Corações Transformados

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Capítulo Anterior - No capítulo anterior, Hyoga lembrava de sua mãe quando Shun aparece e ao secar suas lágrimas, diz que gosta do amigo, desencadeando sensações diferente no russo.

...sentiu-se tranqüilo e sorriu. Estava tão leve que era como se tivesse passado do estado sólido para o gasoso. Parecia que até que seu coração flutuava dentro do corpo tamanha sensação de leveza e bem estar que passava naquele momento.

- Shun. - falou sorrindo.

Desceu as rochas rapidamente e correu pela praia até se juntar aos outros dois.

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Corações Transformados – Capítulo II – O Despertar

Capítulo II – O Despertar

Tema: Ferro (elemento químico da família dos metais, bom condutor de calor, podendo ser frio ou quente, dependendo do agente externo...)

O cavaleiro de Cisne parou ao lado dos irmãos um pouco ofegante.

- Oi Ikki. – Hyoga cumprimentou o rapaz.

O jovem olhou para o loiro com desdém.

- Humf ! Já estava chorando que nem uma menininha, Pato ? Quando é que você vai cansar disso, hein ? – perguntou em seu costumeiro tom agressivo.

- Ikki ! – Shun o repreendeu.

- Qual é Shun ? Vai dizer que você aprova ver este babaca todo começo de mês ficar chorando até fazer um oceano em volta ?

Hyoga não falou nada. Ficou apenas olhando para frente.

- Ikki, você não pode falar assim com as pessoas, isso magoa. – pediu ao irmão.

- Sinceramente Pato, – o jovem parou de andar e pegou o russo pelo braço – acho que você devia ter ouvido o mestre do seu mestre e parado com toda essa bobagem.

- É bobagem chorar por quem a gente ama ? – o cavaleiro de Cisne perguntou.

Ikki suspirou aborrecido.

- Imagine só se o Shun morresse e eu ficasse chorando por ele O TEMPO TODO. – gritou para o menino - Sabe o que ia acontecer ? Não ia sobrar mais tempo para fazer NADA !

Fênix percebeu que sua opinião tinha chocado o loiro, mas já estava cansado de tanta choradeira por parte do russo. Andrômeda ainda abriu a boca para impedir o irmão de continuar, mas Ikki foi mais rápido e atacou novamente o cavaleiro de Cisne.

- ACORDA HYOGA – falou sacudindo o menino – Sua mãe MORREU ! Não importa o que você faça, não importa o quanto você chore, ela NÃO vai voltar !

O Aquariano arregalou os olhos perante a agressividade do outro.

- Ikki, por favor, pare ! – Shun suplicou.

Fênix ignorou o irmão.

- Agora, - continuou - resta você decidir se vai viver a vida ou se prender eternamente a um passado que já está MORTO !

O loiro se soltou raivosamente das mãos do jovem e correu pela praia. Tinha segurado as lágrimas na frente dos dois irmãos, mas agora não conseguia mais. Desta vez o ataque de Fênix tinha sido feroz.

Enquanto corria, pensava no que havia ouvido.

Ikki estava errado. As pessoas poderiam estar mortas, mas era necessário lembrá-las. Talvez fosse um exagero para o outro se lembrar todo mês, mas para Hyoga, não.

Parou de correr.

"Será que não ?" – refletiu, revendo um pouco melhor o assunto.

Ikki tinha passado por um treinamento muito rigoroso na Ilha da Rainha da Morte. Conhecera uma garota e se apaixonara, mas a menina morrera pelas mãos do seu próprio mestre e pai da garota.

Pensando melhor, realmente o cavaleiro de Fênix era forte para agüentar tudo aquilo. Será ? Será que era isso mesmo ? Será que o jovem arisco é quem era forte e Hyoga é quem era fraco ?

