Corações Transformados
Capítulo anterior - No capítulo anterior, Hyoga conta a Milo toda a verdade sobre seu comportamento. June desconfia das intenções do russo e Shun, tenta abafar o sentimento que tem pelo cavaleiro de Cisne.
... correu para o seu quarto sem falar com ninguém. Trancou a porta e chorou. Chorou por aquilo que nunca teve e que também nunca teria. Amava o russo, mas não podia mais sustentar este amor. Deveria esquecer tudo e nunca mais, sequer, pensar sobre isso.
"Adeus Hyoga" – sua mente disse a seu coração dolorido, devastando-o mais um pouco.
- Adeus...
Corações Transformados - Capítulo IX – Inimigo declarado
Tema: Coração Sórdido
(Sórdido (cf. Aurélio) – indigno, mesquinho, vil, sujo, infame, corrupto)
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Manhã de domingo. Após a conversa com Milo...
Naquela manhã Hyoga acordou muito mais disposto.
Quando entrou na cozinha já era tarde. Todos já haviam tomado café.
Após fazer sua refeição, o loiro foi até a sala e encontrou Shun, Seiya e Shiryu assistindo TV.
- Bom dia. – cumprimentou-os animadamente.
- Nossa ! – Pégasus observou – Com quantas você ficou para estar tão feliz assim hoje ?
Andrômeda não ousou dirigir o olhar ao russo.
- Por quê ? Está com inveja ? – o Aquariano questionou em tom de brincadeira – Quer que eu conte como elas eram ?
O loiro queria ir devagar. Já tinha conversado com o Escorpiniano e dito que levaria cerca de uns oito a dez dias para voltar a ser o que era. Não queria mudar tão repentinamente e assustar os amigos.
- Contar como "quem" era ? As meninas que você ficou ontem ? – Ikki perguntou entrando na sala.
Shun se levantou e saiu. Não ia mais ficar ouvindo as aventuras amorosas do outro.
"Bem que o Seiya me disse para eu desencanar e esquecer o Hyoga. Ele está em outra. Gosta de meninas e não de..." os pensamentos do Virginiano pararam na hora. Já estava cansado de se martirizar. Apenas suspirou e subiu até seu quarto.
- Ué, o que deu nele ? – o russo perguntou assim que Andrômeda saiu.
- Vai ver que está com ciúme de você porque você só está "catando" menina gostosa.
- Ikki ! – Seiya o repreendeu enquanto saia para ir atrás do amigo.
- Ei, eu não disse que a minha cunhadinha não é gostosa. – disse se espalhando na poltrona – Eu só acho que o meu maninho não está insistindo do jeito certo, por isso ela ainda não "deu" para ele. Se fosse eu... ah !
- Ikki, não fale assim. Se o Shun ouvir, ele vai ficar muito chateado. – o Dragão comentou – Vai achar que você...
- Que isso Shiryu. A loira é muito gata, mas é namorada do meu irmão. E eu respeito a menina. Enquanto ela estiver com o Shun, para mim é como se fosse um outro homem.
- Logo se vê que é outro homem. – Seiya comentou desacreditando da santidade do cavaleiro de Fênix.
- Qual é ? Eu jamais tocaria na garota. Sem contar que não quero perder a cabeça – colocou a mão no pescoço – para uma amazona.
- Humpf ! Se essa maldição não existisse, tinha gente que ia perder a namorada AGORA. – Hyoga replicou sorrindo.
- Cala a boca, pato. – Ikki riu e jogou uma almofada no russo – Mas que ela tem jeito de seu um furacão na cama, isso tem. Já imaginou essa loira só de lingerie preta, assim com uma tanguinha...
Shiryu também se levantou. Aquilo era demais para o ouvido de qualquer um.
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Shun só desceu do seu quarto na hora do almoço. À mesa, Shiryu, Seiya, Andrômeda e Cisne combinavam para jogar vôlei na praia.
- Eu apareço lá mais tarde. – o cavaleiro de Fênix replicou se retirando da mesa.
- Ok. – os outros responderam.
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Domingo à tarde. Na praia...
- Eu escolho o Shun. – Pégasus disse ao Aquariano.
- Vamos lá Shiryu. – chamou o parceiro - Vamos mostrar para estas duas frangas o que é vôlei de praia. – o loiro comentou indo para o seu lado da quadra.
