..."Quando tirarem minhas pernas, andarei com as pernas do povo. Se eles tirarem meus braços, gesticularei com os braços do povo. Se tirarem meu coração, amarei com o coração do povo. Se tirarem minha cabeça, pensarei com a cabeça de vocês. Porque não adianta esquartejar e salgar a carne como fizeram com Tiradentes. A carne você mata. Mas as idéias sobrevivem."- Luís Inácio Lula da Silva.
--------------------------------------------------------------------------------------
Ardente Paixão
Capítulo Quinze
--------------------------------------------------------------------------------------
Na sexta-feira de manhã, Kagome não se sentia bem. Não era um enjôo matinal, mas uma profunda melancolia. Precisou fazer um grande esforço para sair da cama. Tomar o desjejum foi um verdadeiro suplicio. Banhar-se e vestir-se, uma missão quase impossível.
As garotas da recepção ficaram atônitas ao ver Kagome chegando vinte minutos atrasada. Ela deu algumas desculpas e apressou-se pelo corredor, onde encontrou Inuyasha no meio do caminho. O rosto dele mostrava um evidente pedido de perdão.
Inuyasha aproximou-se, mas Kagome não tinha a menor intenção de desculpá-lo. Uma depressão tremenda dominou-lhe o coração, e foi seguida por muito ressentimento. Esforçou-se para conseguir dizer "Bom dia" em tom civilizado.
Inuyasha tentou segura-la pelo braço, porém , Kagome recuou, impedindo o toque.
- Kagome, por favor... Sinto muito, não queria ter dito aquilo.
Ela recusou-se a olhar para ele. Abatido, Inuyasha suspirou e deixou-a passar.
- Não vai nem ao menos aceitar meu pedido de perdão?
Kagome parou e ficou imóvel, ainda sem fita-lo.
- Não, Inuyasha. Agora preciso ir até a minha mesa. Tenho muito o que fazer e estou atrasada.
- Kagome, eu...
Sem dar atenção, virou-se e encarou-o, com frieza.
- Se acha que vou discutir nosso relacionamento pessoal em público de novo, está muito enganado. Inuyasha Akuma. E creio que não temos nada um com o outro.
Kagome deixou-o sem dizer mais nem uma palavra ou mesmo olhar para trás. Marchou em direção ao escritório, jogou a bolsa no chão, ao lado da escrivaninha, sentou-se e procurou trabalhar. Ou melhor, fingir que o fazia. Não conseguia concentrar-se, tamanho seu sofrimento. Além disso, sentia uma forte dor de cabeça.
x-x-x-x-x-x-x
Dez minutos mais tarde, Inuyasha se colocou diante de Kagome.
- Precisamos conversar.
Ela nem sequer o fitou.
- Agora não, Inuyasha.
- Agora sim!
Kagome não se conteve.
- Não temos mais nada para discutir! Você não é o homem que pensei que fosse. É arrogante, egoísta e egocêntrico. Receberá minha demissão dentro de uma hora!
Inuyasha, incrédulo, a encarou, horrorizado.
- Não pode! Quero dizer... Pelo amor de Deus, você vai ter um filho meu!
- E é só com isso que está preocupado não é, Inuyasha? Para isso é que servem as mulheres para você: ter filhos. Além de fazer sexo, é claro. Ou serem suas secretárias. Agora compreendo Kikyou. Se eu tivesse o azar de ter aceitado seu pedido de casamento, também estaria pedido divórcio, grávida ou não. Não sabe nada sobre as necessidades femininas, ouviu? Não entende nada de amor. Seu vocabulário começa e termina com o que Inuyasha Akuma quer.
Kagome notou que sua explosão surtia efeito. Inuyasha começava a se mostrar culpado, arrasado. Mas ela ainda não tinha terminado. Passara toda a noite pensando no que iria dizer a ele.
