Corações Transformados
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Capítulo anterior - No capítulo anterior, Shun não vê que o amigo estava apaixonado por ele e lhe dá conselhos sem fundamento. Hyoga passa a odiar Andrômeda e decide mudar seu jeito de ser.
...com seu poder fez um pequeno coração de gelo e ficou admirando-o.
- Você desprezou meu amor, não foi, Shun ? - falava para a peça de gelo - Pisoteou meu coração e ignorou meus sentimentos. Ótimo. - fitava o coraçãozinho em sua mão - Eu não tenho mais amor para te dar. Agora eu só tenho ÓDIO. - e esmagou a pequena peça, transformando-a em minúsculos cristais de gelo.
Quem o visse naquele momento, se assustaria. Em nada lembrava o menino gentil que conheciam. Diante de si veriam um rapaz frio, arrogante e de coração negro.
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Corações Transformados - Capítulo VI – O novo Hyoga
Tema: Coração Empedernido
( Empedernir (cf. Aurélio) – Tornar frio e insensível como pedra; tornar desumano; cruel)
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Final da tarde de sábado...
Enquanto tomava banho o loiro queimava por dentro. Sua raiva era tão intensa que mesmo a água gelada que caia sobre seu corpo não era capaz de esfriá-lo. Seus músculos doíam e sua cabeça latejava pela amargura que sentia. Tentava se livrar dos pensamentos que o afligiam, mas parecia um tormento. A todo instante sua mente enchia-se da bela imagem do amigo sorrindo.
- NÃO ! – gritou e o pensamento desapareceu. – Eu te odeio.
Parou e pensou um pouco melhor sobre o assunto. Buscando lá no fundo do seu coração, via que não o odiava e sentia exatamente o contrário. Chateou-se com a descoberta.
- Larga de ser bobo, Hyoga. – disse a si mesmo com um pouco de tristeza – Até quando você vai perder seu tempo pensando em quem não te quer ?
Desligou o chuveiro, enrolou-se na toalha e voltando para o quarto abriu o guarda-roupa. Deu uma boa olhada nas calças e camisetas. Precisava escolher algo que o valorizasse e o deixasse atraente. Acabou optando por um jeans claro e uma camiseta preta.
O garoto voltou ao banheiro, secou os cabelos, penteou-se, perfumou-se e saiu sozinho. Não chamou ninguém para acompanhá-lo. Era melhor estar só que com qualquer dos seus amigos. Eles já o tinham aborrecido demais.
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Naquele início de noite os pensamentos do menino estava a mil. Já deixara os sentimentos de autopiedade, compaixão e amor de lado. Queria mudar. PRECISAVA mudar. Entendia que era EXTREMAMENTE NECESSÁRIO mudar, mas... por onde começar ? Mudar como ? O que fazer ? Com quem falar ? Aonde ir ? Sua mente era um poço de dúvidas.
Apesar de tantas incertezas, uma coisa estava BEM clara para Hyoga. Seu objetivo. O menino queria VINGANÇA. Mostraria a Andrômeda o que ele perdera.
O Aquariano estava disposto a tudo. Faria qualquer coisa, venderia sua alma se necessário, mas se tornaria desejável. Primeiro queria ser um bom conquistador. Conquistaria as garotas e as teria a seus pés. Assim que conseguisse isso, passaria para o segundo passo: tornar-se irresistível. Queria tornar-se TÃO irresistível que seu olhar deveria ser suficiente para seduzir.
"Seduzir" pensou e sorriu felinamente. "Essa é a palavra"
Hyoga transformara-se em um caçador. Já escolhera sua presa e a tinha sob sua mira. Assim que se tornasse irresistível se aproximaria de Shun e o seduziria. E quando o amigo estivesse em suas mãos, sob seu completo domínio, o loiro o faria sofrer. O faria provar o gosto amargo do desprezo.
Dor. Andrômeda deveria sentir DOR. Deveria sentir seu coração se partindo em mil pedaços. Sentir angústia, ansiedade, desespero. Sim. Deveria sentir TUDO o que fizera o russo passar.
Obviamente tudo era uma seqüência: ser desejável, conquistar, ser irresistível, seduzir, dominar, fazer sofrer, se vingar... mas mesmo com tudo planejado, ainda havia um grande problema: COMO fazer isso.