June e Shunrei, sentadas em cadeiras de praia, assistiam ao jogo. Desta vez o loiro não levou nenhuma menina consigo, mas se ele pudesse ver os olhos da amazona por trás da máscara, visualizaria um olhar de puro ódio.
- Vamos lá Shun ! – Seiya gritou para o amigo que sacava.
Hyoga recebeu a bola, Shiryu levantou e o loiro subiu para cortar, descendo o braço. A bola bateu no rosto do cavaleiro de Andrômeda e o derrubou.
- Foi mal Shun. Desculpa. – o Aquariano pediu atravessando a rede e se aproximando – Olha para mim. – e levantou o queixo do outro com a mão. - Humm... você cortou a boca.
O Virginiano queria se levantar; queria se afastar daquele belo olhar; queria tirar a mão que lhe tocava o rosto, mas estava paralisado. Simplesmente não conseguia se mexer.
- O que foi ? – Ikki que acabava de chegar, perguntava – Agora que eu cheguei o jogo parou ?
- Eu acertei uma bolada no Shun e cortou a boca dele.
- Ora, isso não é nada. Levante-se. – Fênix disse ao irmão.
Hyoga ofereceu a mão e Andrômeda aceitou. Rapidamente trocaram olhares e sorriram um para o outro.
June ardia de raiva.
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Depois do jogo todos foram até um quiosque à beira da praia para tomarem um lanche. Shun tentava não olhar muito para o Aquariano e evitava falar com ele. A amazona estava atenta. Pegou o russo dirigindo o olhar mais demoradamente para o seu namorado por umas três vezes.
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Durante a semana Hyoga começou a se afastar aos poucos dos três bad boys.
Shun tentou falar com Milo para saber da conversa, mas o grego estava fora em uma missão e só voltaria em duas semanas.
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Na sexta-feira seguinte Seiya sugeriu um cinema entre os amigos. June sentou-se entre o namorado e o russo e ficou muda quase a noite toda. Inclusive enquanto tomava seu milk-shake e via o cavaleiro de Cisne lançar olhares para Shun.
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Sábado à tarde. Um dia depois do cinema.Na entrada da Fundação...
Hyoga pegou sua bicicleta e saía da Fundação quando encontrou a amazona.
- Boa tarde. – disse um tanto seco.
- Quero falar com você. - a garota disse interrompendo sua passagem.
- Fala.
- Não aqui. Amanhã, dez da manhã na praia, em frente à barraquinha do Dogão Cachorro Louco.
- Para quê ?
- Assunto do seu interesse.
- E se eu não for ?
- Não terei piedade. – disse e liberou a passagem, dirigindo-se até a casa.
"Não terá piedade ?" – o Aquariano pensou sentindo um tremor percorrer o corpo – "O que será que ela quer dizer com isso ?"
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Domingo. Dez da manhã. Na praia...
Quando o russo chegou, a menina já o aguardava.
- Agora você pode sair da área das amazonas a hora que quer ?
- Vamos caminhar. – falou ignorando a pergunta ácida do outro.
O loiro não se sentia à vontade do lado da garota. Pelo jeito a menina estava irada e isso o deixava alerta.
- Sobre o quê você quer falar ?
- Você está tenso, Hyoga ?
- Tenso ? Não. Apenas tenho mais o que fazer que ficar andando pela praia com você.
- Você não gosta de mim, não é ?
- É sobre isso que você quer falar ? Sobre o que eu sinto por você ?
- Não. – a menina suspirou – Sabe Hyoga, quando eu conheci o Shun ele não passava de uma criança tímida e assustada. Seu único propósito era fazer o irmão se orgulhar dele.
Hyoga não comentou nada.
- Ele sempre foi muito bondoso e companheiro. – a garota continuou – E persistente. Enquanto TODOS reclamavam do calor, ele suportava sem se queixar. Não foi difícil gostar dele e me tornar uma grande amiga.
O Aquariano ouvia atentamente. Não tinha sido chamado ali à toa. A loira estava armando alguma.
- Sabe Hyoga, eu nem sei como foi, mas a paixão veio naturalmente. Você sabe como ele é incrível e cativante, não ?
Os dois se aproximavam das rochas, onde o barulho das ondas batendo nas pedras era bem alto e impedia quem estivesse um pouco mais longe de escutar a conversa dos dois.
A amazona parou e virou-se para o menino.