Seus pensamentos estavam muito conturbados. Várias situações passaram por sua mente e entre elas, a batalha das doze casas, onde teve que enfrentar Kamus de Aquário, o mestre do seu mestre. Segundo Kamus, lembranças, amor ou mesmo ódio, não passavam de sentimentos baratos.

"Sentimentos baratos ?" pensou.

A dúvida se abateu sobre o garoto. Será que estava perdendo seu tempo ? Sua mãe não valia isso ?

- É CLARO que vale ! – falou aborrecido.

Mas novamente sua mente foi povoada pelas palavras do outro cavaleiro "resta decidir se vai viver a vida ou se prender eternamente a um passado que já está morto".

Será que Fênix tinha razão ? Estava deixando de viver a vida ? Será que a mãe aprovaria o que estava fazendo, se martirizando todo mês e sofrendo tanto ?

Sua mente era um poço de questionamentos.

O rapaz ainda ficou cerca de hora na praia e depois decidiu retornar à Fundação. Não tinha mais nada para fazer ali.

Enquanto caminhava, prometia não chorar mais naquele dia. Já havia prometido a si mesmo não chorar mais na frente de Ikki. O cavaleiro de Fênix parecia ter verdadeiro PRAZER em ofendê-lo, mas sempre que Shun estava perto, o defendia dos ataques do irmão.

Sentiu um leve calor quando pensou no amigo.

Por que estava se sentindo daquela forma ? Por que simplesmente pensar no amigo mexia tanto consigo ? Os acontecimentos vespertinos vieram à sua mente. O que será que estava escondido nas entrelinhas do que o garoto de olhos verdes tinha falado ?

"Porque eu gosto de você" parecia ouvir o outro falar.

Sacudiu a cabeça. Devia estar ficando louco de tanto ficar sozinho. Precisava apenas voltar para a Fundação e esquecer tudo isso.

- Esquecer, não. Eu preciso tirar esta história a limpo ! – falou decidido.

Hyoga chegou na Fundação no início da noite. Como era sábado, Shiryu e Shunrei tinham ido ao cinema. Ikki aparentemente não estava me casa e Seiya e Shun estavam assistindo Tv.

Os dois desviaram o olhar para a porta assim que o russo entrou. Apesar da aparente calma do local e da deusa estar protegida no Santuário, os cavaleiros sempre ficavam de prontidão, esperando um ataque eminente. Era este também o motivo da Fundação estar tão próxima ao Santuário. Os poucos cavaleiros de ouro que restaram defendiam a deusa, mas os cavaleiros de bronze sabiam de suas obrigações. Claro que havia sido uma infância e início de adolescência árduos para todos, mas era em favor de um bem maior e a responsabilidade adquirida com as armaduras não podia simplesmente ser deixada de lado.

O cavaleiro de Cisne apenas cumprimentou os outros dois com a cabeça e subiu rapidamente para seu quarto. Tirou a roupa e entrou no banho.

Quando o russo abriu a porta da suíte levou um susto. Andrômeda estava sentado em sua cama, esperando.

- Shun ?

- Você está bem ? – perguntou se levantando.

- Estou. – disse sem-graça por estar apenas de toalha na frente do outro.

Shun se aproximou do loiro fez menção de tocar-lhe o ombro nu.

- Desculpe o Ikki, ele...

O cavaleiro de Cisne ficou ofegante. Algo lhe dizia que isso era errado. Não devia estar acontecendo. Afastou-se em um solavanco da mão do outro.

Andrômeda ficou um pouco assustado com a reação do amigo.

- Calma Hyoga, eu não vou te machucar.

- Saia.

- Hyoga, eu...

- Sai. – disse friamente.

O cavaleiro de belos olhos verdes ficou com a mão no ar, observando o outro sem entender.

- Você não ouviu ? – perguntou ainda mais friamente, estreitando os olhos e apertando ainda mais a toalha em volta do corpo.

O Virginiano apenas abaixou o braço, virou-se e saiu fechando a porta.