O Aquariano sentiu-se sem chão. Desejava a vingança, mas não sabia por onde começar. Precisava se tornar irresistível, mas nem sabia o que fazer. Tinha saído TÃO decidido de casa, mas agora a incerteza abalava seu propósito.
"Se ao menos eu pudesse falar com alguém, alguém que me ensinasse a seduzir, alguém que me ensinasse a ser irresistível, alguém que..." de repente sua mente se iluminou.
- Claro ! – exclamou e apressou-se em seguir outro caminho.
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O cavaleiro chegou na entrada do Santuário e olhou para a grande escadaria. Seria um longo caminho até a oitava casa, mas valeria a pena. Quando falara a primeira vez com Milo, não podia contar toda a verdade e tinha certeza que isso prejudicara os ensinamentos do grego, mas agora seria diferente, seu objetivo agora era tornar-se um sedutor e aprender a utilizar todas as armas da conquista. Certamente o Escorpiniano seria o melhor mestre que poderia ter.
Mal subiu alguns degraus e Mu, o cavaleiro de Áries, apareceu na entrada do primeiro templo.
- Oi Hyoga – cumprimentou-o e sorriu – Você quer falar comigo ?
- Oi Mu. Tudo bom ? Bem.. na verdade eu quero falar com o Milo.
O Ariano desceu alguns degraus.
- Ele saiu com o Deba.
- Saiu ! Tem certeza ?
- Absoluta... – o tibetano viu que o menino ficou chateado - Será que eu posso ajudar ?
- Receio que não.
- Bem, amanhã o Milo deve estar por aqui.
- Ok. Volto amanhã. – respondeu com um sorriso forçado – Obrigado Mu.
Começou a caminhar de volta até sua bicicleta. Por essa não esperava, o grego não estava. A princípio ficou desiludido, mas depois, pensando bem, dificilmente o Escorpiniano aceitaria sair com o garoto a tira-colo. Era bem provável que Milo gostasse de fazer coisas proibidas para a idade do loiro e não ia querer ninguém para atrapalhar sua noite de sábado.
- E agora o que eu faço ? – Hyoga perguntou-se sem atinar uma resposta coerente.
Parou um pouco e ficou pensativo.
- Bem – suspirou – se não tenho um mestre para me mostrar o caminho, terei que encontrar o caminho eu mesmo.
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Próximo à região praiana, em um bairro nobre, bares, danceterias e pontos de encontro se amontoavam para proporcionar diversão aos jovens gregos. Hyoga dirigia-se justamente a este lugar. Nunca havia entrado em nenhum dos bares ou danceterias, mas sempre ouvira falarem muito bem deles. Aliás devido à fama local o menino criou uma forte expectativa sobre sua noite de sábado.
- Será uma noite maravilhosa. – falava a si mesmo também como incentivo.
Mal chegou nas primeiras ruas e se assustou com o que viu. Não havia NINGUÉM por lá. As ruas estavam praticamente DESERTAS.
"Deve estar mais cheio perto da avenida, é isso." pensou. Foi apressado até a avenida, mas as poucas pessoas que perambulavam apenas deixavam o ambiente monótono. Olhou no relógio. Nove e vinte. Não era tão cedo assim. Onde estavam todos ?
Parou a bicicleta em um estacionamento, mas ao andar pelas ruas, ficou ainda mais nervoso. Antes já estava se sentindo estranho com as ruas quase sem ninguém, mas agora, estando sozinho e num lugar que nem de longe era seu ambiente, fazia-o sentir-se como um peixe fora d´água. Para piorar as pessoas que passavam pareciam olhar diretamente para si, como se identificassem prontamente um corpo estranho.
Timidamente parou do lado de um barzinho para colocar os pensamentos em ordem.
- Vai entrar ? – o recepcionista perguntou de repente assustando-o um pouco.
O russo olhou para dentro do bar. Estava praticamente vazio.
- A que horas as pessoas chegam ? – perguntou ao recepcionista.
- Por volta das dez e meia. Na verdade o movimento esquenta depois das onze e aí ninguém mais acha lugar. – respondeu ao russo.
- Ok. Obrigado.
"Ufa. Que bom" pensou. Ao menos o problema era o horário. Para o público local, ainda era cedo demais. Mas... o que faria até lá ?
