ÀS SUAS ORDENS
Capítulo 11: A Lenda de Mizuho Fujisawa

PV: MIZUHO

Como o mundo dá voltas! Eu pensei que era apenas uma memória imaginária de minha infância, aqueles tipos de recordações em que não distinguimos muito bem o que foi real e o que nós criamos como forma de tentar "completar" as lacunas de memórias tão antigas. Afinal, tudo ocorreu em uma época da vida em que a cognição e a memória de longa duração ainda não estão bem formadas, dando lugar para a imaginação.

Mas, desta vez, não foi apenas uma memória desfocada, foi uma memória real. Sempre tive na minha mente que prometi a um doce menino que iria entrar com ele na Toudai. Lembro-me vagamente do Hinata-sou, que meus pais moravam bem perto. Depois da morte de meu pai, minha mãe teve que ir embora, procurar por um emprego que sustentasse de maneira adequada a mim e a meu irmãozinho. Aliás, hoje em dia ele não é tão irmãozinho assim, já tem 18 anos e não quis saber da fazer faculdade. Ele trabalha na área do comércio, atuando como representante comercial. É ele que me ajuda a terminar a faculdade, junto com minha mamãe. Ele consegue ganhar boas comissões nos negócios que participa.

Eu sempre falei para ele da minha promessa, que eu acharia um dia o menino do Hinata-sou a quem prometi namorar caso entrássemos na Toudai. Meu irmão sempre me chamou de sonhadora, que eu deveria procurar um bom partido no mercado. Se fosse deixar por ele, ele escolheria alguém de posses; afinal, ele sempre disse que eu não preciso passar todo esse sufoco. Mas nunca liguei para isso, eu prometi meu coração àquele menino, e sempre sonhei em encontrá-lo.

Bem, eu faço a faculdade de História, mas tenho diversas cadeiras em comum com a Arqueologia e as Ciências Políticas, e nunca tinha percebido que aquele garoto pouco integrado à turma poderia ser o menino da minha promessa. Keitaro Urashima, então era você? Repito, como o mundo dá voltas! Ele se transformou em um homem muito bonito, aqueles óculos até dão um certo charme...

Ele andava com umas meninas que também não me são estranhas... Eu acho que elas também freqüentavam o Hinata-sou. Uma delas tinha até um Liddo-kun, e a outra tinha dificuldade para falar. Eu me lembro quando eu disse que "vocês sabiam que, se duas pessoas que realmente se amam entrarem juntas na Toudai, elas serão felizes para sempre?", ambas ficaram me olhando e também fizeram a promessa. Naquela época, seria apenas coisa de pessoas namoradeiras, mas hoje em dia – caso ele cumprisse a promessa para nós três – seria poligamia... E não estou a fim de dividir um amor.

Mas, eu realmente o amo? Afinal, isto ocorreu há 20 anos, aproximadamente... O que sinto por ele agora? Kei-kun me pareceu ser alguém muito gentil, mas há algo além disso? Eu acho que não, afinal foram tantos anos sem vê-lo, sem senti-lo, sem tocá-lo. Então, por que meu coração está batendo tão rápido? Será que a velha chama voltou a acender? Preciso andar mais com ele, e daí terei certeza.

E não faltarão oportunidades, pois amanhã me mudarei para o Hinata-sou... Ah, preciso avisar meu irmão e minha mãe da mudança. Pego o celular e ligo primeiro para meu irmão.

"Alô, Koichi! Como você vai, maninho?", cumprimentei.

"Eh, estou bem! Desculpa, mas já estou saindo para a noite... Se você quer falar comigo, acho que você deve ser rápida...", disse-me Koichi.

"Não tem problema, só quero lhe avisar que resolvi o problema! Vou para uma pensão feminina, vai ser muito bacana!", afirmei.

"Hum, como você conseguiu resolver tão rápido... Afinal, você ficou enrolando um bom tempo a história do apartamento, e do nada consegues achar uma pensão feminina? Que mágica foi essa?", zombou Koichi.