- Cheguei a acreditar que, sob sua teimosia e ambição, existia alguém bem e generoso. E até é? No entanto, só quando ser bom e generoso o leva a conseguir o que deseja. E, no momento, tudo o que quer é nosso filho. Imaginei que seria um bom pai, mas agora começo a duvidar. Será que a criança será uma pessoa real para você ou apenas um produto que criou, um reflexo de seu enorme ego? Cometi o equívoco de achá-lo profundo, e mais uma vez me enganei. É uma pessoa superficial e nada confiável, Inuyasha. Sugiro que me deixe sozinha pelo resto do dia, ou então irei embora daqui neste exato momento. Não preciso de você! Não necessito deste emprego, e muito menos de sua fortuna. Ficarei bem sozinha!
Por um momento, Kagome teve a certeza de que Inuyasha iria discutir com ela. Ele abriu a boca, mas não emitiu nenhum som.
No momento em que se viu só, Kagome notou que o queixo começava a tremer. Tinha ido longe demais. Inuyasha não era tão ruim, e foi doloroso dizer tudo o que disse, porém, estava a ponto de explodir, e acabara exagerando. Não queria pedir demissão. O que teria dado nela para dizer tal bobagem?
Considerou-se uma estúpida. Não se conformava com a própria reação.
Estava sentada, cogitando a hipótese de entrar na sala de Inuyasha de cabeça baixa e pedir desculpas quando a porta lateral se abriu e Kouga entrou, sorridente.
- Olá, Kagome-chan! – comprimentou-a, crendo que veria no semblante de Kagome a mais absoluta felicidade.
Como não ouviu a resposta, Kouga se aproximou e a encarou.
- Passei no apartamento para vê-la, na quarta-feira à noite, mas você não estava. Ontem telefonei para cá e me disseram que tinha ido a Kioto com seu chefe em uma viagem a negócios e só voltava hoje. Espero que não se incomode por eu ter vindo aqui, porém, não conseguia esperar até mais tarde.
Houve uma época em que Kagome achara Kouga maravilhoso, com a expressão jovem, os cabelos castanhos e o corpo esguio. Ao vê-lo naquele momento, entretanto, viu as feições ainda não totalmente definidas, como as de um garoto. Mesmo usando um terno moderno, Kouga não escondia a imaturidade. Parecia ainda mais jovem do que era.
O gosto de Kagome se modificara. Amadurecera. Agora, preferia um tipo mais alto, com os olhos expedientes, músculos fortes e mais vivência.
- O que quer Kouga?
-Você, Kagome.
Ela não se conteve e riu.
- Sei que a magoei, e lamento por isso, Kagome-chan. A única desculpa que tenho é que era muito moço. Minha inexperiência e também minha burrice fizeram com que agisse como agi.
- Ainda é muito jovem, Kouga.
- Não mais – Ajoelhou-se ao lado dela.
Kagome soltou um grito, assustada, quando Kouga pegou-lhe suas mãos.
- Só me dei conta do quanto a amava depois que a deixei. Não posso viver sem você, Kagome-chan. Pelo Amor de Deus, deixe-me voltar. Prometo nunca mais olhar para outra garota. Não sei nem por que fiz aquilo. Ayame era uma desmazelada. Muito diferente de você. Acho-a fantástica. Descobri que é a mulher da minha vida. Podemos nos casar assim que quiser. Diga que me perdoa, Kagome-chan querida. Fale que ainda me ama. Não sei o que farei se não me aceitar de volta!
- Você vai sair já daqui!
Kagome assustou-se com o tom de Inuyasha, e soltou-se de Kouga. Virou-se depressa para olhar para Inuyasha, e viu o pai de seu filho furioso. Encarava Kouga como se quisesse matá-lo.
- Kagome não vai aceitá-lo, seu canalha! Devo informar-lhe que...
- Inuyasha! – Kagome interrompeu antes que ele gritasse a novidade da gravidez. – Por favor, não!
- Você não pode estar interessada nesse moleque!
- Claro que não, Inuyasha...
Kouga levantou-se, muito corado.
- Não quis dizer isso, não é Kagome-chan? Você e eu nascemos um para o outro. Foi o que sempre afirmou.
- Sinto muito, Kouga, mas chegou tarde. Não o quero mais.
- Não acredito no que diz!
- Você ouviu, garoto. – Inuyasha estava impaciente. – Kagome não o quer mais. Saia daqui!
Kouga encarou Inuyasha.
- Olha aqui, sujeito, ninguém lhe perguntou nada. Por que você não vai embora? Pode ser o chefe de Kagome, mas não é o namorado dela. Ela é minha, sempre foi e sempre será.
