Chame de perseverança.
Capítulo V
Enfim nós.
- Como você se sente, Minerva?
A bruxa abriu a boca, como que querendo respondê-lo, mas em seguida estancou o movimento. Estava chocada de um modo que mal conseguia raciocinar normalmente.
- Albus? - perguntou ela, depois de um momento de silêncio, em tom falho.
O homem apenas sorriu levemente.
"Como?" repetia ela, mentalmente. "Como é possível?".
Descrente, a velha professora pôs a mão sobre a boca. De fato, não lhe parecia possível. Seu coração batia de modo acelerado e sentia-se aflita. Estava diante de algo impossível, mas... tão bom. Queria tanto que realmente fosse ele, mas tinha medo de acreditar. Tinha medo de se enganar. Afinal, como era possível?
Ela sequer notou as lágrimas que lentamente surgiram, vertendo de seus olhos e cortando sua face. Quando viu o homem aproximar-se, a mulher suspirou pausada e longamente. Involuntariamente deu um passo para trás quando o bruxo fez menção a levar a mão ao rosto dela.
- Sou eu. - falou Dumbledore gentilmente - Albus.
Então muitas outras lágrimas lavaram o rosto de Minerva, que não sabia o que pensar. Sentia-se acuada, assustada. "Como é possível?".
Ele se aproximou mais, olhando-a nos olhos fixamente, de tal modo que a bruxa quase que prendeu a respiração tamanha força que lhe era transmitida naquele olhar.
- Eu voltei, minha cara. - ele disse, tão próximo que Minerva podia sentir sua respiração, seu hálito - Voltei por você.
"Voltou para mim..." pensou a bruxa, fechando os olhos, ainda sem conseguir crer verdadeiramente no fato.
Ela sentiu as mãos de Albus enxugando as lágrimas de seu rosto, e o ouviu dizendo em um sussurro:
- Voltei por nós.
Então a mulher abriu os olhos e também um sorriso tímido. Ah! Que grande alegria! Era como um sonho. Via diante de si aquele rosto novamente, tão cheio de vida, tão doce. E aquele sorriso carinhoso, e os olhos tão azuis que tanto a encantavam. Talvez até fosse realmente sonho, mas o que importava? Minerva aproximou-se dele, pousando as mãos sobre o peito do bruxo. Era o seu tão querido Albus. Ela não estava só. Ela não o tinha perdido para sempre. Ela o tinha diante de si. E o ouvia chamando-os de "nós".
Albus a envolveu em um abraço apertado e aconchegante, e então falou no ouvido dela, ainda no mesmo tom de voz afetuoso:
- Nós, que estivemos juntos sempre e nunca. Mas daqui em diante viveremos o que não vivemos antes. E eu estarei ao seu lado sempre e sempre. Eu prometo.
Ela afastou-se sutilmente, de forma a poder olhá-lo nos olhos mais uma vez.
- Como? - perguntou Minerva, que se via em um momento quase que de fantasia, onde parecia não haver nenhum tipo de lógica. Tinha certo receio de que fosse mais um sonho, apesar de parecer tão real.
- Realmente importa? - ele sorriu. Mais tarde explicaria tudo a ela, é claro. Contaria sobre sua transfiguração em Fênix, também sobre Snape. Mas tinham tanto tempo...
- Não agora... - e de fato, não lhe importava realmente. Importavam sim os profundos olhos azuis de seu tão querido Albus,a respiração dele, e o toque gentil de seus lábios nos lábios dela. Depois de tantos anos, foi o primeiro beijo, e ela estava certa de que seria para sempre o mais especial. Bem como sabia que nenhum dia de sua vida seria melhor que aquele.
Fizeram coisas simples como passar o tempo sentados de baixo de uma árvore, mais tarde, quando o sol saiu. Almoçaram juntos, e conversaram com uma liberdade tão plena que nunca tinham tido antes. E sentiram-se tão felizes quanto alguém pode se sentir.
Albus admitiu a si mesmo que seria uma tolice ter deixado definitivamente aquele mundo e aquelas oportunidades quando podia ter ficado. Ser feliz não é salvar o mundo, ou ajudar milhões de pessoas, embora estas coisas possam ser muito recompensadoras e nobres. Para ser, de fato, feliz, basta permitir-se viver todas as boas oportunidades que se apresentam diante de nós. Basta aproveitar a vida. Carpe Diem.
Fim.
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n/a: agradeço muitíssimo ao pessoal que comentou! Foi muito importante pra mim! E também a você, que leu esta história. Obrigada. E se possível, deixe um review, ok? E me desculpem por ter me demorado tanto com este último capitulo; eu sou mesmo lenta e enrolada quando se trata de escrever.
