Chame de perseverança.
Capítulo III
Pesadelos e arrependimento.
Eram 3 horas da madrugada quando a mulher despertou de seu sono pouco tranqüilo. Um pesadelo a arrancou do descanso. Encontrou sua respiração descompassada ao sentar-se na cama, levando as mãos aos olhos cansados. Tinha visto ele em seu sonho. Tinha revivido mais uma vez toda a angústia da qual vinha fugindo. Tinha novamente sentido a morte dele, a falta dele, o fim de tanto. Tristeza. Vinha odiando cada sonho seu mais que o outro, porque em absolutamente todas as vezes ele aparecia. Ele. Quanta falta, quanta saudade! Cada noite era pior que a outra, cada lembrança pior, cada devaneio pior que o anterior. Queria tanto simplesmente poder arrancar todas aquelas emoções tão dolorosas de seu peito, e esquecer-se do que havia vivido. Esquecer-se da dor. Porém, como poderia se esquecer da dor sem esquecer-se dele? Ela não poderia. Ela jamais poderia se esquecer.
Em seu sonho disse a ele o quanto o amava. Em seu sonho declarou-se, do mesmo modo que gostaria de ter feito algum dia. Em seu sonho o viu partir. E então seu sonho tornou-se o pior dos pesadelos. Quando todo o seu mundo desfez-se em pó. Quando os motivos de continuar, a felicidade e tudo mais que a fazia ter vontade de viver, se foi, se foi como ele, se foi com ele.
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Uma chama vermelha e brilhante antecipou a presença do animago. Assim que seus pés tocaram o chão da aconchegante sala do diretor, no velho castelo de Hogwarts, os olhos procuraram pela amizade de tantos anos.
- Fawkes? Fawkes... - ele andou até ela, e a expressão que trazia não foi boa nem comum a si. Assim que a fênix o viu, soube que não poderia ter sido boa a visita à velha amiga Minerva. Angústia: foi esse o sentimento que Fawkes reconheceu na face do bruxo.
- Fawkes - ele ainda repetiu uma terceira vez, coisa que dificilmente faria, especialmente naquele tom tão inquieto - como fui tolo, Fawkes, pensando que não faria mal!... Pensando que...
A fênix piou preocupada, buscando um modo de acalmar seu dono e amigo. Quando Albus olhou novamente à ave, os olhos dele mostraram-se marejados.
- Eu estou surpreso, minha querida, com o que tem acontecido. Você não me disse que eu teria de me reeducar depois de nascer novamente. Apesar disso, percebo que eu já não tenho todo controle que tinha, ou posso tudo que podia. Sinto-me limitado. Onde está toda minha serenidade? E minha paciência? Foram coisas que aprendi durante a vida, depois de muitos anos, e agora já não as sinto como antes sentia.
Então Dumbledore puxou uma cadeira e se sentou, mais frustrado do que nunca.
- Ela está sofrendo tanto por mim, Fawkes. Minerva. Minerva está sofrendo. Minerva me ama. Ela me amou por tantos anos. Eu sempre soube, no fundo, mas jamais dei importância a isso. Como eu pude, Fawkes? Como eu pude ignorá-la desse modo? Foi terrível de minha parte. Eu não falei nada a ela, e ela, amando-me mais que tudo, encontrou a desesperança e o desconsolo ao não me ter ao seu lado. Eu devia lhe ter confidenciado meus planos, Fawkes!
Albus apertava os punhos, como que nervoso com suas próprias atitudes passadas.
- Ainda se eu não conseguisse voltar, ela jamais poderia ficar pior do que está agora. Eu tirei dela a última gota de esperança, permitindo-me morrer sem avisá-la que tentaria voltar, de que poderia tentar, poderia conseguir isso.
Então o bruxo fez uma curta pausa, balançando a cabeça negativamente.
- Fawkes, em minha vida o que mais desejei foi uma família, tão bonita e tão especial quanto aquela na qual eu cresci. Eu tive Hogwarts como minha casa, cada um daqueles alunos como meus filhos e Minerva... Minerva foi minha esposa, ainda que nada tenha sido dito, ainda que não tenhamos vivido o que ambos desejávamos viver. Eu desejei uma família com ela. Hogwarts, sempre amei Hogwarts, esse castelo, a escola que houve aqui, todos aqueles jovens almejando o saber. E essa foi minha família, Fawkes? Eu não sei ao certo se essa foi a família com a qual sonhei.
Então a fênix piou repreendendo-o, e ficou o encarando como quem não gostava do que ouvia. Ele não pode deixar de se incomodar com o gesto da ave.
- Não, não me olhe assim, por favor. Eu sei o que quer que eu saiba. Eu sei que devia estar pensando no futuro. Mas como? Como posso pensar no futuro quando estou diante de tantas falhas que cometi no passado? Oh, minha querida, como você consegue? Olho para o espelho e vejo um mago de trinta anos, fecho os olhos e encontro minha velha e cansada alma. Talvez eu não devesse ter voltado. Já não sei como continuar. Estou perdido, Fawkes, em minha própria vida, em meus porquês, em meus objetivos. Sinto-me mais certo que nunca a respeito da morte. O poder de escapar da morte não serve de muita coisa a alguém que já viveu tanto. Agora o que eu preciso é de uma resposta. Uma única resposta. Por que eu insisti em ficar? Sei que não foi pela guerra, embora eu considere isso muitíssimo importante. Eles podem tranqüilamente continuar sem mim; Eu já cumpri minha missão. Tampouco é por medo da morte. Eu há muito que não temo a morte, bem sabe. Eu... Eu não sei responder, Fawkes, eu não sei... Eu preciso, entretanto, saber desse porquê. Não poderei continuar sem saber o porquê de estar aqui, quando não devia estar.
Então Albus fechou os olhos, descansando a cabeça entre as mãos. Fawkes se aproximou, bicando os cabelos ruivos do bruxo com carinho. Ver Minerva tinha mexido realmente com ele. Arrependeu-se de ter usado legilimencia para saber como ela estava, pois assim soube que ela não estava bem. Soube que ela não estava bem graças a ele. Minerva podia ver como uma fatalidade, mas Albus insistia em se culpar. Passou muito tempo ainda pensando sobre qual rumo tomar. Só levantou daquela cadeira, e saiu daquela sala, quando encontrou a sua resposta.
Continua.
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n/a: duh, ninguém lê minhas fanfics, todos só querem saber de snape e mione (revoltada), então eu simplesmente vou parar de postar; quando alguém ler e deixar um review, eu coloco o próximo capítulo.
