Corações Transformados

Capítulo Anterior: June descobre as intenções de Hyoga e ameaça matar o namorado. Shun fala com Milo e fica mais triste ainda. O russo encontra a amazona e ela lhe dá duas semanas para fazer Andrômeda voltar a se interessar por ela. O loiro entra em desespero.

...Shun, essa menina não presta. Ela é uma suja, uma sórdida, uma vadia, mas você terá que amá-la, nem que para isso eu tenha que me ajoelhar e te implorar. - suspirou e ficou com os olhos marejados - Desculpa meu anjo, meu amor, mas antes perder seu coração e você continuar vivo, que ter seu coração e te perder para sempre.

A amazona se afastava com passos decididos. A menina tinha o total controle da situação.

O coração do cavaleiro de Cisne estava novamente aos pedaços.

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Nota da autora: Diante deste que é o antepenúltimo capítulo, fazem-se necessárias duas explicações:

1 - O capítulo não pôde ser dividido em dois para não quebrar o ritmo da história, por isso o tamanho fora do padrão.

2 - Os leitores de yaoi podem se sentir ofendidos com algumas descrições de relacionamento entre um homem e uma mulher neste capítulo, porém elas só foram colocadas por serem extremamente necessárias e dentro do contexto da história.

Corações Transformados - Cap X - A Descoberta

Tema: Coração Vingativo

(Vingativo (cf. Houaiss) - que (se) vinga; que sente necessidade de vingar-se ou se satisfaz na vingança. Que castiga ou pune)

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Ainda na praia...

Depois daquela conversa aterrorizante, em que tinha dado meios para a menina separá-los definitivamente, o russo começou a andar sem rumo. O cavaleiro parecia estar drogado. Não via nada a seu redor e nem ouvia as pessoas. Seu desespero simplesmente o fechava para o mundo exterior.

- OI, HYOGA ! - o grego repetiu tocando o ombro do menino.

- MILO ! - exclamou assustado.

- Nossa. Estou tão feio assim ? - brincou arrumando o cabelo, mas ficou sério ao ver a expressão do outro - O que foi ? Aconteceu alguma coisa ?

- Eu... não posso falar.

- Não pode falar, Hyoga ? - riu - Não pode falar por quê ?

- Porquê... eu não posso. - replicou olhando para os lados e vendo se June não estava à espreita.

- Tem a ver com o Shun ? - questionou achando estranho o comportamento do menino.

- Tem. - disse em um suspiro

- Você desistiu mesmo dele ?

- Tive que desistir. - disse com sinceridade - Prefiro vê-lo em segurança.

- Não acredito. - o grego cerrou os olhos, desconfiando do que se passava - Foi a June ? Ela ameaçou matá-lo ? - arriscou.

- Milo, pela deusa, NÃO repita isso. - implorou.

- Eu não acredito que ela foi capaz disso. - replicou indignado.

- Parece que o Shun perdeu o interesse por ela e então ela veio falar comigo. Ela descobriu tudo, Milo. Ela sabe o que sinto e me obrigou a... - calou-se.

- Te obrigou a o quê ? - incentivou o garoto a dizer.

- Tenho duas semanas para fazê-lo se interessar novamen... Não. Não posso falar. Por favor não conte a ninguém. Pelo bem do Shun. - suplicou.

- Hyoga, apenas me responda uma coisa: Você o ama ? Você ama o Shun ?

- Milo,. - o belo garoto de cabelos loiros suspirou - eu o amo demais. Amo mais que a mim mesmo. - deu uma pequena pausa - E é por isso devo trancar este amor bem no fundo do meu ser. - replicou com os olhos entristecidos - Desculpa Milo, eu não posso falar mais nada. - e foi embora.

O grego olhou o jovem se afastar e teve pena. Sabia muito bem o que Hyoga sentia. Também amava um homem. Não. Isso não era justo. Pensou na loira. A amazona não podia ameaçar Shun como se ele fosse um mero objeto ou sua propriedade. Ficou com raiva. A menina era má. Má e deveria pagar.

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Pouco tempo depois. Na Fundação...

Quando o loiro chegou, Shun ainda estava em casa.

- Vai sair ?

- Vou dar uma volta com a June.

- É bom namorar. Quem sabe um dia eu também não encontre alguém que me ame tanto quanto a June te ama ? - sentiu náuseas ao dizer isso.

- Hyoga, você merece uma pessoa muito especial. Uma pessoa que te entenda e te ame muito.