Andou a esmo pelas ruas até que encontrou uma lanchonete. Entrou e pediu um milk-shake. Enrolou o máximo que pôde, mas ao sair do lugar, ainda eram dez horas.
Com as ruas com um pouco mais de movimento que antes viu que ainda era cedo demais então decidiu dar algumas voltas pelos quarteirões. Isso serviria para conhecer o lugar e também para gastar o tempo.
Enquanto andava passou na frente do lugar onde deixara a bicicleta.
Parou imediatamente. Ainda era tempo de desistir. Poderia esquecer toda aquela loucura de vingança e viver a vida normalmente.
"É" – pensou – "Aceitar que o Shun vai amar aquela insuportável e me ignorar o resto da vida".
NÃO. Preferia seu plano. Ao menos se não desse certo, poderia até conhecer alguém interessante. Não era assim o que todos falavam ? "Para esquecer um amor, só um outro amor ?"
Cerrou os olhos e seu coração se apertou. Não. Sua alma clamava por vingança. A frase que melhor combinava com o que queria era "para esquecer um amor, só VÁRIAS amantes".
Saiu decidido da frente do estacionamento. Queria ser um caçador, não ? Então tinha que se portar como tal.
Sustentou sua farsa mais duas quadras e começou a diminuir o ritmo dos passos. Seu conflito interior recomeçou a crescer. Refletindo melhor essa vingança era uma completa loucura. Era melhor desistir de tudo antes que fosse tarde demais e não tivesse volta.
Enquanto pensava, o russo passou distraidamente por duas meninas. As garotas riram, o que o tirou de seus devaneios. Automaticamente olhou-as para entender porque riam. Quando seus olhos caíram sobre elas, os rostos das garotas se iluminaram.
- Nossa, que gato ! – uma delas exclamou.
O menino ficou enrubescido. Virou o rosto para frente e continuou a andar. Ficou tão nervoso que sua respiração se alterou.
- Ei loiro ? – uma das meninas chamou-o - Vem fazer miau no meu quarto, vem ! – pediu despudoradamente.
Isso o deixou mais vermelho ainda. Virou a primeira esquina que encontrou. Seu coração batia a mil. Respirou profundamente para se acalmar e de repente caiu em si. Era isso que queria, não ? Sorriu.
Não se achava o garoto mais bonito da Grécia, mas também não se achava feio. Ao menos outros olhares femininos que passaram por ele confirmavam isso. Andou mais um pouco e passou por um outro grupo de meninas que quase o comeu com os olhos. Respirou profundamente. "Pensando bem até que sou razoavelmente bonito" refletiu.
Quando recebeu mais um elogio, viu que estava ligeiramente enganado. Estava bem próximo do desejável. Agora, só precisava se tornar irresistível.
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Hyoga andava sem rumo pelo lugar que começava a encher de gente. Por fora até que estava atuando bem, sorrindo para as meninas que o admiravam, e olhando as pessoas de igual para igual, mas por dentro estava tremendo de medo. Seu coração batia descompassado, respirava com dificuldade, sentia uma dor no estômago e um calor dentro do corpo. Estava fora de seu ambiente e sem seus amigos...
"Amigos ?" pensou "Com amigos daqueles não preciso de inimigos".
Correu os olhos displicentemente pelas pessoas que passavam e reconheceu três garotos. Os meninos estudavam junto com o russo, na mesma sala de aula. Os gêmeos e um outro menino ficavam sempre no fundo da classe e eram tidos na escola como bad-boys.
O Aquariano não gostava muito dos garotos e pensou em ignorá-los, mas talvez apenas cumprimentá-los, mostrando para as outras pessoas que não era um estrangeiro naquelas terras e que ao menos conhecia alguém da noite, impeliu-o a se aproximar do trio.
Chegou perto dos meninos vagarosamente.
- Não sabia que vocês vinham aqui. – começou, chamando-lhes a atenção.
- Ora, ora, se não é o CDF do Hyoga. Está perdido, garoto dos livros ? – um deles falou.
- Ou errou o caminho para a feira de Ciências ? – um outro disse e os três começaram a rir.
- Muito engraçado. Estou rindo até agora. – o cavaleiro replicou.
Sua pose séria fez os três pararem de rir.
- Ok Hyoga. O que você faz por aqui ?
- O mesmo que vocês. Procuro diversão. – disse firmemente.
