ÀS
SUAS ORDENS
Capítulo
12: Bandeira Verde
PV: MIZUHO
Esta foi uma segunda-feira especial, pois foi o dia em que voltei ao Hinata-sou. Faz praticamente vinte anos que não colocava meus pés no referido prédio. Mal consegui me concentrar nas aulas, devido à ansiedade da mudança e pelo desejo de conhecer quem seriam minhas colegas de pensão. Não tinha idéia de como eu seria recebida, se as antigas moradoras iriam gostar de mim... Mudança é sempre complicado.
O dia parecia lento para mim. Não via a hora de fazer a mudança. Ao encerrar o dia letivo, voltei correndo para casa. Quando cheguei ao prédio que iria deixar, vi que havia um caminhão pequeno na frente. Dentro dele, uma mulher aparentemente um pouco mais velha do que eu e o motorista estávamos sentados. No lado de fora, estava Keitaro, que acenou para mim após me ver.
"Oi, Mizuho! Pronta para a mudança?", gritou Keitaro, muito jovial.
"Nossa, realmente dá gosto de trabalhar com pessoas eficientes! Há quanto tempo vocês estão me esperando?", indaguei, bastante feliz.
"Há meia hora, acho eu. Ah, deixa-me apresentar, esta é minha tia, mas ela gosta de ser chamada de Haruka-san...", afirmou Keitaro, um tanto jocoso. Só deu tempo de a mulher dar um soco bem no topo da cabeça dele.
"Ei, isso machuca!", gritei, bastante preocupada com a integridade de Kei-kun.
"Não se preocupe, ele é imortal", disse a tal Haruka, saindo do caminhão. Ela se aproximou de mim e estendeu a mão na minha direção. "Prazer, espero que sejamos amigas".
Eu a cumprimentei e retruquei: "Eu também espero... mas é estranho, eu acho que me lembro de ti... Tu sempre andavas com uma senhora idosa, não é?".
Haruka sorriu e respondeu-me: "Sim, a tal senhora é a vovó Hina, a dona da pensão. Ela deixou os netos como gerentes do local, e saiu para viajar. Só gostaria que você se referisse àquela senhora com mais respeito, pois ela é minha avó e minha mentora".
"Claro que sim, não te preocupes, Haruka-san... Ah, e este senhor?", indaguei, muito curiosa.
"Ah, eu contratei este senhor para transportar a mudança. Não se preocupe, já está pago. Depois vai ser acertado durante a tua estada no Hinata-sou", explicou-me Haruka.
Keitaro se aproximou de mim, colocou a mão no meu ombro e perguntou: "E então, Mizuho, vamos colocar tuas coisas no caminhão?".
Não pude deixar de sorrir e afirmei: "Mas é claro, Kei-kun! Vamos lá!"
Também foi inevitável observar a perplexidade de Haruka ao comentar com Keitaro: "Mizuho? Kei-kun? Já são tão íntimos assim para trocar intimidades?". Eu sorri, enquanto que Keitaro ficou muito rubicundo. Nossa, se ele ficasse mais vermelho poderia correr o risco de parar em uma salada de tomate.
No resto, foi tudo muito tranqüilo. Como eu tinha poucas coisas para carregar, não demoramos a esvaziar o apartamento. Depois de tudo carregado, olhei para o apartamento vazio. Nossa, foram tantas festinhas naquele local, senti que teria saudades de lá. Mas respirei fundo e olhei confiante para frente, pois sentia que teria novas experiências no Hinata-sou.
"Amigos, eu já estou indo, só quero me despedir deste lugar, está bem?", pedi a eles. Logo depois que saíram, eu olhei para o apartamento vazio pela última vez, tranquei a porta, fechei os olhos, respirei fundo e disse a mim mesma: "Bem-vinda à nova vida. Mizuho, tu mereces!".
PV: HARUKA
Hum, Mizuho-san ficou mais bonita do que nunca. Eu me lembro que ela era uma criança que se destacava das outras, e agora ela continua bonita. E até agora, não consegui perceber quaisquer defeitos nela. É determinada, confiante e muito alegre. Nossa, agora realmente percebi que o páreo vai ficar muito duro para as antigas moradoras do Hinata-sou.
Durante o trajeto até o Hinata-sou, Mizuho contou diversas coisas sobre a vida dela, provou que sabia contar piadas como ninguém, deu a opinião dela sobre diversos assuntos da atualidade... Enfim, foi uma conversa muito agradável. Quando o apareceu o monte onde fica o Hinata-sou, Mizuho praticamente pulou da poltrona e gritou: "Agora eu me lembro! É o Hinata-sou, não é? Continua um prédio lindo!".
"A única diferença é que o Hinata-sou era um hotel de termas naquela época, e hoje é uma pensão feminina. Mas o resto continua igual, Mizuho-san", expliquei.
"Por favor, Haruka-san, você pode me chamar de Mizuho, eu não sou chegada em formalidades", afirmou-me Mizuho, com um sorriso jovial. Não pude evitar de sorrir, embora sempre mantendo um certo controle sobre a fisionomia, pois nunca gostei de exageros.
