ÀS
SUAS ORDENS
Capítulo
10: Uma Nova Carta no Baralho
PV: KITSUNE
Finalmente terminamos de projetar os uniformes, agora só falta fazê-los. Achava que o bar temático pode ser a salvação da pensão, pois iria atrair a atenção da toda a região. Afinal, quem não gostaria de ir num lugar repleto de gente bonita, um ambiente agradável e saborear tudo do bom e do melhor? Falando nisso, chamei a Haruka-san e disse: "Haruka-san, acho que precisamos conversar..."
"E sobre o que seria?", perguntou-me Haruka.
"É sobre o que iremos vender no bar. Obviamente, se queremos atrair um público de alto nível, precisamos oferecer comidas e bebidas de alta qualidade, que sejam bem requintados", expliquei.
"Hum, entendo, a tua preocupação é pertinente. Ainda não sei exatamente o que fazer, mas acho que podemos contornar tal situação de uma forma satisfatória...", disse-me Haruka.
"Bom, e como poderemos fazer? Eu conheço alguns distribuidores de bebidas, das minhas experiências como freelancer e promotora de divulgação. Talvez eles possam nos ajudar a iniciar tal empreitada, mas...", expliquei a ela. Bem, eu realmente conhecia proprietários de grandes distribuidoras de alimentos, mas não sabia como poderia convecê-los a ajudar uma empreitada de um bando de garotas iniciantes no ramo do entreternimento. Haruka notou minha ansiedade e colocou a mão sobre meu ombro, sorrindo levemente.
"Não se preocupe, tudo tem o seu tempo. Nós somos bonitas e inteligentes, não é verdade? Temos que usar tais atributos a nosso favor. Escute, eu também conheço alguns distribuidores... Que tal fazermos uma lista de empresas que poderiam nos ajudar a iniciar nosso negócio? A maioria são homens, então basta jogarmos um pouco do nosso charme e poderemos conseguir algo satisfatório para nosso empreendimento, o que você acha?", comentou Haruka. Ela conhece tanto quanto eu as manhas dos negócios. Afinal, quantas vezes eu já enrolei o Keitaro usando um pouco de charme feminino? O pessoal que trabalha na área de negócios não é diferente, basta lançar um pouco de linhas que já saem pegando o anzol.
"Ótimo, Haruka-san! Então está feito, vamos aproveitar a semana para fazermos os preparativos. Obviamente, acho que só nós duas poderemos fazer isso, pois as outras são ocupadas com aulas, e a pobre Shinobu-chan ainda tem que cuidar da nossa alimentação e da elaboração dos uniformes", disse. Nossa, vi que tinha muito trabalho a fazer, e nunca fui fã de trabalho árduo, mas percebi como o Keitaro e a Shinobu se desdobravam nas duplas jornadas de trabalho e estudo, senti-me empolgada a organizar o nosso bar temático.
Falando no diabo, olha quem eu vi chegar...
PV: KEITARO
Nossa, que tarde agradável! Depois de libertar-me um pouco da influência das garotas, pude perceber o quanto é bom passar a tarde com pessoas do convívio diário, que têm algo em comum comigo. É claro que estou falando dos meus colegas de aula. Obviamente, o curso de Arqueologia não é tão disputado – na verdade, chegam a sobrar vagas – mas o que importa é que as pessoas que estão fazendo o curso realmente gostam de Arqueologia. Deve ser deprimente fazer algo só porque dá dinheiro ou porque é muito difícil entrar no curso que realmente gosta (e daí tem que fazer um outro curso só por "fazer algo").
Aproveitei o domingo para conhecer as praças e os parques de Tóquio com meus colegas. Como todos os meus colegas eram pé-rapados como eu, decidimos fazer coisas que não teriam custo nenhum, ou que tivessem um custo muito baixo. A única coisa que nos custou algo foi visitar a Torre de Tóquio, mas não me arrependi; foi uma visita muito bacana – pois pude ver uma boa parte da cidade pelo alto. O que me chamou a atenção foi uma colega minha, chamada Mizuho Fujisawa, que parecia não estar aproveitando muito o nosso passeio.