"Ah, é quem tem um colega que me indicou a pensão, ele é gerente de lá...", expliquei.

"Espera um pouco, um homem gerenciando uma pensão feminina? Você não acha meio estranho?", retrucou Koichi.

"Pára com isso, Koichi! Ele é um homem muito gentil, estás ouvindo? Eu sei fazer muito bem minhas escolhas, está bem?", respondi.

"Isso foi uma indireta?", ralhou Koichi, com um tom de mágoa.

"Ah, por favor... Você sabe que eu te adoro muito, mano! Não tive a intenção de magoar... Se você gosta do que faz, isso é o que importa para mim...", respondi, em tom de lamentação.

"Tudo bem, eu lhe perdôo desta vez...", respondeu Koichi, com um falso tom de ameaça. Era típico dele. Ele continuou: "Mas... aonde seria esse lugar dos mil prazeres?".

"É o Hinata-sou! Mamãe já morou lá perto... É um local muito agradável!", respondi, muito alegre.

"Não me lembro... Bom, eu era muito pequeno quando mamãe foi para Kashima... Espero que tenha sido uma boa escolha...", disse-me Koichi, com um toz de voz um tanto ressabiado.

"Tudo bem, não se preocupe... Eu avisarei a mamãe, está bem? Um beijo e procure não fazer bobagem, hein? Estou muito longe para lhe tirar da cadeia...", despedi-me, brincando.

"E desde quando eu parei em delegacia? É melhor eu desligar, antes que você me rogue uma praga... Tchau, maninha!", despediu-se Koichi.

"Até mais!", disse, desligando o celular. Aliás, o celular também foi um presente dele... Koichi sempre procurou me dar tudo o que fosse possível, não é à-toa que eu sempre o adorei.

Bem, depois disso, também falei bastante com a mamãe... Ela pareceu bem nostálgica, ao comentar que iria para o Hinata-sou. Acho que eram saudades de papai. Conversei pouco com ela, já que eu estava muito cansada e precisava estar pronta para fazer a mudança amanhã. E preparar a alma para ficar pertinho de Kei-kun.


PV: HARUKA

Até agora, não entendi exatamente o que o Keitaro quer das garotas do Hinata-sou... Forçou uma situação na qual as meninas tiveram que dar uma trégua, e ainda reluta em aproximar-se delas. E para melhorar o clima, conseguiu uma nova cliente do nada. Nunca imaginei o Keitaro pudesse se tornar alguém tão bom em blefar, e não consegui imaginar até onde ele vai poder levar toda essa situação.

Bem, antes de julgar a situação, procurei saber mais sobre a nova moradora. Bati na porta do quarto de Keitaro e pedi licença para entrar. Keitaro já estava pronto para dormir, mas permaneci no quarto e decidi conversar sobre a nova moradora.

"Keitaro, você poderia dizer, ao menos para mim, quem será a nova moradora? É alguém de confiança, pelo menos?", indaguei, muito preocupada, pois não sei se devo confiar nos dons de avaliação do meu sobrinho.

"Ah, é claro que sim. É uma menina muito simpática, que precisa de um lugar para ficar, pois não tem condições de manter sozinha o apartamento onde mora...", explicou-me Keitaro. Mas não era o suficiente para mim.

"Certo... Mas, o que você sabe sobre ela?", perguntei, ansiosa por mais informações.

"Deixa-me ver... Ela faz História, vai se formar no mesmo ano que eu, foi minha colega em diversas disciplinas, é uma pessoa que tira ótimas notas, já participou de diversos grupos de pesquisa e seminários, e é muito bonita...", disse Keitaro. A última referência dita por ele pode provocar uma verdadeira revolução no Hinata-sou...

"E qual seria o nome dela?", eu continuei a interrogar.

"Nossa, não sei por quê tanta preocupação, Haruka-san... Pensei que precisássemos de clientes, e ela está chegando em boa hora", retrucou Keitaro. Uma nova cliente pode ser boa para os negócios financeiros, mas não sei se seria adequado para os negócios amorosos.

