ÀS SUAS ORDENS
Capítulo 8: Hinata-sou Social Clube

PV: MUTSUMI

Nossa, como o almoço estava gostoso! Shinobu é uma menina de mão cheia, o homem que se casar com ela terá uma sorte grande. Como o sábado passado, hoje será um dia de grandes decisões. As meninas precisam decidir qual será o futuro de pensão. Afinal, a situação financeira atual necessita de alguma atitude alternativa, ou o Hinata-sou irá enfrentar sérios problemas. Mas eu tenho uma idéia muito boa e, que se as meninas toparem, creio que será um sucesso total.

Pouco a pouco, as meninas se reúnem no salão principal da pousada. A Haruka foi convidada, já que é membro da família Urashima, e também porque eu pedi. Inclusive, foi pedido que o Kei-kun se juntasse a nós, pois ele é o gerente adjunto da pensão, e qualquer decisão tomada irá envolvê-lo. Quando finalmente todos estavam no local da reunião, Kanako decidiu falar.

"Muito bem, está aberta mais uma reunião entre condôminos e a gerência do Hinata-sou...", disse Kanako, "Como todos sabem, a situação financeira da pensão não é das melhores. Se não for tomada uma medida drástica, creio que a pensão feminina será fechada e a família Urashima terá que remodelar o Hinata-sou. Alguém quer opinar algo?".

"A situação está... tão feia assim?", perguntou Motoko, demonstrando preocupação.

"Claro que sim, tenho medo de não conseguir mais cobrir as contas básicas, como água, luz e telefone. Se os impostos forem considerados, o rombo do orçamento aumenta mais", esclareceu Kanako.

"Mas a mensalidade paga não deveria cobrir os gastos?", perguntou Naru.

"Claro que deveria, mas o problema é que aconteceram muitos desperdícios no passado. Verifiquei as contas, e percebi que houve muitos esbanjamentos, gastou-se o dinheiro de reserva da pensão com festas e viagens. Fora que alguém conseguiu tirar dinheiro da poupança feita no nome do Hinata-sou, o que constituiria roubo...", explicou Kanako; quando ela falou a última frase sobre o desvio de dinheiro, encarou seriamente a Kitsune-san.

"Bem, é-é-é que...", gaguejou Kitsune, meio constrangida com a acusação indireta. Mas não demorou à garota raposa partir ao ataque: "Espera aí, Kanako, você não tem prova de...".

"Escutem, o que passou não dá mais para consertar, eu espero que vocês dêem sugestões para o que pode ser feito a partir de agora...", desabafou Keitaro. Fazia tempo que não ouvia a voz do Kei-kun, senti-me muito feliz internamente por ele demonstrar algum sinal de sociabilidade.

"Bom, não tenho como pagar mais, então eu creio que aumentar a mensalidade será muito compicado, e creio que falo em nome das garotas", declarou Motoko.

"Bem, vocês já notaram que estou taxando a lavanderia, as águas termais e o salão de festas separadamente. Foi a única medida que pude tomar até o momento, mas não sei quanto tempo poderei manter a mensalidade no preço atual", comentou Kanako, "Creio que a entrada de novas freguesas poderia melhor a situação, mas todas as tentativas anteriores de atrair clientela fracassaram..."

Pois é, o episódio da banda e a transformação da pensão feminina em hotel foram algo que quase destruiu a pensão. Lembro-me como se fosse agora, quando eu e a Naru tivemos que ajudar a Kanako a recuperar a pensão das outras meninas. O Hinata-sou tinha se transformado em um campo de guerra. Tudo porque Keitaro não estava aqui, estava ajudando o Seta-san nos Estados Unidos.

"Bom, então devemos planejar algo para atrair mais clientes! Deve ser algo divertido! Que tal decorar a pensão com diversos dos meus mechas...", comentou Kaolla.

"De jeito nehum!", gritaram Naru, Kanako e Motoko, interrompendo o discurso da Kaolla.

"É, precisamos de idéias que não ameacem a vida dos moradores... Aliás, Mutsumi-san, você disse no fim-de-semana passado que tinha algo a falar, acho que o momento é oportuno...", completou Keitaro, olhando na minha direção. Nossa, como fiquei feliz, o Kei-kun voltou a dirigir-me a palavra, mesmo que por apenas um instante. Fiquei contente e um tanto lisonjeada pelo fato que ele se lembra do que eu dissera naquele dia.

"Mas é claro, Kei-kun... Eu ia falar na semana passada, mas acabei esquecendo...", afirmei. Eu me levantei e limpei a garganta, para poder falar melhor. "Bom, amigos do Hinata-sou... Na semana passada, eu tive uma idéia após um incidente ocorrido quando eu saí junto com a Kanako-chan e o Kei-kun... Acho que os dois se lembram daquele bar, aquele em que demorou a chegar os pedidos...".

