Ardente Paixão Capítulo Seis

- Miroku Watson está nos olhando pela janela – disse Kagome, desanimada, quando InuYasha guiava o carro na direção do portão principal.

- E daí?

- Ele pode achar que é uma atitude suspeita. Nós dois saindo de automóvel no meio da tarde...

InuYasha achou graça.

- Não há dúvidas de que Miroku atribuiu a todos os padrões baixos de sexualidade em que acredita.

Kagome ficou em silêncio. Não queria acrescentar que Miroku poderia ter reparado na ausência de ambos na festa de Natal, um vez que era ele que ela dançava antes de sair atrás de InuYasha com uma garrafa de champanhe na mão. E nenhum dos dois voltou ao salão. Se Miroku unisse os fatos, concluiria que algo havia acontecido.

- Sei no que está pensando Kagome. Mas imaginar o que pode ter ocorrido não é saber do que ocorreu. Além do mais, Miroku é esperto. Sabe muito bem que, se espalhar mexericos sobre o patrão, prejudicará a si mesmo, sem mencionar sua carreira.

- Espero que esteja certo.

- Acredite em mim. Se Watson disse uma só palavra maldosa, perderá minha confiança e o emprego.

- E isso colocaria um fim em todos os rumores – concluiu Kagome, com frieza e ironia.

InuYasha encarou-a, surpreso.

- Esse é um lado seu que eu ainda não conhecia.

Kagome sentiu o rosto corar e virou-se para o outro lado.

- Não precisa se calar, Kagome. Gosto de mulheres astutas.

- E eu não gosto de complicações.

- Trabalhar para mim é uma complicação, por acaso?

- Não, porém, estar saindo com você no meio da tarde pode ser. Meus instintos estavam certos. Eu deveria ter pedido demissão há cinco semanas.

- Eu não teria aceitado.

- Você não poderia fazer nada. Pode ter lhe passado despercebido, mas o empregado tem o direito de se demitir.

- Está bem, mas não vai deixar de trabalhar pra mim.

- Não?

- De forma alguma. Eu a proíbo.

- Você proíbe... – Kagome sorriu. – E essa é uma faceta de sua personalidade que eu não conhecia, InuYasha. Alguém já lhe disse que é egocêntrico e teimoso?

Assim como gentil, decente e honesto, pensou ela.

- Minha mãe chegou a falar dessas minhas virtudes.

- E sua mulher não?

- Kikyou chegou a menciona-las em algumas ocasiões.

Kagome sentiu vontade de perguntar a razão deles terem se separado, mas faltou-lhe coragem no último momento.

- Ah, aqui estamos! – InuYasha estacionou no Parque Hitomi – Acho que encontramos um bar aqui.

O parque tinha vários bares. InuYasha escolheu um que ficava mais afastado. Ao entrarem, foram logo recebidos por uma garçonete que os acomodou a uma mesa. Eram os únicos clientes. Tardes de segunda-feira não costumavam ter muitos freqüentadores.

- Dois capuccinos , por favor. E duas fatias daquele bolo de cenoura, que parece estar delicioso. – Apontou InuYasha para o balcão de doces. – Tudo bem pra você, Kagome?

- Está ótimo.

A jovem se afastou, e InuYasha recostou-se no espaldar.

- É fácil agradar você, Kagome.

- Sempre gosto de comida gratuita.

InuYasha achou graça.

- Cuidado menina. As pessoas podem achar que está flertando comigo.

- Quem? Este lugar está deserto.

- Nesse caso, sinta-se à vontade para flertar o quanto quiser.

- Isso não faz parte de minhas funções.

- Não.

Kagome voltou a fitá-lo.

- Não o que?

- Não fique acanhada como se tivesse algo de que se envergonhar. Já lhe disse uma vez, e vou repetir: o que aconteceu conosco foi mais por culpa minha do que sua. Eu deveria tê-la detido. Passei as últimas cinco semanas tentando compreender por que não o fiz. Ainda não consegui chegar a uma conclusão satisfatória.

A revelação só reafirmou o que Kagome já sabia: os sentimentos de InuYasha por ela não tinham mudado tanto assim. Era evidente que ele estava confuso, não compreendia a razão de ter se deixado seduzir tão fácil, mas o motivo não ia muito além da dúvida.

