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Capítulo dedicado a Ichigo-dono
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"...Contra toda a maldição, não havendo solução,
para sua segurança,não temo entrar em ação.
A paz na Terra e em todos os planetas é como
um sonho que não pode acabar!"
Ardente Paixão
Capítulo Treze
- Meu Deus! – Sango exclamou quando a transformação estava completa. Deu um passo para trás para estudar Kagome da cabeça aos pés e franziu a testa, em sinal de desaprovação, ao ver os sapatos.
- Eles estragaram tudo, Kagome. Precisa de uns saltos altos para mostrar suas belas pernas. Que número você usa?
- Trinta e sete.
- Espere aqui. Volto logo.
Kagome esperou, nervosa, com receio de olhar-se no espelho. Estava tão diferente, tão chamativa...
Os olhos muito bem maquiados pareciam maiores, e os lábios avermelhados se destacavam no rosto. Mas era o colete que a preocupava.
Sango era mais magra e já chamava atenção. Nas curvas mais voluptuosas de Kagome, então, ficava ainda mais provocante.
Sango voltou ao banheiro acenando com um par de sapatos de salto fino.
- Cortesia de uma de nossas companheiras secretárias!
- Você está sendo maravilhosa comigo, Sango. Muito obrigada. E agradeça também a dona destes calçados. Vou cuidar deles e tentar não espirar nada em seu colete.
- Não seja boba! Se algo acontecer, é só lavar. – e sorriu com simpatia, fazendo Kagome arrepender-se de nunca ter se preocupado em ser mais amável com as moças da firma, muito mais simpáticas do que imaginava.
Mas antes tarde do que nunca. Assim, retribuiu ao sorriso.
- E então? O que acha agora?
- Vire o cós de sua saia para que fique mais curta. – aconselhou Sango.
Kagome obedeceu, mostrando mais coxa do que jamais ousara exibir no escritório.
Sango suspirou, satisfeita, e fez um sinal de positivo com o polegar.
- Perfeito! Agora, vá nocauteá-lo.
- Não o quero nocauteado – brincou Kagome, maliciosa. – Quero aquele homem bem vivo.
Sango gargalhou.
- Não tinha percebido o quanto é brincalhona.
- Nem eu!.
- Vamos, dê-me os seus sapatos. Vou escondê-los embaixo de minha mesa até que volte. Assim, quando vier apanhá-los, saberei como foi o encontro.
Faltavam apenas cinco minutos para o meio-dia quando Kagome saiu do banheiro feminino. Apesar de querer chegar um pouco atrasada, não conseguiu. Poderia parecer rude. Portanto, manteve a pontualidade. Desejava impressionar a mãe de Inuyasha com seu estilo e segurança, e não com maus hábitos, como o de se atrasar para um compromisso.
Ao passar apressada pelo corredor, um dos funcionários do setor de contabilidade cruzou com ela e quase torceu o pescoço, surpreso com a nova aparência de Kagome.
Decidida, continuou andando sem evitar um leve meneio de cabeça de satisfação.
Entrou em sua sala e encontrou Inuyasha com a porta aberta esperando por ela.
- Céus, o que fez, Kagome?
- Preocupei-me um pouco mais com a minha imagem – respondeu com descaso, guardando o batom. Sango dissera que poderia precisar de um retoque após a refeição. – Não posso deixar que sua mãe pense que está se envolvendo com uma sonsa deselegante.
Pela primeira vez na vida, Inuyasha ficou sem fala, embora por apenas alguns segundos.
- Que tipo de jogo é esse. Kagome?
- Não costumo jogar, Inuyasha. Deixo isso para os homens. E não se esqueça de que continuo a mesma. – O coração batia acelerado e ,de repente, viu-se com as mãos na cintura. – E devo lembrar-lhe de que adotei a imagem insípida em deferência aos sentimentos de Kikyou. Esta manhã, percebi que vestir-me com muita descrição tornou-se um péssimo negócio. As pessoas às vezes confundem nossa aparência com o que somos de verdade. Não gosto de ser subestimada.
Kagome o encarava com incrível seriedade.
- Eu nunca faria isso.
- Espero que não.
O sorriso de Inuyasha irritou-a ainda mais.