Hyoga passou a mão nervosamente pelos cabelos molhados.

- O que está acontecendo comigo ?

- Vai sair ? – Seiya perguntou ao loiro assim que este desceu trocado e de banho tomado.

- Que tal irmos ao cinema ? – sugeriu.

- Nem precisa perguntar de novo. – Pégasus falou se levantando do sofá.

- Você quer ir, Shun ? – o Aquariano perguntou suavemente para o menino que abraçava os braços enquanto olhava para a TV.

- Você não está mais bravo comigo ? – perguntou ao loiro.

- Eu não estava bravo com você.

- Então eu vou. – respondeu com um suave sorriso.

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Andrômeda não tinha programa para o sábado e seria uma boa sair com os amigos, mas no domingo seria diferente.

Na última quinta-feira, Shun tinha juntado toda a coragem que tinha e convidado June, a amazona de Camaleão para irem ao cinema no sábado à noite. A menina agora morava no Santuário e tinha regras a seguir. Não podia sair à hora que queria. A supervisora da amazona não permitiu que a garota se ausentasse no sábado, pois outras meninas já haviam requisitado o dia. Foi-lhe permitido sair no domingo à tarde.

June não cabia em si de felicidade. Sempre teve muito carinho pelo amigo, o que acabou virando paixão pela forma doce com que o outro conduzia a vida.

A loira sabia que Shun além de ser agradável, atencioso, gentil e muito bonito, ainda tinha interesse por ela. O problema era a timidez do menino, que o impedia de ser mais impetuoso.

A coragem necessária para o menino ir até a amiga teve uma pequena ajudinha da garota. No início da tarde haviam se encontrado e June ficou comentando sobre uma nova animação que estava em cartaz. Disse que gostaria muito de ir, mas não queria ir sozinha, já que as outras amazonas não se interessavam muito por assistir desenho no cinema. Era a chance que Andrômeda tanto queria.

Shun já tinha beijado outras garotas, por insistência de Ikki, que o levava a danceterias e outros lugares para "caçar". O Virginiano tinha aproveitado os beijos, mas não eram aquelas meninas que queria estar beijando. Podia até beijar uma menina, mas era o belo rosto da amiga que via quando fechava os olhos.

O rosto da amiga... lembrava-se perfeitamente dele, do contorno suave da boca, do desenho do nariz delicado e dos belos olhos brilhantes.

No cumprimento do seu dever como amazona, as garotas eram obrigadas a esconder o rosto permanentemente. Não era permitido que nenhum homem as visse sem a máscara. Era uma ofensa semelhante a ver uma mulher despida. Apesar de várias delas tirarem a máscara escondida quando iam sair, se o homem SOUBESSE que ela era amazona e visse seu rosto, só havia duas alternativas: ou o amor ou a morte. Ou era obrigada a amá-lo para não matá-lo, ou era obrigada a tirar-lhe a vida pela ofensa.

Os cavaleiros do Santuário faziam várias piadinhas com esta situação e até chamavam as meninas de VN ou Viúvas Negras. Brincavam dizendo que se elas somente se insinuavam àqueles que odiavam e aí, como a pequena aranha, envolviam o outro e tiravam a máscara, sendo obrigadas a "eliminá-los".

Pouco antes de embarcar para o Santuário, onde enfrentariam os cavaleiros de ouro, Shun tinha visto o rosto da menina. Foi uma situação um pouco estranha, pois a menina havia se machucado e Andrômeda estava preocupado com ela. Quando a máscara saiu de seu rosto e a viu pela primeira vez, Shun não se lembrou da maldição das amazonas. Queria apenas saber se a amiga estava bem. Assim que conseguiu se livrar dos problemas que tinha, pegou-a no colo e a levou em segurança para longe dali. A menina o abraçou e colocou a cabeça em seu peito. Suas mãos suavam e seus batimentos cardíacos estavam acelerados, mas não queria que a loirinha soubesse que estava apaixonado por ela, por isso não a ficou admirando. Era um cavaleiro e tinha obrigações a cumprir. Em nenhum momento, qualquer um dos dois se lembrou que ela estava sem máscara.