- Você me perguntou se eu queria falar sobre o que você sente por mim ? – deu uma pausa – Não. Na verdade eu te chamei até aqui para te contar uma história.
- Uma história ? – perguntou incrédulo.
- É. Não precisa fazer essa cara. Espere até o final. Você vai ver como é uma história interessante e que merece ser conhecida. – deu uma pausa – Era uma vez um garoto muito legal. Vamos chamá-lo de S. Esse garoto tinha um irmão, que vamos chamar de I. S fazia de tudo para que I se orgulhasse dele. I e S passaram por maus momentos na infância e foram separados, mandados para muito longe para treinarem e se tornarem grandes cavaleiros. Lá neste lugar bem longe, S conheceu uma garota, que vamos chamar de J e os dois começaram uma bela amizade. A menina também treinava para se tornar uma grande guerreira, mas uma grande maldição a cercava: homem algum poderia ver o seu rosto ou morreria.
A amazona deu uma pausa e olhou bem para o russo. Ele estava bem sério.
- J e S – continuou – eram muito ligados, até que o dia em que houve uma grande batalha e eles tiveram que se separar. – deu uma pequena pausa – Encontraram-se algum tempo depois. S queria enfrentar um grande perigo, mas J não queria que ele fosse e tentou impedi-lo. Um outro cavaleiro apareceu e houve uma pequena luta para impedir S de prosseguir. O outro cavaleiro foi atingido e a menina também. S aproximou-se da garota para saber como ela estava, e a viu sem máscara.
Parou a narrativa para ver a reação do russo. Hyoga engoliu seco.
- A menina tinha o dever de matá-lo naquele momento, mas não conseguiu, porque a ÚNICA maneira que quebrar a maldição era se a garota se apaixonasse pelo homem que viu o seu rosto. – deu uma pequena pausa – E foi justamente o que aconteceu. J tinha se apaixonado por S.
Parou novamente de falar. O russo apenas a encarava com seriedade.
- J e S se distanciaram, mas voltaram a se encontrar tempos depois em épocas mais favoráveis. – deu outra pausa – Ele finalmente a pediu em namoro e ela aceitou. Eles começaram a namorar e tudo parecia um conto de fadas, até que uma nuvem negra apareceu. – deu uma pausa maior – Um outro cavaleiro que conheceu S na infância começou a se aproximar. Este cavaleiro era mau. Ele só conseguiu sua armadura porque a pessoa que estava mais preparada para recebê-la morreu por uma falha do tal cavaleiro mau.
O loiro cerrou os olhos. Estava com vontade de bater naquela aguada, mas se segurou.
- Como esse cavaleiro tinha um desvio de caráter, ele se juntou com gente da pesada, onde rolava muita droga, muito sexo e muito rock'n roll. No começo ele apareceu com várias meninas, mas depois de um tempo, ele mostrou sua verdadeira cara.
Hyoga continuava mudo, apenas encarando-a.
- J ficou com raiva do cavaleiro mau, pois achava que o tal cavaleiro queria apresentar uma outra garota a S, mas depois viu, surpresa e COM NOJO – frisou bem a palavra – que era a si próprio que ele oferecia.
- June...
- Calma. – disse em tom visivelmente sarcástico – Me deixa contar a próxima parte da história. É a parte mais emocionante.
O cavaleiro de Cisne respirou fundo e voltou a ficar mudo.
- Aí esse cavaleiro mau insistiu e insistiu até que seduziu S. – deu uma pausa – Foi horrível. Todos os amigos que os dois tinham em comum ficaram tristes e enojados. I, o irmão tão querido de S foi embora e NUNCA mais voltou de tanta vergonha que sentiu. A garota amaldiçoada passou a ter ódio de S e agora que não o amava mais, era obrigada a cumprir sua maldição e matá-lo.
Hyoga arregalou os olhos e engoliu seco.
- Mas sabe o que foi mais triste ? – a amazona perguntou – Foi quando a guerreira disse a S que precisava matá-lo e ele se ajoelhou à sua frente, pedindo "por favor" para a menina acabar com seu sofrimento. Sim. Ele contou que tinha perdido o irmão para sempre pois I brigou com o cavaleiro mau e ele matou I porque ele não concordava com aquela pouca vergonha. Os amigos se afastaram de e S viu que perdera sua própria identidade por alguém que nem valia tanto assim. A garota ficou com muita pena do cavaleiro porque ele se deixou influenciar e seduzir, mas infelizmente teve que cumprir sua sina e o matou. O cavaleiro mau chorou um pouco a morte do namorado, mas depois de algum tempo já estava se esfregando com outra pessoa.