"Sim, eu me lembro, Mutsumi-san. Eu fiquei muito nervosa, pois nunca tinha acontecido aquilo. Sou uma habitual freqüentadora daquele bar, e sempre gostei do atendimento prestado por lá. Naquele dia, entretanto, foi lamentável. Até comentei que as meninas eram mais prestativas que os garçons de lá...", disse Kanako, obviamente sonegando alguns xingamentos que ela proferiu sobre as meninas.

"Pois então... Acho que as estratégias anteriores não tiveram charme, nem mesmo um pouco de sex appeal...", comentei.

"Sex o quê? Você acha que tenho cara de prostituta?", indagou Motoko, claramente indignada.

"Sex appeal é gostoso?", perguntou Kaolla, demonstrando o lado bem sapeca que ela possuí.

"Que é isso, Motoko-chan... Todas as moradoras daqui são mulheres atraentes e inteligentes, não há nada para ter vergonha... Toda mulher tem sex appeal, basta saber como usar adequadamente...", tentei explicar.

"O que a Mutsumi-san está tentando dizer, Motoko-chan, é que nós podemos utilizar nossos atributos físicos e intelectuais para atrair pessoas, mas isto não significa que precisamos nos rebaixar... Sex appeal nada mais é que o poder de atração inerente ao indivíduo... Algumas pessoas são bastante sedutoras, outros são pouco...", Kanako explicou, aliás, melhor que eu.

"Concordo com a Mutsumi-san: precisamos usar nosso poder de sedução de forma adequada, mas como? Como podemos utilizar sex appeal sem partir para a baixaria?", debateu Kitsune.

"É aí que entra minha idéia, mas preciso da ajuda da Haruka para a execução!", afirmei.

"Se a idéia for boa, terá o meu total apoio. A Casa de Chá e o Hinata-sou são partes de um todo, do patrimônio da família Urashima. O que é bom para a pensão, será bom para a Casa de Chá...", disse Haruka.

"E então, Mutsumi-san, fala qual é a tua grande idéia, todos estão esperando!", disse Kanako.

"A minha idéia é a seguinte: vamos transformar a Casa de Chá em um bar temático durante o fim-de-semana. Vamos utilizar todas as meninas como garçonetes, cada uma com uma fantasia que mais expresse a personalidade, os ideais de cada uma. Que acham?", disse, esperando que elas comentassem. Houve então um grande silêncio na sala. Parece que minha idéia causou uma certa comoção nas moradoras. Depois de alguns minutos, Kitsune decidiu quebrar o gelo.

"Mutsumi-san, a tua idéia é tão maluca que é capaz de dar certo...", comentou Kitsune, esfregando o queixo com o polegar e o indicador direito.

"A minha família vai me deserdar...", desabafou Motoko, escondendo o rosto entre as pernas.

"Eu... eu... eu sou muito tímida em público, não sei se vai dar certo...", comentou Shinobu.

"Que legal! Nunca trabalhei como garçonete... Deve ser muito engraçado!", comentou Kaolla, muito sorridente.

"O problema não é usar fantasias provocantes... O problema é ter um tarado como o Keitaro na volta... Vai saber o que ele pode fazer...", protestou Naru, fechando a cara. Eu fiquei triste, pois estou tentando trazer o Kei-kun para perto das meninas e a Naru sempre estraga tudo... Quando será que ela vai aprender a não tentar enganar o coração?

"Se é assim, tudo bem. Vocês podem planejar o que quiserem... Acho que minha permanência aqui não é mais necessária... Concordarei com qualquer decisão tomada, com licença...", disse Keitaro, calmamente se levantando e deixando o recinto.

"Não, Keitaro, espere...", implorou Kanako, sem resultado. Keitaro nem olhou para trás, apenas saiu do salão principal, indo em direção da Casa de Chá. Kanako ficou furiosa e fuzilou Naru-san com o olhar. Kami-sama, nunca tinha presenciado um olhar tão mortal quanto aquele.

"E então, você está satisfeita? É assim que pretendes fazer uma reaproximação com o Keitaro?", comentou Haruka-san, sempre mantendo uma expressão serena no rosto. Naru ficou muda, encarando o chão por alguns instantes. Não demorou até ela se levantar e sair correndo para o quarto dela, no segundo piso da pensão.

"E esta agora, sem a adesão da Naru, uma decisão final sobre a idéia da Mutsumi-san fica invalidada...", disse Sarah.