"Como já disse, todo esse patrimônio é da família Urashima. Por isso, eu me preocupo sobre o tipo de pessoa que se está colocando aqui", expliquei, sem muitas delongas.

"Desculpa-me, Haruka-san, mas eu nunca me intrometi na escolha dos clientes da tua Casa de Chá, e tampouco irei me meter no tipo de clientela que existirá no futuro bar temático.", retrucou Keitaro, dando-me um legítimo xeque-mate. Desde quando esse pirralho adquiriu essa língua ferina?

"Está bem, não está mais aqui quem perguntou... E se você quer distância de mim, não tem problema...", afirmei, demonstrando estar muito magoada. Não admito que me tratem feito lixo. Quando estava saindo, Keitaro me segurou pelo ombro.

"Desculpa, Haruka-san, não era minha intenção ser indelicado contigo... Perdoa-me, por favor...", implorou Keitaro, com uma expressão triste.

"Tudo bem, Keitaro... Mas nunca mais me responda dessa maneira. Sou irmã de teu pai, você me deve ao menos respeito. Quando eles lhe expulsaram de casa, eu e a vovó Hina lhe aceitamos de braços abertos. Aprenda a ser grato com as pessoas, ou as pessoas não serão honestas contigo", afirmei, deixando bem claro o que pensei sobre a atitude dele. "E da próxima vez que você agir assim comigo, não terei nenhum pudor em usar de força bruta, você entendeu?"

"Eu entendi, Haruka-san...", disse-me Keitaro, bastante encabulado. Acho que agora eu exagerei, mas ele bem que pediu.

"Bem, deixando para trás nossa pequena discussão, ainda você não me disse o nome da futura moradora, Keitaro", disse calmamente, tentando dar fim ao mal estar prévio.

"Ah, sim... O nome é Mizuho Fujisawa, e ela me disse que a família dela já morou nas redondezas... Você já ouviu falar, Haruka-san?", disse-me Keitaro. Aquele nome, Mizuho Fujisawa. Não acredito! Fiquei ligeiramente pasma ao escutar aquele sobrenome. É uma das meninas que brincavam com o Keitaro na tenra infância dele.

"Sim... Acho que sim... Eu me lembro de uma família que tinha esse sobrenome, mas o esposo morreu e a viúva teve que ir embora... Isso já faz muito tempo", expliquei, obviamente omitindo alguns fatos. Se essa menina também fez a promessa, creio que está surgindo uma nova concorrência para as outras garotas da pensão.

"Engraçado, não consigo me lembrar dela... Mas ela é muito simpática, e creio que a convivência com ela será tranqüila", afirmou-me Keitaro. Eu não pensei da mesma maneira.

"Você é o gerente, se você está certo de que ela será uma moradora de confiança, não tenho nada contra. Acho melhor que eu lhe deixe dormir, pois a semana está só iniciando. Até amanhã, Keitaro", despedi-me.

"Até mais, Haruka-san", devolveu-me Keitaro.

Caramba, como o mundo é pequeno... Eu pensei que nunca mais ouviria o nome de Mizuho Fujisawa. Não é que eu não gostasse dela, mas o contexto não ajudava. As garotas estavam querendo conquistar o coração do Keitaro, e apareceu do nada uma concorrente de peso.

Eu só desejei ver onde essa história vai parar...


Capítulo escrito em 04/02/2005. Colocar Mizuho na saga me deu um novo ânimo para escrever. Será mais uma personagem para incrementar a novo disputa pelo coração do Keitaro. De repente, surgem outras tramas que as envolvam...

Sinto falta dos reviews da turma... Bem, exceto do Shadowslicer Lucas, que é um fiel escudeiro dos escritores de fanfics. Os reviews servem como ânimo, para saber se o conto está bom, o que precisa mudar... Até para causar polêmica, ou simplesmente para elogiar. Isto anima qualquer escritor de final de semana a produzir mais e mais.