Os dois ficaram em silêncio, apenas se olhando. Andrômeda não parava de olhar para a boca do cavaleiro de Cisne. O loiro não deveria, mas não resistiu. Os lábios entreabertos do belo garoto de olhos verdes eram convidativos demais. O Aquariano foi lentamente fechando os olhos e se aproximando da boca de outro. Shun arrepiou-se momentaneamente e depois sentiu um calor percorrer o corpo. O Virginiano levantou suavemente o queixo e entreabriu mais os lábios, à espera do tão sonhado beijo. Hyoga já estava tão próximo que podia sentir o hálito quente do outro. Seu coração disparado aumentava as batidas com a proximidade, mas de repente o loiro deu por si e desviou a boca, dando um beijo no rosto do cavaleiro de Andrômeda.

- Obrigado Shun. - sussurrou no ouvido do outro - Você é um grande amigo.

O loiro entrou no quarto e fechou a porta. O que estava fazendo ? Estava louco ? Esquecera-se da ameaça da amazona ? Seu coração descontrolado parecia que ia explodir. Respirou fundo para se controlar. Prometeu a si mesmo que pelo bem do outro, jamais faria isso novamente.

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Sábado. Final da tarde. Na praia.

- Você está tão longe hoje. Está pensando em quê ? - a amazona perguntou ao namorado.

- Em... como foi difícil o período das batalhas. - mentiu. Não podia dizer que estava decepcionado por não ter beijado o outro. Agora, só esperava que o amigo não o evitasse por causa disso.

- Sabe Shun, você ainda não disse que me ama.

- Isso é uma coisa que acontece naturalmente, June, mas você sabe que sou tímido.

- Que bom que você me ama. - disse abraçando o namorado.

Sentiu-se mal. Estava enganando a amazona. Não. Isso não era justo. Tinha pedido para namorá-la, não ? Então o melhor era ser um bom namorado e parar de tentar alguma coisa com o loiro. Também não estava agindo certo com o amigo. O russo já voltara a sair com várias garotas. Por que Andrômeda tinha que insistir e tentar beijá-lo ?

"Shun, pare de tentar seduzir o Hyoga. Ele não te quer. Você está forçando a barra." - pensou e depois olhou para a amazona aninhada em seu peito - "Por que você fazer as pessoas que você gosta sofrerem ? Não vê que está machucando o Hyoga e a June ?" - suspirou. Sim. Precisava parar com aquilo. Precisava esquecer o Aquariano e deixá-lo ser feliz. O amigo até tinha dito que queria namorar. Suspirou novamente. Também tinha que ser melhor namorado. Deu mais um suspiro e abraçou melhor a amazona.

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Domingo. Início da tarde. Templo de Escorpião...

Milo estava em seu templo, deitado no sofá e com as pernas para cima. Queimava os neurônios para descobrir um meio de ajudar o cavaleiro de Cisne a resolver seu problema. Além de ajudar um amigo, ainda ajudaria a si próprio, pois desconfiava que o loiro soubesse que era de Kamus que o Escorpiniano falava. Se fosse assim, ajudando Hyoga, talvez o pupilo fizesse vistas grossas aos sentimentos do grego para com seu mestre.

O cavaleiro saiu de casa e foi dar uma volta para tentar pensar melhor. Dirigiu-se a um local pouco freqüentado por todos: o cemitério. Ali ficavam as lápides que lembravam os cavaleiros que se dedicaram por Atena e não estavam mais vivos. O grego sentou-se em um banco e ficou olhando o belo jardim. Ouviu um pequeno zum-zum-zum, mas como o banco ficava escondido por algumas moitas, não conseguiu ver quem era. Concentrou o cosmo.

"Shaka... Seiya... Shiryu" - refletiu sorrindo.

Os três deram a volta na moita e se aproximaram.

- Boa tarde. - cumprimentou-os levantando-se.

- Nossa, Milo ! Que susto ! Onde você estava ? - Seiya perguntou.

- Eu sou uma alma penada ! - disse com voz fantasmagórica e fazendo uma careta.

- Pare com isso Milo. - o indiano sorriu.

- Ok, Sha, desculpa. - virou-se para os dois - E aí galera ? O que fazem aqui ?

- O Shaka está mostrando todo o Santuário. - o Dragão respondeu - Vamos começar a treinar para aprimorar nossos conhecimentos e o Shaka quer que conheçamos tudo.

- Mas você já conhecia isso, não é Seiya ? - o Escorpiniano perguntou.

- Já. Só estou mesmo acompanhando o Shiryu. Na sábado que vem, o Ikki e o Shun também virão.

- Ué ? - o grego perguntou - E o Hyoga ?