O Aquariano estava mudo.
- O que você achou da história ? – perguntou com voz agradável.
- Essa é a história que vai acontecer ?
- Tem também um outro final: I mata o cavaleiro mau por descobrir suas intenções pecaminosas contra S. – deu uma pequena pausa – Mas de qualquer forma J também acaba matando S.
- O que você quer ?
- Eu ? Apenas poupar o Shun.
- Poupar ? Matando ? – perguntou sarcástico.
- Não seja tolinho Hyoga. Enquanto eu o amar, não posso matá-lo.
- Eu vou te matar agora. – e aumentou o cosmo.
- Tente. – disse tranqüilamente – Eu deixei um dossiê. Se eu morrer, cópias deste documento serão entregue nas mãos certas.
- O que tem neste documento ?
- Provas deste sentimento nojento que você diz ter pelo MEU namorado.
- Você não seria tão baixa.
- Não ? O que acha que o Ikki faria ao ler o documento ? E o seu mestre ?
- KAMUS ! Você não seria capaz de...
- Dúvida ?
- Você tem a alma negra demais. Não deve correr sangue na sua veia. Você não pode saber o que é amor. – disse decepcionado.
- E você sabe não é ? Claro que sim. – disse com sarcasmo – O amor entre dois homens ! Que patético.
- Eu te odeio.
- Ótimo. Odeie. Pode odiar bastante, mas vai fazer o que EU disser.
- Não vou fazer.
- Posso acabar não só com essa porcaria que você chama de amor, mas também com você... e com o Shun.
- Você não vale a sombra que faz.
- Continue a se relacionar com os seus três amiguinhos. – replicou ignorando a acusação do outro - Volte a sair com muitas meninas e incentive o Shun a ser um bom namorado. – deu uma pausa – Se eu SONHAR que você está indo contra minha ordem, todos vão saber e da pior forma possível. Ou você acha mesmo que o próprio Shun não vai se chocar ao saber que um outro homem o quer na cama ?
- Eu não quero só sexo com ele. Sexo é complemento. O que eu sinto por ele é amor. Coisa que você não sabe o que é.
- Amor ?
- Exatamente. Eu AMO o Shun. É isso que você queria ouvir ? Pois bem. Eu AMO o Shun.
- Então se ama, prove. Não o deixe se machucar.
- Você não faria algo assim. – duvidou.
- O que eu tenho a perder ? O namorado ? E você ? Seu amor ? A própria vida ? O respeito do seu mestre ? A consideração dos seus amigos ? – a amazona riu – Não seja ridículo. Você perde muito mais que eu.
- Você não ama o Shun.
- E o que importa ?
- Eu não acredito ! Se você não ama o Shun, porque está fazendo isso ?
- Para mostrar que EU sou dona do destino dele e do seu. Você pode ter dado risada da minha cara enquanto tentava seduzi-lo, mas quem ri por último, meu caro, ri melhor. – disse e gargalhou.
- Eu não tenho nem palavras para descrever esta sua insanidade. Você é fria. Você é morta por dentro.
- Ok. – replicou ainda rindo – Posso ser tudo isso, mas EU dou as cartas. – ficou séria – Volte para os seus amigos canalhas, Hyoga. Volte para a sua vida suja. Volte a tratar mal o Shun. Seja seco com ele. – ordenou – Faça tudo isso, porque se eu perceber que o MEU NAMORADO está se afastando de mim ou que você contou alguma coisa a ele ou A QUALQUER PESSOA, VOCÊ será o ÚNICO responsável pela vida do Shun. Lembre-se da maldição. Ela é eterna. – disse e virou-se para ir embora.
Os olhos do loiro marejaram. Tudo estava perdido. June era mesmo capaz de tudo. A menina era má. Má e destrutiva. A garota tinha um coração negro. Um coração sórdido.
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Hyoga chegou em casa desolado. Foi até seu quarto e se deixou ficar lá. O que poderia fazer ? Com quem falaria ? Ninguém. Não podia falar com ninguém. E agora ? O que faria de sua vida ?
As lágrimas começaram a cair. O jovem estava desesperado.
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Começo da semana...