Quando a turma se dispersou, eu me ofereci para levá-la em casa. Ela tentou me despistar de todas as maneiras, até o momento em que eu fiquei um tanto aborrecido e forcei a barra: "Desculpe-me se sou tão intrometido, mas gostaria realmente de saber por que você não quer que eu lhe acompanhe... Você não precisa mentir para mim, só quero lhe ajudar...".
E ela me deu uma resposta, talvez algo que não precisava ouvir. Ela apenas olhou para mim e disse, com os olhos um tanto marejados: "É que eu dvidia o apartamento que alugo com duas meninas, mas elas se formaram e estou sozinha... Vou ter que sair, pois não tenho condição de alugá-lo sozinha... E não sei para onde ir... Você está satisfeito agora?"
Fiquei bastante comovido, pois senti que tinha metido o bedelho em assuntos que não me diziam respeito. Ela estava soluçando devido ao choro copioso, então a toquei no ombro e disse: "Peço novamente desculpa, acabei lhe aborrecendo... Deixe-me ajudá-la, por favor, talvez seja a única forma de reparar o que fiz...".
"Eu é que peço desculpas, você só estava querendo me ajudar, e eu ralhei contigo porque não queria ninguém se intrometendo... Mas vejo que ficaste preocupado comigo, e eu agradeço a tua atenção", desabafou-me Mizuho, dando um sorriso tímido. Aquilo me acalentou bastante, pois estava aflito. Eu tinha ido longe demais, agora precisava ajudá-la a sair da tal situação.
"Você não anunciou lá na Toudai? Talvez tenha alguém que queira alugar contigo...", propus a ela.
"Não há tempo, preciso entregar o imóvel amanhã, e eu já tentei usar esse expediente sim, mas não funcionou. Ninguém me procurou, e agora devo deixar o imóvel sem saber para onde ir", explicou-me Mizuho.
"Hum, quanto você gasta por mês, se me permite a pergunta...", inquiri-a.
"Bem, só com aluguel e condomínio, gasto 20000 ienes, isto já dividido entre três pessoas, é claro... Era um apartamento de dois quartos, e eu dividia o quarto com uma das meninas. Mais comida, transporte e as contas básicas, acho que dá quase uns 50000 ienes por mês. Sou de família de poucos recursos, Keitaro-san. Não sei o que fazer.", informou-me Mizuho.
"Espere um pouco, Fujisawa-san, mas o que você acha de gastar os mesmos 20000 ienes por mês, mas tendo direito a um quarto individual, quatro refeições diárias bem fartas, quinze minutos de telefone por dia, água e luz já incluídos?", perguntei a ela. Ela me olhou com um pouco de descrédito.
"Eu não acredito que exista um lugar que tenha tantos serviços por apenas 20000 ienes mensais. Onde fica este local?", perguntou-me Mizuho, com um semblante mais alegre.
"É a pensão que eu e minha irmã dirigimos, o Hinata-sou. Há quartos vagos, se você quiser, eu posso te acomodar lá. O que você acha? Falo com a minha tia e arranjamos a mudança dos móveis amanhã mesmo", disse a ela. Caramba, é difícil ver um sorriso como aquele.
"Obrigada, Kei-kun...", disse Mizuho, abraçando-me suavemente. Mas tem algo estranho... Kei-kun? Desde quando ela me chama assim? Nunca fui íntimo de quaisquer dos meus colegas de classe.
"Kei... kun?", perguntei, um tanto perturbado. Ela notou o meu semblante de dúvida e desfez o abraço, ficando em posição de retratação.
"Mil desculpas, Keitaro-san... Não sei porque falei 'Kei-kun'... Mas é engraçado, é como se eu já lhe conhecesse de algum lugar... Você disse 'Hinata-sou', não é isso?", inquiriu-me Mizuho, com um semblante de curiosidade.
"Sim, eu falei 'Hinata-sou'... É propriedade da minha família, a família Urashima... Este nome lhe soa familiar?", disse, muito curioso.
"Parece que sim, eu vou tentar me recordar de onde eu conheço o nome Hinata-sou...", disse Mizuho, sorrindo, "Bem, Keitaro-san, acho que agora você pode me acompanhar até meu apartamento".
"Tudo bem, mas se você quiser, pode me chamar de Kei-kun... Eu não me importo...", afirmei-lhe, devolvendo o sorriso. Agora que ela falou, ela não me parece estranha... De onde será que eu conheço Mizuho? Por um momento, eu me senti tão nostálgico...
