ÀS
SUAS ORDENS
Capítulo
6: Interlúdio Entre os Tsunamis
PV: MUTSUMI
Ara, ara! Estava em um sono gostoso quando o serviço de quarto ligou para o nosso dormitório. Pôxa, fazia tempo que não bebia tanto... Aliás, eu só bebia em momentos íntimos, usualmente na presença de bons amigos e por um motivo especial. Eu atendi e a telefonista avisou que o almoço estava para sair, e eu agradeci. Olhei para o meu relógio de pulso, são quase 13h. Passou um pouquinho da hora de mudança de diária, mas sei que o Hideyuki-san não iria complicar...
Ai que dor de cabeça... Sempre me esqueço dos perigos de embriagar-se. Enquanto ajeitava a minha roupa (completamente amassada depois de ter dormido sem tirá-la), observei a Ka-chan e o Kei-kun dormindo. Era uma visão tão bonita, ver irmãos que se gostam tanto. Às vezes, perguntei-me se a demonstração de afeto que Kanako dirige ao Keitaro não era exagerada, mas quem sou eu para discutir tal assunto. É o jeito da Ka-chan, espero que um dia ela se dê conta que o Keitaro gosta dela apenas como irmã, e que não existe a chance de o Kei-kun se apaixonar por ela. Talvez seja duro para ela quando esse dia chegar, mas ela vai superar. Tenho certeza, ela é uma menina muito forte.
É uma pena que Keitaro goste da Naru, pois eu também gostaria de ter uma chance com o kanrinrin. Acho que nunca vou amar alguém como amo o Kei-kun, ele é quase o ar que respiro. Por isso, procurei ficar perto dele, não importava onde fosse. Nunca me importei com bens materiais, e aproveitei os que tive para agradar o meu amadinho. Minhas posses devem ter utilidade para mim, e não eu viver apenas para conseguir mais posses.
Lembrei o dia em que eu o beijei naquela praia, foi o melhor momento de toda a minha vida. É claro que eu gosto de dar beijos, eles são sinal de bem-querer para mim, mas aquele beijo teve um sabor especial. Teve o sabor do amor. Se tiver que me entregar para alguém, espero que seja o Kei-kun, mas sem magoar o sentimento de qualquer uma das meninas que forme casal com ele algum dia. Se tiver que ficar com ele, que seja por escolha dele, não por malícia minha – pisando no sentimento da pessoa amada. Acho que sou romântica demais...
Ara, ara! Tive que acordar os meus amiguinhos. Balancei-os suavemente, avisando-os que estava na hora de almoçar. Kei-kun acordou e agradeceu com um sorriso após se espreguiçar; aquele sorriso é a jóia mais preciosa deste mundo para mim. Eu detestava quando ele perdia o sorriso, era como se parte do Kei-kun estivesse faltando. Ka-chan se acordou e também me agradeceu, mas de uma forma mais solene que o Keitaro. Eu senti pena de a Kanako não demonstrar a menina maravilhosa que é, tenho certeza que acharia vários pretendentes e não forçaria a barra com o meio-irmão. Nós fizemos uma higiene rápida e dirigimo-nos até o salão de refeições. Vi que eles ficaram admirados em ver tanta comida, e de diversos estilos.
"Ahn, Mutsumi-san, você tem certeza que podemos nos servir?", perguntou-me Kei-kun, um tanto ressabiado.
"Mas é claro, meus amigos! O almoço está incluído na diária, é só se servir!", expliquei.
"Pôxa, Mutsumi-san, nem sei por onde começar. É tanto tipo de diferente de comida. E tem comida japonesa, francesa, inglesa...", disse Ka-chan, demonstrando admiração na fala.
"Faça como eu: selecione o que você acha mais bonito, mais apetitoso, mais suculento e mãos à obra!", respondi, procurando sempre manter o meu bom humor. Gosto de sentir as pessoas felizes.