Depois, pensando melhor durante o vôo para o Santuário, o menino percebeu que a vira sem máscara. Será que seria morto por ela em seu retorno ? Será que era por isso que a garota não queria que ele fosse para o Santuário ? Não. Ela não tinha falado agressivamente, não achava que ela quisesse matá-lo. Foram amigos durante anos... Então, se ela não quisesse matá-lo, pela maldição, só havia uma coisa a fazer... Ficou tão contente que deu um sorriso.

- Está tudo bem, Shun ?

Seiya havia lhe perguntado durante o vôo, mas o cavaleiro de Andrômeda estava longe. Seus pensamentos estavam em terra, mais propriamente ao lado da amazona de camaleão, que também tinha os mesmos pensamentos e apresentava o mesmo sorriso na face.

Depois das batalhas, Shun retornou e a menina foi para o Santuário. Continuavam próximos e se encontraram algumas vezes, mas ninguém mencionou o assunto da máscara.

Agora, finalmente tinham um encontro para o dia seguinte.

Shun estava ansioso. Como seria o encontro ? Como conseguiria beijar a menina com a máscara ? Talvez esse primeiro encontro fosse só para se adaptarem um ao outro, apenas nos próximos conseguiria beijá-la. Lutaria bastante para que houvessem outros encontros.

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Os três amigos saíram do cinema e foram a uma lanchonete completamente lotada. Hyoga conseguiu um lugar nos sofás. Era um sofá de dois lugares de frente para o outro. Seiya sentou de um lado e Andrômeda do lado do loiro.

- Caramba ! Vocês viram que efeitos legais ? – Shun perguntou tomando o refrigerante.

- E a última cena ? Achei que eles não iam conseguir. – Cisne falou entusiasmado.

- Eu adoro filmes deste tipo. – Seiya comentou mordendo o sanduíche.

Ficaram algum tempo comentando sobre o filme. Seiya não tirava o olho da fila do caixa. Assim que acabou o lanche, o menino pegou o ticket dos três, sem deixar de olhar para a fila.

- Deixa que eu pego a sobremesa. Olha que gatinha aquela moreninha ali saindo da fila do sorvete.

Seiya saiu rapidamente da mesa.

- Este Seiya não tem jeito mesmo.

- Com certeza. – Shun replicou acabando o refrigerante.

Ao colocar o copo na mesa, ainda olhando para Pégasus, o garoto de cabelos verdes acabou colocando a mão quase em cima da mão de Hyoga.

Os dois se olharam imediatamente. Parecia que o russo tinha levado um choque. Assustou-se assustou e puxou a mão rapidamente. Shun não entendeu nada. O amigo estava com umas atitudes muito estranhas. Primeiro não deixou Andrômeda tocá-lo no quarto e agora puxou a mão quando Shun o... tocou ?

O Virginiano ficou pensando sobre o assunto. Tinha alguma coisa a ver com tocar o russo. Ou será que tinha alguma coisa a ver com ELE tocar o russo ?

"Que estranho" pensou, mas armou mentalmente um plano para descobrir o que estava acontecendo. Quando viu Seiya voltando, levantou-se rapidamente para ajudá-lo, mas quando retornou, sentou-se no lugar de Seiya, obrigando o outro a se sentar do lado de Hyoga. O cavaleiro de Pégasus não se importou.

Andrômeda observava todos os movimentos do loiro, esperando a hora de agir.

Sorriu quase imperceptivelmente quando Hyoga colocou a mão no porta guardanapo para retirar um papel. Era a hora do teste.

- Seiya, me pega um guardanapo, por favor. – Shun pediu.