- Ah, é assim? – Inuyasha andou ao redor da mesa, enquanto Kouga, amedrontado, deu dois passos para trás. – Agora, você é que vai me ouvir, sujeito!
Inuyasha colocou o dedo indicador em riste.
- Kagome pode ter sido sua no passado, mas agora ela é minha. Sim, você está ouvindo bem: minha! E para sempre. Eu a amo e preciso dela mais do que você jamais precisou. E ela também me ama e precisa de mim.
- Ama você? – Kouga arregalou os olhos – Kagome-chan não o ama, não pode ser.
- Sim eu amo Inuyasha. Já faz algum tempo.
Os olhares de Inuyasha e Kagome se encontraram, e ela pôde ver o quanto o surpreendera com a declaração. Teve a confirmação de que era amada de verdade.
- Mas...
- Eu não só amo, Inuyasha, Kouga, como também estou esperando um filho dele.
- Está grávida?! Quando aconteceu? Nós ficamos separados por pouco mais de dois meses. Deus! Vocês estavam juntos antes de nós rompermos, não estavam? Eu me sentindo culpado por tê-la traído com Ayame e você e seu patrão já se encontrando às escondidas! Achei que fosse uma mulher especial, Kagome-chan, mas vejo que foi um engano. Não passa de uma qualquer!
Tudo aconteceu depressa demais. Em um instante, Kouga estava de pé; no outro, Inuyasha o empurrava para fora aos safanões.
Quando Inuyasha voltou, trazia estampado um incrível ar de satisfação. Esfregava as mãos, sem importar-se com os funcionários que saíam de suas escrivaninhas para ver o que estava acontecendo.
Kagome também não deu atenção ao público que se formava, e saiu correndo para jogar-se nos braços dele.
Inuyasha pegou-lhe o rosto e olhou-a no fundo dos olhos.
- Estava falando sério, não estava? Você me ama de verdade?
- Claro que sim, Inuyasha!
- Desde quando?
- Desde o dia em que voltei a trabalhar. Porém, todas as dúvidas se esvaíram quando encontrei Kikyou em sua casa. Senti muito ciúme, só podia ser amor.
- Também senti muito ciúme hoje. Ao ver Kouga ajoelhado a seus pés, segurando suas mãos... Tive vontade de fazê-lo sumir. E quando o ouvir pedir-lhe que voltasse para ele quis que gritasse que não o queria. Tive muito medo de perdê-la.
- Kouga não significa nada para mim. Eu amo única e exclusivamente você.
- Repita, querida. Mal consigo acreditar.
- Eu te amo.
- E eu te amo, Kagome. Só Deus sabe o quanto!
O aplauso espontâneo da multidão que os observava os deixou sem graça. Pelo menos Kagome estava envergonhada. Inuyasha parecia satisfeito.
- Já que temos toda essa gente bonita como testemunha, vou aproveitar para pedi-la mais uma vez em casamento. Kagome, você quer ser minha esposa?
Kagome não conteve as lágrimas de felicidade.
- Sim! Quero muito...
Inuyasha sorriu e abraçou-a, emocionado.
---------------
Continua...
---------------
(Levantando os braços para o céu) Éeeeeee eu terminei o capítulo, até que enfim!! E a fic termina aqui. Espero que tenham gostado. Foi uma experiência muito importante para mim (mesmo!) Nunca pensei que gostariam tanto dessa fic (ela passou meses presa em meu computador – os primeiros capítulos) fico muito feliz em concluí-la.
Um abraço especial em TRANZSI, Nite Mary, Gheisinha Kinomoto, Uchiha Kayra, Leila, BeKiNhA, hotaroO-chan, Ana Spizziolli, Leila M Santos, Lua, Sra Kouga, Madam Spooky, Naru-L (por me emprestar sem querer o sobrenome de um de seus personagens)Najla, Shadow, ao pessoal do Anime Spirits, Nyah Fanfictions, Samuel, Melody, D'Daslee, Algum Ser, Ichigo-dono e a todos que leram essa fic e comentaram ou apenas leram. Hehehe
Obrigada!
Juli-chan
Outubro de 2006