- Por favor, InuYasha, você prometeu. Vamos falar sobre outro assunto.

InuYasha suspirou.

Por sorte, seu pedido chegou rápido, e o momento de desconforto foi esquecido.

Kagome notou que reagia de forma exagerada. Ouviu falar de mulheres grávidas que haviam se tornado muito emotivas e sensíveis. Era melhor conversar sobre algo mais seguro.

- O que aconteceu durante o almoço que o deixou tão irritado?

- Acho que perdi o controle.

- Sei disso, InuYasha. Mas por quê? O que o representante da Harriman disse que o transtornou?

InuYasha colocou a xícara sobre o pires e quase deixou derramar o creme.

- Aquele idiota não tem nenhuma idéia original! Achou que poderia copiar o que havia feito com a linha masculina usando atletas femininas para lançaram os produtos. Trouxe várias fotos das mulheres que tinha em mente. Uma delas era uma levantadora de peso gigantesca. Outra, uma corredora de maratona que parecia anoréxica. Quando reclamei, ele ainda argumentou que elas eram perfeitas na opinião dele! Sinto muito, mas nenhuma delas têm a imagem que eu procuro.

- Hummm...Quer vender sexo, é isso?

- Não. Veja bem, o nome da linha já diz tudo. É para mulheres delicadas, que exalam sexualidade.

- Nesse caso, por que não contrata modelos que posam para calendários? Ou aquelas que saem nos encartes de biquínis ?

InuYasha franziu a testa.

- Sarcasmo, Kagome? Ou feminismo?

- Só não gosto de estereótipos machistas. Ainda mais em propaganda.

- Acha que estou errado em descartar a Harriman?

- Não, claro que não. A companhia cuida de seus negócios há muito tempo. Seus preços estão altos. Mas, se está pretendendo contratar uma agência dirigida por mulheres, é melhor mudar um pouco sua maneira de pensar.

InuYasha a encarou como se estivesse vendo um ser de outro planeta.

- Você é surpreendente, sabia? Não só uma mina de informações, mas muito intuitiva também. Parece que não tenho dado muita atenção a seu potencial nesses dezoito meses em que trabalha comigo. Daqui em diante, vou consulta-la com mais freqüência nos assuntos ligados a negócios e a criatividade. Até lhe darei um aumento de salário. A partir de hoje, passa a ser minha assistente pessoal. Melhor do que secretária, não é? Que tal mais dez mil dólares por ano? Qual sua opinião?

- Vai gerar muitos comentários. Miroku Watson terá muita munição depois que eu ganhar aumento tão grande, InuYasha.

- Você se preocupa demais com Miroku Watson. E também com diz-que-diz!

- É tudo muito fácil para você, que, afinal, é o patrão. É indispensável para a sobrevivência de todos os funcionários da Indústria Shikon. Eu sou apenas uma secretária.

- Assistente pessoal.

- Seja como for.

Inuyasha inclinou-se para frente, contrariado.

- Eu a trouxe aqui comigo para acalmar meus nervos, Kagome, e não para ficar mais irritado. Está dizendo que não quer o novo cargo?

- Sempre achei que nomes de cargos não mudam nada. Mas sinta a vontade para consultar-me sempre que quiser.

- Não me tente. E sobre o aumento salarial?

- Aceito a remuneração . Não vou conseguir arcar com tudo sozinha.

Kagome precisava ter cuidado com as palavras.

- O que quer dizer? A que se refere? Está com dificuldade financeira por algum motivo?

Kagome precisou raciocinar depressa para não levantar suspeitas.

- Um pouco. Kouga e eu costumávamos dividir o aluguel do apartamento, e pagar as contas sozinha está deixando meu orçamento apertado.

- Qual o valor do aluguel?

Kagome hesitou. Na verdade, o preço era bem baixo. Ela demorou meses para encontrar a oportunidade. Era um lugar pequeno e no último andar, o que significava um espaço abafado e sufocante durante o verão.