Shun não se sentia mais à vontade com a namorada. Por mais que tentasse, não conseguia sentir por ela o que gostaria de sentir. Não conseguia amá-la. Gostar dela como amiga, no máximo, mas amor ?
- Por Zeus ! O que eu fiz ? Por que pedi a June em namoro ? Por que dei falsas esperanças a ela ? Droga Shun, você é um imprestável mesmo. – recriminou-se.
Por outro lado sentia-se cada vez mais atraído pelo russo. Queria se afastar dele, mas não conseguia.
- Shun, você está brincando com o perigo. O Hyoga não é disso. Esqueça esta bobagem toda. – parou e pensou um pouco – Mas ele está tão agradável, e se ele estiver gostando de mim também ? – pensou esperançoso.
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Terça-feira à noite. Na Fundação...
Andrômeda desceu para o jantar.
- Oi Hyoga, vai sair ?
- O que te interessa ? – respondeu secamente ao Virginiano – Você já tem namorada. A June é uma boa moça. Você não vai querer trocá-la por uma vadia qualquer. – levantou-se da mesa e sorriu sarcástico – Tchau gente. – despediu-se dos amigos - Vou esquentar alguma cama por aí e já volto. Não me esperem.
Shun ficou chocado com o comentário pesado do outro. O russo foi ríspido, arrogante, ofensivo e vulgar. O Virginiano ainda tentou jantar, mas não conseguiu. Subiu para seu quarto e ficou lá.
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- É castigo. Bem feito para você Shun. – dizia a si próprio – Fica maltratando a June, não sendo um bom namorado e deu no que deu. – suspirou – É Andrômeda. O Hyoga que você conhecia morreu. Vai ver que ele só fingiu por uma semana que tinha voltado a ser o velho Hyoga. – deixou-se cair na cama e voltou a suspirar – Só fingiu.
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Durante a semana o loiro continuou a sair e incentivar o Virginiano a ficar com a amazona. No final de semana Milo voltou e Shun foi visitá-lo. Precisava tirar essa história a limpo.
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Templo de Escorpião... Domingo, dez da manhã...
- Bom dia Milo.
- Bom dia Shun. A que devo a visita madrugadora ?
- Você conversou com o Hyoga ? – foi direto ao assunto.
- Sim. Ele disse que ia se afastar daquela turma e se dedicar a uma pessoa especial.
"Pessoa especial ?" – pensou com pesar.
- Ele não se afastou daquela turma. Ele se afastou por uma semana e depois voltou a andar com eles. E está saindo com um monte de meninas.
- Humm... Vocês brigaram ?
- Não.
- Ele tem conversado com você ?
- Ele tem conversado muito pouco comigo.
- E quando ele conversa, o que ele fala ?
- Diz para eu dar atenção à June. Diz que ela é uma boa moça, uma boa namorada e que eu devo tratá-la bem.
O Escorpiniano deu um sorriso amarelo.
"Pelo jeito ele desistiu do Andrômeda e voltou para as garotas. Será que o Hyoga fez isso só porque sacou que era do mestre dele que eu falava ? Será que é por isso se afastou do Shun ? Seria uma forma de rejeitar o que eu sinto pelo Kamus ? Mas ele não precisa ter receio. Eu e o francês quase não nos vemos e mal nos falamos. O Hyoga não teria motivo para ter ciúmes. Eu e o Kamus JAMAIS ficaremos juntos" – o grego refletiu com pesar – "Bem, por outro lado, se o russo voltou para as garotas, ao menos desistiu de machucar o Shun. Isso já é um bom sinal."
- O que você acha que eu devo fazer, Milo ?
- Bem Shun, eu conversei bastante com o Hyoga e ele me prometeu várias coisas, mas pelo jeito ele mudou de idéia. – deu uma pequena pausa – Mas ele afirmou que não está usando drogas.
- Mesmo ? – perguntou com um sorriso leve.
- Sim. Disse que os rapazes apenas bebem, fumam e transam.
Shun não deixou transparecer sua decepção. Pelo jeito Hyoga esta mesmo se relacionando com as meninas. Já estava cansado. Não queria ouvir mais nada.
- Ok. Obrigado Milo. Foi muito bom conversar com você. Não quero te aborrecer mais.
- Você já vai ?
- Já. Eu só queria saber se ele estava ou não usando drogas. Sua resposta foi o suficiente.