Os três meninos se olharam
- Que tipo de diversão ? – um deles perguntou.
- Ora, diversão. Coisas que te deixam alegre. – o Aquariano respondeu.
- Alegre ? – um dos gêmeos perguntou – Sei de uma coisa que vai te deixar bem alegre. – e puxou o loiro para dentro de um dos bares.
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À sua volta, as pessoas pareciam estar em outra dimensão. Era uma sensação estranha. Seu corpo estava amolecido como se flutuasse. De vez em quando ouvia as vozes das pessoas um pouco mais altas. Seus três novos amigos riam muito.
- ...você é virgem Hyoga ?
A pergunta lhe pareceu completamente despropositada para o assunto que estavam falando. Mas qual era mesmo o assunto que estavam falando ?
- Por quê você está me perguntando isso ? – o cavaleiro quis saber.
Os três começaram a rir.
- Ele ainda é ! - mais risadas.
- Cara, você não tem vergonha ? Com essa idade e virgem ? – um dos gêmeos o acusou.
– Não se preocupe. – o menino que não era gêmeo falou - Vou escolher uma menina para você AGORA. – e saiu.
- Hyoga, agora você vai ver o que é bom. – o outro gêmeo replicou.
O garoto retornou depois de algum tempo puxando uma menina pela mão.
- É esse aqui. – disse para a garota enquanto a colocava na frente do russo.
Um dos gêmeos se levantou e puxou o cavaleiro, que cambaleou um pouco pela ação da bebida.
- Oi. – a menina sorriu enquanto o olhava de cima a baixo - Eu sou a ...
Acabou não ouvindo o nome da garota. Pensou em dizer que não queria, mas ao olhá-la melhor, além do corpo muito bonito, a garota tinha uma coisa que lhe chamou a atenção: seus cabelos eram verdes. Não eram de uma coloração bonita como os cabelos do cavaleiro de Andrômeda, mas eram verdes o suficiente para lembrá-lo do comentário imbecil de Shun sobre saírem combinando. Seu coração voltou a apertar. Vingança era a palavra que corria por sua mente.
- ...e seus amigos me disseram que você é virgem e está bebendo para tomar coragem e me convidar para sair. – a garota terminou.
Foi o outro gêmeo quem respondeu pelo loiro.
- É isso mesmo, não é Hyoga ? – falou fazendo sinal de positivo para o cavaleiro.
- É. – o russo acabou concordando.
A menina sorriu e aproximando-se beijou o Aquariano.
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Domingo, pela manhã...
Quando Hyoga acordou estava em um lugar que não conhecia. Um abajur de ursinho iluminava o ambiente fracamente. Mexeu-se um pouco e esbarrou em alguém. Era a menina de cabelos esverdeados.
Constatou aborrecido que a menina não era mais bonita que a amazona de Camaleão. Alias, nem era tão bonita assim. Seus cabelos também não eram verdes. Eram azuis claros. A luz do ambiente ou a ação da bebida o enganara.
"Droga" pensou irritado consigo mesmo e com os três garotos.
Saiu cuidadosamente da cama para não acordá-la. Vestiu-se sob a luz suave e saiu do quarto sem fazer barulho. Abriu a porta da casa e foi embora.
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Até voltar ao lugar onde deixara a bicicleta fez com que o cavaleiro de Cisne se atrasasse mais ainda. Chegou na Fundação sete e dez. Subindo, foi direto para o banho. Saiu, secou-se e desabou na cama. Quando desceu já era tarde e todos já havia tomado café.
"Melhor assim" pensou.
- Onde você passou a noite, Hyoga ? – Miho perguntou assim que o viu na copa.
- Vê se me erra, garota.
O modo como falou com a menina deixou-a sem palavras. O russo pegou uma maçã, um copo de suco de laranja e voltou para seu quarto. Não queria ficar na copa sob o olhar inquisidor da garota.
Hyoga voltou a descer no meio da tarde apenas para fazer um sanduíche, logo depois subiu novamente para seu quarto e não saiu mais de lá.
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Segunda-feira, na escola...
O russo chegou na sala de aula e sentou-se no lugar de sempre. Os três meninos se aproximaram.
- E aí Hyoga ? A baranga era gostosa ? – um dos gêmeos perguntou.
- Seus miseráveis. – xingou-os.