"Não tem problema, a decisão fica pela maioria absoluta. Então, quem for contra, levante o braço agora!", comandou Kanako. Ninguém se manifestou. "Com isso, declaro aprovada a idéia da Mutsumi-san. As meninas que atualmente moram no Hinata-sou irão organizar um bar temático todo fim-de-semana, cujo principal chamariz será a beleza das moradoras. Cada uma deverá propor qual traje irá usar, a Shinobu-chan irá desenhar os modelitos e depois providenciaremos a costura de cada fantasia. Mais alguma coisa?".

Ninguém adicionou mais nada à reunião. Com isso, Kanako declarou encerrada a reunião. Que beleza, a minha idéia foi aceita! Que bom, voltar a trabalhar com as minhas amiguinhas será espetacular. A única coisa que estragou foi a infeliz colocação da Naru. Vou conversar com ela agora, ela precisa consertar todo o estrago feito até agora. Se continuar assim, ela realmente não terá mais chance de reconquistar o Kei-kun.


PV: NARU

Eu e minha grande boca! Por que não fico quieta? Por que eu devo sempre atacar o Keitaro? Está bem, ele é um sujeito atrapalhado e tal, mas sei que tem um bom coração... Por que tenho medo de amar, por quê? Começo a chorar, afundando o rosto no meu travesseiro. Não sei quanto tempo se passou, mas parei de chorar após alguém subitamente bater à porta. Vou atender e vejo que é a Mutsumi-san, encarando-me sorridente.

"Desculpe, Mutsumi-san, acho que não serei um papo agradável...", sussurrei.

"Ara, ara! Eu creio que o assunto que desejo discutir contigo não pode esperar. Posso entrar?", pediu-me Mutsumi, gentilmente.

Eu meneei positivamente e estendi o braço direito, indicando que a entrada é permitida. Mutsumi entrou e sentou-se no meu futon. Começou a acariciá-lo e encarou-me sorridente.

"Nossa, parece que conheço este futon como a palma da minha mão... Parece que nos tornamos boas amigos, você não acha Naru-san?", disse Mutsumi, mantendo um amplo sorriso. Às vezes, como eu gostaria de ser tão gentil quanto a Mutsumi é.

"Sim, eu creio que sim... Afinal, você está sempre tentando me ajudar...", concordei, sentando-me ao lado dela no futon.

"Posso parecer um pouco rude, mas o que eu queria dizer é o seguinte: se você não quer o Keitaro, eu vou lutar pelo amor dele...", desabafou Mutsumi, com o semblante mais sério.

"M-m-m-mas como? Você faria isso comigo?", retruquei, muito surpreendida com o que acabei de escutar. Mutsumi nunca foi tão direta comigo sobre conquistar o Keitaro.

"Eu vou disputar o amor do Keitaro sim, já que você não demonstra interesse em ficar com ele... Há algo errado nisso?", perguntou-me Mutsumi, juntando as próprias mãos.

"Sim... Porque... Porque... Porque eu o amo!", exclamei a plenos pulmões.

"Então por que você trata o Kei-kun desse jeito? É algo muito contraditório. Se tu o amas, por que o maltratas tanto? Se você quer agir desta maneira, eu vou lutar por ele. E tenho certeza que a Motoko-chan também irá fazer o mesmo, mais cedo ou mais tarde", afirmou-me Mutsumi, de uma forma bem decidida. Era difícil acreditar que a doce Mutsumi-san estava me falando tais palavras.

"Então, creio que não há mais nada para discutirmos. Você quer disputar de uma forma franca o amor do Keitaro, admiro a tua honestidade. Acho que agora somos rivais francamente declaradas", afirmei, sem encarar a garota tartaruga.

"Olha para mim...", pediu-me Mutsumi. Eu não queria olhar, pois estava com raiva dela. Tinha certeza que ela uma franca favorita na disputa pelo amor do Keitaro. Ela colocou a mão sob meu queixo e ergueu minha cabeça delicadamente. Ela olhou dentro dos meus olhos, dando um leve sorriso, e disse: "Escute, o fato de sermos rivais pelo coração do kanrinrin não fará com que você deixe de ser minha amiga, não é? Você sempre será minha amiga, Naru-san..."

"Desculpe-me, mas não consigo...", desabafei, com os olhos um pouco marejados. Ela ampliou o próprio sorriso, acariciando minhas bochechas.

"Naru-san, como alguém pode ter tanto rancor e violência contidos no próprio íntimo? Eu apenas estou disputando a atenção de um homem, não competindo quem é a melhor mulher do mundo. Não aceito que você se afaste de mim só porque desejamos o mesmo pretendente. Se você levar tudo na ponta de faca, acabará sem amigos, e é contra este destino que aqui estou. Não quero lhe deixar sozinha, nem desejo que você fique sozinha neste mundo tão perverso.", disse Mutsumi, em um tom muito terno. Aquilo bateu no meu íntimo; era a mais pura verdade. Se eu não souber como separar as coisas, acabarei como uma velha rancorosa. Aquilo me tocou no fundo do meu coração e desatei a chorar.