- Ah, ele vem outro dia. O Kamus quer continuar a ser o mestre dele e só estará disponível no domingo. - o garoto respondeu.

- Humm... Entendi. Ok. Fiquem à vontade. Não quero atrapalhá-los. - comentou e saiu do local sorrindo. Tinha pensado em um jeito de ajudar o amigo.

"Tenho uma semana para colocar meu plano em execução, então é melhor começar logo" - pensava enquanto se dirigia à área que as amazonas costumavam treinar - "Hummm... hoje é domingo, ou ela está com o namorado ou passeando pelo Santuário".

Milo tentou encontrar a amazona de camaleão, mas não conseguiu.

"Tudo bem. Tentarei amanhã."

O plano do grego era cruel e desumano, mas apesar de sujo e baixo, achava que era o melhor a ser feito.

"Ela não quer separar os dois e tratar Shun como sua propriedade, como um objeto ? Humpf." - pensou - "Quem faz uma coisa destas não sente amor pela outra pessoa." - refletia para se convencer a tomar aquela atitude horrível - "Ok, June. Vou provar que você não presta e livrar a cara do verdinho. Quem sabe até eu não tire uma casquinha de você também ? Pensando bem até que você é gostosinha." - sorriu, mas logo ficou sério. Sentiu-se desprezível - "Milo, sossegue. Você só vai seduzir. Se ela cair, é porque é uma safada mesmo." - suspirou - "Tomara."

O cavaleiro olhou para os templos. Mais especificamente, para o décimo primeiro. Sim, seria nojento o que faria, mas se era mais uma possibilidade para ter o francês de volta, valia a pena. Sem contar que não podia deixar a amazona ameaçar Shun daquela forma.

"Ok. Então você quer ser venenosa ? Vamos ver se você vai gostar do meu veneno." - pensou maliciosamente.

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Segunda-feira. No Santuário...

No dia seguinte Milo tramou sua emboscada. Andou pelas áreas do Santuário e viu sua vítima. June andava em direção ao bosque. O grego repensou o que faria e sentiu-se sujo. Pensou em Shun, Hyoga e em Kamus. Também era sujo o que a garota tinha feito. Não se deve ameaçar a vida de alguém daquela forma. Cerrou os olhos. A amazona era mesmo má e deveria pagar. O Escorpiniano seria seu algoz.

- Boa tarde - disse em tom sedutor.

- Milo ? - perguntou assustada - Boa tarde.

- Está indo ao bosque ?

- Estou.

- Posso acompanhá-la ? - perguntou docemente.

- Claro. O bosque é público. - replicou um tanto seca.

- Público ? - perguntou desapontado - Isso significa que minha companhia não é bem vinda ?

- Milo, você acha que eu me esqueci que você destruiu a Ilha de Andrômeda ?

- Eu estava cumprindo ordens, mas... acha que esqueci que te poupei ? - questionou com um olhar e um sorriso maravilhosos.

- E por que você fez isso ? - perguntou friamente.

- Tente adivinhar. Tenho certeza que você consegue. - disse beijando a mão da menina - Tente e verá que não sou tão ruim assim quanto você pensa. - deu um belo sorriso - Bem, não vou te aborrecer mais. - e dizendo isso, retirou-se.

A menina ficou muda, apenas vendo o cavaleiro se afastar.

June sempre achou Milo muito bonito. Cabelos azuis cacheados, belos olhos azuis, pele bronzeada, corpo sarado, belo sorriso. Além da beleza, o outro ainda era fascinantemente charmoso. Mas mesmo assim a amazona não gostava dele. O fato de o Escorpiniano destruir seu local de treinamento não podia ser esquecido. Agora o grego estava sendo gentil. Será que ele queria alguma coisa ? Várias amazonas se derretiam por ele. Milo era sorridente e agradável com todas, mas havia um boato que mais de uma amazona tinha perdido a virgindade com ele. Não dava para descuidar.

Irritou-se por estar pensando no Escorpiniano. Tratou de esquecê-lo e seguir até o bosque.

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Terça-feira. No Santuário...

No dia seguinte a garota estava treinando com uma árvore e o grego apareceu comendo uma maçã.

- Deveria treinar com um oponente de verdade.

- É mesmo ? - perguntou dando um novo golpe - E quem sugere ? Você ? - desdenhou.

- Se me permite. - beijou novamente a mão da loira.

A menina atacava e Milo desviava dos golpes com facilidade. De repente o Escorpiniano sorriu maravilhosamente e aumentou o cosmo.

- Restrição ! - disse pegando a amazona de surpresa em seu golpe, deixando-a paralisada.