"Posso te perguntar uma coisa, Mizuho?", indaguei-a.
"Mas é claro, Haruka-san!", respondeu Mizuho.
"Estás namorando no momento?", provoquei-a.
Ela deu um pequeno sorriso e falou: "Não, não tenho nenhum amadinho agora. Mas já tenho um pretendente...".
Aquela resposta foi desconcertante. Decidi forçar o jogo e arrisquei uma nova pergunta: "Faz muito tempo que tu estás apaixonada por ele?".
Ela me encarou suavemente e respondeu: "Sim, quase a minha vida toda". Aquela resposta fez todo o sentido para mim. Obviamente, Keitaro foi o único que boiou.
"Espero que você consiga o amor desse sujeito algum dia.", disse Keitaro, tentando ser gentil.
"Eu também espero, Kei-kun...", afirmou Mizuho, ficando corada. Nossa, como o Keitaro podia ser tão avoado a ponto de não perceber o óbvio?
Bem, após uma viagem sem nenhuma intercorrência, finalmente chegamos ao Hinata-sou. As meninas estavam na frente, como uma comitiva de boas-vindas. Primeiro saiu Keitaro e depois eu saí. Foi quando eu cutuquei Keitaro.
"Ah, sim! Garotas, quero que conheçam a nova moradora do Hinata-sou! Por favor, pode descer...", disse Keitaro, dando a mão para que Mizuho saísse. Quando ela desceu da cabine, houve um silêncio mortal nas escadarias do Hinata-sou. Keitaro então completou: "Garotas, esta é Mizuho Fujisawa. Sejam legais com ela, por favor...". Bem, achei meio inadequada a última sentença... Quem não conhecesse as meninas, pensaria que elas são monstros em forma de gente. Bem, algumas vezes elas agem como seres mitológicos...
"Hum, olá a todas... Será um prazer morar com todas vocês no Hinata-sou!", cumprimentou Mizuho, jovialmente. Demorou um pouco para que as garotas saíssem do estado de quase narcolepsia em que estavam.
"Ol�, Fujisawa-sama... Sou Shinobu Maehara, e seja bem-vinda!", falou Shinobu, um tanto intimidada com Mizuho. Queria descobrir o que espantou Shinobu...
"Oi, sou Mitsune Konno, mas pode me chamar de Kitsune... É um prazer conhecê-la!", disse Kitsune, encarando-a como já a tivesse encontrado antes.
"Sou Motoko Aoyama, espero que você se sinta em casa no Hinata-sou", disse Motoko, vestida com a roupa de kendo e com um semblante sério.
"Ara, ara! Sou Mutsumi Otohime, e gosto muito de fazer novos amiguinhos! Seja bem-vinda ao Hinata-sou", disse Mutsumi, mostrando toda a gentileza. Não sei se Mutsumi já a reconheceu, acreditava que sim. Mutsumi podia parecer aérea, mas não era tão desligada quanto parecia.
"Hello! Sou Sarah McDougal, espero que você seja divertida!", falou Sarah, demonstrando que necessitava de mais que um sorriso para se agradar de alguém. Mizuho não ficou nem um pouco abalada, ao contrário, ampliou o sorriso.
"Oi, sou Naru Narusegawa. Seja bem-vinda...", declarou Naru, um tanto encabulada. Sendo o poço de mistério que ela era, ficou difícil saber se Naru a reconheceu.
"Oi, sou Kaolla Su! Vamos ser amigas?", perguntou Kaolla, com um brilho no olhar. Kaolla se aproximou de Mizuho e encostou o próprio rosto ao da recém-chegada, e completou: "Nossa, que pele macia! Você é tão bonita!"
"Bom, acho que todas se apresentaram, está na hora de fazermos a mudança da Mizuho. Quem gostaria de ajudar?", inquiriu Keitaro, tentando mobilizar a turma. Todas se ofereceram para ajudar. Tivemos que usar uma estrada mais íngreme para conseguir colocar o caminhão na frente do Hinata-sou.
As meninas estavam muito colaborativas durante a mudança e a arrumação do quarto que Mizuho iria ocupar. Até aquele momento, nenhum problema tinha surgido, e considerei isso muito bom. O clima no Hinata-sou não era dos melhores, e acreditei que não demoraria muito para surgir novas celeumas. Eu só queria um momento de paz, sempre detestei encrencas – mas quando eu entro em uma, eu vou até o final, pior que encrenca é deixar assunto pela metade.
Depois que a mudança acabou, despachamos o caminhão e voltei para a Casa de Chá, pois tinha que arrum�-la para receber os clientes durante à noite. Só desejei que a primeira noite de Mizuho fosse tranqüila, nada mais.
PV: NARU
Ufa, finalmente terminamos a mudança de Mizuho-san. Que coisa estranha, ela me pareceu tão familiar. Durante toda a mudança, eu a encarava por alguns instantes e tentava me lembrar dela, de onde conhecia. Quando percebi que era inútil, decidi apenas focalizar meus esforços na mudança.