- Lição número um. – o outro gêmeo falou – NUNCA vá para a cama com uma mulher se você tiver bêbado. Você pode se deitar com uma princesa e acordar com um dragão.
Os quatro riram.
- Vocês também já foram ? – o loiro perguntou ainda rindo.
- Todos nós. – o menino que não era gêmeo respondeu e riram mais ainda.
Depois de algum tempo pararam de rir
- Mas eu nunca vi vocês com meninas feias. – o Aquariano comentou.
- Meu caro Hyoga, vou te contar uma coisa. – um deles começou a falar – As mulheres são estranhas. Elas dizem que gostam dos garotos bonzinhos, mas na verdade gostam dos bad boys.
- Por isso somos bad boys.
- Ok, mas como é que só tem menina bonita perto de vocês ? – Cisne quis saber.
- Muito simples. Nós dispensamos as feias.
- Baranga não tem vez. São lixo. – um dos gêmeos falou com nojo.
O Aquariano ficou com uma cara de dúvida. Não concordava em tratar as meninas pouco privilegiadas de beleza daquela forma. Talvez não fossem bonitas, mas poderiam ser legais.
- Beleza não é tudo. – o cavaleiro afirmou.
- Você está enganado Hyoga. As mulheres bonitas só olham para nós porque estamos com mulheres bonitas. Se ficarmos com as feias, apenas as feias nos olharão.
- Mas não se pode tratar uma garota como lixo só porque ela não é bonita. – o russo replicou.
- Hyoga, só as tratamos como merecem. Elas JÁ SÃO lixo.
- Não se preocupe cara. – um dos bad boys disse ao cavaleiro, cortando o papo – Ande com a gente e você só terá meninas bonitas a seus pés.
- É. A gente vai te ensinar o que fazer para conquistá-las.
O rosto do Aquariano se iluminou. Era exatamente isso que queria: saber seduzir.
- Vão mesmo ? – perguntou animado.
- Com uma condição.
- Qual ? – o loiro perguntou.
- Você passa cola para a prova de quarta e sexta.
- Fechado. – e deu a mão para um dos gêmeos.
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Durante a semana Hyoga passava cada vez mais tempo com os novos amigos. Os quatro sempre estavam muito alegres, conversando e rindo muito. O russo aprendia a se tornar desejável e em contra-partida passava cola para os outros três durante as provas.
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Sexta-feira, durante a noite...
Os novos amigos do Aquariano combinaram de se encontrarem as nove, no calçadão da praia, próximo a um quiosque.
- Pega. – um dos meninos ofereceu um cigarro ao loiro assim que se encontraram.
- Eu não fumo.
- Larga de ser trouxa, Hyoga. Meninas gostam de caras que fumam.
- Gostam ? – perguntou sem acreditar muito.
- Claro. E não fique com essa cara. A gente não fuma o tempo todo. É só para mostrar às gatas que fumamos, entendeu ?
- Acho que não.
- Não importa. Tente.
O russo colocou o cigarro na boca. Viu como os outros faziam e tentou fazer igual. Puxou o ar para dentro da boca de uma vez e acabou engasgando. Os três riram.
- Não é para você engolir. Você tem que segurar dentro da boca e depois soltar a fumaça suavemente, assim. – e mostrou como fazia.
O cavaleiro ainda engasgou mais duas vezes, porém conseguiu imitar o amigo.
- É isso aí. – os três incentivaram rindo.
Os quatro passaram a noite juntos, se divertindo, bebendo e fumando.
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Madrugada de Sábado, na Fundação...
Hyoga chegou na Fundação às cinco e quarenta. Esperou até seis horas e assim que a porta abriu, entrou. Miho nem perguntou onde o menino estava. O cheiro forte de bebida e o andar cambaleante o denunciavam.
O loiro subiu até seu quarto. Mal abriu a porta e sentindo um grande enjôo, correu para o banheiro. Ficou um bom tempo até se recuperar e permaneceu no seu quarto a manhã toda.
Quando não desceu para o almoço os amigos estranharam.
- Onde está o Hyoga ? – Seiya perguntou.
- No quarto, de ressaca. – Miho respondeu.
- COMO É QUE É ? – Shun perguntou sem acreditar.
- Isso mesmo. Chegou completamente bêbado pela manhã.
- Tem certeza, Miho ? – o Dragão perguntou.