"Então, vamos nessa!", empolgou-se Kei-kun, fazendo um sinal de concordância com a cabeça para a Ka-chan. A Kanako devolveu o gesto e voltaram-se para mim, sorridentes e caminhando junto comigo até a mesa central. Não foi preciso nem dizer que todos comemos bastante e saímos satisfeitos. Ainda paguei um bom vinho francês, para completar o prazer gastronômico daquele momento. Que momento lindo! Eu adorava fazer um programinha com os meus amiguinhos. E adorava estar bem pertinho do homem que amo. Eu tinha quase certeza que ele fez a promessa à Naru, mas como não posso garantir, sempre preferi não interferir na vida dos dois. Eu me lembrei de prometer entrar junto com ele na Toudai, e o cumprimento de tal promessa já era o bastante para me deixar muito feliz. Obviamente, dei uns toques, mas não me intrometi demais, deixei que eles dois fizessem o desenrolar da história de amor deles.
Depois de agradecer a hospitalidade e a gentileza de Hideyuki-san, saímos do hotel e decidimos curtir um pouco mais do domingo na capital. Como o Sheraton é vizinho à Disney Japan, eu propus tal divertimento, o qual foi aceito de imediato. É claro, fiz questão de pagar os passaportes de entrada para todos os brinquedos, além de pagar pelas atrações extras. Nossa, que dia divertido!
Estranho, apesar de dar a impressão de estar divertindo-se, notei que Keitaro estava um pouco tolhido. O que aconteceu com o meu amadinho? Ele parecia tão diplomático, como se não quissesse desagradar a ninguém. O caso dos brinquedos em que vai somente um par por vez evidenciou bem isso. Para não dar problema, o Kei-kun dava uma volta nos brinquedos com a Ka-chan, e depois dava comigo. Nas outras atrações, ele procurava sempre ficar no meio de nós duas. Eu me fiz de tonta – aproveitei que eu sou meio atrapalhada também – e continuei a fazer tudo normalmente, como se o Keitaro não tivesse algum problema. Ele parecia se esforçar ao máximo para não demonstrar que estava um tanto desconfortável, e decidi não transparecer minha preocupação. Não queria desagradá-lo, nem que a Ka-chan tivesse um chilique.
Brincamos na Disney até às 20h, quando o Kei-kun decidiu que deveríamos voltar; afinal, amanhã é segunda-feira e a vida continua. E ainda tenho um assunto a resolver com a Ka-chan e a Haruka-san. Se der tudo certo, a vida na pensão vai ficar muito mais divertida.
PV: KANAKO
Nossa, que fim-de-semana maluco. Foi uma época de extremos: desde o momento em que estava por um triz de perder novamente o mano, até vivenciar este final de domingo muito divertido. Como o Keitaro pode ser tão burro, não consegue ver que sou a mulher ideal para ele. Fui a única a estar com ele em todos os momentos difíceis da vida... Ele vive apanhando daquelas descaradas da pensão e ainda acha que elas são pessoas maravilhosas. Podemos até ter bons momentos juntas, mas na hora de ficar com o homem ideal, é cada uma por si – e ele ainda fica escolhendo a Naru, a pessoa que mais o maltrata na pensão. Até entenderia a Shinobu ou a Mutsumi, mas a Naru? Eta mau gosto!
Mas ele estava diferente. Os acontecimentos deste fim-de-semana mexeram com o íntimo do meu irmão. Não sei exatamente o que mudou, mas senti que era para melhor. Senti que ele não era o mesmo homem passivo de antes. Podia ainda ser um pouco atrapalhado, mas agora ele tinha reação, parecia que não aceitava tão facilmente a exploração das garotas do Hinata-sou. Tava na hora d'ele adquirir gana e responder a altura aos desvarios das meninas. O meu medo é que ele estendesse esta hostilidade a todas as mulheres e eu acabasse no meio da jogada. Não queria que ele se afastasse de mim.
Bem, eu e Mutsumi deixamos o Keitaro na casa da Haruka-san e recolhemo-nos ao Hinata-sou. Nossa, eu estava bem cansada, precisando de um bom sono para encarar mais um dia de estudo para entrar na Toudai. Estando lá dentro, posso lutar para ficar mais perto dele. Enquanto nos aproximávamos da pensão, observei a cara de felicidade de Mutsumi-san. Fiquei muito intrigada e decidi quebrar um pouco do gelo.