Como o menino tinha previsto, Seiya, para quem tinha pedido foi pegar o guardanapo, mas Cisne, que estava mais perto do objeto, foi pegar também. Pégasus colocou a mão em cima da mão do loiro. Os dois se olharam e Hyoga foi o primeiro a rir, seguido de Seiya.

- Acho que tem dois Seiyas na mesa. – Hyoga falou brincando, mas sem tirar a mão de baixo da mão do outro.

- É. – o outro concordou, retirando a mão normalmente.

- Seu guardanapo. – o loiro ofereceu para o amigo que o solicitara.

- Obrigado. – disse sorrindo.

"Teste Um, concluído. Ele aceitou o toque de outra pessoa, neste caso, do Seiya" – repassou mentalmente.

Acabaram os sorvetes e se levantaram. Seiya foi até o lixo. Andrômeda saiu rapidamente do sofá para se colocar entre ele e o russo. Pégasus jogou suas coisas fora e Shun também, mas não saiu da frente do lixo, simplesmente se virou e pegou a bandeja da mão do loiro.

- Deixa que eu jogo fora. – falou pegando na mão do outro, mas fingindo naturalidade.

Hyoga soltou a bandeja imediatamente, deixando o copo de refrigerante vazio cair no chão. O russo se abaixou e pegou o copo. Shun segurava a portinha do lixo. O amigo jogou o copo fora, mas não olhou no rosto de Andrômeda. Os três saíram da lanchonete.

"Teste Dois, concluído. Ele se incomodou com o toque de outra pessoa, neste caso, eu. Muito interessante" – o garoto de olhos verdes refletiu sorrindo.

- Aonde vamos agora ? – Seiya perguntou animado.

- Vamos até a praia ? – Shun sugeriu.

- Ótima idéia.

Ficaram andando pelo calçadão até que chegaram perto de um monte que Hyoga costumava ir para admirar o mar.

- Vamos até lá em cima ? – Andrômeda perguntou apontando para o pequeno monte.

Dava para subir pelas pedras, o que era mais difícil ou então pelo outro lado, de carro ou até a pé, mas era mais longe.

- Pelas pedras ? – Hyoga perguntou.

- É mais rápido. – Seiya disse e pulou para a primeira pedra.

O belo garoto de cabelos verdes pulou atrás e virando-se, deu a mão para ajudar o loiro a subir.

"Que estranho. Por que ele está dando a mão para mim ? Talvez porque eu fiquei para trás." refletiu.

Era uma boa suposição, mas precisava ter certeza. Precisava fazer um pequeno teste com o amigo.

Aceitou a mão do outro. Shun ficou um pouco desiludido, mas não deixou transparecer. Seu terceiro teste tinha falhado. Hyoga tinha aceitado sua mão.

O Aquariano passou na frente de Andrômeda e subiu nas próximas pedras rapidamente, passando na frente de Seiya e retardando um pouco o outro, fazendo com que Shun também passasse pelo Sagitariano.

- Shun, ajude o Seiya a subir.

- Não precisa Hyoga, ele consegue sozinho.

"Humm. Ele me ofereceu a mão, mas não ofereceu ao Seiya" pensou sorrindo.

Ao chegaram até lá em cima, Cisne se aproximou da beirada. Não era perigoso, se caísse, seria menos de um metro até a próxima pedra, não dava nem para sujar os sapatos, mas tinha outro teste para realizar. Ficou bem perto da beirada e depois se virou abruptamente, escorregando de propósito. Seiya estava entre Hyoga e Shun, mas foi o menino de olhos verdes que o segurou pelo braço puxando-o para longe da borda.

- CUIDADO HYOGA ! Assim você pode se machucar. – Shun falou parecendo bem preocupado.

- Que distração a minha. – comentou.

"Humm. Ele se preocupa comigo" constatou também sorrindo.

Ficaram um tempo lá em cima, admirando as luzes dos navios ao longe.

- Vamos descer ? – Seiya sugeriu.

- Vamos.