Foi até a jovem apresentando um sorriso fascinante e começou a passar a mão pelos fios dourados da garota.

- Fiquei sabendo que está namorando. - o grego disse em tom sedutor.

A garota não respondeu.

- É uma pena seu namorado não morar aqui no Santuário. - brincou com os fios loiros - Se morasse, poderia apreciar sua beleza todos os dias.

- Milo. - disse um pouco apreensiva.

O cavaleiro retirou o golpe.

- Perdoe-me. - pediu-lhe com um olhar sincero - Acho que me excedi. Bom treino para você. Nos vemos amanhã. - fez uma reverência e saiu.

June não respondeu. Apenas ficou olhando o outro ir embora. Sentia-se estranha. Um formigamento corria por seu corpo. Talvez não fosse nada. Talvez fossem apenas restos do golpe do Escorpiniano.

"Tomara" - a garota pensou.

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Quarta-feira. No Santuário...

- Boa tarde. - o cavaleiro de Escorpião cumprimentou a amazona com um belo sorriso.

- Boa tarde, Milo. - respondeu um tanto sem-graça.

- Já tem a resposta ?

- Resposta ?

- Da minha pergunta. - aproximou-se e beijou a mão da menina, sem tirar os belos olhos azuis de sua máscara fria.

- Quer pergunta ? - questionou sentindo aquele mesmo formigamento do dia anterior.

- Por que acha que eu te poupei ? - perguntou andando em volta da garota.

- Para que eu pudesse contar que foi você quem fez aquilo ? - fez mais uma pergunta que uma afirmação.

- Hummm... - disse quase em um gemido - ...boa resposta, mas PÊÊÊÊÊMM. - imitou o som de uma campainha e sorriu - Resposta errada.

- E por que foi então ?

Aproximou-se do ouvido da menina.

- Você não tem idéia ? - sussurrou tocando de leve a cintura da garota.

A amazona engoliu seco.

- Não. - disse baixinho.

- Que pena. - sussurrou e beijou a mão da menina - Bem, - suspirou - acho melhor ir embora.

- Espera !

- Sim ? - voltou-se com um olhar arrasador.

- Não vá. Fique mais um pouco. - a jovem não sabia porquê, mas sentia o coração bater mais forte.

- Não. - olhou em volta e sorriu - Isso não seria justo com as flores.

- As flores ? - questionou sem entender.

- Sim. Justamente nesta época as flores se enfeitam e ficam lindas e perfumadas para que todos os que passam admirem sua beleza, mas quando você está por perto, elas são deixadas de lado. Isso não seria justo. - disse com um sorriso encantador.

A menina riu.

- Shhh ! - disse com um belo sorriso - As flores são sensíveis. Não quero machucá-las. - beijou-lhe novamente a mão - Até amanhã.

- Até.

As pernas da loira estavam meio moles e um calor passava por sua barriga enquanto o Escorpiniano se afastava.

- Até amanhã. - disse baixinho - Até amanhã meu deus grego.

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Quinta-feira. No Santuário...

No dia seguinte foi a garota quem cumprimentou o cavaleiro.

- Boa tarde Milo.

- Boa tarde, June. - disse sensualmente e beijou-lhe a mão - Creio que hoje as flores terão mais inveja que nunca.

A garota riu.

O Escorpiniano continuava a segurar a mão da menina e trouxe-a mais para perto.

- Sabe June, não tenho nada contra o seu namorado, mas acho que ele é muito imaturo para você. - disse com seus penetrantes olhos azuis fixos nos olhos da máscara fria.

- I...maturo ? - perguntou sentindo a boca secar e um calor na barriga pela proximidade.

- É. Você merece ter ao seu lado um homem de verdade... - começou a brincar com os dedos da menina - ...um homem que a faça sentir a felicidade de ser mulher. - beijou sedutoramente os dedos da amazona.

A jovem arrepiou-se e ficou muda. Milo fechou os olhos e beijou-lhe a mão, depois começou a subir aos beijos por seu braço. A garota puxou a mão. O grego olhou-a um tanto surpreso. Ajoelhou-se rapidamente e tomou a mão da amazona.

- Perdoe-me. Eu me excedi além da conta. - disse em tom sincero - Sei que fui desagradável e tem o direito de me castigar. - deu uma pequena pausa - Mas por favor não me impeça de vê-la. Se você quiser, posso ficar ao longe, apenas te admirando, mas não me impeça de vê-la. - suplicou.

June sentia as pernas moles. Não conseguia pronunciar uma palavra.