- Claro. Eu abri a porta para ele as seis e ele quase caiu no chão. Fedia a álcool que era um horror.
- Eu vou falar com ele. – Shiryu falou e se levantou.
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O Dragão bateu na porta do quarto, mas como não obteve resposta, abriu.
- Hyoga ? Posso conversar com você um pouco ?
- Não.
- Eu não vou demorar.
- SOME ! NÃO QUERO FALAR COM NINGUÉM.
Shiryu saiu do quarto e desceu.
- E aí ? – Seiya e Shun perguntaram.
- Ele me expulsou do quarto.
- Eu vou falar com ele. – o cavaleiro de Pégasus disse aos amigos.
- Não Seiya. – o Dragão aconselhou – Fale com ele mais tarde. Ele está um pouco irritado agora.
- Ok. Mas vou acabar com esta frescura. Onde já se viu tratar os amigos assim ? – disse aborrecido.
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Era final da tarde de sábado. Shiryu tinha saído com Shunrei e Seiya e Andrômeda jogavam xadrez na sala quando o russo desceu.
- Hyoga, aonde você vai ? – Miho perguntou.
- Não é da sua conta.
A menina se calou na hora. Seiya se levantou e chegou perto do loiro.
- Posso falar com você ?
- Outra hora Seiya. Meus amigos estão me esperando.
- De que amigos você está falando ? – Shun quis saber – Não é daqueles três desmiolados que estudam na mesma sala que você, não é ?
- É sim. Por quê ? – perguntou secamente.
- Hyoga, tenho visto muito você com eles e posso TE GARANTIR que eles não são boas companhias. – Andrômeda afirmou - Fiquei sabendo que até usam drogas.
- Hyoga, você sabe que estamos preocupados com você. Queremos apenas o seu bem e pelo jeito estes três caras são péssima influência. – Pégasus completou.
- Podem ser desmiolados, drogados ou até péssima influência, mas ao menos ligam para mim. Ao menos ELES, eu posso chamar de amigos. – disse raivosamente.
- HYOGA ! – Shun exclamou surpreso. – Quando não fomos seus amigos ?
O loiro riu sarcasticamente.
- Como você é cego. – fez cara de desdém e saiu.
Os dois ainda chamaram o Aquariano, que os ignorou.
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O menino chegou no lugar que combinara com os bad boys.
"Péssima influência, humf" – pensou irritado.
Era só o russo olhar em volta para perceber como a influência dos outros três o fizeram um enorme bem. Agora vivia cercado de belas garotas. As seis meninas que estavam na mesa junto com os quatro era muito bonitas e as duas que estavam em outra mesa e não tiravam os olhos do loiro também.
O Aquariano sorriu. Seu plano estava dando certo. Tornara-se desejado pelas garotas. No começo tinha pena de desprezar as feias, mas agora concordava com os amigos. Mulher feia só atraia mais mulher feia e ignorá-las passara a ser algo normal. Aliás, até abandonar as bonitas depois de usá-las também passara a ser algo normal. Na verdade as meninas apenas serviam de plataforma para seu propósito.
Obviamente no começo se sentiu muito culpado em tratá-las deste jeito, mas depois que percebeu o quanto a natureza feminina era estranha e que grande parte das garotas gostavam mesmo de bad boys e de serem maltratadas por eles, desencanou. Era o que elas queriam, não era ?
A situação atual era muito favorável ao menino. Hyoga tinha traçado um plano para o final de semana e tudo já estava pronto para a execução. As duas garotas da mesa do lado já haviam se juntado à turma e enquanto os meninos bebiam, fumavam, riam e beijavam ora uma, ora outra garota, o russo declarou a todos na mesa que no dia seguinte estaria na praia e levaria duas garotas com ele.
Todas as meninas ficaram eufóricas para serem escolhidas pelo loiro.
- Eu vou com as duas que tiverem os menores biquínis. – desafiou-as.
- E como você vai saber isso ? – uma das meninas perguntou.
- Simples. – um dos gêmeos se intrometeu – Basta ele ver a calcinha de todas agora. As que tiverem as menores, provavelmente usam biquínis pequenos também. – olhou para o loiro e sorriram um para o outro maliciosamente.
Com a brincadeira para saber quais meninas usavam biquínis pequenos, a qual os outros três também fizeram questão de participar apenas como juízes, a noite se estendeu até tarde. Hyoga acabou chegando na Fundação às sete da manhã. Miho nem olhou para o menino.