- Podemos ir embora? – Inuyasha recobrou a compostura que perdera por um momento. – Já passa do meio-dia.
- Foi você quem arrumou a discursao. Cheguei na hora marcada.
- Sei disso. – Inuyasha tomou-lhe o braço. – Essa é uma das qualidades que admiro em você. Cumpre o que diz, é confiável.
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Em cinco minutos, paravam por um semáforo próximo a um dos cartões postais de Tokyo, ambos em silêncio. Kagome sentada no banco do passageiro, com a bolsa no colo, olhou de soslaio e viu Inuyasha observando-a.
- Você está bonita, Kagome. Bonita demais.
- Como assim?
- Fez com que eu prometesse não toca-la quando estivéssemos na fabrica. Se eu tiver de vê-la assim daqui para frente, as coisas poderão sair do meu controle.
Um das razoes que fizeram com que Kagome pedisse a Sango que a maquiagem era o desejo de deixar Inuyasha constrangido, assim como ficara naquela manhã. Vê-lo confessando os sentimentos fez com que Kagome se sentisse culpada e envergonhada. Sabia que a frustração masculina era muito mais dolorosa e forte que a feminina. Atormenta-lo de propósito era um tipo de atitude bastante cruel.
- Sinto muito, Inuyasha. Não achei que...
- Não há motivos para se desculpar-se. Tem direito de vestir o que quiser. Para ser franco, você não está usando nada mais provocativo do que minha antiga secretária costumava usar. O problema é que ela nunca chamou minha atenção, jamais me provocou nenhuma reação, enquanto você, Kagome... – Inuyasha respirou fundo e continuou: - Parece que não consigo me controlar quando está por perto. A situação já era difícil quando vinha para o trabalho trajada como uma freira, recatada e discreta. Cheguei a achar que era aqyela imagem que tanto me atraía. Pensei que pudesse ser algum tipo de efeito psicológico contrário. Porem, agora vi que estava enganado. Minhas fantasias estão muito mais ousadas por vê-la assim.
Não mais que as de Kagome.
- Inuyasha... – Interrompeu-o, enrubescendo. – Por favor, não continue falando sobre esse assunto.
Inuyasha inclinou-se um pouco, fitou-a e disse, muito sensual:
- Venha para minha casa esta noite.
Kagome mordeu o lábio e tentou combater a tentação. Foi quando lembrou-se da consulta marcada no médico às oito horas.
Era a desculpa de que precisava para voltar à realidade e recobrar a fleuma. Iria ter um bebê. E essa deveria ser a única prioridade.
- Não posso, Inuyasha. Preciso ir ao médico. Olhe, não torne as coisa ainda mais difíceis para mim, certo?
- Eu devo parar de dificultar para você!
O sinal verde se acendeu, e Inuyasha pôs o carro em marcha.
- Tem idéia do quão complicada se tornou minha vida desde que decidiu se embebedar e mostrar o quão sexy poderia ser, Kagome? Passei o Natal preocupado com seu bem-estar, se tomaria ou não uma overdose de comprimidos para dormir. Fiquei aliviado quando voltou à Shikon, mas logo mostrou-se mais uma vez o quanto era atraente quando experimentamos algumas posições do Kama Sutra.
Os olhos de Kagome se arregalava cada vez mais com as sucessivas revelações.
- E aí achei que teria um pouco de paz quando nos tornarmos amantes, mas veio com a bomba, dizendo que a pílula havia falhado e que estava esperando um filho meu! E, para completar, recusou-se a se casar comigo, mesmo sendo isso melhor para a criança. Diria que é você quem está pondo tudo de cabeça para baixo, não acha?
Kagome engoliu seco e olhou para frente.
- Hum... Não tinha analisado a situação por este ângulo.
- Típica reação feminina! Será que um homem não tem o direito de possui sentimentos!
- Que tolice, Inuyasha! O problema é que vocês costumam ser sensíveis apenas da cintura para baixo.
- Não é culpa nossa. A natureza nos fez assim. Se sexo não fosse uma prioridade masculina, a raça humana estaria extinta há séculos.
- E se as mulheres não os aceitassem, o mesmo teria acontecido. Vou ser mãe, Inuyasha, e meu bebê precisam estar em primeiro lugar.