- Ok. - o Escorpiniano disse com um sorriso triste - Não sou digno de sua atenção. - beijou-lhe suavemente a mão e levantou-se - Espero que um dia possa me perdoar. - virou-se e saiu.

A menina ficou no mesmo lugar, com a mão ainda um pouco levantada, na posição em que o outro a tomou. Um tremor passou por seu corpo. Estava confusa. Não conseguia pensar direito.

"Milo, o que você está fazendo comigo ? O que está ?" - pensou assustada com o que sentia.

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Sexta-feira. No Santuário...

Naquele dia Milo não veio. June sentiu uma leve tristeza. Era como se tivesse sido abandonada. Ficou até mais tarde no bosque, mas ele não apareceu.

"Porque você desistiu de mim, meu deus grego ?" - perguntou-se chateada - "June, o que você está pensando ? Você tem namorado. Esqueça o Milo. O cavaleiro de Escorpião é lindo, mas não é para você. Você sabe a fama dele. Ele só quer se divertir."

A garota deixou o bosque com um aperto no coração. Poderia ser errado o que estava fazendo, mas o coração batia mais rápido, suas pernas amoleciam e ficava com a boca seca perto do Escorpiniano. Talvez estivesse se apaixonando. Suspirou e olhou em volta. Nada mais importava. Milo tinha ido embora. Não voltaria mais.

- Ao menos agora não preciso mais me preocupar com isso. - disse a si mesma com uma certa tristeza. Suspirou. Era melhor esquecer tudo aquilo.

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Sábado após o almoço... Na Fundação...

O cavaleiro de Cisne saíra do banho e se trocava. Seu mestre ligara dizendo que estaria livre e pediu para que ele aproveitasse a carona de Ikki e Shun e fosse até o Santuário. Kamus e Shaka apresentariam o Santuário aos três jovens de uma única vez.

O russo foi até a cozinha e pegou um copo de água. Voltava para o quarto para se perfumar, quando encontrou o garoto de olhos verdes no corredor.

- Oi Shun. Humm.. que cheiro gostoso. - disse com um sorriso.

- Oi Hyoga. - também sorriu em resposta - O Ikki me disse que você vai até o Santuário com a gente.

- Vou. Meu mestre me chamou. Acho que depois que vocês ganharem um novo mestre, o mestre Kamus deve continuar o meu treinamento também.

- Que bom que você vai comigo. - disse sem tirar os olhos da boca do Aquariano.

- Também me agrada sua companhia. - respondeu desfazendo o sorriso e ficando hipnotizado pelos lábios do outro.

- Parece que ultimamente temos nos afastado. - o Virginiano comentou dando um passo à frente e se aproximando mais ainda do russo.

- Contra a minha vontade. - o loiro disse baixinho aproximando-se um pouco também.

- Por quê complicamos tanto as coisas ? - questionou em um sussurro, olhando ora para os olhos, ora para a boca do cavaleiro de Cisne.

Hyoga sentia a respiração falhar e o coração bater descompassado. A suave boca entreaberta de Andrômeda, era um convite ao pecado. Shun estava quente. Seu corpo parecia em chamas quando percebeu a boca tão desejada se aproximando.

- Eu... não sei. - o loiro sussurrou sentindo um calor percorrer seu corpo.

- É tudo tão simples. - o Virginiano comentou ofegando um pouco ao se aproximar do hálito quente do outro.

- Simples ? - perguntou baixinho, tocando a cintura do outro, que estremeceu com o toque.

- Eu vou te mostrar. - Shun fechou os olhos e avançou para a boca do loiro, tocando seus lábios mornos em um beijo delicado.

Hyoga estremeceu e tomou a boca que lhe era oferecida. As línguas macias se acariciavam na ânsia de matar a esperada vontade. O russo, cheio de desejo, passou os braços pelas costas do Virginiano, trazendo-o para junto de si. Shun se deixou levar e aproximou-se ainda mais do corpo que tanto queria. A temperatura aumentava e os batimentos cardíacos se confundiam. A proximidade e a paixão eram tantas, que os dois pareciam um único ser.

Enquanto o beijava, o loiro perdeu suas mãos nos suaves cabelos esverdeados, acariciando-os. Shun aprofundou ainda mais o beijo, com receio que tudo fosse um sonho. Com a preciosidade do instante, os amantes não se soltavam, aproveitando o máximo da magia daquele momento.