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Domingo, na Fundação...
Diferente de como vinha se portanto ultimamente, o loiro almoçou com os amigos e estava se mostrando muito agradável.
- Vocês vão à praia hoje ? – perguntou aos três cavaleiros de bronze.
- Vamos. – Shiryu respondeu.
- A June também vai Shun ? – questionou forçadamente já que a simples menção do nome da menina enchia seu coração de ódio.
- Vai sim Hyoga.
- Acho que então vou me encontrar lá com vocês.
- Você está falando sério ? – Seiya perguntou ao loiro.
- Claro. A não ser que vocês já tenham excesso de jogadores. – e sorriu.
- Imagine Hyoga. – Andrômeda respondeu – Você sabe que a gente sempre te chama.
- Então está fechado. Só preciso passar em um lugar antes de depois vou para lá.
- Tudo bem. – Shiryu concordou.
Ikki entrou na cozinha.
- Não vai dar para jogar com vocês. – disse e sentou-se.
- Tudo bem, o Hyoga vai com a gente. – Shun falou sorrindo.
O Aquariano não deixou de perceber o sorriso.
- Que bom. – Fênix respondeu.
Foi um almoço agradável. Como a muito não tinham.
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Quando o russo chegou na praia, Shunrei, Shiryu, Seiya, Shun e June já estavam lá. O loiro veio acompanhado de duas belas meninas em trajes minúsculos.
- Desejem-me sorte garotas.
- Boa sorte Hyoga. – falaram e cada uma deu um beijo no menino.
Os cavaleiros e suas namoradas ficaram bem pouco à vontade com a atitude das acompanhantes do Aquariano e do traje das mesmas, mas apesar do constrangimento, o jogo começou.
Seiya e Shun jogaram contra Hyoga e o Dragão. Depois de alguns sets, o loiro e Shiryu acabaram ganhando. Logo após o último ponto fechado as duas vieram correndo abraçar e beijar o russo.
Andrômeda ficou um pouco sem graça com as meninas e foi até a água se refrescar um pouco. June, curiosa, aproximou-se do loiro e das garotas.
- Meninas, comprem uma cerveja para mim. – pediu dispensando-as e ficando sozinho com a amazona.
- O Shun me disse que você passou alguns momentos ruins. Pelo visto você já superou. Que bom.
- É. – disse sorrindo – As meninas e os amigos têm me ajudado.
- Parabéns. As duas são muito bonitas.
Hyoga estava de costas para o mar, mas além de sentir a proximidade de Andrômeda, ainda podia ver a sua sombra. Shun estava bem perto. Quando o Aquariano falou, tinha ódio no coração, mas PLENA consciência do que dizia.
- Pois é. São bonitas mesmo. O Shun poderia até ter arrumado uma menina muito mais bonita e muito menos complicada que uma amazona, mas cada um, cada um, não é ? – e ficou sorrindo.
Andrômeda que acabara de chegar se colocara ao lado da amazona e a abraçara. Ele e a menina ficaram mudos com o comentário.
- Além disso, - continuou ainda sorrindo e olhando para Shun – vocês formam um BELO casal.
Andrômeda olhou para a menina e sorriu. June continuava séria. A garota não estava olhando para Shun, mas para o cavaleiro de Cisne e percebeu que Hyoga olhou seu namorado de cima a baixo com um ar enigmático. A menina não conseguiu identificar que tipo de olhar era aquele, mas sabia que não estava gostando.
O Aquariano estava tão perto do amigo que deixou, momentaneamente, o coração falhar. Ainda gostava muito dele. Queria-o para si, mas não sabia como.
Seiya chamou por Shun. Hyoga desviou o olhar ligeiramente para a amazona. Viu que era observado. Andrômeda, alheio à tudo foi até Pégasus. O cavaleiro de Cisne encarou a menina e fechou a cara. Não fazia a menor questão de ser agradável com ela. Se a menina tivesse um mínimo de conhecimento da alma humana, saberia que aquele olhar era de puro ódio.
O coração do Aquariano se apertou tanto que endureceu. Parecia que tinha virado pedra. Já deixara de lado os sentimentos. Pouco importava o que as meninas sentiam ao serem abandonadas ou desprezadas pelo russo, pouco importava o que os cavaleiros sentiam com o tratamento frio que dava a eles, pouco importava se a amazona sabia que ele a odiava ou não.