- Admiro-a por isso. Juro. Entretanto, não se esqueça de que também serei pai no mesmo instante em que você se tornar mãe. Foi-se o tempo em que o pai tinha só que produzir, sustentar e proteger a família. Hoje em dia, psicólogos descobriram que eles devem envolver-se em todas as etapas do crescimento da criança. Como posso participar a distancia? Tenho de me manter por perto. Sob o mesmo teto, ou pelo mesmo bem próximo.
- Sim, compreendo.
- Tudo o que peço é que pondere sobre o que acabei de dizer na próxima vez em que a pedir em casamento .Mas preste atenção: não estou fazendo pedido nenhum agora. Percebi que a assustei, porém, não vou desistir. Esperarei até que seja o momento adequado.
Kagome suspirou. Inuyasha conseguiu faze-la sentir-se culpada por ter recusado a proposta da primeira vez. E egoísta também.
- Minha mãe mora aqui. – Inuyasha parou o automóvel azul-escuro no meio-fio.
Kagome admirou o lugar. O moderno prédio de quatro andares azul-pálido e as molduras das janelas e portas brancas impressionava. O efeito era simples e sofisticado.
- Parece ser uma construção nova.
- Já tem alguns anos.
- A Sra. Akuma aluga ou é dona do apartamento?
- O edifício é todo dela. Eu o construí e dei-lhe de presente antes de me casar com Kikyou. Queria vê-la em segurança financeira para o resto da vida, assim como deixa-la independente de mim. Caso os negócios não fossem bem, não haveria problemas para mamãe.
Kagome continuava admirando o prédio, e ficou curiosa de saber quantos apartamentos haveria ali. Os alugueis deveriam ser bem mais caros que o dela. Parecia que a Sra. Akuma tinha sido muito bem recompensada pelos anos de sacrifício por que passou.
- Foi muito generoso, Inuyasha.
- Sou assim com aqueles que amo. E também com os que quero corromper e subornar – completou, com um sorriso irônico. – Acha que se encaixa em uma dessas categorias?
- Não saberia dizer. Nunca me casaria com um homem que apela para o suborno e a corrupção para conseguir o que quer.
"Ou com alguém que não a amasse."
- Não sabe o que deve considerar até que seja obrigada a encarar uma determinada situação, Kagome. Aprendi muito nestas semanas que passaram. Bem, agora pare de discutir comigo e vamos subir. Mamãe não gosta de atrasos, assim como você. E, a propósito, chame-a de Iza. O nome dela é Izayou, mas ela prefere ser chamada de Iza.
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Iza Akuma parecia mais jovem que nas fotos, e tinha o mesmo olhar esperto do filho. Estudou Kagome com uma expressão de divertimento.
- Inuyasha não tem mesmo capacidade para descrever mulheres – disse, conduzindo kagome para dentro, deixando para Inuyasha a tarefa de fechar a porta. – "Atraente" é uma palavra um tanto sem graça para você e "morena" não faz jus a seus cabelos castanhos-avermelhados. Agora, dê-me um abraço e um beijo, minha querida. Não é todo dia que conheço a moça que me dará meu primeiro neto.
Kagome aproximou-se.
- Você tem uma ótima aparência. – concluiu, após olhar bem para Kagome. – Não gosto dessas jovens muito magras que parecem não comer a meses. É um prazer ver alguém com um bom quadril para ter bebês.
Kagome achou graça.
- Creio que tenho também bons seios , para combinar.
- São perfeitos – elogiou Iza. – Vai amamentar?
- Se depender de mim, sim. Mamãe diz que é melhor para a criança, e também é muito mais econômico.
Inuyasha riu, o que fez com que Iza o olhasse com recriminação.
- Do que está rindo Inuyasha? Eu o amamentei, e muito, e era mesmo muito mais barato. Olhe, por que não vai fazer algo de útil na cozinha? Há uma garrafa de champanhe na geladeira esperando para ser aberta.
- Ótimo! Kagome adora champanhe.
- Desculpem-me, mas o médico disse que não devo tomar bebidas alcoólicas durante a gestação.
- Um gole só não faz mal, querida. O bebê nem vai sentir.