Hyoga desceu na frente, Shun veio depois e Seiya logo atrás. Ao chegarem novamente na praia, os três correram pela areia, em direção ao calçadão. A areia fofa dificultava um pouco a corrida, mas como o loiro já estava na dianteira, levou vantagem. Parou e ficou esperando os outros dois, logo depois da ciclovia. Shun que vinha correndo e rindo, olhando para o russo, não prestou atenção na bicicleta que vinha.

- SAI DA FRENTE, SEU IMBECIL ! – o garoto da bicicleta gritou, assustando Andrômeda, que parou imediatamente.

- Você se machucou ? – o Aquariano perguntava preocupado, segurando-lhe os braços, milésimos de segundos depois que a bicicleta passou.

- Vamos galera ! Não esquenta Hyoga, a bicicleta nem chegou perto dele. – falou passando pelos dois.

O garoto de olhos verdes estava estático.

- Shun, por favor fale comigo. Você está bem ? – o loiro insistiu perguntando mais suavemente.

Andrômeda não estava estático por causa da bicicleta. Estava paralisado pela atitude do amigo. O russo estava muito atencioso com ele. Não estava testando o amigo, mas a ação do loiro falava por si só.

A situação piorou quando Hyoga soltou o braço do menino e passou a mão no seu rosto.

- Você está bem mesmo ?

O loiro percebeu que primeiro o amigo parou de respirar e arregalou os olhos, depois engoliu seco e ficou com a respiração descompassada enquanto o encarava com olhos verdes atentos. Apesar de ser noite, era mais que perceptível o quanto Cisne ficou vermelho. Soltou o outro imediatamente e começou a andar rápido pelo calçadão se distanciando dos outros dois.

- O que aconteceu com o Hyoga, Shun ?

- Não sei Seiya. Ele está um pouco estranho, mas acho que é por causa do dia de hoje.

- Eu sempre procuro ser mais tolerante com ele no dia em que ele se lembra da mãe. – Seiya explicou para Shun.

- Eu também. Para falar a verdade, durante toda a primeira semana de cada mês eu costumo ser mais atencioso. Como uma forma de me solidarizar com a dor dele, entende ?

Pégasus acenou positivamente com a cabeça.

- O Hyoga sente muita falta da mãe. A Miho fala que é carência afetiva e que a gente tem que ser bem gentil para ele superar esta falta.

- Hoje o Ikki foi bem agressivo com ele na praia.

- A gente não pode deixar o Ikki fazer isso, Shun. Você sabe o quanto o Hyoga se ressente com os ataques do Fênix.

- Eu sei. Eu tento falar para o meu irmão, mas ele nunca quer ouvir. Ele acha que como conseguiu passar por tanta dificuldade, todos têm que ser iguais a ele, enfrentando a vida com dureza.

- Mas você sabe que as coisas não são bem assim. Primeiro ninguém é igual a ninguém. Apesar do Hyoga ser um tanto sentimental demais...

Andrômeda observou o loiro andando vagarosamente mais a frente. Teve pena do amigo. Era o único que estava sempre completamente sozinho. Fênix tinha grande parcela de culpa pelo russo ser tão introspectivo. E se Ikki era culpado, Shun achava que tinha OBRIGAÇÃO de ser gentil com o outro como uma forma de compensar as grosserias do irmão.

O que o cavaleiro de belos olhos verdes não sabia, é que sua atitude mais atenciosa com o loiro poderia desencadear uma situação completamente fora do controle. Hyoga estava muito carente. Precisava de carinho e atenção. Certamente se apegaria a qualquer migalha de sentimento que lhe fosse jogada.

Shun estava entrando em um campo muito perigoso, mas não tinha noção da profundidade do perigo. Gostava muito do amigo, assim como gostava dos demais, porém não fazia a menor idéia do quanto a frase inocente "Porque eu gosto de você" que falara ao outro tinha gerado uma revolução no interior do amigo.