O Aquariano estremeceu ao sentir as mãos deslizarem delicadamente por suas costas e puxou ainda mais o outro contra si, desejando-o ardentemente. Parou o beijo para respirarem. Olharam-se languidamente. Hyoga passou a mão no belo rosto e começou a beijar-lhe, passando a beijos ora suaves, ora ardentes no pescoço. Andrômeda ofegava e se oferecia. O russo voltou a tomar os seus lábios em uma paixão arrebatadora. Não se lembrava mais da amazona, de Fênix ou do fato de serem dois homens. Nada mais importava. O amor tinha a propriedade de derrubar barreiras.

Shun afastou-se um pouco para respirar e os olhos verdes brilharam de paixão pelo Cisne. Aproximou-se novamente para sentir o corpo que sonhara tocar por meses. Deslizou suas mãos pelas costas do russo e pela região lombar, puxando-o para si. Hyoga gemeu e encostou o outro na parede. Sentia o perfume saindo da pele macia do Virginiano. Desejava-o. Queria-o para si. Voltou a beijar seu pescoço com volúpia quando ouviram um grito.

- SHUN ? VOCÊ JÁ ESTA DESCENDO ?

"IKKI !" - pensaram ao mesmo tempo e soltaram-se imediatamente.

Hyoga, ainda com o coração disparado, roubou um selinho do amigo e entrou em seu quarto a tempo de ouvir o cavaleiro de Fênix subir as escadas, chegar no corredor e perguntar por quê Andrômeda demorava tanto. "Eu estava indeciso sobre o quê vestir" - ouviu seu amor responder.

- Por quê você está ofegante ? - Fênix questionou.

- Quando te ouvi saí correndo do quarto. - mentiu.

- O pato vai com a gente ?

O russo sorriu largamente. Poderia ser o pato, o loiro aguado, ou o que Ikki quisesse. Passou a mão nos lábios. O gosto do outro ainda estava lá. Sorriu e fechou os olhos. Passou os dedos pelos lábios, deliciando-se com a lembrança de ter beijado o seu amor. Ainda que Shun fosse proibido, o experimentara, e essa felicidade, de saber que Andrômeda foi seu ainda que apenas por alguns minutos, nem a amazona conseguiria arrancar de si.

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Sábado à tarde. No Santuário...

Os três cavaleiros de bronze chegaram no Santuário e foram procurar Shaka e Kamus. Encontraram os dois no primeiro templo.

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Enquanto isso, perto dali...

June estava no bosque, distraída. Sabia que Shun estava no Santuário, mas na verdade era um certo grego que esperava encontrar.

O Escorpiniano estava escondido e ocultava seu cosmo. De onde estava viu apenas o indiano e Ikki se aproximando. O cavaleiro de ouro já sabia o destino deles. Aproximou-se da amazona de uma vez, surpreendendo-a.

- Perdoe-me. - Milo disse tomando a garota em seus braços com desejo - Eu NÃO consigo me controlar. Eu tentei me afastar, mas você me enfeitiçou. A dor da saudade foi imensa. Você roubou meu sono e a minha paz. Arrancou o meu coração e o escondeu só para você. Por que fez isso ?

- Eu... não fiz nada.

O grego aproximou-se e beijou levemente os lábios da máscara fria.

- Hummm... como imagino seu corpo quente... esse perfume... seus cabelos... - levantou vagarosamente o pescoço da menina e começou a beijá-lo.

- Milo. Não. - afastou-se um pouco - Alguém pode ver. O Shun vem aqui hoje.

Os olhos do Escorpiniano brilharam.

- Então vamos para um lugar que eles não passem. Eles vão ficar lá na região dos templos. Vem. - e já saiu puxando a menina.

Pararam em uma árvore de frente para o jardim do cemitério e escondida por alguns arbustos. Milo tinha CERTEZA que eles passariam por ali.

- Por que você me enlouquece deste jeito ? Por que você me faz sofrer assim ? - perguntou para a loira e voltou a beijar-lhe o pescoço enquanto passeava as mãos pelo corpo quente da amazona, apertando-o um pouco.

- Milo... não... - pediu em um suspiro, com um calor percorrendo seu interior por sentir a excitação do Escorpiniano pressionando sua barriga.

- Shhhh... - pediu sussurrando sedutoramente em seu ouvido e deslizando a mão por seu corpo - ...só vamos até onde você quiser.

- Milo ! - repetiu sentindo o corpo estremecer completamente ao sentir a mão maliciosa do outro passear por suas costas e descer até seu bumbum.

- Diga meu nome, diga. - pediu enquanto beijava seus ombros e soltava o fecho de trás da blusa.

- Milo... - respondeu com um sussurro cheio de prazer ao sentir os toques ousados do outro - ...o Shun...