- Só um golinho, então. Pode dividir a garrafa com sua mãe, Inuyasha. Se for preciso, poderei dirigir na volta para a fabrica.
Inuyasha fez uma careta para Kagome, por trás de Iza, que sorridente, levou Kagome para o balcão da ampla sala de estar, onde os esperava uma deliciosa bandeja de salgadinhos.
- Não sei como dizer o quanto estou feliz por conhecê-la, enfim. – Puxou a cadeira para acomodar Kagome. – Quero que saiba que a apoio integralmente na decisão de ter o bebê e também de não se casar com Inuyasha.
Kagome piscou confusa.
- Não sei se compreendo bem...
Iza sentou-se do lado oposto.
- Vocês dois tiveram um relacionamentos sérios, antes. Inuyasha ainda não está divorciado da mulher que acabou a fé e confiança que ele depositava no sexo feminino. Acho que você também sofreu um trauma nas mãos do homem que esperava vir a ser seu marido. Não é bom entrar logo em outro compromisso antes de ter a certeza de que é o que desejam para o resto da vida.
Kagome suspirou aliviada.
- Fico muito satisfeita que pense assim, Sra Akuma.
- Trate-me por Iza. Conhecendo meu filho como conheço, sei que Inuyasha fará de tudo para pressiona-la a fazer o que ele acha que quer. E parece que pretende casar-se com você. Por isso tomei as providências necessárias e transferi um dos apartamentos deste bloco para seu nome. Assim, se tornará independente e terá uma excelente babá, não muito longe.
Kagome não acreditou no que ouvia.
- É maravilhoso, Iza! Mas... É muita generosidade. Tenho algum dinheiro, algumas economias.
- E deve guardá-lo para alguma necessidade. O numero três está vago. Fica no térreo, tem um belo jardim e uma ótima área de serviço. Não há nada pior do que ficar subindo e descendo no elevador com roupas para a lavanderia. Você vai gostar, garanto.
Kagome estava sensibilizada e embaraçada.
- E Inuyasha sabe disso?
- Ainda não.
- Vai ficar bravo com a senhora.
- Mas superará.
Iza se virou para o filho que se aproximava, e sorriu com carinho.
- Vou superar o quê, mãe?
- Darei um dos apartamentoa deste prédio para Kagome.
- Que ótima idéia! – exclamou ele, servindo o champanhe.
As duas trocaram olhares, intrigadas. Kagome julgou muito suspeito Inuyasha ter aceitado tão bem a novidade.
- Não fará nenhuma objeção?
- Por que deveria, Kagome? É muito melhor do que continuar naquele lugar infestado de baratas onde está morando.
- Que absurdo está dizendo!
- Todas as casas velhas têm insetos, kagome. E a sua casa têm baratas, sim. E então? Quando se mudará para cá?
- Meu contrato vencerá no próximo mês.
- Não se preocupe – interveio Iza. – O advogado tomará as devidas providencias. Enquanto isso, Inuyasha poderá levá-la para comprar os móveis.
- Não posso fazer isso, mamãe. Não tenho permissão para comprar nada para Kagome, não é? – Inuyasha colocou a taça na frente delas e sentou-se – Kagome me proibiu.
- Nem mesmo para o bebê?
Kagome viu suas resistências enfraquecendo. Seria maravilhoso ter a mobília para a criança iguais as das revistas, com tudo novo e de bom gosto.
- Está bem. Mas só para o quarto do bebê. Tenho boas peças que posso usar nos outros cômodos.
Inuyasha olhou-a severo, e não insistiu no assunto.
- Nesse caso, vamos fazer um brinde. A meu filho, ou filha. Que seja um bebê saudável e feliz.
-A nosso filho ou filha, Inuyasha. Que seja muito amado.
Iza gargalhou.
- Espero que meu neto seja muito forte. Caso contrário, irá sofrer nesse circo...
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Continua...
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Quero ver quem acerta de quem é os versos da música ai em cima. XD Ganha um pirulito. Hehehehehe
Desculpa se o nome da mãe de Inuyasha ficou estranho mas é que eu não lembrava o nome dela aí coloquei um apelido básico. XD
Obrigada pelo carinho.
Juli-chan
Setembro 2006