O garoto de olhos verdes de fato gostava do russo, mas apenas como amigo. Andrômeda não cultivava nenhum outro sentimento pelo garoto de olhos azuis claros a não ser a amizade. Nunca passaria disso. O único outro sentimento que tinha pelo loiro era compaixão. Ficava realmente com pena pelo amigo estar sempre tão sozinho. Claro que isso nunca seria dito ao russo. Hyoga era muito orgulhoso e jamais aceitaria que alguém dissesse que sentia pena dele.

Andrômeda suspirou e continuou a andar com Seiya a seu lado. Agora o outro garoto contava coisas sobre a menina da fila do sorvete, mas Shun não estava ouvindo. Pensou uma última vez nos acontecimentos envolvendo o Aquariano e depois voltou sua mente para o encontro que teria no dia seguinte. Fazia tempo que aguardava este momento. Agora teria a oportunidade que tanto queria. Sentiu seu coração bater mais rápido ao pensar na amiga. Como era bonita. Tinha um rosto encantador, o qual o menino não conseguia esquecer. A garota era meiga e suave com ele, mas decidida no que queria. E apoiava-o em todos os momentos o que era muito importante.

"De fato, June seria a namorada ideal." pensava.

Hyoga, um pouco mais à frente, refletia sobre os últimos acontecimentos.

Primeiro Shun tinha falado que gostava dele, depois colocara a sua mão sobre a do loiro na lanchonete. Quase derrubara Seiya para evitar que Hyoga caísse de uma distância ridícula. Quando o russo o segurou e passou a mão em seu rosto, engolira seco com a proximidade de Cisne e ficara ofegante. Mas porque tinha passado a mão no rosto de Andrômeda ? Foi simplesmente uma vontade irresistível. Não sabia explicar o porquê.

Tentou afastar os pensamentos, mas não conseguia tirar Shun da sua mente. Já tinha algum tempo que tinha começado a prestar atenção em como o outro o tratava. O cavaleiro de Andrômeda era sempre tão atencioso com ele...

O que será que estava acontecendo ? Que atitudes eram estas do amigo para consigo ? Será que era pena ?

Procurou rejeitar completamente esta palavra da sua mente. Não podia ser "pena".

Pensava em outras coisas para esquecer isso, mas seus pensamentos o traiam. Voltou a pensar no amigo. Tinha sido duro com o garoto em seu quarto. Nem sabia ao certo porquê fizera aquilo, mas fizera. Shun poderia simplesmente não ter aceitado irem ao cinema.

"Cinema", refletiu.

Tinham chegado tarde no cinema e havia uma fila enorme. A sala estava lotada e só haviam duas cadeiras juntas e vazias em uma das laterais. Shun tinha feito questão de se sentar com Hyoga. Depois ficou cheio de gentilezas, se oferecendo para comprar refrigerante e chocolate. Ainda falou para o russo sentar mais próximo do corredor para ver melhor o filme. Será que era pena ou era outra coisa ?

"Outra coisa ? Hyoga, cuidado com o que você está pensando..." se repreendeu.

"Que besteira é essa Hyoga ? Não tem nada de mais ser curioso. Você só quer entender o sentido de uma frase. Não há nada de absurdo nisso !" refletiu e depois riu nervosamente.

"Acho que estou fazendo tempestade em copo d´água. Não tem nada por trás. Foi só uma frase inocente".

- Agora Hyoga – disse a si mesmo - você vai parar de pensar nestas bobagens e aproveitar a noite com os seus amigos.

Aproveitar a noite era fácil, mas tirar o belo garoto de olhos verdes da cabeça estava difícil. Aliás, quanto mais olhava para o outro, mais difícil era.

Shun tinha impregnado sua mente. Talvez fosse a atitude gentil do outro. Não sabia. Só sabia que estava se sentindo estranho. Era como se estivesse enfeitiçado. Talvez...