- Ok Shun. – na verdade o grego não sabia se podia ou não contar ao cavaleiro de bronze o que o russo lhe disse.
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Andrômeda saiu do templo de Escorpião desolado.
"Será que ele percebeu minha "melação" toda para o lado dele e estava tirando sarro dos seus sentimentos ?" – pensava – "Não. Não estava tirando sarro. Na certa percebeu o que eu estou sentindo e está tentando me dizer da forma mais suave possível que é para eu ficar com a June e esquecê-lo" – suspirou – "Ele sabe que seria um caos se o Ikki descobrisse. É isso. Ele sabe e quer que eu me toque e o deixe em paz"
Suspirou profundamente
- Ok Hyoga. Vou desistir. Vou te deixar em paz. Vou voltar para a June e ser feliz com ela.
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Bem que Shun tentou, mas não conseguiu. Tinha cometido um grande erro em pedir para namorar a amazona. Não a amava e não conseguia fingir.
O Aquariano voltou a andar com os bad boys e com sua rispidez e frieza, afastou Andrômeda. Mas mesmo assim, o russo via, desesperado, o Virginiano se distanciar da namorada, apesar dos insistentes comentários que o loiro tecia à favor da garota.
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Era um sábado, início da tarde e o russo andava de bicicleta pela praia. Uma pessoa abriu os braços e o fez parar. Era uma garota. Usava máscara.
- Boa tarde Hyoga. – June cumprimentou-o – Não estou vendo você fazer o seu papel. Será que terei que ser mais enérgica ? – disse rispidamente e entregou um papel a o jovem.
O Aquariano leu rapidamente. Tratava-se de um relato minucioso do que o loiro sentia pelo outro. No final do documento, tinha uma frase "Prova falada no cofre da amazona de Camaleão"
- O que é "prova falada" ? – questionou.
- Como você é tolo, Hyoga. Aquele dia na praia, eu estava gravando nossa conversa. Eu joguei fora todas as partes que não me interessavam, mas agora eu tenho uma prova CONCRETA dos seus sentimentos pelo Shun. Até então eu só tinha suposições, mas você me deu a prova. Obrigada.
- Eu deveria ter te matado. – replicou incrédulo pela atitude absurda da menina.
- O Shun está se afastando de mim. Faça-o voltar para mim em duas semanas, ou você não o verá nunca mais. E lembre-se que qualquer coisa que você tentar fazer contra mim, será em vão. Só o Shun será o prejudicado.
- June, por favor.
- Você não o verá nunca mais, Hyoga. Esse é meu último aviso. – e afastou-se.
O loiro engoliu seco. Não sabia o que fazer. Estava desesperado.
- Shun, essa menina não presta. Ela é uma suja, uma sórdida, uma vadia, mas você terá que amá-la, nem que para isso eu tenha que me ajoelhar e te implorar. – suspirou e ficou com os olhos marejados – Desculpa meu anjo, meu amor, mas antes perder seu coração e você continuar vivo, que ter seu coração e te perder para sempre.
A amazona se afastava com passos decididos. A menina tinha o total controle da situação.
O coração do cavaleiro de Cisne estava novamente aos pedaços.
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Próximo capítulo: Hyoga fica desesperado e acaba desabafando parte dos seus problemas ao grego. June força a barra para Shun ficar com ela. Milo tem uma idéia para ajudar o russo, mas o que parecia a melhor das soluções, transforma-se quando a menina resolve contra-atacar. Um clima muito pesado se forma.
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Nota da autora – Agradecimentos
Saiu ! Beijos a todos os que escreveram. Adorei os comentários todos e ficarei muito feliz se continuarem (Ok, eu sei que estou abusando rsrs). Agradecimentos a todos que leram e em especial os que deixaram review: Ilia Chan; Litha-Chan; Srta Nina; AnnaChanHxS; Guilherme; Kitsune Lina; Hakesh-chan; Cardosinha; Anjo Setsuna; Tainatsu; Lininha; Evil Kitsune; Aninhaaaaa; Mandy; Ana Paula; Volpi
Nota da autora – Contato
Contatos no erika (ponto) patty (arroba) gmail (ponto) com (sem o BR) ou via review neste site. Aguardo sugestões, críticas (pode mandar mesmo) e comentários. Podem escrever também para brigar comigo, reclamar e desaprovar o rumo da fic. Responderei a todos.
Bela Patty .
– Fevereiro / 2006 –