O prédio onde ela mora fica bem perto da Toudai, mas não chega a ser suntuoso. Pelo contrário, parece mais com um conjunto habitacional, com diversos blocos de dois andares cada um. Ela me convidou para conhecer o local, mas tive que recusar; aleguei que estava muito tarde e precisava voltar para casa, ou minha tia ia começar a pensar bobagem. Na verdade, senti-me um tanto intimidado, acho que já fiz o bastante por ela, não queria incomodá-la mais por hoje.
"Então, está certo, Fujisawa-san. Amanhã você pode fazer a mudança para o Hinata-sou, certo?", disse-lhe, com um pouco de receio.
"Está certo, Kei-kun... Você pode me chamar de Mizuho, ok? E não precisa ficar receioso, já lhe disse que está tudo bem, eu agradeço a atenção", respondeu-me, terminando a frase com um doce beijo em meu rosto. Confesso que sempre fico envergonhado nesses momentos. Ela riu suavemente, escondendo o sorriso com a mão.
Depois de despedirmo-nos, tratei de voltar para casa. Afinal, Haruka-san poderia realmente ficar preocupada comigo. Durante a viagem, fiquei pensando o que eu poderia fazer daqui por diante. As garotas estavam estranhas, e ainda havia o tal bar temático. Não sei por quê, mas eu tinha uma sensação desagradável, como se estivesse prevendo que algo iria dar muito errado no empreendimento da garotas. Obviamente, não vou me ficar contra nesse negócio, mas senti que também não deveria participar do mesmo. Ultimamente, não tenho me sentido à vontade no
Hinata-sou...
Falando em Hinata-sou, logo cheguei em casa. Vi que tinham luzes acesas na Casa de Chá. A Haruka deve estar reunida com alguém, pois ela não abre aos domingos. Pedi licença para entrar, foi quando eu percebi que as meninas estavam lá. Senti-me bastante constrangido.
"Keitaro! Como vai?", gritou Kaolla, voando contra mim. Se não fosse as aulas de Jeet Kune Do com o Seta-san, a voadora da garota eternamente bronzeada teria me acertado em cheio. Acabei agarrando-a e girei-a no ar, colocando-a no chão. Daí ela gritou: "Keitaro, adorei! Vamos repetir!".
"Agora não, Su-chan... Preciso descansar", expliquei à garota de feições indianas.
"Oi, Kei-kun! Estávamos com saudade! Você estava passeando?", inquiriu-me Mutsumi-san, do jeito carinhoso que ela sempre tem.
"Bem, desculpa, mas estou cansado... Acho que podemos conversar uma outra hora... Ah, Haruka-san?", falei. A tentativa de evitar conversa obviamente fechou o semblante das garotas, exceto pelo eterno sorriso de Kaolla-chan.
"Sim, Keitaro?", devolveu-me Haruka.
"Precisamos fazer uma mudança, pois teremos uma nova moradora a partir de amanhã.", expliquei-lhe. As garotas ficaram com um semblante de surpresa, daí não demorou a ocorrer a enxurrada.
"Quem é ela?", perguntou-me Naru, com uma expressão de raiva.
"O que ela faz da vida?", perguntou-me Kitsune, com um ar de dúvida.
"É alguém de boa índole?", inquiriu-me Motoko, mantendo um semblante sério.
"Ela gosta de fazer amizades?", quis saber Mutsumi, sorridente e com a mão direita no rosto.
"Ela é chata?", perguntou-me Sarah, com a expressão desafiadora de sempre.
"Como ela se chama?", inquiriu-me Shinobu, de uma forma bem tímida.
"Ela é bonita?", perguntou-me Kaolla. Esta foi a pergunta crucial, pois todas as garotas olharam para a Kaolla, e depois voltaram a encarar-me, com semblantes inquisitivos.
"Gente, amanhã eu apresento ela a todas vocês... Mas não se preocupem, ela me parece ser alguém legal, está bem?", afirmei, tentando não causar problemas. Não é difícil imaginar o que as moradoras do Hinata-sou podem fazer quando estão exaltadas. Completei: "Espero que tenham uma boa noite, até mais".