A carência e curiosidade do russo estavam afloradas demais. Seu coração que antes estava gelado, agora estava quente. Não sabia explicar ao certo. Era como se o seu coração fosse como uma liga de ferro. Sem nenhuma interferência externa, o ferro é frio, mas em contato com o calor, se aquece de tal forma, que é impossível tocar nele sem se queimar. Era um calor contagiante.

Ainda precisava observar melhor o amigo, mas era visível o quanto a presença do outro lhe fazia bem. Sorriu ao perceber isso

Infelizmente o russo não podia ler os pensamentos do Virginiano, ou teria sido bem mais cauteloso ao se entregar a esses devaneios.

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Próximo Capítulo – Hyoga continua a observar as atitudes do garoto de olhos verdes. Shun tem a tarde tanto sonhada com a amazona de Camaleão e o russo faz uma descoberta que o deixa transtornado.

Nota da autora – Agradecimentos.

Obrigada a todos que estão acompanhando a fic. Em especial, às meninas que escreveram para comentar do casal. Bjinhos a todos.

Anjo Setsuna - Que ADORA o Hyoga, mas não lê fic Hyoga&Shun porque fica com ciúme. Também disse que não gosta quando o Virginiano fica só chorando.

(Bela Patty - E vc acha que estou me sentindo como, com o MEU loirinho tendo o risco de cair nos braços de outro ? Humf ! Segura o ciúme. Eu também ADORO o Hyoga e também fico MORRENDO de ciúmes, mas tudo bem, para escrever sobre o Loirinho vale o sacrifício rsrsrsrs. E como eu disse, na verdade a Helena da fic Recordações foi baseada em MIM ! Ou vc acha que eu ia deixar esse loiro gatérrimo dando sopa por aí ? .)

AnnaChanHxS - Escreveu para dizer que os dois são lindos, maravilhosos, tudo de bom e torce para o próximo cap sair logo.

(Bela Patty - Aqui está! Nossa, fiquei feliz de receber seu e-mail. Com tantas fics que vc têm destes dois é uma honra receber um e-mail seu dizendo que está lendo. Brigadinha moça !)

Anônimo - Que deixou uma review para avisar que gostou e que considera esse um dos casais mais lindinhos e fofinhos do Saint Seiya.

(Bela Patty - Bem.. Sou suspeitíssima para falar do Hyoga.. ai,ai! Ele é tudo de bom. Deixe seu nome na próxima para o agradecimento ser personalizado. .)

Cardosinha - Nem acreditou estar lendo a fic e AMA, AMA, AMA Hyoga&Shun.

(Bela Patty - Eu prometi que fazia a fic, não prometi ? Posso demorar mas cumpro as minhas promessas. Apesar, de como eu te disse, eu estar MORRENDO DE CIÚMES pelo Loirinho estar com o Lindinho (humf!). Ah! Sobre a Helena da fic Recordações, a explicação é a mesma que eu dei para a Anjo Setsuna. E brigadinha pelo apoio moral, está sendo de grande ajuda.)

Ilia-Chan - Que apareceu para dizer que não gosta de muito melodrama com os dois. E até comentou que como bom Virginiano, o Shun deve ter um gênio terrível.

(Bela Patty - Bem, se é mais tempero que vc quer, vc já conhece minhas fases más. CLARO que estou preparando um pouquinho para os meninos de bronze também (rsrsrs). Neste cap já tem um começo. Ai, ai, espero que as fãs do Loirinho & Lindinho não me MATEM depois ! Socorro!)

Teffy - Que pintou na área para dizer que também está acompanhando a fic.

(Bela Patty - Brigadinha. Gostei muito da sua visita. Bem que vc disse que iria ler. Pena que eu não fui TÃO rápida assim na atualização, mas espero que vc goste)

Nota da autora – Contato

Podem me contatar no erika(ponto)patty(arroba)gmail(ponto)com ou via review neste site.