Olhou-a desafiadoramente. O desprezo que sentia pela amazona crescia a cada segundo.
- Se você está querendo o que eu estou pensando, Hyoga, - disse lentamente - prepare-se. Essa guerra eu não perco.
O russo gelou por dentro. Pelo olhar de ódio que recebeu, era ÓBVIO. A garota sabia. June sabia de seus propósitos.
- Oi. Perdi alguma parte importante ? – Shun perguntou retornando.
- Nada amorzinho. – a amazona respondeu com um sorriso – Falamos apenas banalidades.
Hyoga sorriu, mas quando seu olhar voltou a se encontrar com o da menina era como se o pólo norte tivesse chegado naquele lugar, tamanha era a frieza.
- Apenas banalidades. – a loira reafirmou voltando a sorrir.
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Próximo capítulo - June pensa ter compreendido as intenções de Hyoga, mas começa a perceber algo estranho no ar. O russo continua seu comportamento estranho com todo mundo e Andrômeda resolve entender melhor o que está acontecendo.
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Nota da autora – Agradecimentos.
Obrigada a todos que acompanham a fic, principalmente às meninas que escreveram.
Anjo Setsuna - Ficou muito brava com o Shun por ele fazer o loirinho mudar. Espera que eles ainda tenham uma chance. (Bela Patty) - O que eu queria era mostrar como as pessoas podem mudar com uma grande decepção. E o Shun continua cego... Aliás, o pior cego é aquele que NÃO quer ver.
AnnaChanHxS - Ficou MUITO aborrecida com o Shun e acha até que ele merece apanhar. (Bela Patty) - Não fique chateada. Não é pelo prazer de separá-los, mas para mostrar a transformação que pode ser desencadeada por uma decepção. E também como uma pessoa pode ficar tão alheia ao que está acontecendo à sua volta. Será que tem jeito ?
Cardosinha - Já estava imaginando o Hyoga mau, dominado pela luxúria e com desejo de vingança. Estava até com vontade de bater no Shun. Espera que o Kamus seja útil quando aparecer. (Bela Patty) - Você acertou em cheio. O pior é que as grandes vítimas das atitudes dos dois, serão eles mesmos. Será que o Kamus vai ajudar quando aparecer ? Humm.. sei não...
Ilia Chan - Achou o Shun um cego. Merece esquife de gelo. Estava ansiosa pela transformação e pela reação da June. (Bela Patty)- Fase má SUPER ON. Aqui está. Hyoguinha transformado e June já começando a ficar "p" da vida rsrs.
Kitsune - Ficou com raiva do Shun pela primeira vez. Está solidária aos sentimentos do loirinho. (Bela Patty) - É. Vc entrou no clima da fic. Não é fácil não amiga e o pior é que sei que vc sabe disso.
Litha-Chan - Chamou o Shun de tapado e já estava esperando as conseqüências disso. Também estava curiosa para ver a transformação do Hyoga. (Bela Patty) - Complicações aí pela frente. Hyoga de anjo a demônio. Será que a culpa é só dele ?
Pime-Chan - Elogiou bastante e achou o Hyoga diferente, mas fofinho. Está torcendo para o Hyoga fazer o Shun sofrer bastante (?), mas que ficassem juntos no final. (Bela Patty) - Realmente o Hyoga está diferente e... ei, como assim "fazer o Shun sofrer bastante ?" :( Snif!
Sinistra Negra - Estava curiosa para ver o novo Hyoga. Enviou umas músicas deprê para eu entrar no clima. (Bela Patty) - Aqui está o Hyoga. Obrigada pela música e MUITO OBRIGADA pela ajuda .
Srta Nina - Está acompanhando a fic e queria que o Shun se apaixonasse pelo Hyoga. (Bela Patty) - Tomara que o Shun acordo logo, isso é, se a June deixar...
Nota da autora – Contato
Contatos no erika(ponto)patty(arroba)gmail. Aguardo sugestões, críticas e comentários. Prometo que respondo a todos os e-mails (demoro um pouquinho mas respondo). Pode escrever para brigar comigo também e desaprovar o novo Hyoga. Beijão. Bela Patty .
– Agosto / 2005 –