Então me retirei ao meu quarto. Não estava a fim de conversar. Principalmente com elas. Toda vez que começo uma discussão com as garotas, eu acabo me lascando. Hoje, não estou com vontade de sair voando pelos ares.
PV: KITSUNE
Da mesma forma que vi o Keitaro entrar, eu vi o Keitaro se retirar. Olho para as outras meninas, e reparei que elas ficaram um pouco decepcionadas com o fato de o kanrinrin não querer muita conversa. Senti que esta situação vai dar muito pano para manga...
Bom, não é problema meu se uma nova moradora está chegando. Não era isso que a Kanako queria? A única coisa que realmente está me preocupando é o bar temático. Vai ser o meu primeiro negócio que administro; óbvio que terei a ajuda da Haruka-san (já que o local pertence a ela), mas sou uma administradora de primeira viagem. Bem, bartender eu já fui, logo isso será algo que irei tirar de letra...
Depois que o Keitaro se retirou, a Haruka-san decidiu encerrar as discussões e disse que também ia se retirar. Agradecemos a hospitalidade da Haruka e voltamos para a pensão. No caminho, aproximei-me da Shinobu e perguntei: "Shinobu-chan, quando os uniformes estarão prontos?"
"Ah, Kitsune-san, não tenho uma data certa para terminar, mas vou tentar deixar tudo pronto até quinta-feira, está bem assim?", respondeu-me Shinobu.
"Claro, minha flor. Se você achar que não vai dar conta, peça para a Kaolla ou a Sarah te ajudar. Creio que elas não vão se negar...", afirmei.
"Tudo bem, Kitsune-san, você não precisa se preocupar tanto. Eu creio que conseguirei terminar os uniformes até quinta... Acho que o mais importante é conseguir ajuda das meninas para decorar o local para sexta à noite receber os clientes...", explicou-me Shinobu.
"Bem, isso você pode deixar que eu organizo. É muito bom conversar contigo, Shinobu...", disse-lhe. Como sempre, ela ficou bem corada.
"Ah, Kitsune-san, e como fica a nova moradora?", inquiriu-me Shinobu. Aquela pergunta foi bem inusitada.
"Como assim, querida?", perguntei.
"Bem, essa nova moradora vai fazer parte do Hinata-sou... Ela vai ser integrada ao bar temático?", completou Shinobu.
"Ah, isso... Por enquanto não... Vamos deixá-la de molho um pouco... Ver como ela é, antes que possamos contar com ela", respondi.
"Hum, está certo... Bem, acho que é hora de dormir, pois esta semana vai ser longa. Até mais, Kitsune-san!", despediu-se Shinobu.
"Até amanhã, Shinobu-chan... Bons sonhos!", disse-lhe.
Espero que o nosso sonho de fazer um bar temático que renda bons frutos para todas nós também se realize. Caso contrário, creio que a vida no Hinata-sou vai ficar mais cara...
Capítulo escrito em 01/02/2005. Desculpe a demora, mas é que eu fiz um estágio dentro de um hospital durante todo o mês de janeiro, e também há o fato de que estou um pouco sem criatividade para continuar esta saga. Não é só pela falta de reviews, é que eu já organizei alguns dos temas que serão retratados, mas falta uma linha condutora para eles. Nossa, nunca pensei que seria tão difícil escrever... Em janeiro, consegui só traduzir alguns capítulos desta saga para o inglês, e só.
Ah, a personagem Mizuho Fujisawa está presente no jogo Love Hina Smile Again (para o Dreamcast), além de ser a menina que aparece no volume 28 do mangá, sendo inclusive tema de discussão nos fóruns de Love Hina, pois ninguém sabia quem era a garota de cabelos castanhos que aparecia em duas imagens coloridas do "Álbum de Fotografias" (em uma, ela está de véu e grinalda, junto à Naru e Mutsumi; em outra, ela está de maiô e está deitado em uma cama, também próxima à Naru e Mutsumi). Mais informações, acompanhem a saga!
Considerei R$ 1,00 igual a Y$ 40 (era aproximadamente a cotação em 31 de janeiro de 2005), para fazer o cálculo de gastos. Eu agradeço aqui o Shadowslicer Lucas pelo incentivo, e fico feliz que tenha gostado do papel de parede que inspirou esta saga; espero tê-lo como leitor até o final. Espero reviews de todos vocês!