"Então, Mutsumi-san, qual o motivo de tanta felicidade?", perguntei, mantendo uma expressão neutra no rosto.
"Ara, ara! Estou feliz porque tive uma tarde espetacular com o Kei-kun. Você não gosta de ficar perto dele?", devolveu-me Mutsumi. Não pude deixar de ficar envergonhada. Não gosto de falar sobre o que sinto pelo mano.
"Ah, Mutsumi-san, posso lhe fazer uma pergunta de cunho pessoal?", perguntei.
"Ara, ara! Mas é claro, Ka-chan!", respondeu-me Mutsumi. Eu acho estranho alguém me chamar de 'Ka-chan', mas parece tão natural vindo da Mutsumi...
"Se eu não me engano, a tua mãe trabalhou aqui, não foi?", perguntei com uma certa cautela.
"Ara, ara! Mas é claro! Pena que foi pouco tempo... Eu me diverti muito aqui, e creio que era com o Kei-kun...", respondeu-me Mutsumi, demonstrando estar nostálgica. Tinha esquecido-me que ela era outra rival...
"Quero dizer, como a tua família ficou tão rica de uma maneira tão súbita?", perguntei, quase vomitando as palavras.
"Ah, sim! É que meu papai conseguiu um bom emprego, trabalhou bastante e hoje é membro do conselho de tal empresa, e é um executivo de renome. Foi simples assim, ara ara!", narrou-me Mutsumi, sempre sorridente. É incrível como ela tem uma visão tão simples das coisas.
"Hum, interessante, então foi simples assim?", comentei.
"Claro. E por que não seria? Aliás, o Kei-kun e as meninas já estiveram lá, estou pensando em levar todo mundo lá nas férias... Creio que você gostará de conhecer", disse-me Mutsumi. Não reparei que já estávamos no salão principal da pensão.
"Pode ser, eu aceito o convite", disse, entendendo que não posso vacilar e deixar o mano junto daquelas malucas, "Mas creio que o dia amanhã será cheio para todas nós. Eu vou verificar se a pensão está bem fechada. Boa noite, Mutsumi-san".
"Boa noite, Ka-chan!", respondeu-me a garota tartaruga. Se eu não tivesse lutando pelo meu irmão, acho que ela ou a Shinobu seriam as melhores opções para ele. Não consigo entender o que ele vê na Naru. Ela o maltrata tanto... Se bem que, neste final de semana que está acabando, alguma coisa mudou... E creio que todas nós voltamos a entrar no páreo. Eu só gostaria de saber o que a Mutsumi quer tanto falar com a Haruka-san.
Capítulo escrito entre 25/11/2004 e 05/12/2004. Revendo os episódios do anime, a Haruka chama a mãe do Keitaro de "tia", e eu coloquei no episódio inicial que o parentesco ficaria pelo pai... Só achei estranho a mãe de Keitaro ser Urashima e o filho não ter o sobrenome do pai (no Japão, as pessoas só carregam um sobrenome, e as mulheres adotam o sobrenome do marido em detrimento do próprio – por isso, a importância de nascer homens na cultura japonesa e chinesa, pois o homem perpetua o nome da família), a não ser que a mãe do Keitaro tenha sido solteira na época em que teve o Keitaro, ou o pai do Keitaro ser um Urashima. Não vou alterar, vou deixar o parentesco como escrevi no primeiro capítulo, apenas coloquei esta nota como informação aos leitores; apenas posso dizer "sumimasen" aos fãs.
Estou fazendo uma versão desta saga para o inglês, e também está tendo uma boa receptividade. Este capítulo foi apenas um jeito de emendar os fatos do conto anterior com o resto da história. Ia ficar meio sem sentido mostrar a cena do hotel sem uma continuação e pular direto para a semana seguinte. Decidi colocar um pouco do que a Mutsumi e a Kanako pensam sobre tudo o que aconteceu. Pode parecer um capítulo tolo, mas acreditei ter importância colocar um prelúdio para os próximos episódios da saga. Um abraço a todos os meus leitores!
