como os outros .É sincero, honesto, íntegro...
- Vamos lá, Kagome! O rapaz não pode ser tão perfeito.Você é uma mulher jovem e atraente quando quer ser. Ele já se rendeu a seu charme uma vez. E você disse que não estava bêbado, não foi? Da próxima vez, pode ser bem mais fácil. Antes que o moço perceba, vai estar louco de paixão e pedindo-a em casamento. Aí, poderá contar sobre o bebê.
Kagome não conseguia acreditar no que ouvia.
- Está insinuando que devo seduzi-lo uma segunda vez, mamãe?
- Custe o que custar. Tudo é valido no amor e na guerra.
- Não amo InuYasha.
- Mas o acha atraente.
- Sim, mas... creio que...
- Pare com essa bobagem! Pense na criança!
- É o que estou fazendo!
- Não o bastante, pelo que vejo. Mas vai pensar. Filhos trazem à tona o que há de melhor nas mulheres. Nenhum sacrifício é grande demais, se for para o bem deles. E casar com um homem como InuYasha não me parece ser um grande peso. Se tudo o que está dizendo for verdade, o jovem tem todas as qualidades que você procura em um marido. Bonito, maduro, bem-sucedido, inteligente e íntegro. Sim, Kagome, meu amor. InuYasha Akuma é tudo de que você precisa!
Continua...
Nota da Autora:
Bom, para esclarecer algumas coisas que ficaram pendentes deste o último capítulo.
Sobre os anticoncepcionais; se você esqueceu de tomar ,de acordo com a minha médica e a bula do próprio remédio, você tem um período de tempo, de acordo com as suas tomadas, de tomar o próximo comprimido, tendo o intervalo de 12 horas de atraso, com o horário que você toma regularmente. Supondo, que Kagome tomava seu anticoncepcional na hora que acordava e esquecendo de tomar naquele dia, quando ela tomou, mais de 12 horas depois, ele perdeu totalmente o efeito.
Sobre a classificação da fic, eu a classifique de acordo com as normas do site. A classificação M é a mais apropriada por a ver restrições a menores de idade.
Espero que tenham gostado do capítulo, peço perdão pela demora. Mais uma vez eu fico sem internet e acabo atrasando os capítulos.
Um abraço especial para: 88nininha88, Lua, christy, Jaque-chan, yumi-takashi, R-chan, D'Daslee Ms.triosya, SraKouga, e a todos que leram e esperaram por esse capitulo. :)
Arigato pelos comentários.
Beijos
Juli-chan
fevereiro 2006