Depois que a Haruka-san nos deixou, Kitsune propôs que fizéssemos um jantar de boas-vindas para Mizuho, o que foi facilmente aceito. Afinal, depois de tanto trabalho, merecíamos uma refeição farta. Shinobu já estava indo para a cozinha, quando Motoko insistiu que devia ajudar, pois o dia tinha sido muito extenuante. Shinobu aceitou a ajuda em ambas foram para a cozinha.
Foi quando percebi que Mizuho não estava no salão principal conosco. Então, perguntei: "Alguém sabe onde está Mizuho-san? Seria interessante que estivesse aqui para conversarmos um pouco."
"Não sei, mas acho que ela voltou ao quarto, parece que precisava deixar as coisas arrumadas para as aulas de amanhã, ou coisa assim.", respondeu Kaolla, sentada no sofá igual a um cachorrinho.
Mutsumi se aproximou de mim e sugeriu: "Ei, Naru-san, que tal irmos até o quarto de Mizuho-san e convidá-la para descer? Acho que ela pode arrumar o material de aula depois, não acha?"
"Claro, Mutsumi-san. Vamos lá.", respondi jovialmente, embora estivesse desconfiada que não era só isso que Mutsumi queria. Enquanto subíamos as escadas, Mutsumi me cutucou no quadril e eu sussurrei: "E então, Mutsumi-san, o que você quer?".
"Você não acha que Mizuho-san é alguém muito familiar?", inquiriu-me Mutsumi. De fato, eu também tinha a desconfiança de que Mizuho não me era estranha. Eu balancei positivamente a cabeça para Mutsumi.
"Então, você também acha que ela já passou por nossas vidas antes?", completei. Mutsumi devolveu-me o menear. Depois do meneio, eu disse: "E você quer conversar isso com Mizuho?".
Neste momento, estávamos à frente da porta do quarto de Mizuho. Mutsumi então disse: "Sim, eu quero saber se ela já passou por aqui. Não vai ser divertido, ara ara!". Enquanto batia na porta, eu ri comigo, pois a Mutsumi se mantém gentil e sorridente mesmo nos momentos de tensão.
Não demorou para que Mizuho abrisse a porta e perguntasse: "Mutsumi-san? Naru-san? Gostariam de falar comigo?"
"Sim, Mizuho-san! Podemos entrar?", perguntei. Mizuho estendeu o braço, dando a permissão. Ela é alegre como a Mutsumi, mas não parece ter o jeito inocente da garota melancia. Ela me pareceu mais... Atrevida, se poderia dizer desta forma. Depois que eu e Mutsumi entramos, verifiquei o quarto e complementei: "Oh, agora que prestei mais atenção, vejo que ficou muito bom o teu quarto, Mizuho-san!"
"Ara, ara! Realmente, você tem bom gosto na escolha de móveis!", adicionou Mutsumi.
"Hum, o meu irmão caçula me ajudou a comprá-los. Eu gosto muito deles, sim! Mas não me parece que vocês queiram conversar sobre meus gostos...", afirmou Mizuho. Como eu pensei, ela não era boba. Ela é uma pessoa de bem com a vida, mas conseguia perceber o mínimo traço de segundas intenções. Vai ser uma pessoa interessante de conviver-se.
"Nossa, Mizuho-san! Como você é atenta! Nós temos uma dúvida assim!", disse Mutsumi, boquiaberta. Constatei que Mutsumi não esperava que Mizuho fosse tão ligada nas coisas.
"E qual seria a dúvida?", inquiriu Mizuho. Era a hora da verdade...
CONTINUA...
Capítulo escrito entre 04/02/2005 e 07/02/2005. Mizuho está dando pano para manga, hein? Estou aproveitando as férias para tocar um pouco esta saga, pois a volta às aulas não vai ser fácil. Terei três disciplinas anuais que tomarão tempo de estudo, além da volta do estágio voluntário. Decidi que devo colocar o maior número de capítulos no mês de fevereiro, para não deixar os leitores com saudades – sei lá quantos leitores tenho, espero que sejam vários... Min'na arigatou gosai masu!
Ah, Shadowslicer, de onde sai tanta criatividade? Na verdade, a velha máxima de Lavoisier já dizia: "no mundo, nada se constrói ou se destrói: tudo se transforma". A idéia central foi inspiração minha em um papel de parede, só peguei o que já li em diversas fanfics de vários animes e mando bala. São idéias que tive sempre baseado em algo que li. A vida é assim: tudo o que surge de novo é fundamentado naquilo que já existe. E comigo não é diferente, embora admita que certas pessoas tem um "dom" maior em processar aquilo que existe no mundo real e transformar em idéias criativas no escopo mental. Coloco dom entre aspas porque não acredito em dádivas: o dom é simplesmente uma capacidade humana que a própria pessoa aprimora com o tempo. De qualquer forma, eu te agradeço pelo apoio. É bom saber que, pelo menos, alguém está muito contente com minha saga.
E agradeço eventuais leitores que também estejam acompanhando a saga. Esta saga é uma contribuição minha os fãs brasileiros (e também do mundo, pois estou traduzindo a saga para o inglês) de Love Hina.
NOTA: "Bandeira Verde" é o indicativo nas praias de que o mar está calmo.