Kouga reclamava bastante, mas Kagome argumentava que o desconforto era temporário e valia a pena para as economias. Se contasse a InuYasha quanto custava, ele desconfiaria de algo, e ela queria evitar todo tipo de suspeita. InuYasha tinha uma personalidade obsessiva quando se referia a um problema a ser resolvido. Precisava explicar tudo, e depressa.

- Duzentos e cinqüenta. – Cruzou os dedos sobre o colo, como costumava fazer quando era criança, procurando amenizar a mentira.

- Não é tão mau, considerando a área.

Kagome suspirou. Devia ter imaginado que InuYasha não acharia a quantia alta.

- Não está me contando toda a verdade, Kagome. Posso ver em seus olhos. O canalha deixou dívidas para você, não foi? Aposta que Kouga abusou do cartão de crédito, ou algo parecido. Não quer me contar?

- Não é nada disso, InuYasha. Se me conhecesse, saberia que ninguém, nem mesmo Kouga, tem a possibilidade de usar meu cartão de crédito ou meu dinheiro.

- Então por que está com problemas de finanças? Qual é a razão de seus problemas?

"Seu filho", foi o que Kagome quase deixou escapar. Mordeu a língua a tempo, entretanto.

- Meu pai está desempregado, InuYasha. Estou tentando ajuda-lo. – O que era verdade.

Kagome ofereceu uma mesada aos pais muitas vezes, mas eles sempre recusaram, dizendo que já haviam enfrentado dificuldades no passado, e conseguiram supera-las. Nunca aceitariam caridade de ninguém, e Kagome tinha até orgulho da força deles.

- Quantos anos ele tem?

- Quarenta e seis.

- E o que sabe fazer?

- Tudo. Não tem muito estudo, mas trabalha muito bem com as mãos.

- Qual foi o último trabalho dele?

- Trabalhou em uma floricultura, perto de nossa casa. Foi capataz de uma fazenda também. Nós sempre moramos naquela região, mas em locais diferentes.

- Compreendo. Então, seus pais não têm casa própria?

- Não. Alugam uma casinha em Kyoto. Por quê?

- Gostaria de saber se eles estão preparados para uma mudança.

- Quer dizer Tokio?

Deus do céu! InuYasha não poderia estar pensando em oferecer um emprego ao pai na fábrica! Seria muito constrangedor.

- Bem ,existe a possibilidade.

- Para ser honesta, não acho que mamãe gostaria de mudar-se para a capital, InuYasha.

- Deixe comigo. Verei o que posso fazer. Possuo muitos contatos e amigos que têm negócios naquela região. Às vezes o importante não é o que você sabe fazer, e sim quem você conhece.

- Seria muito... gentil de sua parte – agradeceu, emocionada por InuYasha ter se preocupado com seu bem-estar.

-Não se iluda. Tenho meus próprios interesses em tudo isso.

- Como assim?

O olhar de InuYasha era indecifrável ao levar a xícara de café até a boca.

- Não posso ter uma assistente pessoal preocupada com dinheiro nesse momento, posso? – indagou, entre um gole e outro. – Não quando a quero concentrada em outros assuntos. Agora, tome seu café, Kagome. Para que eu a leve de volta ao escritório antes que as línguas maldosas comecem a comentar.

Continua...

Nota da Autora:

Ichigo-dono: Você me estimulou a continuar a escrever a fic, eu já estava quase desistindo quando recebi sua primeira review (até que fim alguém entendeu a fic e não me criticou por ter feito uma fic com InuYasha tendo a personalidade diferente) Obrigado por me apoiar a continuar. Eu que agradeço! Ah! Eu também já viajei com fic, foi uma de Harry Potter eu sonhei beijando ele XD. Ainda tem muitas surpresas e acontecerá algumas no próximo capítulo. Eu ia publicar os dois juntos mas resolvi publicar logo o 6º. Hehehehe espero que tenha gostado. Beijão!

Um abraço para yui minamino(está perto disso acontecer), Mitsuki Tabemashi( se ele ainda vai monstra suas garras), Lua( Obrigada), Miaka (você falou comigo ou com a personagem?), Sra. Kouga (Obrigada!). E a todos que leram, viram ou apenas olharam a fic por cima, muito obrigado! XD

Desculpem a demora mais uma vez. Espero não ter demorado demais .

Juli-chan