- Eles estarão lá nos templos. - disse com a respiração alterada. Estava excitado e grudou no corpo da menina - Por que você faz isso comigo ? - queria que a garota sentisse sua excitação - Por que não consigo me controlar ? - perguntou abrindo toda a parte de cima das vestes da garota e aproveitando para escorregar os lábios quentes pelo colo ofegante da menina.

- Milo ! - jogou a cabeça para trás em êxtase.

- June, como você pode ser tão linda ? Você roubou a beleza dos deuses ? - desceu mais ainda sua blusa e beijou o que lhe era oferecido mais intensamente.

A amazona estava completamente entregue. Sua respiração estava ofegante e o corpo formigava. Seu desejo pelo grego aumentava a cada segundo e a jovem não conseguia dizer não.

- Eu quero você. - sussurrou cheio de malícia no ouvido da menina, depois de ter soltado toda a parte de cima da roupa da garota.

June gemeu ao ser pressionada na árvore e ter o corpo beijado pelo cavaleiro de ouro. As mãos profissionais do Escorpiniano percorriam o corpo da amazona, deixando-a cada vez com mais vontade. Apesar de estar seduzindo a loira apenas para que ela fosse flagrada, o grego não deixou de ficar excitado com o oferecimento da menina.

- Eu sei que você quer ser minha. - disse com volúpia e toques ousados - Me deixa te experimentar. - pediu sensualmente, apertando o corpo da garota contra o seu.

June estava tão dispersa e fora de si com o domínio do Escorpiniano, que não percebeu os outros cavaleiros se aproximando. Milo, que já estava atento, procurou esconder o cosmo, porém continuou a se esfregar na jovem, para que ela não notasse nada.

- Geme para mim, minha loirinha gostosa. - o cavaleiro de Escorpião pediu aos beijos, pois sabia que os cavaleiros de bronze já estavam perto.

A menina obedeceu. Os cavaleiros que se aproximavam, ficaram alertas.

- O que é isso ? - Shun perguntou baixinho ao cavaleiro de Aquário ao ouvir o barulho.

Os gemidos aumentaram. Tudo indicava que era um casal apaixonado. O francês se aborreceu. Onde já se viu ficar com pouca vergonha em público e ainda mais em um lugar sagrado ?

- Mas o que é... - Kamus emudeceu e ficou boquiaberto ao cruzar os arbustos e ver quem era o casal.

Milo olhou rapidamente para o cavaleiro de ouro e também ficou paralisado.

- PELA DEUSA ! O QUE É ISSO ? - Shaka perguntou indignado.

- June ? - Shun disse completamente embasbacado.

- Shun, amorzinho, eu... - a menina parou de falar e começou a chorar, tampando com os braços sua nudez.

- Muito bem, Milo. - o francês disse em tom de sarcasmo - Vejo que não perdeu tempo em arrumar mesmo quem esquentar sua cama, não é ?

- Kamus, por favor. - pediu aproximando-se.

- NÃO toque em mim. Eu já disse para você NUNCA mais tocar em mim. - falou com os olhos crispados de ódio.

Hyoga que estava petrificado ao olhar a amazona nua da cintura para cima e chorando, virou-se imediatamente para seu mestre e arregalou os olhos.

- KAMUS ! Era do meu mestre que você falava ? - o russo questionou o cavaleiro de Escorpião.

Milo soltou um pequeno suspiro de derrota. Não imaginava que o cavaleiro de Aquário estaria junto. Não poderia ter ocorrido coisa pior. Ikki, que conseguiu sair do estado de letargia, tirou a própria camisa, foi até a amazona e a cobriu, abraçando-a.

- O que está acontecendo aqui ? - Shaka perguntou diante de todos aqueles olhares horrorizados.

- Shun, me perdoa. - June pedia aos prantos.

- Perdoar ? - Hyoga perguntou indignado - Você faz uma POUCA vergonha destas e ainda pede para ele TE PERDOAR ?

- Eu não queria. - a loira falou entre soluços - Ele insistiu a semana inteira. Eu juro. - apontou o grego e abraçou Ikki, chorando mais ainda.

- Sabia que tudo tinha sido culpa deste desgraçado. - Fênix atacou Milo - É óbvio que foi ele quem a seduziu. A June é uma garota pura, não faria isso.

- PURA ? NÃO FARIA ISSO ! - Cisne perguntou com ódio porque a amazona além de má ainda dava aquele showzinho se fazendo de coitadinha - Se ela amasse mesmo o Shun não se prestaria a este papel.

Andrômeda estava mudo.

- Kamus... - o grego chamou-o.