"Mutsumi-san, perdoe-me! Ajuda-me a ser feliz, por favor! Não quero acabar sem ninguém!", desabafei, afundando o meu rosto no ombro esquerdo de Mutsumi. Agora entendo porque todos gostam dela, ela não consegue guardar rancor de ninguém. É incrível como a Mutsumi-san supera todas as dores do mundo.

E entendi que ela sempre respeitou a decisão do Keitaro em conquistar-me. Ela é mais bonita que eu... Olhe o corpo dela, que seios maravilhosos que ela tem... Além do carisma, e daquele jeito atrapalhado que esconde, lá no fundinho, uma menina observadora e que conhece como ninguém as agruras de um coração machucado. Ela nunca se aproveitou dos próprios requisitos para roubar o Keitaro de mim... Mas agora devo perceber que Keitaro não pende mais por ninguém e que todas estão livres para agir.

Nossa, eu sou tão cabeça-dura quanto o Keitaro... Eu sempre soube de tudo isso, mas teimei em aceitar todas essas coisas. Tudo veio à tona quando ocorreu aquele incidente da semana passada, mas ainda reluto em demonstrar o que sinto e mantenho os velhos defeitos. Chega, devo tomar outra atitude, e isto é sério... Se continuar com esse nervosismo barato, perderei todas as pessoas que estimo.

"Mutsumi-san, obrigada...", agradeci.

"Ara, ara... Obrigada pelo quê, Naru-san?", inquiriu-me Mutsumi.

"Por ser sincera. Sei que somos boas amigas e também rivais no amor. Tudo bem... Creio que devo aprender a separar as coisas... E tudo o que você faz me serve de exemplo... É isso que agradeço...", expliquei.

"Eu sabia que algum dia eu iria colocar algum juízo na tua cabeça, Naru-san. Apesar dos revezes da vida, não quero deixar de ser tua amiga, jamais...", acalentou-me Mutsumi.

"Mas agora, preciso planejar como conquistar o Keitaro antes que você o faça!", disse sorrindo, com um falso tom de ameaça.

"Você vai participar do bar temático? É que saístes no meio, e decidimos que iremos colocá-lo em prática...", avisou-me Mutsumi.

"Hum... terei que fazer ainda o uniforme... Já sei!", exclamei.

"O que foi, Naru-san?", perguntou Mutsumi.

"Mas é claro! Vou projetar um uniforme bem sexy... Não é para ter sex appeal? Pois bem, vou planejar um uniforme bem sexy, para que o Keitaro veja bem meus atributos... Vamos ver se eu não o conquisto de novo...", expliquei.

"É, mas você continuar com atitudes hostis, não creio que apenas um decote vistoso irá reconquistá-lo", advertiu-me Mutsumi.

"Não te preocupes, amiga! Já tenho tudo em mente, pensei em um visual anos 1960, mas com um toque de modernidade... Bom, o resto é confidencial, só será liberado na hora certa!", disse, com um grande sorriso estampado no rosto.

"É assim que eu gosto, Naru-san. Decidida e feliz. Acho que minha missão aqui acabou. Até mais, minha amiga", disse Mutsumi, abrançando-me.

"Até mais, minha amiga", disse-lhe como despedida. Após a Mutsumi-san sair do meu quarto, estava com o meu coração mais leve. Uma nova fase se inicia: devo transformar a minha vida, para que possa a fazer parte da vida do Kei-kun... Hum, Kei-kun, é assim que a Mutsumi-san chama o Keitaro... Sabe que é gostoso chamá-lo assim? Pois muito bem, estou voltando para o páreo! E descrevo tudo no meu querido diário, o único que nunca me tripudiou.

Sim, sinto-me renovada... Sinto-me pronta para amar... Eu te quero, Kei-kun!


Capítulo escrito entre 27/12/2004 e 28/12/2004. Agradeço ao Shadowslicer Lucas pelos reviews. É gratificante ter alguém que sempre dá um retorno ao autor. Por isso, peço os reviews, pois eles servem como termômetro de quão bom ou ruim está a saga.

Bem, como é final de ano, não poderia deixar de desejar um feliz 2005 a todos os meus leitores. E para quem quiser se comunicar diretamente comigo (por achar mais simples) pode mandar mensagem para meu e-mail, ok? Aviso: os comentários que forem pertinentes serão publicados nos reviews ou discutidos nas notas de rodapés que sempre faço ao terminar um conto.

Min'na arigato gosai masu!