O francês balançou a cabeça de um lado para o outro.

- Eu sabia que você era mesmo sujo Milo, mas não sabia o quanto. - deu uma pausa - Dentro do cemitério ? Com uma amazona ? - perguntou em tom de tristeza - Faça me um favor ? Não me dirija mais a palavra. - e retirou-se.

- Kamus, por... - o Escorpiniano o seguiu e levou um soco, caindo no chão. Os olhos marejaram levemente. Shaka foi ajudar o amigo.

- Calma Milo. Agora não. Dá um tempo. Deixe-o esfriar a cabeça. Você sabe como ele é.

- Shun, por favor, me perdoa. - a amazona pediu.

- June... por que você fez isso ? - Andrômeda perguntou tristemente.

- Shun, não perdoe. Ela não te ama. - o russo disse ao amigo. O loiro sabia que se ele não a perdoasse, a maldição estaria quebrada. Com a traição, a garota tinha caído em desonra e assim, a amazona não poderia mais reivindicar o direito de matar o cavaleiro.

- HYOGA ! - a garota gritou - Você SABE que eu o amo !

- NÃO AMA ! Quem ama não faz isso que você fez. - disse se referindo à traição e à ameaça de morte.

A jovem aumentou o cosmo. Escondida pelo corpo do cavaleiro de Fênix, vestiu sua roupa, deixando-a aberta atrás.

- Se é assim que você quer Hyoga, se é guerra, então vamos ter GUERRA. Eu já entendi tudo. Na certa você pediu a esse imundo deste grego maldito que me seduzisse, não é ?

- Ei, olha como fala de mim. - o Escorpiniano reclamou.

- E você, Milo ? - a amazona se voltou para ele - Você não passa de um verme nojento ao aceitar me seduzir para compactuar com a pouca vergonha deste russo safado !

- CALA A BOCA ! - Cisne gritou com a loira.

- Acabou, não é Hyoga ? Agora o Shun não é mais meu namorado. Você conseguiu o que queria. Pediu para este desprezível - apontou o Escorpiniano - me seduzir para que o caminho ficasse livre para você, não é ? Você sabia Ikki ? Sabia que o Hyoga é viado e que não vê a hora de se deitar na mesma cama que o seu irmão ?

- O QUÊ ? - Fênix gritou.

- Isso mesmo. - a garota continuou - Eu conversei com ele na praia e disse que se ele insistisse com esta pouca vergonha, eu mataria o Shun. - a menina revelou - É ÓBVIO que eu jamais machucaria o Shun porque eu o amo muito. Eu só falei aquilo para fazê-lo se afastar do meu namorado e evitar uma grande desonra para o seu irmão - disse ao cavaleiro de Fênix - Mas ele insistiu. Achou que eu era má e queria o mal do Shun. Você acha Ikki ? - perguntou ao cavaleiro - Acha que eu deixaria que o seu irmão fosse seduzido por outro homem, para te envergonhar ? JAMAIS.

Shun estava petrificado. Olhou para o russo. Não podia ser verdade. O loiro o amava ? Sorriu. O Aquariano estava paralisado. A forma do cavaleiro de Fênix descobrir não poderia ter sido pior. June sorria. Ao menos estava vingada.

- Hyoga, seu maldito, eu vou te matar - Ikki crispou as mãos e aproximou-se do russo com ódio no olhar.

-oOo-

Próximo capítulo: Ikki fica enfurecido com o cavaleiro de Cisne e faz uma ameaça. Os dois são obrigados a se afastar. Shun tem uma idéia extrema e procura o Escorpiniano para ajudá-lo. Fênix e Hyoga entram em desespero com a ação de Andrômeda.

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Nota da autora - Agradecimentos

Milhões de beijos a todos os que escreveram. Adorei os comentários todos e ficarei muito feliz se continuarem. Agradeço a todos que leram e em especial os que deixaram review: Guilherme; Litha-Chan; Jessy Amamiya; Cardosinha; Hakesh-Chan; Ilia-Chan; Aninhaaaaaaaa ; Dark.ookami; Mi-chan.HxS e um grande beijo para Ghost e Emyn, que enviaram review mas não deixaram o e-mail para que eu pudesse responder.

Nota da autora - Contato

Contatos no erika (ponto) patty (arroba) gmail (ponto) com (sem o BR) ou via review neste site. Aguardo sugestões, críticas (pode mandar mesmo) e comentários. Podem escrever também para brigar comigo, reclamar e desaprovar o rumo da fic. Responderei a todos.

Bela Patty .

- Março / 2006 -